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terça-feira, 28 de novembro de 2023

Nada tiraram de mim

 23.01.2016.


Meu pretexto é um protesto que detesto

Caso encontrem vestígios de mim aqui, devolvam-me!

A vida é Nina Simone dizendo que nada tem: só a vida

Nada tiraram de mim - nem os olhos

Continuo tenso, tenro, calmo quando penso

Quando penso


A vida é esse garçom de rodízio de churrascaria

Entope-me de coisas deliciosas toda hora

A vida é Stevie Wonder sorrindo ao piano

Nada tiraram de mim - nem meus sonhos

Continuo aos gritos guturais nos agitos sociais

Quando socializo




Marcelo Braga.

E-MAIL QUE RECEBI

 

04.02.2016.


Tirei parte do endereço do e-mail recebido observando o uso da informação respeitosa dos ditames da internet.

Na vida, em minha vida e em meu momento particularmente falando, tenho lidado de forma ostensiva com vários parâmetros da relação humana, como nunca antes me fora dada a oportunidade.

Tenho atraído anjos, pessoas sábias e de bom coração, ou a Providência as têm colocado em meu caminho.

Na vida familiar, uma esposa que luta incansavelmente ao meu lado. Meu convívio diário com minha filha - tem sido enriquecedor para mim. A preocupação de meus sogros comigo também é de grande alento.

Na vida 'social' - amigos virtuais e presenciais - palavras de conforto, crédito, amizades sem reservas, elogios e grandes empenhos em me ajudar. Cito hoje três pessoas em especial:


Fernando Honório (músico, cliente e um amigo dedicado que nunca vou esquecer); a aniversariante do dia: Sandra Amorim (escritora do Recanto das Letras, amiga, uma pessoa sensacional - tanto no mundo virtual tanto no mundo real: a mesma pessoa) e meu novo amigo virtual: Dr. Claudinei Monteiro - foto (cliente do e-mail que segue abaixo).

E agora, para minha surpresa, algo atípico no mundo do comércio: Dr. Claudinei Monteiro. Apenas o atendi como atendo a todos, vendi meu produto e ele se mostrou contente com minha atenção, que ao meu ver, não passou de minha obrigação como vendedor pessoal ou virtual.

Nesse momento difícil, onde ficamos um pouco fragilizados diante das circunstâncias que a vida nos impõe, cada detalhe tem sido reparado com a necessária justiça e gratidão. E o aprendizado 'à força' há de me tornar um ser humano um pouco melhor. 

Sendo assim, desabo aqui minha alegria por estar recebendo de todos os lados pessoas
HUMANAS que eu também achava não mais existir.

 

"Dr. Claudinei Monteiro Para'Marcelo Braga'Fev 2 em 6:48 PM

Dileto Marcelo DEUS lhe pague, virei seu fã! Nesse mundo onde escasseiam as verdadeiras amizades, a retidão de caráter e a seriedade nas relações humanas, me vejo aqui, distante muitos quilômetros, porém, tão perto e unidos pelos mesmos princípio – que não é nada mais que nossa obrigação - o Respeito à dignidade Humana (Promete? Cumpre! Simples assim, mas não...optam pelo descumprimento, baderna, etc.!!!) Pode acreditar dentre os tantos presentes que tenho recebido de DEUS nessa minha vida; nesses meus 59 anos de idade, por certo o Senhor é uma desses presentes embrulhado no lindo invólucro de fina honra. Recomendações à esposa e toda família. Agora vou pra casa, ali pelas 21:horas, podendo, vamos combinar de nos encontrarmos no facebook? Preciso pagá-lo. Vosso trabalho é de, rara, qualidade e seu atendimento é de, mais que parceiro, é de verdadeiro irmão para irmão. DEUS lhes pague e os abençoe (não sei se és cristão, eu sou. Isso se lhe desgosta ou não? Jamais desejo desgostá-lo).

Claudinei. Mostrar mensagem original"



Termino com um pequeno e enriquecedor texto de Cícero, em seu livro OS DEVERES, TOMO II, capítulo 8:


"Pois bem. A elevação de caráter torna digno de admiração quem a possui, principalmente ornada de justiça, graças a qual o indivíduo já se denomina "homem de bem".

Ele se afigura para o povo qual foco de virtude e não sem motivo, já que não pode ser sábio quem teme a morte, a dor, o exílio, a pobreza ou que, em relação à justiça, prefere o oposto.

Admirado mesmo é quem não se dobra por dinheiro algum. Quando isso se constata em referência a determinada pessoa, ela é vista como que tendo superado a tal prova de fogo."



Marcelo Braga

Violentamente afável ante meus instintos mais primitivos


12.02.2016.


Permeiam-me vultos daquilo que nunca em mim se alterou

Por uma vez ter passado fome, visto a fome, socializei-me com a dor humana

Hoje alimento-me bem com perpectivas utópicas de um mundo luminescente

Coagido por minha insatisfação abandonei a apreciação das certezas alheias

No sarcarmo da loucura humana preservo-me, hienicamente falando, a sorrir

Gargalhadas três por quarto quando vejo não haver o certo e o errado, diante dos diversos prismas

Descriterioso quanto à utilidade dos trágicos mecanismos da sociedade que dimensiona seu mundo particular à minha garganta abaixo

Com minhas bolas de ferro arrastadas, prossigo inatingível às opiniões contrárias - e contraditoriamente apraz-me considerá-las (por lapsos momentos)


Torno-me cada vez mais afável no trato com a indiferença

Admiro com olhos que brilham a justiça que se mostra liberta de interesses escusos

A generosidade humana às vezes tropeça diante do interesse de reconhecimento e glória

Minha racionalidade de honestidade e virtude se contrapoem à minha visão de mundo investigativa (onde mais vejo superficialidade que benevolência)

Vibro euforicamente com a destinação de recursos aos pobres e
Enojam-me as despesas com movimentações festivas que parecem desconhecer os pruridos dos que sofrem


E mesmo assim sigo violentamente afável em meus instintos mais primitivos

DESCOMPROMISSADO

 16.02.2016.



Um tribunal Supremo que todos carregam em si
Óh leitura complexa do mesmo para se tornar imparcial e cristalino!

Fiscalizando pormenores e eteceteridades minhas éticas e moralidades - concluo que nada se conclui
Sob todos os aspectos de meus céus e infernos - ri de tudo - por desespero, alegria e ironia 

Saí ileso de mim graças à minha essência imutavelmente firme
Optei pelos caminhos cômodos que apaziguam as dores maiores e chorei nas pequenas dores para transformá-las em agradáveis futuras lembranças

Minha consciência quando chata comigo, mando-a pastar um pouco - passada sua moralidade e solidão, volta-se pra mim como um cão feliz por seu dono imponderável

Criei poesia para iludir-me de que eu era poeta
Criei minha satânica santidade para desprezar o certo e o errado criado e modificado constantemente

Tropecei de sacanagem para andar mais rápido
Tapei meus ouvidos às regras somente para transgredi-las

Joguei valiosidades fora para poder reconquistá-las
Fui ao fundo de vários poços somente para me refrescar um pouco

Incriminei-me regularmente só para irritar as pessoas certinhas
Em meu egocentrismo consegui livrar-me dos chatos e donos da razão

Encouraçado de minhas desobrigatoriedades tornei a vida mais leve
Armado de meus descompromissos tudo consistiu em apenas acordar

Minhas poesias foram apenas músicas que não soube fazer
Minhas convicções mantiveram adendos para que eu pudesse mudar constantemente

Joguei fogo nas fogueiras somente para brincar e mijar na cama depois
Joguei humanidade em mim para ver se sobrava algo pra alguém

Venerei com minha hierarquização aquilo que achei digno
Substancialmente por saber a sociedade mutável - tratei-a com reservas intelectivas

Se fui feliz? O que é felicidade para você pode ser a minha infelicidade

Na verdade fui nada - óh que dó... tão inteligente...
Tive nada e tive tudo

Falador e mudo
Inquisidor e polêmico



MARCELO BRAGA

FELIZES MOMENTOS

 


FELIZES MOMENTOS
29.02.2016.



A PUNÇÃO LOMBAR - seria para mim o pior... tirar líquido de minha espinha: 10 ml! Nada. Tranquilamente.

O segundo exame de ELETRONEUROMIOGRAFIA - inesquecível. Uma dupla de cariocas universitárias, Mariana e Juliana. Falavam sem parar enquanto me aplicavam nos nervos eletrochoques e a maldita agulha que até por minha bochecha penetrou. Quase 40 minutos de conversas e sustos. 100 ou 200? Perguntava uma para outra - 200! Putz! Vamos refazer esse, perdi a imagem. Essa imagem não está boa. Pontas dos pés, das mãos, nervos das pernas, choques, agulhadas e infinita conversa sobre viagens, estudos, fobias, diagnósticos de seus psiquiatras sobre suas esquisitices enquanto eu, um pedaço de carne no tremular de suas mãos que falavam gesticulando, tomava um susto maior que o outro... em pequenos intervalos: "Esse vai doer um pouquinho..." Caracoles! Em um momento as interrompi perguntando: "Isso é tática?" - pararam as duas estáticas: "Tática, como assim senhor?" - "Vocês falam sem parar na intenção de acalmar o paciente?" - "Não senhor, é que estamos a muito tempo sem nos ver..." - "Há quanto tempo doutoras?" "Desde terça-feira passada" - "Ah sim, terça-feira hoje, ou seja, a uma semana..." "Se fosse a um mês teriam já inserido a agulha em meus olhos... pensei." Nada mudou - voltaram ao papo e novamente interpelei: "De 100% do exame estamos à?" "75% senhor, falta pouco..." Mais 25% de conversas loucas e infinitas até que uma disse: "Essa é a última!" "Chame o maqueiro!" Ali fiquei por mais uns 15 minutos aguardando o maqueiro ouvindo a estudante de mestrado conversando com a estudante de doutorado sem que obtivesse chance alguma de qualquer papo ameno. 

POLIRRADICULOPATIA nos membros inferiores (diga-se de passagem, nas duas pernas, a esquerda e a direita...).

Exame de sangue quase perfeito: pequena falta de B 12.

Exame físico: acordado, orientado no tempo e no espaço.
Corado, acianótico e anictérico. Eupneico em ar ambiente.
Indolor à palpação, sem massas ou visceromegalias, peristáltico.
Entre outras normalidades contendo termos mais discretos por serem siglas que somente eles sabem o que são...

Exame neurológico: 
Funções mentais superiores: vigil, obedece aos comandos, atento e cooperativo. Nota 1000!
Nervos cranianos: isocoria fotorreagente, MOE sem alterações, força reduzida em mímica facial, mobilização da língua sem alterações, movimentação de palato e úvula sem alterações.
Motor: medidas de forças iguais nas duas pernas com nota máxima na abertura dos dedos e extensão da perna e com nota 4- (máxima era de 5) na elevação da coxa.
Sensibilidade: posição segmentar sem alterações. Hipoestasia tátil e álgica em território de nervo safeno e em grupamentos distais. Sensibildade vibratória preservada com pequeno gradiente distal/proximal.
Reflexos: Nota máxima para quase todos. Patelar nota 1 (máximo de 2) e o Aquileu, coitado: nota zero!
Equilíbrio: prejudicado.
Coordenação: Eumetria e eudiadococinesia.
Marcha: miopática. Se rigidez na nuca.

Propedêutica: - Líquor: citometria: 2 células  100% MN, glicose 77, proteína 48 d/dl. Bacterioscopia neatva.
HIV, VDRL, HTLV, TPHA, HEPATITE B e C: NEGATIVOS.

Propostas:
- acompanhamento ambulatorial no serviço de neurologia do HOSPITAL FEDERAL DOS SERVIDORES com o Dr. Gabriel.
- manutenção da vitamina B 12
- encaminhamento para a fisioterapia.

Enquanto passavam alguns dias à espera dos exames, a incerteza de que voltaria a andar ou não (desde meados de dezembro de 2015 na cadeira de rodas sem força alguma nas pernas). Fevereiro já se aproximava do fim. 

Muita cama, nada de internet, três livros lidos (um da Lygia Fagundes bem louco...); diverti-me bastante com ENSAIO SOBRE A LUCIDEZ de Saramago em sua retórica única e frases comuns de meus colonizadores como:  "Filhos da grande puta que vos pariu!" e ainda mais com A MULHER QUE ESCREVEU A BÍBLIA de Moacyr Sclair, que narra a história de Salomão numa ótica bastante humana.

Amizade com dois pacientes de leitos ao lado:
Meu xará, dois anos mais novo que eu, tendo sido internado duas horas depois de mim, cujo nome prefiro preservar, no leito 14. Dono de empresa de viagens de passeios bíblicos pelo Egito, Jerusalém e Atenas. Mestre em teologia na Universidade Hebraica sem saber falar hebraico. Apresentei-me a ele como sendo muçulmano - para evitar ali algum tipo de proselitismo... e  assim conversávamos mais sobre o Flamengo, suas dores, febres, exames, seus choros, seu testemunho, enquanto por ele se revesavam de segunda à sexta sua ex-mulher e nos finais de semana sua atual namorada... até parecidas as duas. Ah, o tubo que tiveram que inserir nele para facilitar a evacuação... jurou-me que não ficaria viciado com aquela prática...

No leito 12, dois dias depois, AL, como é chamado em Santo Antonio no Texas o norte-americano com suspeita de Guillan Barrè. De origem germânica e sobrenome CABALLERO. Como eu, de origem germânica e sobrenome BRAGA, qual o problema?! Com esse me diverti bastante. Um norte-americano vindo visitar sua namorada brasileira, 20 anos mais velho que eu, pela primeira vez internado na vida. E uma pessoa agradável e feliz. Reclamava apenas dos dias e horas que se passam dentro de um hospital, dos eletrochoques e agulhadas. No mais, nem calor, nem frio, comida boa, tudo muito bom - "Melhor que no Texas - lá me custaria uns 12 mil reais dia tal internação, aqui é de graça!" Reaprendi o Bê a Bâ do ingrês arcaico (ele não falava quase nada em português) e seguimos dias rindo, tentando manter um diálogo. Conversamos sobre tudo: sonhos, carros, capitalismo, socialismo (ele chama Trump de crazy Trump), Brasil, USA, seus parentes, novaiorquinos, etc... e quando tive que explicar que PAY DAY no Brasil continha o som e um verbo conjugado no passado...

Eu, no leito 13... acho que muitos não queriam esse leito... mas eu gostei, tanto pelo número quanto pela sorte que ele sempre me deu... ainda bem que não havia leito 45...

Do fumódromo eu acompanhava todos os dias a chegada e saída dos cruzeiros que aportavam ao cais. O baruho das obras e seus guindastes de prédios ao redor para as Olimpíadas. As incansáveis decolagens e pousos do Tom Jobim e num tráfego ainda mais acelerado, do Santos Dumont. A movimentação da ponte Rio-Niterói (como sonhava todos os dias atravessá-la novamente de volta para casa). Os temporais que se arrumavam nas serras de Ana Bailune e Beth Joy. Os passantes da grande rampa que unia os 11 andares do prédio. Papos e mais papos com fumantes seguranças, pessoal da limpeza (o baixinho que tomou esporro de seu chefe por estar sempre ali conversando comigo), internados que se movimentavam até lá, acompahantes, pessoal do almoxarife, visitantes, auxiliares de enfermagem, enfermeiras, médicos fumantes, Herbert, o fugitivo (todos os dias tentavam fugir de seu 5° andar e os seguranças o retornavam ao leito), 19 anos, em seus primeiros dias, ainda sob o efeito de drogas e depois sob o efeito de abstinência. Foi se acalmando e passou a fugir apenas para 7° andar, onde eu estava para bater papo sobre sua comunidade e me filar cigarros. Aliás, ele deve ser operado amanhã.

Um dia antes de iniciar meu tratamento venal de duas horas diárias para baixar minha imunidade e controlar a loucura dos anti-corpos que estavam a atacar os nervos de minhas pernas, consegui dar uns passos sem me escorar em nada. Em duas seções de fisioterapia e uma alimentação muito completa e diversificada - e o melhor: sem restrições: sal, açúcar, vinagre, azeite. Frutas, sucos, pastas, queijos, carnes, leite e umas Coca latas que adentravam na moita para mim de noitinha...

Cinco dias depois do tratamento venal, tive alta, saí andando como um robô, tendo volta marcada para revisão em MAIO naquele respeitado e equipado hospital federal, onde tudo funciona, nada falta. Atendimento sério de ótimos profissionais em diversas áreas da medicina onde eu tive a sorte de ir parar. HOPE!

Bem, hoje é segunda, tirei quase 15 dias de férias. Hora de trabalhar em minha internet. 



DEDICO ESSA CRÔNICA

À Sandra Amorim por indiretamente ter me levado a esse hospital.

À minha querida Isabel nas idas e vindas diárias onde segurou todas as pontas: nossa casa, casa de seus pais, nossa filha, eu, nossas vendas pela internet e nossa lojinha.

Aos amigos que ajudaram no início, no meio e no fim.

E ao Poder Superior que nós, agnósticos, acreditamos existir.


MARCELO BRAGA





Por um tempo

 




POR UM TEMPO
29.03.2016.




Por ordem de sucessão, aquilatei primeiro os contras depois os prós
Desdobrei o enorme mapa desses poucos anos
Não há magia nem mistérios


Em dosagens ponderadas de sobriedade gritei: estou ótimo aqui!
Climatizado, camaleonicamente falando
Acostumado, brasileirantemente falando


Em minha personalidade autônoma, lacei minhas relações afetivas
Foram quase três mil conhecidos pessoalmente
Risadas históricas - amizades eternas, enquanto duram


No contexto do material aqui, por mim apropriado
Ganhei muito mais do que doei
Se tive êxito, os méritos não são meus


Aprendi nesse imenso laboratório de condições apropriadas
Imensos e inenarráveis momentos de amadurecimento
Efetivo e genuíno, juridicioso, estruturado e sem pressa


Marcelo Braga

Um começo

 19.12.2021.


Descobrir minhas vulnerabilidades, meus limites, aceitar que, "quanto mais eu envelheço, menos eu sei sobre mim mesmo"¹, talvez sejam os primeiros passos para a humilde paz.

O exaustivo trabalho que dá para manter minhas 'personas' ante minhas sombras... a vergonha narcísica de meus sintomas, de meus descobrimentos sobre os tais... como se eu fosse perfeito e capaz de ser um super-humano.

As coisas chegam para mim quer eu queira ou não... fique tranquilo Marcelo, nada está sob controle.


Marcelo Braga

Parto Normal

 20.12.2021.


   Nasci chorando, de cabeça para baixo... até meu quinto ano, nenhuma lembrança, eu acho. 

   Trouxe comigo, sem mesmo acurar ou saber, um inconsciente pessoal e um inconsciente coletivo, um DNA, uma genética, uma história de vivências e quem sabe talvez... predileções!

   Fui aos poucos tomando uma forma, uma estrutura de reações internas e externas. 

   Fui aos poucos vivendo experiências em variados níveis: intelectual, profissional, pessoal, sentimental, sensitiva, religiosa, social e psicológica.

   Nesse embaralhado de individualizações não premeditadas, tornando-me único e quase não repetido. Uma unicidade na forma.

   Continuei por muito tempo chorando e virado de cabeça para baixo, até que, dissolvi-me de um ego turbulento e patológico. Nada descobria sobre mim mesmo e agora, apenas agora, começo a ver, em parte amiúde, alguns de meus processos internos. Muitos erros cometidos foram inevitáveis; perdoei-me e saí vivo disso tudo.


Marcelo Braga

 Sofrimento

30.12.2021.


sofrimento

substantivo masculino

1.

ação ou processo de sofrer.

2.

dor causada por ferimento ou doença; padecimento.

"o médico deu-lhe remédio para diminuir seu s."


Sofrimento é qualquer experiência aversiva e sua emoção negativa correspondente. Ele é geralmente associado com dor e infelicidade, mas qualquer condição pode gerar sofrimento se ele for subjetivamente aversivo. Antônimos incluem felicidade ou prazer. Wikipédia


Assim, genericamente, sofrimento é um estado de aflição severa, associado a acontecimentos que ameaçam a integridade (manter-se intacto) de uma pessoa. Sofrimento exige consciência de si, envolve as emoções, tem efeitos nas relações pessoais da pessoa, e tem um impacto no corpo.


A dor que sentimos, aquela experiência física desagradável que nos coloca em alerta não necessariamente vem acompanhada de sensações de infelicidade, angústia ou aflição. Esses sentimentos que reunidos chamamos de sofrimento.


Sofrimento pode ser, em geral, uma constelação de situações. Pretendemos em primeiro plano, isolar o sofrimento físico do sofrimento psicológico e mantermos a análise no segundo plano. 


Suponhamos que 80% de nossos sofrimentos provém de fatores psíquicos. Os outros 20% seriam, de fato, dores físicas, uma experiência sensorial desagradável que também afetam o fator psicológico.


Dividindo os sofrimentos psicológicos em três grandes grupos, podemos nos deparar com: sofrimentos atrelados ao passado (depressão entre outros); sofrimentos atrelados ao presente (inconveniências sensoriais)  e sofrimentos atrelados ao futuro (ansiedade entre outros).


Numa lista um pouco mais abrangente encontramos: 


Sofrimentos identificados pela psicanálise: sintomas,  histeria, inibições, angústias, distúrbios de caráter, compulsões à repetição... para Freud, o sofrimento poderia brotar de três fontes: do corpo, do mundo externo e das relações com os outros.

Gerais: ansiedade, depressão, delírio, irritabilidade, reações a estressores externos, complexos, humilhação, vergonha, falta de reconhecimento, solidão, fobias, neuroses, síndromes, transtornos...


Uma simples introdução ao tema por demais extenso. Os próximos textos trarão a ótica filosófica, psicológica, científica, empírica, religiosa e na arte da compreensão do sofrimento, assim como suas causas e tratamentos. Também, algumas interpretações sui generis que 'escaparam' das linhas gerais.


Reforço que não haverá nenhuma pretensão em reduzir e ao mesmo, esgotar num método descritivo e racional o assunto.

Sofrimento - ótica filosófica

 Sofrimento - ótica filosófica

02.01.2022.


Em qualquer lugar do universo em que exista a vida está presente o sofrimento: doenças, velhice, morte, separação dos entes queridos, coexistência forçada com aqueles que nos oprimem, privação de coisas de que necessitamos, confrontações com aquilo que tememos, e assim por diante.


Teriam o mesmo significado filosófico e mesmo pela própria língua portuguesa. Resumindo aqui, eu posso dizer que é todo ato ou efeito de sentir dor física ou moral; padecimento; amargura; resignação; desastre.


Sofrimento é um conceito que se estende por diversas definições tanto na Filosofia, como na psicologia e na própria língua portuguesa. A etimologia da palavra é uma variante do latim, sufferire. Sufferre, que significa “aguentar, sofrer”, formado por SUB-, “sob”, mais FERRE, “levar, carregar”. Sofrimento é, portanto, o que se carrega depois ou ao longo do sentimento de dor.


Podemos resumir esse conceito na prática como todo ato ou efeito de sofrer dor física ou moral; padecimento; amargura; desastre. Podemos acrescentar a essa definição a angústia, o medo, ansiedade, o desespero, a revolta, a autodepreciação etc. Diante de tantos efeitos, podemos afirmar que o sofrimento se constitui em permanecer num estado de coisas que promove uma condição degradante de profunda tristeza.


Filosoficamente, a palavra que mais se aproxima dessa tristeza é a Akedia. Palavra grega, composta de Kedos, que significa importar-se com, porém, somada do prefixo negativo, temos: não importar-se com. Akedia, vem com o sentido de descrever um estado de desinteresse que pode se manifestar como estupor e falta de participação na vida. Na antiguidade clássica, encontramos os primeiros esboços sobre o sofrimento melancólico nos escritos de Homero, na Ilíada, onde Bellerofonte, vítima de ódio dos deuses e por eles condenado ao ódio, ao sofrimento e à solidão.


Com Hipócrates (462-377 a.C.) a melancolia é tratada como um problema fisiológico, no qual os distúrbios mentais passam a ser associados a um desequilíbrio do sangue, da linfa, da bile amarela e da bile negra. A melancolia seria originada do aumento de produção da bile negra – melas (negro), Kholé (bile). Segundo Hipócrates, a melancolia seria a tristeza, a ansiedade e a tendência ao suicídio – sintomas ligados à fatores ambientais e internos que irrompem em doenças. Para Aristóteles (384-322 a.C.), a melancolia é uma patologia que atingia pessoas ilustres, devido a uma sensibilidade maior de seus organismos. Segundo ele, nessas pessoas havia a possibilidade de alta concentração de bile negra. Entretanto, se houvesse uma concentração moderada da mesma bile o homem se tornaria um gênio, desencadeando habilidades em diversas áreas do conhecimento.


Outro teórico que dará ares de doença à tristeza é Galeno (129-201 d.C.), médico do imperador Marco Aurélio. Para Galeno, a doença aguda era oriunda do sangue ou da bile amarela. Ele ainda destaca três possíveis locais da manifestação da doença no corpo: no cérebro, na corrente sanguínea e no estômago.


A partir do século IV d.C., com os patriarcas da igreja e pensadores de Alexandria, o termo adquiriu um significado mais técnico, passando a descrever um estado de saciedade com a vida ou de cansaço.  O professor Spencer Junior nos explica essa abordagem:


“Existem descrições em Evágrio Pôntico (d.C. 345-399) que mencionam a Akedia como acedia e que esta era reconhecida como demônio do meia-dia e que atacava o monge em pleno dia, fazendo o sol parecer imóvel no céu. Vista como doença do mosteiro, fazia da vida dos monges um verdadeiro tédio. […] Para o monge latino João Cassiano (d.C. 360-432), a acedia não devia mais ser considerada algo demoníaco, mas como uma forma de subcategoria eremítica da tristeza comum. Para este monge a acedia seria o pior dos sentimentos, pois rejeitava Deus, /passando então, à condição de opositora diametral da alegria. […] Segundo Dante (d.C.1300), no sétimo canto da Divina Comédia a acedia é elemento antagônico à alegria e motivo de arrastamento do homem ao limbo[…] (2009, p.22).” A acedia aqui, é considerada um outro tipo de tristeza, uma tristeza que afasta os monges de sua vocação e que se diferencia da melancolia.


No Renascimento, a concepção aristotélica, reassume o posto de superioridade hierárquica das experiências humanas como fonte de inspiração e assim se estendeu até o século XVIII. A Idade da Razão, porém, revisitando o conceito, reelabora sua definição colocando as emoções humanas como objeto de estudo científico. A partir de então, o sofrimento passa a ser submetido à critérios de exame do campo da ciência/psicologia  que a redundam à aspectos mais analíticos.


Professora Roberta Melo.


Referencias:

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.


JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1996.


PAULA, Marcos Ferreira de. Sobre a felicidade. Belo Horizonte: Autentica, 2014.


SPENCER JR. Tristeza: a face oculta da felicidade. Recife: EDUPE, 2009.


Para Schopenhauer, somente o sofrimento é positivo, pois se faz sentir com facilidade, enquanto que aquilo ao qual chamamos felicidade é negativo, pois é a mera interrupção momentânea da dor ou tédio, sendo estes últimos a condição inerente à existência.


Quando o desejo e a satisfação se seguem em intervalos que não são nem demasiados longos nem demasiados curtos, o sofrimento, resultado comum de um e de outro, desce ao mínimo: e essa é a vida mais feliz, visto que existem muitos outros […]. [2]


A temática “vontade” é discutida por Schopenhauer e Rée. O primeiro, a partir da Filosofia da “metafísica da vontade”, enxerga o sujeito sendo a vontade e ela a essência do mundo, e o segundo, do ponto de vista da Psicologia comportamental, observa, por exemplo, através de experiência do comportamento do jumento, que há uma casualidade do “estado do querer”, onde a interação entre o ser e o ambiente é o resultado de seu estímulo:


Por que, então, de todas as coisas, um ato de vontade de um jumento deveria vir a existir sem uma causa? Além disso, o estado do querer, o qual imediatamente precede a excitação dos nervos motores, não é diferente, em princípio, de outros estados – como a antipatia, a preguiça ou o cansaço.


Alguém acreditaria que todos estes estados existem sem uma causa? E, se não se acredita nisso, por que se consideraria que apenas o estado do querer deveria ocorrer sem uma causa suficiente? [3]


A vontade é dor e também a sua causa, porque não haverá satisfação total do desejo. Enquanto não se concretiza, a ilusão e a esperança possibilitam a espera da sensação que o sentimento de felicidade pode proporcionar:


Na alternância entre os desejos saciados e os surgimentos incessantes de outros, a Vontade move-se em uma cadeia de aspirações infinitas que conduzem ao sofrimento, ou senão quando esse desejo for satisfeito logo surge o tédio, a apatia, dor muito pior que o necessitar. [4]


O sofrimento, erroneamente, é entendido como sinal de patologia e não como parte da experiência da existência. A busca pela comodidade mental e física é evidente, no entanto, como entende o psicólogo Rollo May, a vida é o espectro, e o sofrimento parte do que existe. Além disso, diz que a rotulação das experiências, que podem trazer desenvolvimentos, é prejudicial, no sentido de opor-se a processos naturais que trazem crescimentos de teor psicológico.


Arthur Schopenhauer, “o filósofo do pessimismo”, percebeu que as injustiças do mundo e as inúmeras tristezas e frustrações que se agigantam sobre a nossa vida frágil e efêmera, não passam de uma grande piada de mau gosto. Para Schopenhauer, cujas idéias certamente influenciaram em muitos aspectos […] Não é de propósito que ele nos frustra. É como se vivêssemos sob a alternância de um pêndulo: de um lado, o tédio, que se aproxima do vazio da vontade, ou da vontade de vazio, que é a própria morte; do outro lado, o desejo, que é a experimentação da falta, ou seja, é a aflição de se querer algo e não se ter.[6]


[2] ↑ FAZIO, Domenico M. A ética na escola de Schopenhauer: O caso de Rée. Revista Ethica, Florianópolis, p. 87-98, 6/2012.


[3] ↑ SCHOPENHAUER, Arthur. Dores do mundo.  Tradução J.S. Oliveira. São Paulo: Brasil Editora, 1969.


[4] ↑ SOUSA, Karla Samara S. Principais elementos do pessimismo Schopenhauriano. Revista Lampejo, Paraíba, p. 114-129, 10/2012.


[6] ↑ MARTINEZ, Daniela et al. Com a noite na alma: Uma reflexão sobre a noite na vida dos artistas.  Revista Eclética, São Paulo, p. 71-76, 07-12/2003.


O sofrimento é uma travessia a ser percorrida para a passagem à alegria ou para que haja mudança psíquica. Percorre-se o tema da dor psíquica em Nietzsche a partir das figuras da culpabilidade, quais sejam, a má-consciência e o ressentimento.


A filosofia de Nietzsche se destaca pelas elaborações acerca do sofrimento, tema central na obra, sobre o qual dissertam vários de seus livros. A dor, para este pensador, não é vista como algo ruim. Pelo contrário, a dor pode ser libertadora e via de transformação para a alegria, ao se conceber que dor e alegria não podem ser separadas uma da outra.


"Em Nietzsche, como já dito, a dor não é uma experiência necessariamente ruim. Ele critica o utilitarismo, para o qual a finalidade da ciência seria abolir o desprazer, propondo, como contraponto, o conhecimento alegre, a sabedoria aliada ao riso e a uma sensação de júbilo que só é possível quando a dor encontra-se enlaçada ao prazer. Em A gaia ciência (1882/1957), a dor é valorizada como uma via que pode tornar os homens mais fortes. O homem da modernidade carece de uma experiência da dor que teria o caráter de uma “formação”, lidando com meras “picadas de mosquito” (p. 125) como se

fossem grandes dores. Esse homem, o europeu branco do final do século XIX, tornou-se pusilânime por não ter se habituado a enfrentar a dor. Assim, a ausência geral de um exercício da dor tem como consequência uma aversão à dor: “Repugnamos muito mais a dor do que os homens de outrora” (ibidem, p. 124). Houve uma época em que se passava por uma “formação da dor”, por meio da qual voluntariamente se fazia sofrer, época em que se exigia do homem que se confrontasse com a crueldade, seja ela a própria ou a alheia. Se o sofrimento dos tempos da modernidade se traduz em uma espécie

de hipersensibilidade e intolerância à dor, o remédio proposto para este “mal” parece ser paradoxal: “a melhor receita para a miséria é a própria miséria” (ibidem, p. 125). Neste sentido, podemos dizer que a dor é a travessia necessária para o ultrapassamento da própria dor." Isabel Fortes

No próximo texto, uma visão mais do que biológica do sofrimento que engloba o social, a desigualdade social e outros estressores de considerações etiológicas igualmente importantes, segundo Freud e Bauman. Freud (mal-estar da civilização) e de Bauman (mal-estar da pós-modernidade).

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Espiritualidade e Religiosidade

 

   A religiosidade (não a religião em si) seria um potencial básico do ser humano. A religiosidade seria como um impulso que nos levaria a conectar com o todo, com o sagrado, com o divino; com Aquilo que nos ultrapassa.

   Os vários agrupamentos humanos criaram religiões organizadas e instituídas para viverem o potencial inato de todo o ser humano relacionado à religiosidade.

   Alguns poderiam ter percepções espirituais que iriam além das percepções das religiões. Entenderia-se que a religiosidade e/ou o impulso religioso, poderia ser vivido fora de todas as religiões ou, mesmo dentro de uma religião, a pessoa poderia ter percepções que ultrapassariam essa visão tradicional de uma religião, o que chamaríamos de um despertar espiritual.


08.12.2021

Continere

 Antes eram amorfas e bifurcadas as extensões de meu intrincado espaço íntimo.

Beirava à loucura; um recolhido desvario que se negava seguir incólume.

Presteza em uma sublime fé que arcava uma fidelidade à desregra ética.

Naquele quarto de entulhos, preciosos entulhos, nada possuía uma ordenação adequada.

Ferramentas usadas com a mão errada, viradas ao contrário em destinações equivocadas.

Conhecimento esparso porém, de superfície, pouco útil na extensão que se delineava.

Sim, delineava-se uma estrada naquele caminho rudimentar, primitivo e desorientado.


Não tenho dúvidas nestas conclusões - e isso, de alguma forma é um bom começo; nada precisou ser zerado, inutilizado - tampouco sobraria espaço à frustração. Esboçam-se no inaugural estado das coisas, um calmo rearranjo que me permitirá seguir deveras, acertadamente.


Marcelo Braga

01.03.2022.


Ao som de Johann Sebastian Bach - Cantata -140, BWV 140, 'Wachet Auf, Ruft Uns Die Stimme' (Acorde, a voz está nos chamando).

Individuação

 O que é individuação?


Uma pessoa tornar-se si mesma, inteira, indivisível e distinta de outras pessoas ou da psicologia coletiva.


A individuação é o desenvolvimento do indivíduo psicológico como ser distinto da psicologia coletiva (sem colidir com a coletividade), que se caracteriza pela identidade e projeção; ela é um processo de diferenciação, que tem por meta o desenvolvimento da personalidade individual.


Individuação, princípio de individualização, ou "principium individuationis" (em latim, de individual, que por sua vez proveniente de "individuus": indivisível), descreve a maneira pela qual uma coisa é identificada como distinta de outras coisas. O conceito aparece em numerosos campos e é encontrado em obras de Carl Jung, Gilbert Simondon, Bernard Stiegler, Friedrich Nietzsche, Arthur Schopenhauer, David Bohm, Henri Bergson, Gilles Deleuze e Manuel DeLanda.


Na filosofia

É expressada a ideia geral de o objeto referenciado sendo identificado como algo individual, logo "não sendo outra coisa." Isso inclui como uma pessoa una é realizada para ser diferente dos outros elementos do mundo e como ela se distingue de outras pessoas.


Na sociologia

Na sociologia, o conceito de "individuação" é utilizado pelo sociólogo Danilo Martuccelli, na sua entrevista “Como os indivíduos se tornam indivíduos”, ele ressalta a importância de estudar os fenômenos sociológicos através da ótica dos indivíduos, o que ele chama de "Teoria da individuação". Segundo o mesmo, estudar a realidade segundo as vivências históricas particulares, nos auxilia no processo de compreensão dos mecanismos responsáveis pela produção de sujeitos em diversos contextos. A individuação é um fenômeno que se mostra eficiente para desvendar os problemas sociais, portanto, uma excelente ferramenta de estudo sociológico, podendo ser aplicada a qualquer fenômeno. Dessa forma, o entendimento de cada problema ou manifestação social deve ser analisado do micro para o macro, traduzindo a nível de experiências individuais os grandes desafios coletivos de uma sociedade. A individuação dos sujeitos se desenvolve quando estes se veem envoltos pelas forças dos processos de racionalização e aceitação social impostos. Todos os sujeitos estão destinados a encarar as mesmas dificuldades, o que Martuccelli denomina de “prova”. Porém a resposta de cada um será diretamente proporcional à sua própria identidade, posição social, raça, gênero e recursos. Daí nasce a individuação. Esse processo também é derivado da variação entre sociedades e também entre períodos históricos.


Na psicologia junguiana

Na psicologia junguiana, também chamada de psicologia analítica, expressa o processo em que o “eu” individual se desenvolve a partir de um inconsciente indiferenciado. É um desenvolvimento do processo psíquico durante o qual elementos inatos da personalidade, os componentes da imatura psique e as experiências da vida da pessoa se integram ao longo do tempo em um todo, onde funcione bem: centralizar as funções a partir do ego em direção à autorrealização do si-mesmo (Self).


Jung entendia a individuação como um processo que significava tornar-se um ser único, alcançar uma singularidade profunda, tornando-nos o nosso próprio Si-mesmo.


Jung ressaltou que o processo de individuação não entra em conflito com a norma coletiva do meio no qual o indivíduo se encontra, uma vez que esse processo, no seu entendimento, tem como condição para ocorrer que o ser humano tenha conseguido adaptar-se e inserir-se com sucesso dentro de seu ambiente, tornando-se um membro ativo de sua comunidade. O psicólogo suíço afirmou que poucos indivíduos alcançavam a meta da individuação de forma mais ampla.


Um dos passos necessários para a individuação seria a assimilação das quatro funções (sensação, pensamento, intuição e sentimento), conceitos definidos por Jung em sua teoria dos tipos psicológicos.


21/04/2022


Novidades

 10.04.2022.


   Transitei despreocupadamente, deveras até libertino (e foi bom até certo ponto) em minhas estradas, arrastando minhas pedras de absoluta estimação.

   Depreciei ainda mais o que já estava liquefeito em meu padrão de sofrimento. Munido de minhas histórias e vivências (e a forma que as interpretava), caía constantemente num eterno retorno - travava uma possível evolução como ser humano; bastante humano por sinal... com uma mórbida satisfação em raspar com as unhas a casquinha das feridas (patológicas?) traumáticas.

   Ostentei a distância que, a capacidade de adquirir conhecimento e desenvolver emoções, me colocava em relação à maioria das pessoas que eu conhecia. 

   Essa distância colocou-me em algum tipo de desespero mesclado com uma condição de potência, onde me portava esnobe e repousado em atitudes egocêntricas e sarcásticas. Valoriza-me diante das comparações feitas com os tidos, inferiores.

   Até que me dominou um período (uns cinco anos) de desconstrução, de descongelamento (gradual) e nunca planejado (conscientemente). Nem imaginava aonde iria chegar (não mesmo). Eu estava indo para dentro de mim (e reitero: não sabia disso). Uma confluência de situações nunca antes pensadas, mas vividas em minha nova rotina estranha e esquisita.

   Não fui em busca de florestas ou desertos para voltar com uma suposta luminosidade provocada por visões celestiais ou experiências transcendentais. Nem mesmo voltei pacificado com a humanidade ou com caos provocado por ela...

   Tudo é muito novo ainda, mas já respeito esse momento. Parece-me que estou entrando em um mundo 'normal', de vivências 'normais', onde a regra passa a ter lugar, o respeito por mim mesmo acondiciona-me em um colo confortável. Um tipo de perdão incondicionado a supostos pedidos de desculpas; um tipo de perdão particular que me livra dos eternos retornos e me permite seguir adiante e, ainda mais adiante de onde havia parado nos cinco anos anteriores de uma total perda de rumo. E é isso que mais explode hoje: estava no caminho certo por letras tortas nas linhas tortas de páginas e folhas tortas, numa escrita inteligível, de textos irregulares e páginas e folhas de antemão amareladas e injustificáveis.


Marcelo Braga

AÇÕES DE PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO DA SAÚDE MENTAL: ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, IMPORTANTE COOPERAÇÃO NA SUPERAÇÃO DO ALCOOLISMO.


 

AÇÕES DE PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO DA SAÚDE MENTAL: ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, IMPORTANTE COOPERAÇÃO NA

SUPERAÇÃO DO ALCOOLISMO.

 

 

 

 

 

 Marcelo Braga da Silva


 

 

 

 

Professor orientador: Glaucio Martins da Silva Bandeira

 

 

 

 

 

 

2023

SÃO GONÇALO/RJ


 

RESUMO

 

O presente trabalho analisa dados referentes ao consumo de álcool, como também dados epidemiológicos sobre a doença do alcoolismo no Brasil. Traz um breve histórico da irmandade de Alcoólicos Anônimos no mundo e apresenta o formato de atuação da irmandade no campo da saúde mental ao longo de seus 88 anos de existência. Descreve como Alcoólicos Anônimos se estrutura no Brasil para receber o alcoólico ativo, ainda em sofrimento e, como promove nos termos de sugestões o começo de uma recuperação. Apresenta o preâmbulo, os propósitos primordiais e secundários da Irmandade. Pormenoriza a estrutura de grupos (salas de encontros e reuniões) assim como, a terapêutica que se desenvolve nas salas. Analisa em uma breve descrição como funciona seus organismos de serviço, a atuação interna e externa, o plano de 24 horas, o programa de 12 passos, tradições, conceitos, literatura disponível, sites, conferências e convenções. Observa também a participação voluntária de profissionais de diversas áreas como saúde, educação, justiça, entre outros, que se identificam com a causa da doença do alcoolismo. Salienta a importância da inserção do psicólogo nesse trabalho e de sua capacitação, não somente no que diz respeito à prática clínica, mas também à sua atuação no desenvolvimento de trabalhos preventivos. Por fim, descreve a atuação de nosso grupo promovendo essa irmandade na sociedade, seja por meio da distribuição de panfletos e cartazes, seja por meio da indicação que possivelmente faremos no devir de nossa carreira como psicólogos a pessoas que encontraremos em sofrimento causado pela doença do alcoolismo.


 

 

I.              DIAGNÓSTICO E TEORIZAÇÃO

 

1-  Identificação das partes envolvidas e parceiros/Introdução

 

Arrolados nesta atividade extensionista, um grupo de treze alunos da graduação em Psicologia da Faculdade Estácio, unidade Alcântara – São Gonçalo – RJ, de variados períodos, na disciplina de Psicologia Experimental tendo como professor orientador: Glaucio Martins da Silva Bandeira. Como cooperadores, tivemos alguns membros de Alcoólicos Anônimos no município de São Gonçalo – RJ, em recuperação, com sobriedade (tempo que se mantém sem ingerir bebidas alcoólicas) que variavam entre, 1 (um) a 47 anos, estando os mesmos envolvidos ou não nos organismos de serviço da Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Também, membros de Al-Anon e organizações da sociedade civil como: OAB e Secretaria Municipal sobre Álcool e Drogas (SEMAD) de São Gonçalo.

 

2-  Demandas e ou situações-problema identificados

 

O álcool pode ser considerado uma substância que propicia a integração entre os indivíduos por possuir características facilitadoras das interações sociais. Embora em diversas culturas o consumo de bebidas alcoólicas esteja relacionado a festividades e celebrações, na perspectiva da saúde coletiva, o consumo abusivo está associado à ocorrência de inúmeras doenças. (ORGANIZATION, 2018)

O consumo nocivo do álcool mantém relação causal com mais de 200 tipos de doenças e lesões. Câncer, cirrose e desordens mentais e comportamentais são frequentemente associados ao uso do álcool. No entanto, uma proporção importante da carga de doença atribuível ao álcool é decorrente de lesões não intencionais e intencionais, incluindo-se aquelas devidas a acidentes de trânsito, violências e suicídios. (ORGANIZATION, 2018)

Recentemente, o álcool também tem sido implicado na causalidade de doenças transmissíveis, como tuberculose, HIV/aids e pneumonias. (Alcohol Res Health, 2011)


No Brasil, desde 2006, a pesquisa sobre Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada nas capitais dos estados e no Distrito Federal, monitora anualmente a prevalência do consumo abusivo de álcool, definido como consumo abusivo cinco ou mais doses de bebida alcoólica (homem) ou quatro ou mais doses (mulher) em uma única ocasião, pelo menos uma vez nos últimos 30 dias. A frequência de consumo abusivo de bebidas alcoólicas variou entre 14,2%, em Natal, e 24,3%, em Salvador. As maiores frequências, entre homens, foram observadas em Cuiabá (33,1%), Salvador (31,7%) e no Distrito Federal (30,9%); e, entre mulheres, em Salvador (18,1%), no Rio de Janeiro (17,6%) e em Palmas (17,4%). (BRASIL, 2019)

O grupo, hipoteticamente, percebeu a falta de informação vigente sobre a natureza da doença do alcoolismo entre a população local e o próprio desconhecimento em relação às práticas terapêuticas oferecidas gratuitamente pela Irmandade de Alcoólicos Anônimos no acolhimento a pessoas em sofrimento com o alcoolismo ativo, e então desenvolveu uma aproximação com o tema no intuito de compreender como acontece o trabalho desenvolvido por Alcoólicos Anônimos e, assim, futuramente, como psicólogos formados, facultar a promoção à saúde também nessa área, seja com a atuação clínica, hospitalar, terapêutica de grupo etc., e uma possível cooperação com Alcoólicos Anônimos na pessoa de “Amigo de A.A.” (assim como comumente são denominados pelos A.A.s, profissionais de diversas áreas que se aproximam do trabalho ali oferecido).

 

3-  Demanda sociocomunitária e motivação acadêmica

 

Após o processo da Reforma Psiquiátrica, no âmbito da saúde mental, surgem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), criados como serviços substitutivos às internações em hospitais psiquiátricos. Os direcionamentos atuais da Política de Saúde Mental para os CAPS estabelecem que essas instituições deverão assumir um papel estratégico na articulação das redes, trabalhando em conjunto com as Equipes de Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde, além de se articularem com outras redes, como escolas, empresas etc. (RIBEIRO, 2012)


O referido grupo, observou ações pontuais que ocorrem em nosso município com o intuito de informar e conscientizar a população sobre os malefícios do álcool. No dia 18/02/23, Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e no dia 10/10/23, Dia Internacional da Saúde mental, ocorrem eventos por iniciativa da Secretaria de Políticas sobre Álcool e Drogas, porém, temos constatado falta de conhecimento da natureza da doença do alcoolismo que envolve até comportamentos de viés preconceituoso por partes desinformadas e o esclarecimento e envolvimento, tanto da sociedade quanto de instituições da área de educação que abrange também as universidades locais.

 

4-   Objetivos

 

Objetivo Geral:

·                                            Compreender o modelo terapêutico construído pela irmandade de Alcoólicos Anônimos e sua importância no acolhimento do alcoólico em sofrimento no município de São Gonçalo RJ.

 

Objetivos Específicos:

·                                            Vivenciar momentos de instrumentalização de saberes referentes ao enfretamento do alcoolismo no município de São Gonçalo com base nas ações de acolhimento dos Alcoólicos Anônimos.

·                                            Reconhecer a importância dos Alcoólicos Anônimos no município de São Gonçalo RJ.

·                                            Contribuir com a difusão das ações dos Alcoólicos Anônimos no município de São Gonçalo RJ.

 

5-  Referencial teórico

 

Os primeiros indicativos do consumo de bebidas alcoólicas que continham etanol podem ser achados em vasos paleolíticos e há evidências sobre o aproveitamento humano há cerca de quatro milênios. O consumo do álcool na história antiga é essencialmente global, refletindo a facilidade relativa da produção de álcool como, por exemplo, pela fermentação de frutas e vegetais cultivados localmente mesmo antes da descoberta dos processos de


destilação. Pode-se observar que os padrões de consumo de álcool atuais são resultado dessas antigas tradições (ANTHONY, 2009)

No ano de 1967, o conceito de doença do alcoolismo foi incorporado pela Organização Mundial de Saúde à Classificação Internacional das Doenças (CID-8), a partir da 8ª Conferência Mundial de Saúde 12,13. No CID-10, os problemas relacionados ao uso de álcool foram inseridos dentro de uma categoria mais ampla de transtornos de personalidade e de neuroses. Esses problemas foram divididos em três categorias: dependência, episódios de beber excessivo (abuso) e beber excessivo habitual. A dependência de álcool foi caracterizada pelo uso compulsivo de bebidas alcoólicas e pela manifestação de sintomas de abstinência após a cessação do uso de álcool. (NIAAA, 1995)

A experiência pessoal do fenômeno do uso do álcool de forma descontrolada é complexa. Junto dela, sofrem os indivíduos mais próximos aos convivas mais distantes. Em meio à desordem causada pela ingestão regular e em quantidade progressiva dessa substância, justaposta ao incentivo velado de seu uso nos encontros sociais e pela propaganda nos meios de comunicação, não só o funcionamento da consciência se altera: são comprometidas as finanças, o corpo, a integridade, a moral, as expectativas de vida para todas as idades. (Barros, 2008)

Os efeitos nocivos do abuso do álcool refletem situações de nível micro (família, trabalho…) como, mentiras, desculpas, constrangimentos, irresponsabilidades para com os filhos, situações vexatórias, violência doméstica entre outras - como de nível macro (sociedade em geral) como, acidentes de trânsito, atos de natureza criminosa, entre outros, que repercutem nos dispêndios gastos pela saúde pública.

Nos tempos atuais, a partir de janeiro de 2022, entrou em vigor a CID- 11, que traz importantes atualizações nas guias gerais do documento, e algumas específicas aos transtornos relacionados ao uso de álcool, que são: maior especificação de diferentes padrões de consumo nocivo de álcool, que podem ser contínuos, episódicos e recorrentes; nova subcategoria diagnóstica para episódios únicos de consumo nocivo; e a introdução de consumo nocivo de álcool como um fator de risco para a vida. (Saunders, 2019)


Nosso grupo de pesquisa identificou a existência de grupos de mútua- ajuda que tratam desta doença (alcoolismo), entre eles o A.A. - Alcoólicos Anônimos. A história de A.A. no mundo, fundado em 1935, na cidade de Akron, Ohio, nos Estados Unidos, em um encontro entre, Dr. Bob (médico cirurgião) e Bill W. (corretor da bolsa de valores de Nova Iorque). Ambos sofriam há anos com o furor da ingestão descontrolada do álcool. Numa troca de experiências pessoais, perceberam que conseguiam ficar sem beber enquanto essa troca acontecia. Juntou-se a eles, um terceiro “A.A.” e em seus três primeiros anos de fundação já havia aproximadamente 40 alcoólicos em recuperação. Em 1938 o livro “12 Passos” foi escrito. Em 1939 veio a publicação do livro “Alcoólicos Anônimos” que deu nome também à Irmandade, hoje conhecida pelo mesmo nome.

Em 1941, a irmandade já contava com 2 mil membros, após um artigo publicado por Jack Alexander no “Saturday Evening Post” em 1º de março de 1941, cujo título: “Alcoólicos Anônimos: Escravos libertados da bebida, agora eles libertam outros.”; o número de membros saltou para 8 mil. Organizaram-se ao longo dos anos em novos grupos que se espalharam primeiramente pelos Estados Unidos e Canadá. Posteriormente atingiram a Europa e hoje se fazem presentes em mais de 180 países. De igual forma, o livro “Alcoólicos Anônimos”, traduzido para diversos idiomas. “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maior idade”. No Brasil, contam-se hoje, de portas abertas, 4.400 Grupos em salas fixas e 92 destes grupos, realizando 407 reuniões à distância por semana. (AA, 2023)

O A.A. estrutura-se em Grupos, Escritórios de Serviço Locais, Distritos, Setores, Áreas e uma central em São Paulo (JUNAAB - Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos). Reúnem-se em Conferências anuais e Convenções Nacionais a cada cinco anos. Mantém a disposição de membros e pessoas interessadas uma variada opção em literatura impressa e online: mais de 20 livros e 40 panfletos e livretos voltados para a Recuperação, Unidade e Serviço entre seus membros.

Os grupos realizam reuniões de compartilhamento, abertas e fechadas, onde seus membros falam de suas experiências pessoais no alcoolismo ativo e como vivem hoje na sobriedade. As reuniões fechadas destinam-se aos membros e as reuniões abertas ao público em geral. Mantêm-se também


reuniões de esclarecimento e/ou literatura, reuniões internas de serviço e reuniões comemorativas.

Suas reuniões geralmente começam com a “Oração da Serenidade”: “Deus, concede-nos a serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar, a coragem para mudar as coisas que podemos e a sabedoria para reconhecer a diferença”. Sua origem foi atribuída a antigos textos sânscritos e aos distintos filósofos Aristóteles, Santo Agostinho, Tomás de Aquino e Espinosa. De fato, ninguém encontrou o texto da oração entre os escritos dessas supostas fontes originais. (Box 4-5-9, 2003)

 

O preâmbulo é lido em seguida:

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS é uma Irmandade de pessoas que compartilham, entre si, suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo. O único requisito para ser membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A., não há taxas ou mensalidades, somos autossuficientes, graças às nossas próprias contribuições.

A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas. Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudarmos outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade. (AA, 2001)

 

A criação e a formulação do modelo terapêutico e suas influências práticas vieram direta e indiretamente da filosofia (do estoicismo a de William James), da ciência (medicina, em especial da psicologia e psiquiatria) e de grupos religiosos (do cristianismo e em especial dos Grupos Oxford).

Poucos sabem que os Alcoólicos Anônimos foram criados por inspiração de Carl G. Jung (1875-1961) psiquiatra suíço, fundador da Psicologia Analítica, considerado hoje um dos Patronos de A.A. Um dos pacientes alcoólatras de Carl Jung, Rowland H., que viria a influenciar a criação do AA, sendo orientado pelo mesmo, procurou um tipo de mudança de atitudes que vinculasse a isso uma nova forma de vida, como acontece em uma conversão religiosa.

Assim como um dos próprios fundadores, Bill Wilson, anteriormente, Rowland H. passou por experiências religiosas fulminantes que o levou não só ao fim abrupto do alcoolismo, como a ter visões diferentes da existência humana, do ego e da liberdade de ser. Numa carta datada de 26 de janeiro de 1961, escrita de Nova Iorque (EUA), Bill Wilson, que foi cofundador do A.A., escreveu a Carl G. Jung, então em Zurique (Suíça), informando a ele que havia


sido inspiração fundamental para a criação do AA. Em 30 de janeiro do mesmo ano, Carl G. Jung escreveu em resposta a Bill Wilson. (Alcoólicos Anônimos ON LINE, 2020)

Quanto à inserção da psicologia no que se refere ao alcoolismo, pode-se observar que as psicoterapias são fundamentais no processo de intervenção terapêutica, pois auxilia não somente o indivíduo dependente do álcool como também na redução dos estigmas sociais com que sofrem os usuários. Neste aspecto, o trabalho do psicólogo deve estar ligado à ideia de que o usuário alcance uma vida produtiva e socialmente construtiva. (CRP-RJ, 2017)

Para além do desempenho terapêutico dos AA, nos interessa a subjetivação implícita no processo de engajamento institucional, já evidenciada no campo de pesquisa das ciências sociais (Campos, 2010; Mota, 2004). Uma leitura atenta da literatura de AA (livros, revistas, folhetos) revela a intenção de produção (ou reconstrução) subjetiva através de um saber-fazer pragmático que tem o alcoolismo como baliza identificatória.

A identificação entre os membros, o ideal de abstinência alcoólica e a construção de um saber-fazer espiritualista, produzem uma concepção singular sobre a categoria alcoólico anônimo. Tal fato evidencia que a proposta dos AA ultrapassa uma simples técnica terapêutica e se configura na verdade como uma moral de vida. (Periódicos Eletrônicos Em PSICOLOGIA, 2018)

 

II.            PLANEJAMENTO PARA DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

 

1-   Identificação do público participante

 

O público participante do projeto Promoção e Divulgação da Saúde Mental Alcoólicos Anônimos consiste em 13 integrantes da graduação de Psicologia da Estácio de Sá - Alcântara de variados períodos. O público alvo é bastante diverso e não é dependente de nenhuma caracterização (quantidade, natureza, perfil socioeconômico, gênero, escolaridade), onde o único requisito é o desejo de parar de beber (no caso da irmandade A.A.) ou a lidar com entes alcoólatras (no caso de Al-Anon – Associação de Amigos e Parentes de Alcoólicos). Também, em um encontro, na Praça da Marisa, no dia 10 de outubro, dia Mundial da Saúde Mental junto a OAB, A.A., SEMAD (Secretaria


Municipal de Políticas sobre Álcool e Drogas) entre outros órgãos, com a presença da população local onde, trabalhamos a panfletagem sobre o A.A e a colagem de cartazes no comércio adjacente, sobre a doença do alcoolismo e sobre a saúde mental.

 

2-   Elaboração do plano de trabalho

 

Pela colaboração dos estudantes de psicologia da Estácio de Sá – Unidade Alcântara com membros e amigos A.A e da CTO (Comitê Trabalhando com os Outros), foi dividido o projeto de pesquisa em duas partes: teórica e prática.

A parte teórica consiste na introdução dos estudantes no universo da irmandade de Alcoólicos Anônimos com o intuito de entender mais sobre a mesma e seu caráter particular de ação. Tal movimento foi possível através da participação em três reuniões realizadas na sala de A.A. Alcântara: a primeira com a presença de um palestrante psicólogo, filósofo e doutor com tese em alcoolismo e adicção; a segunda reunião em que tivemos uma hora dedicada pelos membros à nossa recepção e troca de informações resumidas referentes ao funcionamento de um grupo de A.A. e uma terceira reunião de duas horas de depoimentos de membros.

Também estivemos em um encontro organizado pelo ESL-AA – Escritório de Serviços Locais de São Gonçalo onde fomos recebidos pelos seguintes responsáveis: Delegada Suplente da Área 01 (Rio de Janeiro), Diretor do Escritório, Relações Públicas do CTO do Escritório e coordenador da SEMAD (Secretaria Municipal de Políticas sobre Álcool e Drogas). Um outro encontro deu-se em uma reunião na sala de Al-Anon na Igreja Católica de Alcântara. Dividimos nosso trabalho em cinco etapas: a primeira, um encontro em uma palestra com um profissional da Psicologia e Amigo de A.A.; a segunda, uma reunião de esclarecimento e depoimentos numa sala de A.A.; a terceira, um encontro no Al-Anon; a quarta etapa, em uma reunião no Escritório de Serviços Locais de A.A.; e por último, um encontro para ação externa de promoção e divulgação da irmandade de Alcoólicos Anônimos.


3-  Descrição da forma de envolvimento do público participante

 

Os participantes envolvidos planejaram o processo com todo cuidado e respeito às diretrizes da irmandade de A.A. Para isso, contou-se com a colaboração dos coordenadores A.A e Al-Anon de São Gonçalo no que se diz respeito a formas de divulgações legais e não invasivas que protegem os seus anonimatos.

Assim então, os estudantes conseguiram participar de reuniões do grupo e entender em sua totalidade como a irmandade se organiza e suas atividades propostas aos membros ali dispostos a compartilhar suas vivências e experiências. Dessa forma, trilhou-se um caminho favorável para uma divulgação coesa e completa de informações sobre a irmandade A.A. e como a doença do alcoolismo se apresenta na sociedade.

Sendo assim, em conjunto com o CTO (Comitê Trabalhando com os Outros), divulgamos por panfletos, cartões e cartazes no Rodo de São Gonçalo (Centro) a irmandade ao público que estava naquela região.

 

4-   Cronograma do Projeto

 

 

ETAPAS

A

gosto

S

etembro

O

utubro

N

ovemb ro

D

ezembr o

Apresentação     da     proposta     de trabalho aos alunos e organização dos

grupos

X

X

 

 

 

Exposição e discussão teórica dos

conceitos previstos na ementa

X

X

X

 

 

Pesquisa                                                 exploratória, levantamento              das                                                 principais demandas/necessidades sociocomunitárias aderentes aos temas

propostos pelo componente curricular

X

X

X

 

 

Definição   e    caracterização    do(s)

X

X

X

 

 


 

público(s) participante(s)

 

 

 

 

 

Priorização de demandas com o(s)

público(s) interessado(s)

 

X

X

 

 

Discussão dos achados do campo

 

X

X

 

 

Construção do referencial teórico

que subsidiará a proposição de ações

 

X

X

 

 

Elaboração de plano de trabalho

 

X

X

X

X

Discussão e validação dos planos

de trabalho

 

 

X

 

 

Elaboração de relatório coletivo

 

 

 

 

X

Relato de experiência individual

 

 

 

 

X

Socialização      das      experiências,

coletiva e individual, com apresentação dos resultados de forma documentada.

 

 

 

 

X

Tabela 1: cronograma de atividades.

 

5-   Descrição da atuação da equipe de trabalho

 

A proposta desse projeto é que todos conseguissem participar de todas as etapas igualmente, dado a sua disponibilidade de tempo. 

·          A primeira etapa, foi um encontro comemorativo realizado no dia 10/09/2023, relativo aos 76 anos de A.A. no Brasil com a preleção de Carlos Eduardo Fraga, filósofo, psicanalista, psicólogo, mestre e doutor, tendo como tese de doutorado “Alcoolismo e Adicção” trazendo o tema: “O Desejo como Único Requisito”. Dissertou sobre como se deu o surgimento da irmandade A.A e todos os seus resultados positivos na vida dos “recuperandos” alcoólicos.

·           A segunda, foi um encontro de caráter informativo realizado no 24/09/2023 com cerca de 3 (três) horas de duração, divididos entre 1 (uma) hora de reunião com os coordenadores da unidade A.A e Al-Anon São Gonçalo e 2 (duas) horas de reunião com depoimentos de membros da irmandade Alcoólicos Anônimos, que nos trouxeram suas experiências durante o alcoolismo ativo e como vivem agora em sobriedade junto à Irmandade de Alcoólicos Anônimos, permitindo-nos in loco amadurecer nossa percepção sobre o ambiente terapêutico que ali se pratica. 

·         A terceira etapa de nosso trabalho deu-se em uma visita ao ESL (Escritório de Serviços Locais de A.A.) – situado próximo ao Zé Garoto no dia 30/09/2023 de 9 (nove) às 13 horas. Fomos recebidos pelos seguintes representantes: Diretor do ESL, Coordenador do CTO do ESL, Delegada Suplente da Área 01 e Wallace Arêas – coordenador da SEMAD (Secretaria Municipal de Políticas sobre Álcool e Drogas). Fomos informados detalhadamente sobre a estrutura de A.A. no âmbito estadual, incluindo grupos, distritos, setores e áreas. Também, sobre a atuação dos escritórios de A.A. que assumem a postura jurídica quando se faz necessário ao trabalho realizado junto a organismos da sociedade e como o psicólogo pode ajudar o A.A. ao tornar-se um “amigo de A.A.” promovendo palestras e indicando seus pacientes alcoólicos que procurem também ajuda na irmandade, aumentando assim, seu repertório de ferramentas disponíveis em suas recuperações. O coordenador Wallace nos trouxe uma visão do trabalho que a secretaria de “Álcool e Drogas” realiza no município de São Gonçalo e também, importantes informações sobre a natureza da doença do alcoolismo. Alguns alunos adquiriram livros que estavam à venda no escritório.

·       A quarta etapa deu-se em 04/10/2023 das 18:30 às 20:30 horas em uma visita à reunião de Al-Anon na Igreja Católica de Alcântara. Fomos recebidos por membros da associação local, de outros grupos próximos e por alguns membros de A.A. Fomos apresentados aos Grupos Familiares Al-Anon que são uma associação de parentes e amigos de alcoólicos que compartilham sua experiência, força e esperança, a fim de solucionar os problemas que têm em comum. Acreditam que o alcoolismo é uma doença que atinge a família e que uma mudança de atitudes pode ajudar em suas recuperações.

Partilhamos de relatos pessoais de parentes de alcoólicos que sofreram às mais diversas situações de desamparo a agressões físicas. Na segunda parte da reunião abriu-se uma oportunidade para fazermos perguntas aos membros que ali estavam, e também alguns estudantes relataram suas experiências pessoais referentes ao alcoolismo de pessoas próximas. 

A parte prática consistiu em um evento público de divulgação e distribuição de literatura no encontro do Dia Mundial de Saúde Mental (10/10/23), junto ao pessoal do A.A. e outros órgãos da sociedade (SEMAD, OAB etc.) na Praça da Marisa, Rodo – centro de São Gonçalo entre 10h e 14h. Ajudamos na montagem do stand, fizemos colagens de cartazes no comércio local, distribuição de panfletos aos que ali passavam e acompanhamos os

A.A.s nas abordagens a quem ali se dirigiu em busca de informações e ajuda. Também interagimos com outros órgãos da sociedade que atendiam em seus stands: OAB, Secretaria Municipal de Saúde, Defesa Civil e Secretaria de Políticas sobre Álcool e Drogas. 

Tais atividades foram coletivas, extensiva a todos os participantes do grupo, cabendo aos mesmos sua disponibilidade particular para cada reunião e encontro, contribuindo assim em todo o processo do trabalho de pesquisa.


 

6-   Metas, critérios ou indicadores de avaliação do projeto

 

Conseguimos o contato mais aproximado participando presencialmente das reuniões, ouvindo depoimentos dos membros e por uma visita ao ESL (Escritório de Serviços Locais) recebendo de seus membros total disponibilidade e uma atenção carinhosa ao nosso projeto de pesquisa.

Também obtivemos informações mais descritivas em nossos acessos aos sites oficiais de Alcoólicos Anônimos e Al-Anon; como de igual, à literatura disponibilizada pelas mesmas irmandades.

Usamos como critério uma participação efetiva e ampla para assim obter uma visão panorâmica e consistente que vai, da experiência acumulada pelo A.A., até o resultado prático que a proposta terapêutica ali praticada poderá resultar numa atuação futura como psicólogos formados, no cenário de nos depararmos com doentes alcoólicos em sofrimento.

Percebemos também uma aproximação e troca de conhecimento entre a instituição de ensino onde estamos matriculados à irmandade envolvida em nossa pesquisa. Como resultado, evidenciou-se a possibilidade de atender a demanda que envolve um dos papéis do psicólogo proposto pelo Código de Ética Profissional do Psicólogo em sua apresentação no item “a”:

 

Valorizar os princípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a relação do psicólogo com a sociedade, a profissão, as entidades profissionais e a ciência, pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão sobre o contexto social e institucional.

 

7-  Recursos previstos

 

Apenas despesas com locomoção, impressões e lanches custeadas pelos participantes do grupo.


III.           ENCERRAMENTO DO PROJETO

 

1.            Relatório Coletivo/Discussão/Avaliação Dos Pares

 

 

Novos saberes – essa é palavra que sintetiza ao máximo nossa experiência. Desconstrução de um conhecimento de senso comum a um saber científico. Uma imersão na saúde mental e especificamente no alcoolismo. Avançamos no conhecimento da natureza da doença do alcoolismo e identificamos práticas terapêuticas que trabalham o “fazer parar” da progressão de tal patologia. Focamos em um grupo terapêutico específico: Alcoólicos Anônimos. Procuramos em encontros que envolveram reuniões de variadas matizes, conhecendo assim as especificidades práticas da terapêutica de A.A. e, logo, nos deparamos com as sugestões dos “12 Passos”, mundialmente difundidas e utilizadas por outras instituições de mútua-ajuda.

Ouvimos depoimentos de pessoas que conseguiram sair do intenso sofrimento causado pela doença à ressocialização promovida pela sobriedade. Junto ao Al-Anon, percebemos a abrangência dos agravos causada pelo alcoolismo ativo. Momentos dedicados à pesquisa, a leitura de artigos, a livros de A.A.; encontros com troca de experiências, com perguntas e respostas. Recepcionados com carinho e atenção pela irmandade, pudemos também absorver um pouco do ambiente humano e acolhedor que permeia suas reuniões.

Finalmente, encerramos nossa pesquisa, em uma ação de cooperação, esclarecimento e divulgação de Alcoólicos Anônimos em nosso munícipio com a certeza de que iremos levar essa efetiva aproximação que envolve, do sofrimento físico e psíquico à superação, em um futuro próximo, à prática da Psicologia em seus mais diversos métodos, práticas e abordagens.

 

2.           Relato de Experiência Individual

 

Marcelo Braga da Silva

 

 

De início, a minha proposta era realizar uma pesquisa com dados quantitativos com respostas  a um  questionário e, por conseguinte,  um


levantamento estatístico que especificasse os motivos que levam as pessoas buscar em Alcoólicos Anônimos um alívio permanente de abstemia e sobriedade, entre outros dados, que também traçasse o perfil geral de seus membros incluindo gênero, grau de escolaridade, tempo de sobriedade entre outros.

Nosso professor orientou que fizéssemos uma imersão mais plena, humanizada, envolvendo o contato direto com os membros da Irmandade e que nosso trabalho também proporcionasse atividades de divulgação da terapêutica de A.A. na comunidade de São Gonçalo. Assim fizemos: uma incursão em diferentes tipos de reuniões, com profissional da Psicologia, ouvindo depoimentos de membros em recuperação, com membros ativos na estrutura de serviços e com órgãos da sociedade civil que promovem o esclarecimento e alternativas terapêuticas no trato da doença do alcoolismo.

Munido de um conhecimento prévio referente aos problemas sociais gerados pelo alcoolismo crônico, pude ampliá-lo conhecendo de perto alguns aspectos da natureza da doença como física e mental com informações provenientes da literatura científica, incluindo a própria OMS e o CID. Fui ver in-loco como se dá o processo de transformação, digamos até “espiritual e filosófico”, nas salas de Alcoólicos Anônimos. Participei de todos os encontros, pesquisei na literatura científica e na literatura da A.A. uma diversidade de temas que envolvem o assunto e participei na elaboração dos textos que abarcam o arcabouço teórico da pesquisa como um todo. Envolvi-me ativamente na organização dos encontros e notei que, a cada encontro, os colegas do grupo de pesquisa iam se envolvendo e se interessando ainda mais pela proposta de extensão da disciplina.

Percebi que, o que leva as pessoas a procurarem ajuda na Irmandade de A.A. envolve, em um primeiro plano, histórias de sofrimento incluindo perdas em diversas áreas da vida pessoal e social: família, trabalho, dignidade, moradia e sanidade. Logo, pude verificar também que existe uma “atmosfera” nas reuniões que compreende uma resposta automática e positiva proveniente de uma identificação que acontece entre os visitantes e membros ao ouvirem os relatos, gerando assim uma motivação que inclui força e esperança para uma vida melhor. Nessa imersão, procurei conhecer o Programa de 12 Passos, que é sugerido em A.A. e replicado em diversos grupos terapêuticos similares.


Constatei que, além de possuir uma sequência lógica, esse programa promove uma reinserção social, um crescimento humano gradativo, um encontro substancial com o si mesmo e um desinflar egóico. Propõe também uma nova forma de lidar com os problemas da vida, incluindo substituições de hábitos nocivos para hábitos saudáveis e como resultado, um aumento considerável na qualidade de vida. Uma experiência que certamente me marcou e trouxe-me orientações consideráveis para o meu futuro profissional na área da saúde mental.

 


1.           Referências

 

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS DO BRASIL, Junta De Serviços Gerais De. JUNAAB: Informação Pública. Reuniões à Distância, 2023. Disponível em: https://www.aa.org.br/reunioes-a-distancia. Acesso em: 23 out. 2023.


ANTHONY, James C.. Consumo nocivo de álcool: dados epidemiológicos mundiais.: IN: Álcool e suas consequências: Uma abordagem multiconceitual. Barueri: Minha Editora, 2009.

 

BARROS, Jairo Stacanelli. ALCOOLISMO E DROGADIÇÃO A PARTIR DE UM GRUPO DE AJUDA MÚTUA:: SUBJETIVIDADE, POLÍTICA E ENGAJAMENTO EM NOVAS PRÁTICAS DE SOBRIEDADE. Minas Gerais: PUC, 2008.

 

Box . La Oración de la Serenidad: Tanta substancia de A.A. en tan pocas palavras.. Comitê de Arquivos Históricos da JUNAAB CAHist, 2003. Disponível em: https://passeamensagem.files.wordpress.com/2015/06/pequena-viagem- pelo-mundo-de-a-a-2-4.pdf. Acesso em: 23 out. 2023.

 

CRP-RJ, Jornal Do Conselho Regional De Psicologia-rj. . Drogadição e Psicologia: Abordagens e intervenções possíveis.. Nome do Site. 2017. Disponível em:                                                  http://www.crprj.org.br/site/wp- content/uploads/2017/06/jornal22-drogadiccao.pdf. Acesso em: 23 out. 2023.

 

Grupo de AA, o: onde tudo começa, Alcoólicos Anônimos. São Paulo: Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil; 2001.

 

J, Rehm. Alcohol Res Health: The risks associated with alcohol use and alcoholism. Local: Alcohol Res Health, 2011. 135-43 p. v. 34.

 

NATIONAL INSTITUTE OF ALCOHOL ABUSE AND ALCOHOLISM - ON

ALCOHOL ABUSE AND ALCOHOLISM (NIAAA), National Institute . Diagnostic Criteria for Alcohol Abuse and Dependence. Alcohol Alert, 1995. Disponível em: http://pubs.niaaa.nih.gov/publications/aa30.htm. Acesso em: 23 out. 2023.

 

ON LINE, Alcoólicos Anônimos. Seção “Amigos de A.A”.: Dr. Carl Gustav Jung. Seção                                  20,                       2020.                       Disponível                      em: https://www.aaonline.com.br/ver.php?id=233&secao=20. Acesso em: 23 out. 2023.


Organização Mundial da Saúde. Global status report on alcohol and health. 2018. World Health Organization. Global status report on alcohol and health 2018 [internet]. Geneva: World Health Organization; 2018 [acesso em 29 out 23].                   Disponível                                                              em: https://www.who.int/substance_abuse/publications/global_alcohol_report/en/

 

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RIBEIRO, Sérgio Luiz. Psicologia: Ciência e Profissão. A criação do Centro de Atenção Psicossocial Espaço Vivo, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pcp/a/hdDpMwZvnMVmrfSwFw9XSCr/#. Acesso em: 23 out. 2023.

 

SAÚDE BR, Ministério Da. Vigitel Brasil: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Secretaria de Vigilância em Saúde, 2019.

 

SAUNDERS , Jb; DEGENHARDT, L; REED GM, Gm; POZNYAK, V. Alcohol

Clin Exp Res: Alcohol Use Disorders in ICD11: Past, Present, and Future. 23 [cited 2020 Jun 23];43(8):1617–31, 2019. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/acer.14128]. Acesso em: 23 out. 2023.



 






 




 


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