12.02.2011.
Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escaldante Sol.
Nada que violine além de Fauré pela França afora onde tantas vezes estive nos sonhos de dois séculos atrás e hoje pouco me importaria conhecê-la.
Nada que grite além do inspirado calmanteníaco duma voz fêmea fugidia que tranquiliza meus sonhos de amante louco que insisti sê-lo.
Nada que esconda e proteja além desse bunker de cerca viva onde me coloco sentado a escrever os filhos e imagens que toco com os dedos da minha alma.
Nada que avilte tanto quanto mais um só estalo do piano ante a mórbida música de hoje que diz ser música e eu que de tanto velho acho não mais sê-la.
Nada que me aflija além da clarividente intempérie de meu tranquilo extasiar que se assombra mansamente ante a perfeita conjugação piano-cordas.
Nada que ocupe além dessa página de linhas que retenha o espaço de minhas poucas centenas e cinquenta páginas de alvíssaras mesmo que suspeitas alvíssaras!
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