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quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

HASTA QUANDO?

25.12.2007.

 
 
Cada parte, pedaço, célula, núcleo
Se espalha multiforme nos espaços
Do quarto, do tempo, no horizonte
Ação do vento, da chuva, do raio
Tudo vem e vai embora
 
Cada parte, pedaço, célula, núcleo
Meus dias, meus meses, meus anos
Algumas vidas
Imberbe, vítreo, salubre
Incalculavelmente inapto


Os traços são meus
Os erros são meus
Há que se errar também
E o que seria ERRO?
 
Chuva, vento
Raio, tempo
Até quando
Aguento?


Marcelo Braga

MELHOR QUE ISSO

13.05.2007.

 
 
O melhor de mim é meu íntimo
Rico e atraente
Tantálico, narcíseo e agnóstico
Vivi toda e qualquer eventualidade
Sobrevivi a mil quimeras
Meu empenhei no aprendizado autodidata
Assim supus
Meu latim é tão péssimo quanto seu francês
Minha Europa está quase toda miscigenada
Salve a Islândia!
O mundo está uma merda!
O mundo está muito melhor!
 
Vou explicar melhor futuramente...


Marcelo Braga

EXPECTATIVAS

 16.01.2008.



   Nada descontagia tanto, esmorece e decepciona mais do que a expectativa. O “acima das expectativas” cabe aos expectadores desatentos.


Marcelo Braga

PODE SER QUE SEJA

18.01.2008.

 
 
O problema pode ser do acaso ou causal
Do hormônio ou hormonal
Do espírito ou espiritual
Conflito com a natureza ou artificial
Desarmonia ou harmonial
Uma chuva em cima da outra ou temporal
A falta de grana; REAL...


Deve ser genético, paternal
Hereditário ou carência maternal
Um erro após o outro, burrice


Pode ser religioso, o ceticismo
O terreno, cataclismo
Deve ser o vício, tabagismo
Pode ser a fraca personalidade, desvio...
Viagem em cima de viagem, turismo
Essa magreza, raquitismo
Pode ser inveja ou esnobismo
A má formação, mau-caratismo
O excesso de confiança, egocentrismo
O muito olhar-se no lago, narcisismo
Pode ser a ótica, o prisma, a maneira de ver
Pode ser a forma, o peso, a cor (Descartes)
Pode ser tanta coisa, pouca coisa
Pode ser todo o espaço ou um só lugar
O absoluto ou o relativo


Marcelo Braga


AOS PAGÃOS

    20.05.2011.


Aos pagãos:

   Escamar-se como os peixes, deslizar pelas águas, viver o certo e zombar dos “impecáveis”, dos que espumam, sabugam as etiquetices ou, por que não dizer, idiotices.


Marcelo Braga

...OU ENTÃO SAIA DA ESTREBARIA E VÁ VER SE ESTOU LÁ NA ESQUINA!


20.05.2011.

Procure ver e verás que existe o sensato na insensatez, a inteligência na ignorância, o absoluto no relativo, o tudo no nada; ou então vista-se com seus arreios, de uma polida em seus cascos, saia da estrebaria e vá ver se estou lá na esquina!

Marcelo Braga


ORBITO

13.01.2008.

 
 
Eu sinto o cheiro das coisas
Eu vejo o jeito das coisas
Viajo na coisa das coisas
Sou apegado às coisas
Minhas palavras são coisas
Minhas coisas são formas
Imagens, desenhos, viagens
 
Quereria viver fora dessa órbita!

Ou não...


Marcelo Braga

IMAGEANE

15.04.93.

Tua cor morena

Teu corpo lânguido

Teu riso estúpido

Teu cabelo santo

Menina estrelada

Menina da luta

Menina do acaso

Menina do ocaso

Menina do agreste

Mulher sofrida

Mulher coragem

Mulher ferida

Mulher selvagem

Me assusta tua beleza

Me incitas aventura

Me alucina tua sutileza

Um sonho que perdura

(Barra de Guabiraba – PE é que sabe...)


Marcelo Braga

DILEMA

21.05.93.

Não houve saída

Rendi-me enfim ao meu próprio querer

Impulsivo, incontinente querer

Extrapolando as barreiras do primaz

Recôndito na redoma

Irreconciliável com a razão


Marcelo Braga

...E A VIDA CONTINUA

 


01.06.93.


Caminha-se por vezes errante

Na lida da vida, sempre avante!

Enreda-se em posturas delirantes

Na lida da vida, itinerantes!

Palmilha-se caminhos contrários

Na lida vida, refratários!

Entregamo-nos por vezes a uma dor

Na lida da vida, por um amor!

Se contudo não morrem nossos ideais

Na lida da vida: IMORTAIS!


Marcelo Braga


terça-feira, 28 de janeiro de 2025

A REPÚBLICA, A UTOPIA E O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

  


16.01.2008.
 
 
Como que abraçando tudo que desabracei
Como que construindo tudo que desmoronei
Como que recuperando tudo que perdi
Como que reunindo tudo que espalhei
 
Nesse pleno desconforto que minha força aparece
Precisaria de um “milagre”
De um suporte de rede
Que sustentasse tamanho peso e dor
 
Tanto corpo, quanto alma
Tanto consciência, quanto espírito
Um só carteado de intemperança
Penso que não supero a desesperança
O eterno retorno...
 
Quando se conquistava as coisas eu as perdia
Quando distinguia, comparava e entendia
Desinformava-me, desintegrava
 
Nunca me vi tão só
Marcelo morreu e nem me convidaram ao seu enterro
Vivo mil coisas que não quero
Tampouco iria querer
 
Caminho destroços, cacos de vidro
Quão longe se mira minha utopia
Pouco suporto pensar...

Marcelo Braga

CHACOTA

05.06.93.

Um uivo rouco

Num charco pouco

No ralo parco

Um rato morto


Marcelo Braga

SEJA HOMEM!

(brasileiro de preferência)

05.06.93.

Chora as tuas lágrimas

Decora as tuas chagas

Que miséria pouca é bobagem


Coma tuas migalhas

Ajunte as tuas tralhas

Que miséria pouca é bobagem


Desenhe tuas misérias

Sorria sobre as telas

Que miséria pouca é bobagem


Arranhe tuas feridas

Compre logo tuas jazidas

Que miséria pouca não é tua bagagem!


Marcelo Braga

INTERURBANO SOM

08.06.93.

Quem és trigueira consorte

A quem não miro e

De quem não me rescende fragor

Serias acaso minha sorte ou

Ao menos o renovar

Desse meu subtraído vigor?

Glacial me é teu interurbano som

Volúvel ficou meu desejo núbil

Tua regra me instiga ao dom de

Ao te imaginar lendo

Saber que iludida sorriu e

Feliz ficou

Submerso em tamanha alocução

Sonho o suposto; irreconciliável?

Imploro nesse meu condoído coração

Em que não cessam as lágrimas

Um pouco apenas que seja

Inocente, reparável

Serias tu, distante criatura

Reservas do pálido destino?

Alento ao coração menino?

O sonho vívido que perdura?

Ou contrariamente:

Amargura, desatino?

Tu pensas ser quem?

Alguém que invade, que mexe, que marca?

Descreva-te a ti mesma!

Sabes fazê-la ao menos?

Amas algo ou alguém?


Marcelo Braga

VALOR DA VIDA

14.06.93.

Para quem nesse mundo vivendo

Em que na verdade nunca viveu

Gratifica-se por um nome tendo

Um presente que alguém lhe deu


Para quem nesse mundo vivendo

Em que na verdade nunca viveu

Gostoso é estar sonolento

Horas dormidas que não sofreu

Para quem nesse mundo vivendo

Em que na verdade nunca viveu

Bem vale uma criança correndo

Braços abertos ao lado seu

Para quem nesse mundo vivendo

Em que na verdade nunca viveu

Nada melhor do que estar morrendo

A história que nunca viveu


Marcelo Braga

QUE VALE NESSE MUNDO

23.06.93.


Que vale nesse mundo

Percorrer a fundo o mundo

Se no fundo mal se conhece

Seu próprio mundo a fundo?


Que vale no fundo

Ter mundos e fundos

Se tudo que existe no mundo

Corroerá a terra?


Que vale um nome entre tantos outros nomes?

Que vale ir ao cume quando nunca se foi ao fundo do vale?


No fundo, o que vejo valer no mundo

Não se pode tocar e ver

Só se pode ter vivendo livre

Sem estar preso a mundos e fundos!


Marcelo Braga

ENTROCAMENTO

04.07.93.



Certa feita olhava

O novo mundo

Seu feitio

Afoito olhava o feito

Da humanidade


Acordei com sono

Sonâmbulo, somítico

Dum sonho

Na fronha

Pela humanidade


Na posse da pose

No pórtico adentrava

O possuía

Possessivo o passo

Com a humanidade


Um prenúncio

Ou mero anúncio

Era-me nutriente diário

Uma reforma agrária

Para a humanidade


Nos encantos do mundo

Em cantos imundos

Nos olhares encapelados e

Também profundos

Olhava: a humanidade


Marcelo Braga

REBELDIA

 07.07.93.



Não nasci para me deparar com barreiras

Longa me é a estrada nessa lida inebriante

Nasci com sangue nas veias

Cheirar flores, viver cada instante



Que me tenham por rebelde

Que tropecem nos grilhões da sociedade

Debalde tentarão me incutir civilidade

Vivo incansavelmente!



Amores perdidos que serão recuperados

Meu espírito é profundo, lendário

Vivo a mirar o Sol que refulge

Retilíneas brechas de refrigério



Vivo todo o sonho, por menor que ele seja

Nasci para os céus amarelos

São asas, invisíveis asas

São flores, são cores e setas


Liberdade ou morte!

APENAS VOCÊ

 24.07.93.



São Cristóvão, pleno sábado

Ou Rio Branco, hora do rush

Areias de Copa ou oficina

Te prescrevo, te desenho, descrevo

Naftalinas

Teu bélico rebolar



É infinito esse esperar

São cinco os anos passados

São muitos os arquivos

São sete as chaves que perdi

Muitos os ases que não escondi



Apenas você

Você somente...

Você só mente!


Marcelo Braga

VINTE ANOS

 26.07.93.



Esta vida é uma viagem

De lindas músicas

Que nos levam a escalar

Pináculos celestes



Esta vida é uma viagem

Interminável da mente

Que perscruta intrusa

O coração alheio



Esta vida é uma viagem

Por onde sobrevoamos

Culturas diversas e

Vemos sete maravilhas



Esta vida é uma viagem

Do espírito curioso que adentra

Portas do mistério e

Se decepciona



Esta vida é uma viagem

De ida apenas

Onde uma lápide nos espera

A descansar cansada carcaça


Marcelo Braga

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

TEMPO DO SILÊNCIO

 30.07.93.



Felizmente, caso a vida venha nos proporcionar mais dias, teremos

a oportunidade de vivenciar um país mais intelectualizado, com os

problemas básicos resolvidos, desenvolvido, com múltiplas ações

governamentais que funcionam...



Melhor tumular nossas vozes

Que ecoá-las pela amplidão

Como nos dedos quebrar nozes

Expressar propriedades críticas

Desse olhar pessimista

Caso o queiram com este título



Melhor, nada de introduções

Sim, calar ante o bruto turbilhão

Já engajado em banalidades

Importadas, invasoras

Sem convite ou concessão



Melhor até mesmo nos prólogos se omitir

Que murrar pontas de facas, beijar pedras

Detestar todo o tipo de promessa

Que nos aflige nos meios de comunicação



Melhor nada escrever, se possível apenas inscrever

Em relevo e fina douração

A riqueza que se possa conter

De palavras sábias, eternal duração

Melhor nem mesmo revoltar



São muitos os cantos fúteis

Se possível só caminhar com boa índole

Já me considerarei perfeito

Quem sabe um dia a história muda?


Marcelo Braga

FÉCULA, POEIRA E MOFO

 03.10.93.


Um dia era uma vez

Outro dia penumbra

Quando clara minha tez

Outra escura se vislumbra


Como que ocluso na redoma

Meias noites bem claras

Saindo de um coma

Minhas ventas cada vez mais ralas


Ensurdecido nas belas palavras

Voz fêmea e morena

Meu cobre azinhavras


Suspeitável tua forma serena

Criticável esse nosso amor incansável

Inevitável tua saliva potável

Insaciável tua boca biodegradável


Abominável essa noite sem ti!


Marcelo Braga

domingo, 19 de janeiro de 2025

MARA

 30.10.93.


Apenas tua mão eu quero

Literalmente: tua mão!

Sinceramente: tua mão apenas!


Não vou querer teus olhos

Soberbos nas noites de Copa


Não vou querer tuas ancas

Desgovernadas, sem rumo


Não vou querer teus lábios

Faladores e chantagiosos

Nem tuas lisas pernas

De texturas contagiosas


Apenas tua mão direita

A esquerda lava o que a outra fez

Tua mão direita apenas

Querida irmã


Marcelo Braga

SOCIALMENTE

 08.12.93.


A constância me impressiona

Me pressiona à lentidão

Como que dentre desconhecidas brumas

Me ditassem fascínios e impressões


A prudência me deturpa

Me furta toda impertinência

Como que nas adulações refizessem

Os valores de minha cavernosa mesquinhez


O bom senso me sensibiliza

Me instiga ao ópio social

Como que com o Sol nascendo

Me turvasse a visão das estrelas


Marcelo Braga


PROTUBERÂNCIA DILEMATIZADA

 08.12.93.


Felicito o breve dia

Com minhas agruras de hortelã

Com meu alforje viajante


Precipito por esparsos cumes

Disto por léguas grosseiras

Confundo-me na luz dos dramas

No azul céu de relâmpagos e

Pergunto:


Seria aqui minha escola?!


Marcelo Braga

PRECISA-SE DE UMA NOVA MUSA

 24.12.93.


Fazer um plágio pareceria mais original

Ao poeta que precisa prosseguir (ele é gente também)

Na causa de uma musa

Deixando o passado ficar passado


Colocar outra no lugar que se desocupa

Das já tantas indecifráveis paixões

Ato quase fúnebre que sepulta

Suspiros, safanões


A flor de tão linda rubra era

Foi o mentor esmero do início

Da vida quando pura, quimera

Lembrança bruta, precípicio


Torna-me portanto necessária

A nova linha plageada

Como numa reforma agrária

Dividir o coração em polegada


Marcelo Braga

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

ROSTO

 16.01.94.


É um santo sentimento que nos

Abraça

Nos carrega, nos transporta

À praça

Nos mostra do riso dos outros

A graça

Nos preenche de recheio

Nos acha


É um louco pensamento que nos

Apreende

No devaneio de um perdido momento

Surpreende

Nos batiza, nos purifica

Nos suspende

No sonhar de uma criatura sólida

Que atende


É o destino que tudo

Confecciona

É dele essa loucura que se

Assoma

É por ele que implodimos

A redoma

E nosso todo cárdio cai

Em coma


Marcelo Braga

MILIMETRADO

 16.01.94.


São os metros que me cabem

Os pedaços que ocupo no espaço

Os passos que dou cruzando metros

Megametros...


O mais de um metro que fiquei

O mais meio metro que queria ter ficado

Os milhares de metros que cruzei

Muitas horas nesse chão

Algumas pelo ar, pelo mar


Um coração

Nem meio metro quadrado

Penso

Tão ínfimo, tão frágil

Logo existo


Amei com ardor

Na velocidade de 200 mil metros por hora

Acelerei-me em batidas federais

Ocupei meu coração loteado

Veja só que burrice

Cadê espaço para mim agora?


Virei um milimetrado!


Marcelo Braga


COMO PODE?

 20.01.94.


Como pode

Castigar tanto assim

Um pensamento contínuo

Prevalecer anos sem fim

Remoendo a falta de um sim?


Como pode

Uma mesma música

Não enjoar e criar

Tantas interpretações?


Como pode

Carregar uma alma rebelde

Um espírito tão quieto

Pelas ralas noites claras

Em esperas debalde?


Como pode

Sempre uma mesma musa

Logo agora que não mais se usa

Prevalecer toda insistência e

Esta ignorante

Impertinência?


Como pode

Tantas palavras no papel

Escritas assim ao léu

Descrever berros

De um calado coração?


Marcelo Braga

A INFÂNCIA, FOI BELA? TRAUMÁTICA?

 20.01.94.

Foi bela?

Foi traumática?

Queremos revivê-la


Foi luxo?

Foi lixo?

Queremos guardar fotos


Foi carinho, compreensão?

Foram maus tratos, rejeição?

Queremos voltar atrás


Foi época pura

Foi pura

Sem dúvida

Foi pura...


Marcelo Braga

RUDEZ DA GRAÇA

 02.02.94.


A graça é a grande palhaçada da vida

O espírito falante expande exageros

O semblante duro assusta e imprime rudeza


A grande desgraça da vida é não vivê-la

Ou vivendo não sabendo suportar

As desordens do cotidiano


Chego a presumir que felicidade seria gargalhar e

Infelicidade: não chorar

Expandir-se, destrancar-se do íntimo


São póstumas nossas lápides

Se portam incontinentes as lembranças

Por qual razão se teima em viver no passado?


Para alguns a felicidade é ruína

Não digo aqui novidade

Para alguns o hipócrita sorriso: necessidade


Projeta-nos, a sociedade normal

Vultos indignos de descrição

Mas que avidamente nos abatem


Procuraria ser dispersivo, cego

Ceguinho de lata esmoleira

Se desse mundo não pudesse tirar caquinhos

Casquinhas de riso

Que me fazem morrer

Literalmente:


Morrer de rir!


Marcelo Braga

sábado, 11 de janeiro de 2025

PACIFICAÇÃO

11.01.2025.

 

Pernoitei noites insones imberbes

Tombei em inóspitos dezembros

Mergulhei em lama negra e minha tez não clareou

Inundei-me de descontinuidades efêmeras

Desqualifiquei-me aos belos sorrisos

 

Até que te encontrei

Aqui, tão intensa, propensa

Avalanche, erupção

Explosão de meus sorrisos

Pacificação, lancinante pacificação.

 

Marcelo Braga

LUZ ALÉM

 04.02.94.


Esgotam-se palavras

Inibem-se os reflexos

Tornam-se aptos a calar

Fecham-se oclusos

Amargam-se os sentidos


Atitudes neófitas

Masoquismo

Despeito

Desavença


Sim, nesse mar já pernoitaram meus sorrisos

Sim, nesses rios o despretencioso palrear insosso

Luz além, luzalém, Jerusalém


Nada

É apenas um farol

Tudo é artificial

Nada

Mar nada

Nada rio

É vala, caatinga

Paladar algum

Nenhuma palavra

Luz além

Luzalém

Jerusalém


Não é lua

É apenas um farol...


Marcelo Braga

CONSCIÊNCIA NULA

 17.04.94.


Cada febre, um advento

Cada pesadelo, um tremor

Cada notícia, um lamento

Cada poesia, um clamor

Quem dera-me muitas vidas...


Cada forma, um desejar

Muitas linhas, mal rabiscadas linhas

Muitas verdades, íngremes estradas...


Cada nome, um prazer em conhecer

Cada forma, um apreciar

Cada verdade, pra si guardar

Cada viagem, distanciar...


Quem dera-me uma consciência nula

Livre desse mundo sentimental

Mente que imacula e amarga sorrindo

A injeção letal


Marcelo Braga

A VIDA ADEQUADINHA É UM PROCESSO...

 22.05.94.


...combinado que vai englobando as constantes disparidades

políticas mostradas pela ótica lucro-comercial da imprensa dos

interesses maiores, entranhando-se uma a uma em nossa coluna social

(e na cervical também), nos tornando apáticos ao pensamento livre, a

ponto de nos furtar a capacidade da lógica e sobriedade.

Nos encaminhamos à inércia.

Não vemos horizontes, só vértices.

Não temos causas, nada nos desperta a uma súbita mudança.

O costume com o tido tradicional nos implica usar o lugar-comum.

As frases feitas, o certo e o errado.

O bonito, o feio.

O bem e o mal.


Prefiro ter vida própria!

Preciso ter vida própria...


Marcelo Braga

BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

  12.02.2011. Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escald...