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segunda-feira, 31 de março de 2025

ESTORVO TURVO DO TORPOR

 


18.10.2008.
 
 
 
Minhas médias ainda estão baixas
Repetente de meus anos poucos
Ela foi um amor que achei ter amado
Palavra em cima de palavras num esboço
Um emaranhado armado de barbante
Música dos anos sessenta e setenta
1973 novamente uma saudade
Vejo hoje o que lhe será 2008
Veias e guitarras roucas, arranhadas
Arrastado num fremir delirante
 
Minhas médias ainda estão baixas
De repente um às vezes num talvez
Amor por tantas superfícies ásperas
Folha em cima de folhas de mesa manqueta
Uma teia de círculo vicioso do eterno
Música dos anos oitenta e noventa
Há pouco o mundo se preparava para o fim
Hoje está pronto para a degradação da espécie
Orelhas e baterias, surdos, graves
Desencadeado o estorvo turvo do torpor


Marcelo Braga

VOU CONTINUAR

19.10.2008.




Vou continuar no rock progressivo

No espelho que me acusa de estar ainda vivo

Nas pessoas que comigo envelhecem

Nas outras que aparecem por aí tão cheias de vida

Com Paul McCartney, com John Lennon, com George Harrison

Vou continuar, vou continuar…


Vou continuar admirando arte

No retrato onde eu era aquilo que ainda sou

Nos gênios que escreveram e pintaram

Na genética de peles tão lisas que saíram de mim

Com Alexandre, com João Marcos, com Ana Julia

Vou continuar, vou continuar...


Vou continuar fazendo aquilo que acho que sei fazer

Vivendo no passado que de tão distante virou quase que meu futuro

Na aparição de novas alternatividades

Nessa coisa de ressuscitar sempre que vejo a morte

Com Caetano Veloso, com Chico Buarque, com Marisa Monte

Vou continuar, vou continuar...


Vou continuar esperando que o tempo pare

Que o tempo passe, que o tempo me ultrapasse

Pela beira dos pratos quentes; pelo raso dos pratos fundos

Nessa coisa de achar que ainda existe saída

Com Fernando Pessoa, com Franz Kafka, com Erasmo de Rotterdam

Vou continuar, vou continuar!



Marcelo Braga

sábado, 29 de março de 2025

NÊMESIS, NÍOBES, PENÉLOPE E SÉMELE

  

 14.05.2011.
 
 
 
 
Fui ao templo da deusa Nêmesis, cidade de Ramnunte
 Pedir que ela libertasse os culpados
Que esquecesse essa de fazer cumprir a execução das regras
Dá muito trabalho tentar consertar os homens...
 
Fui falar com Níobes, acostumado que sou em falar com pedras
Que ela perdoasse Apolo, perdoasse a si mesma por aquilo que não cometeu
Que tivesse outros sete filhos e largasse de mão essa de ser pedra
Cansa muito posar de coitado...
 
Fui ter com Penélope, mulher do desaparecido Ulisses
Que ela parasse de tecer e desmanchar o pano tecido
Ulisses era um louco ao desprezar-te assim
Esperar sentado causa mil problemas de circulação...
 
Fui ao meio das chamas de Júpiter convencer Sémele
Que largasse de mão sua prematura criança
Ela seria o deus Baco, a alegria passageira, a infelicidade do mundo
Há rebentos que se soubéssemos...


Marcelo Braga

NEM POR ISSO...

22.10.2008.

 
 
 
Nasci na loucura
Criei-me na desatenção
Cresci no descaso
Amadureci na distância disso tudo!
 
Nasci num tremor de terra
Criei-me na disputa desleal
Cresci num espaço apertado
Amadureci no desprezo disso tudo!
 
Inventei porque tive que inventar urgentemente
Preceitos, códigos e formatos
Normas, regras e dogmas
Não havia espelho
Não havia exemplo
Não havia amparo
Tive que inventar a vida rapidamente


Marcelo Braga

BRASILEIRO DO RIO DE JANEIRO

  

24.10.2008.
 
 
 
Já tentei ser baiano
Parece tão calmo ser baiano...
Tentei ser paulista
Parece tão objetivo ser paulista...
Tentei ser paraibano
Parece tão firme ser paraibano...
Tentei ser mineiro
Parece tão simpático ser mineiro...
Tentei ser gaúcho
Parece tão político ser gaúcho...
Tentei ser cearense
Parece tão rentável ser cearense...
Tentei ser acreano
Parece tão natureza ser acreano...
Tentei ser alagoano
Parece tão tradição ser alagoano...
Tentei ser capixaba
Parece tão agressivo ser capixaba...
Tentei ser catarinense
Parece tão europeu ser catarinense...
Tentei ser rondoniense
Parece tão floresta ser rondoniense...
Tentei ser pernambucano
Parece tão cabra ser pernambucano...
Tentei ser goiano
Parece tão musical ser goiano...
Tentei ser maranhense
Parece tão tranquilo ser maranhense...
Tentei ser sul-mato-grossense
Parece tão Bonito ser sul-mato-grossense...
 
Consegui ser um pouco carioca
Parece tão malandro ser carioca
Parece tão esperto ser carioca
Parece tão estilo ser carioca

 
Carioca de Grajaú, Pechincha, Freguesia, Taquara, Curicica, Botafogo, Santo Cristo, Vila da Penha, Itanhangá, Santa Cruz, Vaz Lobo, Copacabana, Niterói, São Gonçalo, São João de Meriti, Nova Iguaçu, Caxias, Pati do Alferes, Barra do Piraí e de Miguel Pereira.


Marcelo Braga

BLACK DOG

 


31.10.2008.
 
 

Sou muito mais Eu Já Sabia que Dêjà-vu
Percebo bem mais Lá Vem Outra Tempestade que Here Comes the Sun
A Verdade do Universo compreendo melhor quando me chegam as contas
Entendo muito mais de bucho que escargot
Trem da Central que Eurotúnel
Pão com manteiga que Croissant
Mais no trabalho que na Providência
Mais na saúde que na Previdência
Mais na boa sacanagem que na indecência


Marcelo Braga

SERIA PARA AQUELE SEMPRE

  

 
23.10.2008.
 
 
 
Lembra como era bom estarmos juntos
Música e diversão
Saudade que batia de repente
Disposição para as coisas do dia-a-dia
Havia sonhos e projetos envolvidos
Você me botava para frente
Gostava de minhas poesias
Não haviam as respostas agressivas
Escrevia bilhetes
Fazia carinho
Lia livros
Achávamos as soluções
Havia clima para sermos felizes
 
Sempre achei que seria para aquele sempre...


Marcelo Braga

ENTRE UMA COISA E OUTRA

 

06.11.2008.
 
 
 
   Essa vida passa mesmo rapidamente...
   Já fui bebê, anjo, anjinho, nenê, recém-nascido, recém-parido, nêngaro, criancinha, pequeno, pequerrucho, pequenote, criança de mama, menino, inocente, párvulo, mafarrico, pivete, pegulho, berrão, mamão, caçula, menor, petiz, piá, criançola, garoto, fedelho, criatura, infantil, pueril, implume, fetal e trasgo.
   De repente, rapazito, rapaz, rapazote, gargajola, mocetão, polhastro, zagal, moço, mancebo, gaiato, jovem, pungibarba, efebo, franganito, cachopo, tramelo, adolescente, moleque, barbinha, mosca, púbere, crescido, viril, desenvolvido, juvenil, taludo, rébora, adolescente e impubescido.
   Logo talvez serei: velho, veterano, decano, patriarca, avô, bisavô, trisavô, tetravô, ancião, homem de dias, velhote, velhustro, idoso, quinquagenário, sexagenário, setuagenário, octogenário, nonagenário, centenário, cangalho, zopo, macróbio, Matusalém, Nestor, capoeirão, caduco, última estação, senil, cara de pergaminho, maduro, murcho, antigo, morredouro, decrépito, tarouco, dioso, avançado em anos, valetudinário, longevo, reumático, rabugento, ancestral, sênior, venerando, zoupeiro, confecto, cheio de anos e trôpego.
   Oxalá!


Marcelo Braga

Introdução ao livro: PETIT FILLE

  

 
 
  Todos os questionamentos metafísicos, religiosos e filosóficos giram no entorno de um só assunto em suas variações: a existência.
   Determino ser esse o único assunto unânime em todas as tribos, clãs, povos, culturas, raças, etnias: VIDA. No mais, tudo se difere em proporções astronômicas de individualidades. A única tese levada adiante em qualquer que seja o seguimento histórico, ético, social, começa ou termina no grande mistério que é VIVER. O “antes” do nascer (pouco discutido se levarmos em conta as questões seguintes), o “nascer”, o “desenvolver-se”, o “reproduzir-se”, o “morrer” e o “depois da morte” são os assuntos de toda civilização em toda história conhecida, são os mistérios mais “misteriosos” que entremeiam nossa passagem, as perguntas mais arguidas em nossa ignorância e as respostas mais impossíveis de se obter enquanto permanecemos entre o berço e o terno de peroba. No mais, tudo é único, individual. Há que se pensar na vida? Seus motivos? Suas metas? Suas missões? Seus caminhos? Suas mudanças? Seus sofrimentos e alegrias? Inegavelmente digo, dificílimo ao mais boçal ser humano não relacionar-se com tais questões pelo menos uma vez em sua existência. Não conheço homem que não seja assim, questionador em suas mais variadas concepções e crendices: donde vim? Para quê vim? O que devo fazer aqui? Para onde vou? No mais, tudo pode se diferir; adequar-se por conveniências, criações, influências, comoções, experiências pessoais, genética, e  outras infinidades de fundamentos e afecções.
   Discute-se o valor da vida, discordam; valores se diferenciam quantitativamente para mais e para menos.
   Beijei pouquíssimas vezes a vida, mesmo tendo tanto pensado na mesma. Julguei amá-la, mesmo tendo a traído tantíssimas vezes, pensei, retruquei, escrevi, observei, mudei de opiniões, errei para depois errar novamente e por quantas vezes disse: começo agora uma nova fase! Eureka! Descobri minha missão! Agora as coisas serão assim!
   Cheguei numa fase mais tácita, menos aflita. Novos descobrimentos que julgo serem descobrimentos, enquanto podem ser apenas nuvens e clarões dos relâmpagos que nos afugentam e/ou nos felicitam.
   De alguma forma, continuo humano como todos de minha espécie de minha atualidade: VIVO! Será somente nessa ocasião (talvez, e o talvez me assombra e ao mesmo tempo me pressiona ao CARPE DIEM) que poderei fazer de tal condição, a condição de estar vivo, a determinação de minhas urgências, o uso de minha diligência, as escolhas de meus dilemas e o aproveitamento de meus dias. Apenas enquanto vivo, depois não sei, sou agnóstico. Como um agnóstico, um ser sem conhecimento algum, alguém que não consegue negar nem afirmar nada se não o relativo (que disfarçadamente também não deixa de ser uma afirmação) haverá de desprezar a vida? Se soubesse algo da mesma, ótimo; se tivesse condição de respostas às perguntas anteriores, melhor ainda; entretanto “a única coisa que sei é que nada sei”. Verdadeiramente penso e vivo assim e essa é minha fase atual: cultuar a vida, o hoje, o presente, o tateável, o visível, os sentidos em si, sejam eles cinco ou seis sentidos ou até mesmo mais. Minha subjetiva objetividade é cada pedaço de meu bem estar e minha adoração suprema no momento é a tal petit fille que há duas ou três horas acaba de deslocar-se da maternidade até minha morada, dando assim início à sua jornada, à sua existência que hoje é apenas um pequeníssimo ser indefeso e dependente e num piscar de olhos se tornará alguém como todos os outros: observador, inquiridor, sonhador, planejador, dotado de individualidades e dons, adaptabilidades e negações, amores, raivas, choros e risadas.


   Seguirão os seguintes livros após seu 1° ano:
   2° livro: s Mädchen Klein (seu 2° e 3°).
   3° livro: Piccola Bambina (seu 4°, 5° e 6°).
   4° livro: Pequeña Niña    (seu 7°, 8°, 9° e 10°).
   5° livro: Little Girl        (seu 11°, 12°, 13°, 14° e 15°).

NÃO ME INTERESSA SABER

11.05.2008.

 
 
Que agora neste segundo estão nascendo quantas centenas de crianças
Que cada cinco delas, uma é chinesa
Que em 2050 a população idosa se igualará a das faixas etária entre 0 e 14 anos
Que a situação financeira está difícil
Que o país anda cheio de escândalos na política
Que Felipe Massa venceu o GP da Turquia hoje
Que você estará com 15 e eu com 50!
Que nossa casa ainda tem muita obra a se fazer
Que lhe falta um quarto só seu
Que nem tudo se realiza como queremos
Que a vida é cheia de percalços
Que você passará por todos os estágios da infância
As vacinas, as doenças comuns, as dores
Que você terá dificuldades em alguns aspectos da vida
Nada, nada me interessa hoje mais que ANA JULIA
Primeiro dia das mães de Isabel Cristina como MÃE
Você foi muito espertinha nascendo uma semana antes


Marcelo Braga

QUINTO DOMINGO

 

01.06.2008.



Novamente a “loucura”

A crendice em milagres

Cinco domingos assim

Mariza

 Fado... nunca imaginei ser tão bom


Primeiro domingo, de uma ambulância à praia de Charitas

Medo...

Segundo domingo, Dia das Mães

Palavras que nos beijam...

Terceiro domingo, churrasco e fotografias

Transparente...

Quarto domingo, nosso passeio de carrinho

Quando me sinto só...

Quinto domingo, chuva, frio e cuidados

Duas lágrimas de orvalho...


Fostes até então minha mola propulsora

Fui parar em Júpiter!


Marcelo Braga

quinta-feira, 27 de março de 2025

CRÍTICA DA MODESTIOLOGIA PRÁTICA DA PRETENSÃO EQUILIBRADA E CONVENIENTE

13.11.2008

 
 
 

   O homem começou a pensar. Depois começou a pensar com certa sabedoria. Depois passou a amar tal sabedoria. Criou-se o termo filosofia. Vieram os valores: cognitivos (fundamentos do conhecimento) e normativos (fundamentos da lógica, ética e estética). Vieram depois os procedimentos discursivos (racionais) e os procedimentos intuitivos (intuição intelectual). Vieram das colônias gregas da Ásia Menor, Pitágoras, Heráclito e Demócrito. Pitágoras trouxe a matemática e a moral. Heráclito a dimensão poética e cosmológica (origem, evolução e estrutura) do pensamento. Demócrito, o ponto de partida do materialismo: o atomismo (doutrina filosófica que explica a constituição do universo por meio de átomos). Aparece então Sócrates, mais preocupado com as relações humanas. Platão, seu discípulo: a problemática do idealismo (tendência a se guiar mais por idéias que por considerações práticas). Logo depois Aristóteles, fundando a lógica (forma coerente de encadeamento e raciocínio), formalizando os procedimentos do pensamento com o silogismo (raciocínio estruturado a partir de duas premissas das quais, por dedução, se tira uma terceira, a conclusão). Tivemos Epicuro, dando ênfase moral à filosofia, definindo rigidamente os limites da conduta humana a fim de que ela fosse sempre sinônimo de prazer. Em contrapartida, nos seis séculos seguintes, o estoicismo que propunha ao homem submeter sua conduta à razão correta, mesmo que isso lhe trouxesse sofrimento ou dor e não o prazer. Domínio das paixões. Relação entre a fé e a razão. Sucesso na Idade Média entre os cristãos. Com Descartes inicia-se a filosofia moderna. O racionalismo (doutrina baseada apenas na razão) cartesiano. O empirismo (doutrina de que todo o conhecimento se origina da experiência prática) inglês. O idealismo alemão. O positivismo (filosofia que fundamenta o conhecimento nos fatos observáveis). O marxismo (teoria econômico-filosófica de crítica ao capitalismo elaborada por Marx e Engels). Ainda duas figuras inclassificáveis: Nietzsche (libertação do homem) e Kierkegaard (o existencialismo). Flichte e Hegel: o homem concreto num mundo concreto, enquadrado numa sociedade e engajado numa história. Na Alemanha, Kant, de volta à metafísica de forma mais profunda. Aparece Bergson no estudo da vida no sentido biológico. O pragmatismo (consideração das coisas de um ponto de vista prático) do americano William James. A fenomenologia (sistema filosófico em que se estudam os fenômenos interiores considerados como ontológicos [da ontologia: tratado dos seres em geral, teoria ou ciência do ser enquanto ser, considerado em si mesmo, independentemente do modo como se manifesta]) de Husserl que permitiu com que se reunissem a reflexão sobre a existência e a reflexão sobre o espírito, inspirando Heidegger na Alemanha, Sartre e Merleau-Ponty na França. Ainda Freud com a psicanálise (tratamento que consiste em interpretar os processos
psicológicos conscientes e inconscientes) que gerou a psicologia (estudo das atividades mentais e do comportamento de um indivíduo ou grupo). Também Lévi-Strauss, estruturalista da antropologia (ciência que se ocupa do homem e tem por objeto o estudo e a classificação dos caracteres físicos dos grupos humanos).
   Enfim, várias direções, variações, ramificações de diferentes linhas de raciocínio. Até que em 2008, no Brasil, aparece a escola da despreocupada pretensão de pouco saber de muito e algo reter do misto, de uma forma conveniente, no acesso que se tem contra o tempo curto que é a existência consciente. Vamos nomeá-la: Crítica da Modestiologia Prática da Pretensão Equilibrada e Conveniente! 


Marcelo Braga

SUA SEGUNDA MISSÃO: MUDANÇAS


 
 
   Seu APARECIMENTO, já no útero, me “impôs” condições e mudanças. Eram lutas que eu já pactuava com inimigos tão nocivos e ao invés de derrotá-los logo, protelava os combates e vivia a GUERRA FRIA, onde nada se resolve.
   A responsabilidade que me foi Ana Julia, era provar para mim mesmo que agora seria capaz, agora teria uma chance em forma de “última chance” de reestruturações e remodelações nos aspectos gerais de minha consciência e caráter; que devolveriam-me, tais remodelações, resultados de mudanças de hábitos, o abandono de vícios, o autocontrole; uma vida que impusesse respeito, domínio sobre meus ímpetos e gostos, descartáveis e desimportantes, porém altamente prejudiciais à minha saúde física e mental, de danos irreversíveis no contato social e um travamento em meus projetos. Comecei abruptamente num processo EVOLUTIVO que significavam há anos, para mim, minha afirmação como homem em sua definição de honestidade e responsabilidade. Tais “evoluções” me foram urgências que minha consciência me alertava já há anos e me faltava uma motivação que fosse de uma força motriz “bruta” e determinante.
   Não sei ainda ir além disso, tudo é muito recente, hoje é teu sétimo domingo de existência fora do útero. Já me divertiste muito com suas caretas. Já me extasiaste muito com seus sorrisos. Parei momentos infindos a contemplar-te como um anjo.
   Mola propulsora, como disse antes. Primeiro sempre errei e tive chance de acertar depois. Ainda não entendi por que tem sido assim comigo a vida. Bem, enquanto não entendo curto, aproveito-me dessa paz, deleito-me nessas mudanças que sua inocência e fragilidade me proporcionaram e cresço junto a ti, no intuito de ‘aumentar’ meus dias. Ver-te por um longo período de sua existência e assim, liberto de mim mesmo (o homem deve superar-se), livre para proporcionar-te suplementos vitais à sua infância em forma de amor e carinho, paciência e inteligência; exemplos e envolvimento plenos, onde venhas ter confiança e ver assim em seu pai seu porto seguro, sua mão forte e amiga. Sendo assim sua infância, rodeada de muito amor e carinho, ensinamentos básicos de uma família estruturada, onde lhe permearáa sensação de conforto, sossego e amparo, sua vida seguirá rumos diferentes, indubitavelmente, dos rumos que seguiam a vida de seu pai e aqui, pus um ponto final, sim aqui, entre o ato de sua concepção e seu aparecimento tão urgente em minha vida.
   O título desse texto traz sua 2ª missão e me perguntarás? Pai, qual foi minha 1ª missão cumprida? Aproximações fundamentais! Como posso pai, em apenas seis semanas, já ter realizado duas grandes missões? Lhe responderei que sua primeira missão foi cumprida. Porém os resultados da mesma são ainda sementes que germinarão num futuro próximo e nos proporcionarão muita felicidade, cumplicidade e amizade. Já sua segunda missão, implica numa manutenção de minha parte, pelo resto da vida, rodeada de cuidados e lembranças das tragicidades do passado para que as mesmas nunca retornem e automaticamente tornem-se inseparáveis, como engrenagens que trabalham juntas, a 1ª com a 2ª. Sua 1ª missão dependia de sua 2ª missão para que pudéssemos pensar em qualquer que fosse outra missão, plano, e/ou projeto. Conseguistes cumprir em minha vida suas 2 primeiras missões, e como lhe disse, tudo ainda é começo, semente, e somente o tempo, o passar dos anos em conjunto com a sua manutenção, nos trarão os resultados óbvios que dependem tanto mais de mim que de qualquer outra pessoa.
   Nunca em minha breve existência, NADA, nada mesmo, mexera tanto comigo como Ana Julia, fêmea de minha genética e, futuramente, um ser livre de influências externas (em parte) por possuir em seu lar toda a segurança necessária ao seu desenvolvimento socio-emocional. Encontrará pai e mãe já crescidos e desenvolvidos, preparados para as lutas da sobrevivência. Perceberás exemplos dignos de serem imitados e reinarás num lar de respeito e cumplicidade; coisas antes “impossíveis”, porém dou todos os créditos à sua mãe que acreditou em mim e de certa forma contribuiu mais do que nós dois juntos ao desfecho desses fatos, que em verdade, é o começo de nossas vidas a três, a formação de uma família.
   Quererei ter tempo para ensinar-te sofrer menos no decorrer de seus dias, e nessa matéria, serei seu professor mais apto, pode estar certa!


Marcelo Braga

O QUE ACONTECIA NESSA ÉPOCA

 


 
 
 
   Transformações gigantescas sem exagero algum nessa dimensão, tanto na vida de seu pai quanto na vida de sua mãe.
   Seu pai aprendia a viver em paz e ter o controle sobre si mesmo. Aprendia autodidaticamente filosofia e começava a praticar a mesma.
   Sua mãe aprendia a ser dona de casa. Pela primeira vez na vida, em casa, sem trabalhar desde sua fase adulta. Aprendia a ser mãe e aprendia a cuidar das coisas que se referiam à vida matrimonial, coisa que em seu 1° casamento não fora muito posto em prática pelas informações que obtive e pelas observâncias que fiz.
   Planos se tornavam ocorrências. Obras em nossa casa, pouco dinheiro, porém sempre o suficiente para nada faltar. A curtição contigo, o prazer em estar em casa e a liberdade das “flutuações da alma”.
   Muita música, livros e idéias. Mudanças bruscas de atitudes, de vícios, de costumes. No que se refere aos vícios, vamos mais claramente: sua mãe, logo quando descobriu que estava grávida largou o tabagismo. Seu pai lutou contra um alcoolismo em evolução que já perdurava por 7 anos e conseguiu inativá-lo no dia 28 de março, depois de quase um ano de luta, 37 dias antes de seu nascimento. 41 dias depois de seu nascimento, seu pai largou o cigarro e seguem-se assim as coisas. Tudo é início. Você reiniciou nossa vida, fostes a “mola propulsora”, o “fator motivador” para tantas novidades.
   De certa forma, determinamos as mudanças de nossas paixões motivados por paixões que sejam maiores que as anteriores; não chega a ser o caso de deixarmos de possuí-las, apenas de trocá-las por outras, e é o que ocorre nesse momento presente, a 2 dias de seu 2° mês completo. Tornou-se maior a paixão em viver depois que você apareceu em nossa vida e tal aumento sempre trás consigo uma infinidade de questões simples e complexas que passam a envolver ou a envolucrar nossa existência. Mudam-se as prioridades, as atitudes em relação aos outros e a si mesmo, alternam-se até mesmo as “verdades absolutas” quando “milagrosamente” tudo se encaixa e acontece de forma tão desejada e de igual intensidade, inesperada.
   Nas questões práticas:
   Livros: veja só, na correria de seu nascimento, levei dois livros em minha bolsa, como se eu fosse conseguir me concentrar na leitura de algo na ocasião: “O Desespero Humano” de Sören Kierkegaard que terminei de ler semanas depois e “Da Morte, Metafísica do Amor Sofrimento do Mundo” de Arthur Schopenhauer que retornei sua leitura agora. Nesse período terminei o 1° tomo de “Origem das Espécies” de Darwin e iniciei o 2° tomo. Terminei a leitura de “Ética Demonstrada à Maneira dos Geômetras” de Baruch de Spinoza que me marcou bastante e terminei o livro “Da Utilidade e do Incoveniente da História para a Vida” de Nietzsche (o 13° livro do autor que eu li). Interrompi momentaneamente a leitura de “Schopenhauer Educador” de Nietzsche e “Diário de um Sedutor” de Sören Kierkegaard. Livros que aguardavam ser lidos por mim antes de seu nascimento: “Princípios do Conhecimento Humano” de Berkeley, “A Vida Feliz” de Sêneca, “Dos três Elementos” de López Medel e “Elogio da Loucura” de Erasmo de Rotterdam e livros que comprei após seu nascimento: “Os deveres” tomo II e III de Cícero, “A filosofia na Época Trágica dos Gregos” de Nietzsche, “Fábulas” de Fedro, “Zadig ou O Destino” de Voltaire e hoje “O Contrato Social” de Jean-Jacques Rousseau. Consegui, depois de um longo período sem computador, localizar a minha Biblioteca Eletrônica que contém mais de 100 livros de filosofia e já separei alguns para serem lidos, entre uma apostila de PageMaker 6.5 que imprimi da mesma biblioteca para estudá-la no intuito de aprender noções básicas de tal programa e assim poder editorar meus próprios livros, sem que seja necessário pagar a alguém para que faça a diagramação, paginação e outros concernentes à editoração.
   Quem muito lê acaba escrevendo e concluí nesse período a digitação de 3 livros meus de poesias que já estavam manuscritos: Narciso do Valão, Tantálico e Venerável Ferrão, apostilados e prontos para registro e revisão. Comprei uma gramática para que eu mesmo consiga em parte fazer a revisão dos mesmos. Iniciei mais dois livros de poesia: Estou Vendendo Meus Sonhos e Olhos que Brilham Vendo o Paraíso, que completarão essa minha 2ª coleção de livros poéticos denominada por enquanto de Coleção Esfera. Minha 1ª coleção chama-se Coleção Dilema, publicada em 2006 de forma independente, no intuito de apresentá-los a editoras, contendo também 5 livros: Barafunda Fecunda, Mundo Caranguejo, Partículas Acrílicas, Pretensão de Encarar o Sol e República Democrática de um Homem Só. Fora poesias (que na verdade são poesias-filosóficas em sua maioria), iniciei depois de seu nascimento um primeiro livro apenas de filosofia, denominado até então: “Ensaios e Aforismos”, dei continuidade à minha autobiografia intitulada: “Eu em Vinte Pedaços” e iniciei uma coleção de 5 livros dedicadas a você cujo projeto de escrevê-los estende-se até seus 15 anos, sendo o primeiro esse: “Petit Fille”. Há ainda outro livro que não se destina à publicação e sim há arquivo: “Poesias Descartadas”, apenas para organizar aqueles textos que nunca pretendo publicar por estarem péssimos, mas que de alguma forma recuso-me a jogá-los fora.
   Quanto à música, sigo eclético, mas o que mais ouvi até então, de seu nascimento para cá foi música clássica (em casa e no celular no percurso do trabalho) e música portuguesa de Dulce Pontes e Mariza (descobertas recentes). Comprei alguns cds de Caetano Veloso
e gravei e regravei vários cds no computador para ouví-los enquanto escrevo. Dentre eles, Radiohead, Amy Winehouse, Björk, Pink Floyd, Maria Betânia, alguns clássicos com Bach, Wagner e Strauss e etc.
   No quesito idéias: seguem as idéias relacionadas às obras, ou seja, fazer um quarto para você, aumentar a cozinha, fazer um cômodo que será minha biblioteca e refúgio para escrever, colocar o telhado na laje (nesse fim de semana próximo, daremos continuidade, já temos todo o material, falta apenas pôr a mão na massa), pôr piso na casa que se encontra no ponto de contra-piso, pintar as paredes internas, comprar um guarda-roupas e um armário de cozinha, prestar vestibular de filosofia para faculdade pública nesse mês de julho e continuar firme nos propósitos e caminhos iniciados.
   Quanto à rotina, seu pai, de segunda à sexta acorda às 4:45 e segue de Alcântara para a Freguesia da Ilha do Governador, atravessando a Amaral Peixoto, a Alameda São Boaventura, a Ponte Rio - Niterói e a Linha Vermelha e toda a Ilha praticamente, perfazendo quase 70 quilômetros, ouvindo a rádio MEC e lendo livros. Lá chegando, seu pai trabalha numa gráfica chamada Mitra (pela 3ª vez) como impressor de off-set, num ambiente de trabalho de muito ciúmes e disputas onde praticamente todos os dias se aborrece bastante. Por isso também o desejo da faculdade agora: poder sair de tal ambiente retrógrado e ignorante que é qualquer firma pequena e poder completar a felicidade que carece apenas da satisfação no trabalho (no momento). Sábados e Domingos, Ana Júlia, música, textos, obra e descanso.
   Sua mãe, adaptando-se aos seus interesses e necessidades, dando-lhe muito o peito em suas longas mamadas, cuidando da casa e de seu pai.


Marcelo Braga

segunda-feira, 24 de março de 2025

DEPOIS DA TEMPESTADE VEM A ENCHENTE!

 


15.10.2008.
 
 
 
Sonhei que eu era feliz
Morava numa casa em formato de L
Tinha esposa e filha ao lado
Profissão e contas para pagar
Supermercado e coisas para comprar
 
Sonhei que eu era feliz
Escrevia meus livros
Lia filosofia, ouvia música
Todo o dia era concelebrado
Sabia cantar, desafinado
 
Sonhei que eu era feliz
Existencialista
Atomista
Perfeccionista
Agnóstico, cético e quase ateísta
 
Imaginei-me louco
Loucura da mais doida loucura
Louco porque pensava
Bela porque é vida
Passageiro porque tudo passa
 
Imaginei-me pronto
Listo para a vida constante
Refeito para viver tal instante
Porque o amanhã é só amanhã
Porque depois da tempestade vem a enchente
 
Imaginei-me feito
Preparado para o mundo
Para meu mundo apenas que fosse
Para minha mulher, para minha filha
Porque o inferno é os outros e o mundo: uma ilha
 
Sonhei que tinha dentes e estômago
Cabelos, músculos e olhos castanhos claros
Coca-Colas e cigarros 
Mãos hábeis e calos
Porque o mundo é um moinho
 
Sonhei que eu era a mesma pessoa que sempre fui
Que meu humor se alterava nas fases lunares
Que havia morado em tantos lugares
Que tive vários empregos e mulheres
Porque é na mesa onde se põem os talheres
 
Sonhei que tive móveis e coisas
Que comi de tudo em tantas cozinhas
Que plantei quiabo e colhi tomates
Que pintei casas e arremates
Porque mais vale um na mão...
 
Estive em tantos estados
Visitei todas as nossas regiões
Conheci climas e sotaques
Culinária e regionalismo
Porque atrás desse morro deve haver outro
 
Estive em tantas pessoas
Visitei todas as salas do ser
Conheci alma, espírito
Religião e metafísica
Porque sábio é aquele que sabe que não sabe
 
Estive em tantas coisas
Visitei tantas praias, tantas serras
Conheci élan, id, ego, imo
Socialismo e neoliberalismo
Porque deve-se saber um pouco de tudo
 
Sonhei que meu eu era tão EU
Sonhei que mundo era tão MEU
Que quando procurava acordar
Que quando assim me beliscavam para acordar
Era um mar onde se afogavam quem queria em mim estar
 
Sonhei que tinha um aquário
Família, geladeira, armário
Cunhado, primo, tia, sobrinho
Sonhei que não mais estava sozinho
Era um mundo de gente passeando no meu

Avenidas, ruas e vielas
Sete dias, sete vidas
Frutas vermelhas e amarelas
Um saco de balas sortidas
No sonho, no sonho...
 
Cidades, bairros e estados
Países, hemisférios e continentes
Preciosidades e grandes achados
Muita coisa, muitos bichos, muitas gentes
No sonho, no sonho...
 
Valise, mochila, mala
Sapato, sandália, chinelo
Banheiro, cozinha, sala
Anseio, desejo, anelo
No sonho, no sonho...
 
Sonhei que ainda sabia sonhar
Sonhei que ainda conseguia dormir
Que pesadelo era acordar
Que o melhor era fingir!



Marcelo Braga



NATIVIDADE

 


 
NATIVIDADE
 
 
 
   Seu trabalho de parto iniciou-se domingo dia 04 de maio (eu havia “previsto” 15 dias antes que você nasceria no dia 05 de maio) por volta de 00:30. Sua mãe só me acordou por volta de 02:00 da manhã. Liguei para sua avó Angélica que morava na casa embaixo. Ela subiu, ligamos para a ambulância da SAMU onde o médico da mesma examinou sua mãe e disse já estar com 2 cm. de dilatação, ou seja, início do trabalho de parto, corremos para o Hospital Luiz Palmier em São Gonçalo, sua mãe em dores já intensas devidos às contrações, o obstetra de plantão disse que não era trabalho de parto, era apenas o bebê se colocando em posição. Corremos então para a Santa Casa, próximo à Praça XV no centro da cidade do Rio de Janeiro onde fora realizado todo seu pré-natal e onde eu ansiava que você nascesse para que fosse meu primeiro filho carioca. Só havia uma médica, ela confirmou o início de trabalho de parto, porém não poderia fazer a cesária devido à falta de um médico auxiliar naquele domingo de manhã de um feriadão onde todos os médicos haviam desligado seus celulares para não serem incomodados. Se ela o fizesse, correria o risco de perder seu CRM. O experiente médico da SAMU, em sua calma peculiar entrou em contato com a central pedindo autorização de deslocamento para outro hospital; fomos aceitos na Maternidade Municipal Alzira Reis Vieira Ferreira no bairro de Charitas na cidade de Niterói; a ambulância com a sirene ligada fez tal trajeto em 18 minutos, parabenizei o motorista. A enfermeira que estava junto aplicou um soro anestésico pelo caminho em sua mãe. Chegando lá, já por volta de 07:00, sua mãe com dores absurdamente intensas e a maternidade lotada, um doutor chamado Marcelo, aparentemente recém-formado cogitou não ficar com sua mãe e nos mandar de volta para o hospital em São Gonçalo. Novamente o médico da SAMU, conseguiu convencer tal médico que não teríamos mais condições de deslocamentos e enfim sua mãe se internou em tal maternidade. No quarto pré-parto, fui acompanhante de sua mãe, dei banho nela e as dores eram fortíssimas como qualquer parto, porém eu cheguei a pensar que ela não suportaria as dores. Nervoso, chamei a enfermeira e ela, acredito, deva ter comentado com o médico que eu estava nervoso demais e ele me “pediu” que descesse e trocasse com minha sogra a companhia no pré-parto. Desci quando sua mãe já estava com quase 5 de dilatação. Minha mãe chegou ao local acompanhada de meu padrasto por volta das 10:00 hs.; todos nervosos e ansiosossem notícias do que se passava lá em cima até que sua avó Angélica desceu e nos noticiou que tudo estava correndo conforme a normalidade. Nessa ocasião sua avó paterna conseguiu autorização para subir e ver sua mãe por 10 míseros minutos; regulamentos da maternidade. Fomos comer algo num trailler à beira da praia. Eu comi pastel de siri. Voltamos e sua avó Angélica subiu novamente. Por volta de 13:00 a notícia de uma enfermeira: NASCEU! Tudo bem com a mãe e com a criança, logo o pai poderá subir para vê-la. Terá 15 minutos de permanência. Aguardei e subi. Me impressionei com a expressão calma de Isabel já lhe dando de mamar e você, cabeluda, cabelos bem lisos e pretos e unhas compridas. Chorei novamente. Explodi de alegria. Já havia anteriormente tomado uns 2 litros de Coca-Cola. Um dos bebês mais lindos daquele dia naquela maternidade, segundo os comentários (tem bebês que nascem feínhos, você não), uma bela menina.
   Seu nascimento ocorreu às 12:50 do dia 04 de Maio de 2008 (errei por 1 dia), pesando 3.300 gr, entre 39 e 40 semanas de gestação, 50 cm. de comprimento, de sangue O- (mais adiante lhe darei explicações sobre seu tipo sanguíneo e seu RH). Ali ficamos até às 16:00 aguardando o horário de visitas, onde cada um dos únicos 5 visitantes permitidos poderiam permanecer contigo durante 10 minutos. Seus cinco primeiros visitantes foram na ordem: vovó Angela, vovô postiço Cláudio, seu primo Diogo, sua prima Liony e por último sua tia Fátima. Voltamos para casa e na van a caminho já de São Gonçalo, Flamengo tornava-se bicampeão carioca em cima do Botafogo para aumentar ainda mais minha alegria naquele dia. Porém, seu nascimento me fora tudo, nem estava, incrivelmente, ligando se o Flamengo venceria ou não, mas quando tudo tem que dar certo, até os pequenos detalhes acontecem.
   Na segunda-feira fui trabalhar na Ilha do Governador, com marmita arrumada por seu avô Albino! À noite, na hora da visita dos pais às 19:00 subi e fiquei lhe mimando e fotografando durante 1 hora. Ganhastes ali seu primeiro cartão.
   Na terça-feira, imaginava já que você e sua mãe receberiam alta e não fui trabalhar. Sua mãe primeiro telefonou dizendo que você já havia recebido alta, poucas horas depois ela também recebeu alta. Eu e sua avó Angélica fomos para Niterói. Tia Sônia foi de carro para nos levar para casa. Passamos antes no cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais do 1° Distrito da 2ª zona Judiciária de Niterói – RJ Luciano Tosoni da Eira Aguiar, rua Presidente Backer, 229 A sala 202 no bairro de Icaraí e lhe registramos sob o número de
ordem 106872 como ANA JULIA SARMENTO BRAGA. Eu fui o declarante. A escrevente foi a substituta oficial Paula Guimarães Saboya Torturela. Enquanto eu tirava as xerox numa papelaria próximo dali, comprei um livro: A VIDA DO BEBÊ. Entramos no carro e seguimos calmamente para Alcântara, tendo de dar uma paradinha em frente à papelaria de sua tia Fátima para que ela lhe visse novamente e depois outra paradinha rápida para que sua tia avó Maria lhe visse pela primeira vez. Como “todos” os portugueses falam palavrões e gritando, ela falou contigo e você fez expressões de riso para ela.
   Chegamos enfim em casa, seu avô Albino, gripado, não quis se aproximar muito para evitar lhe passar a gripe. Ficastes no quarto que fora de sua mãe quando solteira para que sua avó Angélica pudesse ajudar sua mãe em seus primeiros dias, pois nossa casa era em cima e nem sua avó com 70 anos, nem sua mãe, cheia de pontos, poderiam ficar subindo e descendo escada.
   Mais ou menos assim começou sua trajetória nesse mundão.


Marcelo Braga

VIRÃO MIL COISAS


25.05.2008.

 

 

As tradicionais e as alternativas

Virão mil coisas de encontro

O Budismo, o Confucionismo, o Cristianismo, o Islamismo

Seitas e ramificações das mesmas

Mil formas de compreensões esotéricas que “definem tudo”

Acertam seu futuro, dão um jeito em seu passado e tornam seu presente

Atraente

Tiram o medo da morte

Propiciam caminhos eternos no além-túmulo

Pessoas que voltam para lhe falar que está tudo bem

Terapias com cores, aromas, pedras, lamas e músicas

Regressões, chás, mantras, chacras

Virão os Mórmons, os Testemunhas de Jeová

Os Adventistas, os Batistas, Os Metodistas

As ordens pseudo-filosóficas como o Universo em Desencanto

Psicognomia e outros tantos

Como já lhe fiz notar na Astrologia, na Numerologia

Virão mil coisas

O Agnosticismo, o Ateísmo

Proliferam novas mil “saídas” e “buscas” para e pela paz

Nascestes num mundo em constante movimentação

Caberá assimilar e conceber aquilo que lhe for mister

Indicarão mandingas que a escravidão proliferou

Aparecerão os donos da verdade

“Ciências” que definem tudo e torna prática nossa vida

Os “mágicos” livros de auto-ajuda que realmente ajudam (seus escritores)

Apelações emotivas que “determinarão” sua missão

O Catolicismo, o Luteranismo, o Anglicanismo...

Mil coisas lhe virão

Algumas coisas lhe serão “impostas” para seres aceita nos meios

Apenas quero que saiba sempre:

És livre para escolher seu caminho!



Marcelo Braga





domingo, 23 de março de 2025

AOS SUPERSTICIOSOS

 


31.10.2008.
 
 
 
   “Que poderia dizer daquele que se vangloria deliciosamente de obter perdões imaginários para seus crimes, que mede pela clepsidra (relógio de água) a duração do purgatório e compõe para si mesmo uma tabela matemática infalível de séculos, anos, meses, dias e horas? Ou que dizer daquele que se alimenta de fórmulas mágicas e de orações inventadas por um piedoso impostor, vaidoso ou ávido, por meio das quais se promete tudo, riquezas, honras, prazeres, abundância, saúde sempre sólida, viçosa velhice e, para encerrar, uma cadeira no paraíso, justo ao lado de Cristo! Ainda assim, não pretendem ocupar seu assento senão tão tarde quanto possível, quando as voluptuosidades dessa vida, às quais se aferram com gana, os tiverem abandonado apesar de tudo e quando, então, tiverem de se contentar com aquelas do céu. Basta ver o mercador, o soldado, o juiz que, depois de tantos roubos, tomam um punhado de moedas e, ao oferecê-las, pensam que purificam de uma só vez o pântano de Lerna (alusão ao lendário pântano em que Hércules matou a hidra) que é sua vida, que, por um simples pacto, redimem-se de tantos perjúrios, de tantas libertinagens, bebedeiras, assassinatos, imposturas, perfídias e traições, em resumo, resgate tão perfeito que podem livremente recomeçar a seguir a série de seus crimes.”

 
Erasmo de Rotterdam, “Elogio da Loucura” – 1511





IDIOMA MATERNO

 ADJETIVOS:

adscrito; adstrito; aético; alhures; anético; anfractuoso; aziago; basto; beócio; cediço; concêntrico; conciso; condigno; consuetudinário; contíguo; decíduo; decrépito; ebúrneo; egrégio; empírico; esconso; esdrúxulo; espúrio; estrênuo; exíguo; expletivo; extrínseco; famélico; fátuo; fescenino; finório; flutíssono; guapo; hodierno; impoluto; inconspícuo; infenso; inopinado; insólito; intemerato; intrínseco; ínvio; jucundo; kafkiano; lauto; lesto; lítico; lôbrego; lúbrico; meditabundo; nefando; optativo; perfunctório; perspícuo; pífio; postergado; póstero; precípuo; pregresso; profícuo; profuso; prolífero; prolífico; prolixo; sápido; selenita; sestroso; sub-reptício; tardo; tautológico; túrgido; ubíquo; vetusto.
 
ADJETIVOS DE DOIS GÊNEROS:
abissal; assente; conjectural; defectível; dúctil; exeqüível; expugnável; falaz; imarcescível; iminente; imputrescível; indefectível; inexaurível; inexorável; inexpugnável; insigne; intangível; loquaz; percuciente; periclitante; recrudescente; salaz; soez; solerte; supérstite; tangível; volátil.
 
ADJETIVOS DE DOIS GÊNEROS E SUBSTANTIVOS DE DOIS GÊNEROS: ádvena; alarve; basbaque; biltre; estróina; lorpa; sacripanta; trânsfuga.
 
ADJETIVOS E SUBSTANTIVOS MASCULINOS:
adágio; andejo; arcano; áulico; draconiano; ecúmeno; faccioso; ignoto; kaput; licencioso; magano; mandrião; manirroto; mequetrefe; sibarita; tétrico.
 
ADVÉRBIOS:
adrede; assaz; máxime.
 
CHINÊS:
tai chi chua.
 
COREANO:
tae kwon do.
 
FRANCÊS:
affaire; aplomb; art déco; avant-garde; avant-première; bureau; crayon; finesse; frisson; habitué; mise-en-scène; pot-pourri; prêt-à-porter; réchaud; soirée; sursis; tête-à-tête.
 
HEBRAICO:
bar mitzvah. 
 
INGLÊS:
approach; background; back-up; breakdown; brushing; commodity; copyright; feedback; ghostwriter; holding; jingle; know-how; ku klux klan; merchandising; pedigree; talkshow; Teleprompter; underground; upgrade; workaholic; yuppie.
 
INTERJEIÇÃO:
Cáspite.
 
JAPONÊS:
gaijin; origami; yakisoba.
 
LATIM:
ad hoc; ad libitum; ad valorem; alter ego; a posteriori; a priori; apud; ex aequo; ibidem; in vitro; ipsis litteris; pro rata; sine die; sine qua non; status quo; sui generis; uti posidetis.
 
SUBSTANTIVOS DE DOIS GÊNEROS:
consorte; issei; pária; sevandija.
 
SUBSTANTIVOS FEMININOS:
abiose; acrimônia; acuidade; aculturação; afetação; anóxia; anuência; ascese; azêmola; balda; bátega; blague; catarse; caturrice; choldra; compunção; concatenação; concomitância; concupiscência; condescendência; consecução; constrição; cópula; cornucópia; debacle; deferência; desfaçatez; diatribe; écloga; empáfia; endecha; evicção; execração; exéquias; facúndia; falácia; farândula; fidúcia; hecatombe; hegemonia; heurística; ilação; imprecação; incúria; inferência; insídia; jactância; locupletação; logosofia; mansuetude; molície; negaça; obliqüidade; obliteração; oligofrenia; patuléia; prédica; prosápia; quizília; requesta; resiliência; sanha; senectude; sevícia; sibila; sílfide; sinecura; sinergia; sorrelfa; subserviência; tartamudez; tunda; vasa; vênia; xenofilia; xenofobia; zarzuela.
 
SUBSTANTIVOS MASCULINOS:
acinte; acúleo; altruísmo; alvedrio; andrajo; apanágio; apostema; arresto; augúrio; auspício; bafio; beneplácito; bólide; busílis; casuísmo; chofre; decasségui; decúbito; despautério; despique; êmulo; esbregue; frege; frêmito; fulcro; gaudério; hausto; hebdomário; holismo; holoceno; impropério; influxo; laconismo; langor; latagão; meandro; melindre; misoneísmo; óbice; óbulo; oligoceno; palíndromo; pejo; plistoceno; prócer; psitacismo; quasar; rábula; redito; remoque; revérbero; safardana; silogismo; tartufo; tirocínio; traquejo; tugúrio; ufanismo.
 
VERBOS:
abancar; acrisolar; aquilatar; arrefecer; blasonar; coadunar; contemporizar; elucubrar; obtemperar; verberar.
 
VERBOS INTRANSITIVOS:
advir; deambular; tergiversar.
 
VERBO PRONOMINAL:
imiscuir-se.
 
VERBOS TRANSITIVOS:
abjurar; ab-rogar; aduzir; alijar; aluir; alvitrar; auferir; defenestrar; deslindar; elidir; encomiar; exprobar; haurir; ilibar; impugnar; laicizar; obsedar; preconizar; prescindir.
 
VERBOS TRANSITIVOS E PRONOMINAIS:
aguerrir; alumbrar; decuplicar; eclipsar; excruciar; obnubilar.
 
VERBOS TRANSITIVOS E INTRANSITIVOS:
instar; procrastinar.
 
VERBOS TRANSITIVOS, INTRANSITIVOS E PRONOMINAIS:
adelgaçar; conjuminar; envilecer.
 
VERBO TRANSITIVO E PRONOMINAL:
abespinhar.

 

BRAGAÍSMO

13.11.2008.

 
 
 
CONSISTE EM:


  1. ir com calma quase displicente em qualquer assunto, consumo intelectual, aprendizado teórico ou escola de pensamento;
  2. preocupar-se, não muito, com a secularidade, com a vida social (não haverá muito tempo para isso), com as notícias televisivas e manchetes de jornais;
  3. manter-se informado, porém inerte, apático e indiferente, sobre a guerra na Eritréia, na Caxemira e no Tibet;
  4. ouvir música, quando for possível, quando bater vontade. Todas as épocas, vários ritmos, idiomas e instrumentos;
  5. admirar e manufaturar arte, por um acaso, num esbarrão, despretenciosamente para deleite próprio e enfeite;
  6. ler sempre dois livros. Cansou de um, devido a sua leitura cansativa, teórica demais e profundo, pega-se o outro, mais leve, mais claro. Assunto dos mesmos devem ser dois mundos diferentes;
  7. um trabalho que lhe sustente e permita saciar de um papo descontraído, sem os desesperos do capitalismo, porém que forneça lucro ao patrão, que assim estendam-se anos de aparente segurança e como conseqüência mantenha sua cabeça menos preocupada;
  8. no vestuário, nos hábitos, nada que seja escasso ou exagerado. Basicamente normal para despercebidamente atravessar as ruas sendo motivo do menor número possível de comentários;
  9. ser sábio apenas quando necessário, e isso é bem fácil. Ser pouco notado, porém sempre lembrado quando precisarem de alguém capaz;
  10. no amor, buscar o encontro da alma gêmea, porém se contentar com o oposto que se atraiu. Evitar histórias que já terminaram, mas que nunca terminam. Idealizar pouco e se nada acontecer, entender a ausência de movimentação como um fato ocorrido.

Marcelo Braga

UM PINCEL A SEU DISPÔR

06.11.2008.
 
 
 
Teria tua imagem se eu assim fosse um pincel e tivesse forma, perspectiva
Te incluiria numa pinacoteca, escola, gênero, estilo
Te desenharia em monocromia, policromia, colorido, vagueza, tons quentes
Te esboçaria em sombreado, na paleta, no cavalete, na tela
Com broxa, lápis, carvão, esfuminho, colhedeira, crayon, giz, pastel, tabaxir
Te faria aquarela, pintura à óleo, carnação, encarne, verniz
Numa quantidade absurda de técnicas, espalharia você pela casa
Velatura, aguada, guache, têmpera, a fresco
Quadratura, esmalte, regraxo, cáustica, meliana, mosaico, tapeçaria
Pintura pastosa, desenho à iluminura, a engana-vista, empaste
Sua imagem em fotografia, heliografia, fototelegrafia, heliocromia
Litocromia, heliogravura, esgrafito
Retrato de corpo inteiro, meio corpo, busto, miniatura, perfil, nua
Quando quisesse te ver: gravura, quadro, painel, tela, estampa, cartão
Você em nosso quarto, meu ateliê, gabinete, estúdio, galeria
Seu desenho, esboço, debuxo, perfil, ponto de vista
Em meia tinta, toque meduloso; num campo, num fundo, em sombra
Você como paisagem, cenário, vista, panorama
 
Preciso aprender a pintar, debuxar, desenhar, estampar, esboçar, figurar
Aprender a rabiscar, miniaturar, manejar o pincel, delinear, sombrear
Pôr sombras escuras, perfilar, tracejar, campir, escarvoar, riscar
Ó pai, me ensine a empastar, colorir, envernizar, esmaltar, pintar à óleo
Modelar, representar, dar aos painés o rosicler da aurora
Acidentar, esbater, aquecer a vida de tons amorosos
Cores vivas; dar a expressão animada, encarnar
Virar um pincel!

 

TÊRMOS SOBRE PINTURA, ORGANIZADOS POR FRANCISCO FERREIRA DOS SANTOS AZEVEDO.


Marcelo Braga 

BUGANVÍLIA

29.10.2008.

 
 
 
As crises de Paula Toller, a fuga de George Harrison
Na rua, na chuva, na fazenda e em Bangladesh
Cercado de morros, favelas e bandidos
O Rio de Janeiro continua lindo
No agreste, nos pampas, no serrado
A emoção e o orgulho de ser gente
O espelho e o mergulho para longe de tudo urgente
Bob Dilan que continua cantando desde 1962
Here Comes The Sun
Vem mais uma primavera também
A nova praça estampou-se de cores, de flores
O country, o lamento, o soul
Novamente artistas partem para o trabalho solo
Não dá para ser sombra a vida toda
Folhas que se renovam e são elas que fazem sombra
Outro ano que termina e
Que diferença fazem os anos se a vida é apenas hoje?
Que diferença fazem as primaveras se as cores estão em meus olhos?

 
PARA O AUTOR DO LIVRO “TRATADO SOBRE OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO HUMANO”, ESCRITO EM 1710, GEORGE BERKELEY



Marcelo Braga

ESSE PESSOAL...

 


11.11.2008.
 
 
 
Eles tem a saída, a explicação, o manual
Eles conhecem pessoalmente o Onipotente, a Providência, o Poder Supremo
Convivem diariamente com o Senhor, com o Onipresente, com o Criador
São assim com o Padre Eterno, o Bem Absoluto, o Todo Poderoso, o Altíssimo
Estão sob a benção do Ser Absoluto, do Juiz Supremo do Universo, do Eterno
 
Eles são o escolhidos, os eleitos, os apóstolos
Vivem, morrem e matam por Alá
Veneram Buda, Jeová, Cristo, Ísis, Osíris, Baal, Siva, Krishna, Brama, Odin
Exorcizam Satanás, Lúcifer, Diabo, o coisa ruim, Belial, Mefistófeles
Ordenam que voltem ao Tártaro, ao Hades, ao Érebro, ao limbo, ao fogo
 
Conhecem as coisas do além, alguns já estiveram lá
Ensinam o rito, o credo, artigos de fé, o dogma
São doutos em teologia natural, patrística, Flos Sanctorum, cânon, religião
Possuem a verdadeira fé, a verdade absoluta, o único caminho
Explicam, introduzem, realizam, orientam e expiam
 
Eles estão divididos mas um dia se encontrarão sabe-se lá aonde
São os teístas, politeístas, confucionistas, xintoístas, ortodoxos
São os judeus, hebreus, islamitas, brâmanes, zoroastristas, presbiterianos
São os batistas, xiitas, anglicanos, espíritas, calvinistas, zwinglianos, mórmons
São episcopais, nazarenos, católicos apostólicos romanos, puritanos
 
Eles são os iluminados, os decifradores, os revelados
Receberam o Alcorão, o Suna, o Zend-vesta, o Livro dos Espíritos
São seguidores de Jesus, Moisés, Buda, Zoroastro, Confúcio, Maomé, Lutero
São profetas, evangelistas, missionários, pastores, santos, inspirados
São os apocalípticos, disseminadores da salvação, do perdão, do bíblico
 
Esse pessoal não é mole não
É um pessoal fora à parte, separados, espirituais, religiosos
São os capuchos, romeiros, peregrinos, penitentes, fiéis, prosélitos
Eles tem cheiro de santidade, aspecto sobrenatural, devoção, fervor
São humildes, ungidos, filhos de Deus, convertidos, piedosos
 
Estão sempre ocupados com assuntos celestiais
Fazem o serviço, o rogo, a prece, a oração, a intercessão
Louvam, glorificam, agradecem, dão hosanas, cantam o salmo
Permanecem em jejum, na penitência, no ofertório, na abstinência
Realizam a coleta, a vigília, o responsório, a glória, a aleluia, a ladainha

São almas caridosas
Guardam os sábados, dão esmolas, confessam, comungam
Amam ao próximo, adoram o Criador, perdoam 70 x 7
Fazem o sinal da cruz, meditam, ajoelham, benzem-se, olham para os céus
Têm visões, sonhos, revelações, são inspirados e convocados
 
Ocupam cargos importantes entre o rebanho do curral e dos verdes pastos
São pontífices, sacerdotes, cardeais, bispos, reitores
São cléricos, abades, diáconos, presbíteros
Ministros, evangelistas, reverendos, homilistas, patriarcas
Vigários, capelões, celebrantes, pregadores, autocéfalos
 
Eles existem no mundo todo
Trabalham por um mundo que está cada dia melhor
São os rabinos, levitas, escribas, nazaritas
São os califas, dervixes, druídas, marabutos
Beneditinos, franciscanos, jesuítas, celestinos, carmelitas
 
Realizam os ritos ordenados por Deus para a santificação
Batizam, evangelizam, instituem, modernizam, crismam
Tem a autoridade da excomunhão, da privação dos sacramentos
Distribuem o pão celeste, ázimo, a partícula consagrada, a água benta
Possuem os santos óleos, o sudário, o terço, as contas, o relicário
 
Se diferenciam ainda mais de nós por suas roupas
A chimarra, a fulda, a cógula, o talar, a túnica, o burel
Usam a casula, a murça, o manípulo, a mozeta, o cajado
Vivem no convento, no mosteiro, na casa religiosa, no noviciário
Possuem a cruz, a imagem, a estátua, os quadros e as relíquias
 
As relíquias
As relíquias...


Marcelo Braga

ESSE PESSOAL...

 


11.11.2008.
 
 
 
Eles tem a saída, a explicação, o manual
Eles conhecem pessoalmente o Onipotente, a Providência, o Poder Supremo
Convivem diariamente com o Senhor, com o Onipresente, com o Criador
São assim com o Padre Eterno, o Bem Absoluto, o Todo Poderoso, o Altíssimo
Estão sob a benção do Ser Absoluto, do Juiz Supremo do Universo, do Eterno
 
Eles são o escolhidos, os eleitos, os apóstolos
Vivem, morrem e matam por Alá
Veneram Buda, Jeová, Cristo, Ísis, Osíris, Baal, Siva, Krishna, Brama, Odin
Exorcizam Satanás, Lúcifer, Diabo, o coisa ruim, Belial, Mefistófeles
Ordenam que voltem ao Tártaro, ao Hades, ao Érebro, ao limbo, ao fogo
 
Conhecem as coisas do além, alguns já estiveram lá
Ensinam o rito, o credo, artigos de fé, o dogma
São doutos em teologia natural, patrística, Flos Sanctorum, cânon, religião
Possuem a verdadeira fé, a verdade absoluta, o único caminho
Explicam, introduzem, realizam, orientam e expiam
 
Eles estão divididos mas um dia se encontrarão sabe-se lá aonde
São os teístas, politeístas, confucionistas, xintoístas, ortodoxos
São os judeus, hebreus, islamitas, brâmanes, zoroastristas, presbiterianos
São os batistas, xiitas, anglicanos, espíritas, calvinistas, zwinglianos, mórmons
São episcopais, nazarenos, católicos apostólicos romanos, puritanos
 
Eles são os iluminados, os decifradores, os revelados
Receberam o Alcorão, o Suna, o Zend-vesta, o Livro dos Espíritos
São seguidores de Jesus, Moisés, Buda, Zoroastro, Confúcio, Maomé, Lutero
São profetas, evangelistas, missionários, pastores, santos, inspirados
São os apocalípticos, disseminadores da salvação, do perdão, do bíblico
 
Esse pessoal não é mole não
É um pessoal fora à parte, separados, espirituais, religiosos
São os capuchos, romeiros, peregrinos, penitentes, fiéis, prosélitos
Eles tem cheiro de santidade, aspecto sobrenatural, devoção, fervor
São humildes, ungidos, filhos de Deus, convertidos, piedosos
 
Estão sempre ocupados com assuntos celestiais
Fazem o serviço, o rogo, a prece, a oração, a intercessão
Louvam, glorificam, agradecem, dão hosanas, cantam o salmo
Permanecem em jejum, na penitência, no ofertório, na abstinência
Realizam a coleta, a vigília, o responsório, a glória, a aleluia, a ladainha

São almas caridosas
Guardam os sábados, dão esmolas, confessam, comungam
Amam ao próximo, adoram o Criador, perdoam 70 x 7
Fazem o sinal da cruz, meditam, ajoelham, benzem-se, olham para os céus
Têm visões, sonhos, revelações, são inspirados e convocados
 
Ocupam cargos importantes entre o rebanho do curral e dos verdes pastos
São pontífices, sacerdotes, cardeais, bispos, reitores
São cléricos, abades, diáconos, presbíteros
Ministros, evangelistas, reverendos, homilistas, patriarcas
Vigários, capelões, celebrantes, pregadores, autocéfalos
 
Eles existem no mundo todo
Trabalham por um mundo que está cada dia melhor
São os rabinos, levitas, escribas, nazaritas
São os califas, dervixes, druídas, marabutos
Beneditinos, franciscanos, jesuítas, celestinos, carmelitas
 
Realizam os ritos ordenados por Deus para a santificação
Batizam, evangelizam, instituem, modernizam, crismam
Tem a autoridade da excomunhão, da privação dos sacramentos
Distribuem o pão celeste, ázimo, a partícula consagrada, a água benta
Possuem os santos óleos, o sudário, o terço, as contas, o relicário
 
Se diferenciam ainda mais de nós por suas roupas
A chimarra, a fulda, a cógula, o talar, a túnica, o burel
Usam a casula, a murça, o manípulo, a mozeta, o cajado
Vivem no convento, no mosteiro, na casa religiosa, no noviciário
Possuem a cruz, a imagem, a estátua, os quadros e as relíquias
 
As relíquias
As relíquias...


Marcelo Braga

COMO SEUS PAIS SE ENCONTRARAM

 

 
  
Tudo começou em fevereiro de 2005 na idéia de uma viagem, ou de uma louca aventura que seu pai se propôs a fazer com a finalidade de conhecer um pouco do sul de nosso país.
   A operadora de aparelho celular de seu pai e de sua mãe era a OI. Na época, em Fraiburgo – SC havia: VIVO, CLARO, TIM e Brasil Telecom. A OI, para que não se migrasse para outra operadora, mantinha gratuitamente o serviço de “torpedos” para o envio de mensagens.
   Antes de se decidir por tal aventura, seu pai, saindo de um relacionamento recente e entrando em outro que lhe viria trazer mais conturbações ainda e, vendo tal possibilidade, unindo o útil ao agradável, percebeu em sua “fraqueza” que obteria força estando distante do palco de suas últimas insurgências! Fora a “fuga”, o desejo antigo de respirar um pouco do ar “europeu” numa colônia qualquer que fosse ao sul do país, na intenção de conhecer a última das regiões ainda não pisadas, trocar novas culturas e sotaques e por fim vir a saber o que seria neve e geadas!
   Minha intenção era também de aprender, se possível tivesse sido, um outro idioma: polonês, alemão ou italiano e, isso me levou a buscar uma cidade de colonização mista, escolhida antecedentemente por meio do Guia Quatro Rodas: Fraiburgo! A cidade da maça. Responsável na época pela produção de 24% de toda a produção de maça nacional. 33 mil habitantes (ótima para se escrever poesias...) e bem no interior, o que me levava a pensar nas pessoas ainda menos tocadas pela modernidade (ledo engano, minha cara).
   Larguei meus serviços de free-lancer (um deles em Cordovil, próximo à Vila da Penha, onde morava sozinha a sua mãe), vendi quase tudo que tinha em Santa Cruz para despesas de viagem e hospedagem em minha chegada. Assim fui, no início do inverno, mês de maio, para a desconhecida e gélida Fraiburgo.
   Em junho, mais precisamente no Dia dos Namorados, esse meu “novo” relacionamento que havia largado no Rio, por lá aparece de mudança! Começam então brigas e mais brigas numa incompatibilidade generalizada. Para ser bem resumido, Dagmar e Marcelo não dariam certo nunca. Seu pai então passou a dormir na cozinha e a bater papo via mensagens gratuitas com mulheres do Rio de Janeiro, na semana de seu aniversário. Então no dia 24 de julho de 2005, uma semana depois, aparece sua mãe nesse bate-papo e a conversa evolui ligeiramente, pois sua mãe achou ter encontrado alguém inteligente num canal de conversação onde os papos costumam ser bem banais e nada me prendia tanto a alguém quando se reconhecia a minha “suposta” inteligência. Seguiram-se os conversares diariamente, praticamente o dia inteiro. Logo pela manhã enquanto eu ia para a gráfica começávamos, em meio ao frio intenso de Fraiburgo e nesse ritmo íamos até o sono da noite. Pouquíssimos casais conversaram e se conheceram tanto em tão pouco tempo quanto eu e Isabel Cristina. Logo passamos a alguns telefonemas via orelhão e iniciamos uma troca de cartas. Tudo se encaixava, nos dávamos super bem e estávamos apaixonados um pelo outro. Até que Dagmar, no final de mês de agosto, resolve desistir e voltar para o Rio e telefono à sua mãe: enfim solteiro! Resistimos sozinhos, eu no sul e ela na Vila da Penha, ainda uns dias, até que no dia 5 de setembro resolvo voltar para o Rio e conhecer, noivar e casar, tudo numa mesma hora. 45 dias depois o início de nossos bate-papos. Passo por São Paulo, vejo o seu irmão, Alexandre e prossigo a viagem de volta ao Rio. Chego à rodoviária Novo-Rio por volta das 19 horas e do ônibus reconheço Isabel na plataforma me esperando. Ela primeiro se assustou com um cara mais feio ainda que eu, descendo do ônibus e para sorte dela não era eu. Desci, peguei minhas malas, cumprimentei-a e disse: Oi, tudo bem? Entramos num táxi rumo a Vila da Penha e assim, no dia 07 de setembro, feriado nacional e um dia após o aniversário de sua mãe (40 anos), numa garrafa de uísque falsificado, revirando os CDs e pondo as conversas em dia, teve início nossa trajetória juntos.
   Convém lembrar que, se eu não tivesse voltado para o Rio, sua mãe iria para Fraiburgo. Preferi vir, pois a situação lá estava difícil para mim sozinho e com sua mãe iria piorar certamente, eu achava. De uma forma ou de outra iríamos nos conhecer e ficar juntos. As coisas quando tem que acontecer, acontecem. Eu trabalhava numa gráfica num bairro colado à Vila da Penha, fui parar em Santa Catarina para de lá conhecer sua mãe!
   Menos de dois anos após, você estaria sendo “fabricada” para o selo final de nosso relacionamento.


Marcelo Braga

SE EU PUDESSE

 


 
09.08.2008.
 
 
 
A vida não passa de descobertas
Você descobrirá isso no seu TEMPO
Descobristes até então que a fome dói, o sono incomoda
Que o frio é ruim, que o calor angustia
Algumas utilidades das mãos, dos olhos
 
A vida não passa de descobertas
Você descobrirá isso de seu JEITO
De nada adianta eu te adiantar
Você nunca iria acreditar
Se eu pudesse...
 
Se eu pudesse te adiantar que não se deve esperar nada de ninguém
Que o próximo mais próximo de você é você mesmo
Que a vida é muito mais choro que sorriso
Que nada realmente compensa
 
Se eu pudesse te levar logo a todas as descobertas
Se eu pudesse acelerar o tempo
Se assim tivesse a oportunidade de lhe ensinar tudo que sei de uma só vez
Estaria tornando vazia e sem graça a sua vida
 
Que graça teria o mistério da vida
 Que é o descobrimento
 Se nada mais houvesse para se descobrir?
Descobri isso recentemente olhando você dormir...


Marcelo Braga

ASSIM TEM SIDO, ASSIM SERÁ

  

26.08.08.
 
 
 
A noite parece dia
A dificuldade, alegria
O cansaço, disposição
O choro, emoção
Assim tem sido
Assim será
 
Dispensa em nossa vida
Teu existir
Seu estar
Seu fôlego e respirar:
Satisfação
Alegria
Disposição e
Harmonia
Assim tem sido
Assim será
 
Penso: como pode um ser tão miúdo
Delicado, puro e inocente
Provocar tantas em minha vida?
Mas assim tem sido
Assim será


Marcelo Braga

PRIMEIRA CARTA À ANA JULIA

  

 
 
 
  
Quando não fores mais esse bebê que dorme como um anjo ao meu lado; quando não mais estiver sob minhas asas e aprenderes as coisas “complicadas” da vida; quando não mais fores esse ser pequeno, indefeso, inocente e delicado que balbucias palavras inteligíveis e assim tanto sorris, saberás que tentei ser pai, amigo e seu patrocinador de uma infância, adolescência e vida adulta feliz.
   A vida nos prega surpresas onde nunca imaginamos aquilo que nos reserva, podendo tudo ocorrer acima, igual ou abaixo de nossas expectativas. Hoje nada sei de seus próximos meses e anos, como de igual em relação a minha vida.
   Quase todo pai deseja como eu, que seu filho seja a criança mais saudável, mais inteligente e mais feliz do mundo. O dinheiro facilita as coisas, mas nada paga um carinho, uma palavra certa, a atenção que quero lhe dedicar nos dias que se seguirem. Quero que você, Ana Julia, possa contar comigo diante de suas incertezas e desilusões. Quero que você tenha em seu pai o maior amor do mundo, o melhor amigo, a maior confiança e o porto mais seguro diante das dificuldades da vida.
   Você já vem bem diferente de seu pai: vem numa família estruturada de pessoas normais, vem com uma casa própria e tendo pais que se amam, resultando certamente em segurança para galgar outros degraus do desenvolvimento psíquico e emocional. Vem com bons exemplos de apego, amor e carinho. Bons exemplos de honestidade, respeito, trabalho e luta.
   Caso tenhas no futuro a curiosidade em saber quem fora seu pai, mesmo sendo eu assim suspeito em retratar-me, saiba que, fora o mesmo, alguém sensível, emocional, adepto de coisas extraordinárias, aquém das coisas seculares, preocupado com coisas vitais como a própria existência. Alguém que viveu em mundos intocados pelo externo, porém transeunte dessas praças; trancafiado em seu mundo redoma, porém pedestre nessas ruas; pessoa boa, de bom coração, ora ingênuo, ora desconfiado. Saberás que seu pai fora aquilo que chamam de ótima pessoa. Alguém que nunca fez mal a ninguém, nem nunca desejou o mesmo. Quanto à inteligência, apenas ouvi isso a vida toda, nunca me achei tão inteligente como falavam, sei apenas que não sou burro.
   Quero que você seja também sensível, interessada pelas coisas que realmente importam nessa rápida passagem por esse planeta em conflito e um ser útil ao próximo. Alguém que despeje cordialidade, amabilidade e assim um coração para sempre infantil e puro.
   Te amo!


Marcelo Braga

A MINHA PRINCESA



01.09.2008.


A minha princesa tem cabelos rebeldes
Dedinhos aflitos, curiosos
Perninhas agitadas, elétricas
Tem sorriso paixão, carisma
Resmungos constantes, reclamadores
Gargalhadas gostosas, entusiasmo
Me acompanha até onde pode
Adora meninas dançando na televisão
Não tem muita calma ou paciência
É branquinha e forte
Boquinha bicuda
Dedinho torto
A minha princesa é um presentão!

Virei ou sempre fui um bobo...


Marcelo Braga

DE NADA SABES AINDA

 14.09.2008.


Novamente te vejo dormir

Anjo em minha vida

Minhas lágrimas salubres

Menina de muito fôlego

Felicidade de todos e

De nada sabes ainda...


Novamente te vejo no berço

Só podes ter vindo do céu

Meus sorrisos mais brancos

Menina de muita vida

Satisfação no futuro e

De nada sabes ainda...


Novamente deitada te vejo

Dádiva divina

Minha vontade mais certa

Menina de muito carinho

Velhice feliz de seus pais e

De nada sabes ainda...


Marcelo Braga

O BRASIL QUE VOCÊ ENCONTROU

 


 
 
 
   Dados do IBGE: Quase três milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza graças ao recuo da desigualdade social e ao crescimento econômico. A distribuição de renda do trabalho foi a maior dos últimos 17 anos. A publicação mostra avanços expressivos no mercado de trabalho, com mais empregos, salários maiores, formalização das vagas; bem como estampa o maior acesso dos brasileiros a bens duráveis e saneamento básico.
   18% da população ainda está na linha da miséria, com renda inferior a R$ 135,00.
   Segundo a pesquisa e as nomenclaturas do IBGE baseadas na declaração dos entrevistados, o número de brasileiros pretos aumenta e o número de brancos diminui. O número de pretos subiu de 5,4% para 7,5%. O número de brancos caiu de 54% para 50%. O número de pardos ficou em 41,8%. Os amarelos ficaram com 0,4% e os indígenas em 0,3%.
   Números do Pnad: (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios)
   Rendimento médio mensal do trabalho – 2007
   Brasil: R$ 956,00. Pela primeira vez a região Centro-Oeste assume a ponta: R$ 1.139,00. Em segundo a região Sudeste: R$ 1.098,00. A região Sul R$ 1.065,00. Norte: R$ 784,00 e como sempre em último, a região Nordeste: R$ 606,00. Vale lembrar que o salário mínimo era R$ 380,00. No país houve um aumento de 3,2% da média de renda mensal. No Centro-Oeste foi de 8,0%. Sudeste apenas 1,9%, o menor aumento. No Sul foi de 3,8; Norte 5,7% e Nordeste 2,2%.
   59,1% foi o total de ocupados do Centro-Oeste. 8,2% foi a taxa de desemprego. 33,5% dos trabalhadores tinham carteira assinada. 51,1% contribuíram para a previdência social. 37,7% das pessoas entre 40 a 59 anos estavam ocupadas.
   Domicílios com acesso a abastecimento de água pela rede geral: 83,3%, sendo na região sudeste o índice de 91,8%, o maior do país. Na região norte, o menor índice: apenas 55,9%.
   Domicílios com acesso a esgoto sanitário pela rede coletora: 51,3%. Veja a diferença: 79,4 no Sudeste contra 9,8% da região Norte! Pela primeira vez o índice ultrapassa os 50%.
   Percentual de domicílios com alguns bens duráveis e serviços de acesso a comunicação em 2007:
   Brasil seguido respectivamente do maior e do menor índice regional:
   Iluminação elétrica: BR 98,2. Sudeste 99,8. Norte 94,0. 
   Telefone (fixo e/ou móvel): BR 77%. Sul 86,7. Nordeste 59%.
   
   Filtro de água: BR 51,1%. Sudeste 64,8%. Sul 21,7%.
   Geladeira: BR 90,8%. Sul 97,2%. Nordeste 80,9%.
   Freezer: BR 16,3%. Sul 31,4%. Nordeste 6,9%.
   Máquina de lavar roupa: BR 39,5%. Sul 54,9%. Nordeste 12,8%.
   Rádio: BR 88,1%. Sul 94,0%. Norte 72,8%.
   TV: BR 94,5%. Sudeste 97,5%. Norte 88,5%.
   Microcomputador: BR 26,6%. Sudeste 34,9%. Nordeste 12,2%.
   Com acesso à internet: BR 20,2%. Sudeste 27,4%. Norte 8,2%.
 
   1,7 milhão de casas passaram a contar com o serviço de coleta de esgoto, que chega a 56,6 milhões de famílias.
   207 mil estudantes ingressaram em cursos universitários em 2007. Ensino médio teve queda de matrículas.
   48% dos domicílios de Brasília possuem computador; 38,8% estão ligados à internet.
   Crescimento de 2,5% do número de crianças entre 4 e 5 anos matriculadas e frequentando escola, na comparação entre 2006 e 2007.
   Apesar do crescimento econômico, a atividade agrícola sofreu redução de 4% no contingente de pessoas ocupadas, passando para 17,2 milhões de pessoas em 2006 (19,3% do total de ocupados) para 16,6 milhões em 2007 (18,3).
   O contingente de ocupados na indústria chegou a 13,8 milhões de pessoas em setembro de 2007. 15,3% da população ocupada.
   Na construção, 6,7% do pessoal ocupado em 2007 no país.
   Presidente do IBGE, Eduardo Nunes: “Considerando o tamanho da renda, o Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo, apesar dos avanços na distribuição de renda. É importante que daqui para frente este ritmo de diminuição da concentração de renda seja o padrão”.

Texto escrito no meu livro Petit Fille em 2008 para a minha filha que nesse ano nasceu, vir a ler um dia.

O MELHOR MUNDO DOS MUNDOS

  

 
18.10.2008.
 
 
 

Um mundo do seu tamanho
Gigantesco mundo é o seu
O melhor mundo dos mundos
 
Descobertas
Papai barbudo e mamãe peituda
Mãos que se agitam com os objetos
Gengivas que coçam sem parar
Olhar e rir para as pessoas de seu agrado
Gritinhos e risadas
Olhos que captam já minúcias
Ouvidos que sacam vozes carinhosas
Paladar que rejeita alguns sabores
Cabelos revoltos e unhas que não param de crescer
Óculos, relógios e chaves
Primeiros brinquedos
Descobertas
 
Um mundo do seu tamanho
Gigantesco mundo é o seu
O melhor mundo dos mundos
 
Um berço
Uma cômoda, um carrinho
Um quarto, sala, cozinha
Papai, mamãe
Música e televisão
Colo, beijo e carinho
Sono, fome e diversão
 
Nossa felicidade chama-se Ana
Nosso sorriso: Julia


Marcelo Braga

BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

  12.02.2011. Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escald...