Instagram: marcelo.braga73

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

NO ÁPICE SENSITIVO DOS GAMETAS

 12.05.94.


É aquela super excitação

Aquela extravagância, ganância de ar

Ares diversos, ares de versos

Ingenuidade manicômica, porém salutar

Incerimônia...


Genética? Não sei...

Andarilho em outros corações


Sigo as retas da caneta

Palavras, larvas inconseqüentes

Algo que me motive conjugar o verbo VIDA

Em todos os tempos

Préteritos e futuros


Exame de causas

Urgência de laudos

Frequência dos cometas


No ápice sensitivo dos gametas

Ponto cardeal

Lume sem limite

Todo dia caminhar


Evidente que se é vidente

Nesse rápido passar de vida

No trocar dos dentes

Mesmo nessas pernas tortas

Estrada sem placas


Foram-se os termos da condicional

Do escuro e sombrio anonimato

À idade da razão


Marcelo Braga

TODOS MENTEM

 13.05.94.


O natural mente

A honesta mente

A verdadeira mente

O prudente mente

A louca mente

O só mente

O livre mente

O pricipal mente

O cruel mente

A constitucionalissima mente

O inconsciente mente

O inacreditável mente

O gentil mente

A desesperada mente

O alegre mente

A apaixonada mente

A pura mente

A discreta mente


Marcelo Braga

SANTO CRISTO

 18.07.94.


É a imagem do tempo que fica na memória

É na viagem da vida que se acumula história

Almas vão PASSANDO em nosso caminho...


São versos de gratidão que vêm nascendo

Sentimentos sublimes se desenvolvendo

Almas vão MARCANDO nosso caminho...


É a contenda de pedras que gera fogo

É a noite que medra e nos leva ao rogo

Almas vão FICANDO em nosso caminho...


É da vida, nada se levar além da saudade

Nada nos ensina o calmo mar, prefiro a tempestade

Almas que PASSAM A FAZER PARTE de nosso caminho...


Marcelo Braga

PARA A PLANTA ORNAMENTAL DO MARANHÃO CRUZAR O ATLÂNTICO

08.08.94.


Vá lá na Inglaterra expandir teus sonhos de mulher

Nessa destreza de teu gingar nordestino

Vá na beleza desses teus lábios vermelhos

Vá lá perceber da vida seus valores, possuí-la

Assim como soubestes me possuir por horas inteiras


Tu és Luz que conhece trevas

Mas te quero Luz Marina, iluminada nessa púrpura

O brilho fosco de teu olhar calado e frio


Deixe que o vento espalhe tuas saias rodadas

Deixe-se conduzir, permita-se

Viaje na viagem da vida

Viaje, tente o vôo mais plano e

Boa sorte!


Marcelo Braga 

O SONHO NÃO ACABOU

 17.05.93.


Fascínio que não acabou

Como é bom sempre sonhar

Temporã me foi seu rosto

Cruel o destino a distanciá-lo

Meu sonho mais puro

Seqüestrado

Realidade cínica da vida

Insurge invisível e sutil

O fim de algo que nunca começou

As noites imberbes dessa solidão são as piores

Sei onde você está

Barreira intransponível se tornou seu leito

Vou morrendo de saudade

Vem findando a esperança

Mesmo sendo ela tão resignada

Mesmo sendo a última que morre

Sua imagem espectral assim escorre

De meu peito


Marcelo Braga

MENTE ATURDIDA

 13.02.94.


Meu corpo está quebrado

Minha mente aturdida

Meu semblante desfigurado e

Aberta toda a ferida


São dores musculares

São flores ressequidas

São paixões seculares

São viagens perdidas


É a solidão em que me amargo

É do cigarro mais um trago

É o tempo, as distâncias, as lonjuras...


Trôpego nos desfeitios

Sonhos demais desfeitos

O fim de um cárdio que pulsava


Marcelo Braga


quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

AGORA, EU TE PERGUNTO:

 18.04.94.


Herda-se cultura? Talento? Amabilidade? Sapiência?


Marcelo Braga

NÃO HÁ LÓGICA NO AMOR

 30.06.05.


Não há lógica no amor

Não há razão, percepção

Não há sabedoria, inteligência

Não há ciência, nem nostalgia


Ardor, ilusão movimentam o amor

Alimentam, conservam o amor


Ele não é racional, coerente

Não se explica, só se sente

É pessoal, é urgente

Ele aparece, ele fica, entra sem convite

Não se determina, não se escolhe

Não tem hora para chegar

Não tem hora para ir embora

Não tem forma, cor, lugar

Pode ser daqui a anos, pode ser agora

Não tem cheiro, pele e um nome escolhido

Não tem idade e nunca fica velho

Não é rico, não é pobre, é calma

O amor é nobre, é grito da alma


Não há pés no chão para o amor

O amor é nuvens, é tempo bom, é brisa

O amor é fuga, descobrimento, esconderijo

É vislumbramento, pele lisa, ruga

É rosto lindo, é o jeito


O amor se conforma, é perfeito

Não há lógica no amor


Marcelo Braga


SISTEMA DE PROCURA AUTOMÁTICA

 03.07.05.


Tentei te achar nos treze estados que andei

Em poesias te esbocei

Em 73 nasci aspirando por ti

Te vi em tantos nomes, em tantas músicas

Na vermelha poeira de Rondônia

No metrô do Rio, na barca para Paquetá


Tentei te achar em meus rocks progressivos

Nos clássicos, em Bach, Mozart, Liszt

Nas rodoviárias, nas bibliotecas

Nos invernos em cobertas embrulhado

Nas flores que cheirei primaveras afora

No aeroporto de Brasília

Até em Caraguatatuba e em Paranapiacaba te procurei


Um dia inteiro atrás de ti em Blumenau

Fui em Guarapari, Parati

Subi serras, fui pelo litoral

Nos consultórios, nos escritórios

Nas rádios, na internet

Agências de aproximação, no CVV

Nos postos de doação, na TV


Te vi em tantos lugares

Nunca te encontrei

Quem sabe um dia...


Marcelo Braga

CRISIS

 03.07.05.


Minha crise existencial vai fazer trinta e dois anos

Vou festejá-la com muita cerveja e anestesiá-la

No dia, não vou ler Oscar Wilde nem a Cabala

Passar longe de Ernest Hemingway

Não vou ouvir Ludwig nem Amadeus


Trancar na gaveta Woody Allen

Folga para Jean-Paul Sartre e Victor Hugo

Sonífero para Confúcio, para Sócrates

Férias ao meu verdugo e

Mandar Sêneca passear com Shakespeare


Não vou olhar meus espelhos

Vou rasgar minhas introspectivas perspectivas

Expulsar meus velhos fantasmas e convidar Gasparzinho

Família Adams e comer chicletes


Queimar minhas fotos, identidade, meu automóvel

Tomar chá de esquecimento e viver no futuro

Tomar chá de cadeira e ficar imóvel

Encher balões e estourá-los sozinho e

Assim comemorar trinta e dois anos, alguns invernos

De crise existencial!


Marcelo Braga

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

CASA DOS TRINTA ou CADA VEZ MAIS COMPLICADO

 03.07.05.


Como é chato estar na casa dos trinta

Deixei de ser novo, mas ainda não sou velho

Onde me perdi e não me encontrei


Crise do inexequível, crise do nada, do lugar nenhum


Na casa dos trinta não há a adolescente rebeldia

Nem da velhice sua rabugice

Só nostalgia, nostalgia, sei lá!

Como é chato estar na casa dos trinta

A vida só começa aos quarenta!

Como é que esse corpo agüenta chegar até lá?


Não posso culpar a nicotina pela falta de ar

A cabeça ainda muda um pouco

Ou fico são ou fico louco!


É transição, interlocução com o ego

Onde vou trocando seis por meia dúzia

Onde escorrego ou me agarro

Onde venço ou me entrego


Como é chato ser trinta e pouco...

Pior ainda ser trinta e muito!

Estou ficando mudo, estou ficando rouco

Nem jovem nem idoso


Não sei se sou sentimental ou doente mental

Só sei que estou na casa dos trinta

Irritado

Atribulado e

Cada vez mais COMPLICADO!


Marcelo Braga



NADA COMO

 17.07.05.


Nem tudo é satisfatoriamente bom

Nem necessariamente ruim...

Nada está tão ruim que não possa piorar!


Volto novamente à relatividade

Habituei estar recluso em mim e

Às vezes na paz do inverno

(nasci pelado no frio de 73)


Virei décadas, milênio

Mas não nasci à 10.000 anos atrás

Aquela história da “trompa de Falópio esquerda” e

Somos assim: RESTOS IMORTAIS DE NOSSOS SONHOS

Corpos ambulantes de matéria sonâmbula

Pele e ossos perfeitamente articulados

Criados para objetivos, realizações


Nada como um dia após o outro

Nada como a dias... (mentira! sobrevivo!)

Nadar como? Sem mar?

O ar é flato dentro de meu mundo

Cerquei-me de coisas simples e

Contraditoriamente austeras

Sei ser nobre, sei ser pobre (mais ainda!)

Sei ser trinta e dois anos apenas

Sei ser Napoleão; quisera ser protótipo

Maquete futurista que se esboçasse e

Fica assim como um pedido

Que seja às estrelas, às luas que porventura vierem

Mais outros trinta e dois anos

Na relatividade

Produtivos trinta e dois anos

Longe da insipidez, numa alva tez

Sem resquícios do passado


Marcelo Braga

SER O 'NÃO SER"

 19.07.05.


Quisera ser imiscível à água

Alienável ante a “vã” filosofia

Um quadrante do relógio solar e

Não ser de uso radioterápico

O meu raio X


Ser arte sacra em Minas Gerais

Cortinas do Alla Escala em Milão

Osso sacro, pura veia aorta

Tanto casa grande mais que senzala

Em meu solilóquio


Conhecer enfim o verdadeiro

O absoluto e emburrecer

Lançar fora meu boldrié e

Ainda assim seguro em

Meus ímpetos


Ser o “não ser” de Hamlet

Geléia real da colmeia

Pernalta como um grou nos pântanos

Obra sem tapume; ser clarabóia

De minhas beliches


Acreditar no Sol que ainda vai pintar

Reclamar do Sol que vai me tostar e

Rogar que volte quando se pôr

Sem que me consertem, sem que me convertam

Aos seus conselhos práticos!


Marcelo Braga

ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM

 19.07.05.


DOIDO é você que quis ser normal, tão normal que tornou sua

existência um simples nascer, crescer, reproduzir e morrer!


LOUCO é você que quis viver um dia após o outro e assim tornaram

tão iguais seus dias que inúteis ficaram os calendários!


PINEL é você que quis ser tão certinho, tão ético, tão puro que

quase tirou o sentido da moral e invalidou as leis!


TANTÃ é você que quis viver como manda o figurino e se tornou

apenas mais um na multidão!


MALUCO é você que viveu sem pensar nas coisas

verdadeiramente vitais à existência, comeu apenas pão e matou sua

alma de fome!


INSENSATO é você que viveu planejando o futuro, consumindo

seus dias no consumo e se consumiu nessa luta louca!


DESEQUILIBRADO é você que não sonhou acordado, que não se

apaixonou, que não reparou no canto dos pássaros!


IMPRUDENTE é você que teve um nome apenas para talões de

cheque, ficou devendo a vida e não se imortalizou na arte!


Marcelo Braga


CARCOMA CARNÍVORO

 19.07.05.


Cigarro, cachaça, cerveja, café

Centavos, cefaléia, cemitério, celular

Cachimbo, cacareco, cadafalso, cabaré

Chauvinismo, chefe, chibata, chatear...


Caxumba, catuaba, catapulta, cativeiro

Confisco, confronto, confusão, conhaque

Castração, cassino, casamento, chuveiro

Cretino, cricri, crime, crack...


Corriola, corrosão, crápula, corrupção

Cortesã, co-seno, cotidiano, corte

Coliforme, comichão, conchavo, compulsão

Chifre, chinelada, choro, choque...


Calote, calabouço, calafrio, caloria

Conjuntivite, conselho, conseqüência, conspiração

Cinismo, cirrose, cisma, cirurgia

Contraditório, cicuta, controvérsia, contradição...


Chaga, charlatanice, chantagem, charuto

Conversa fiada, contusão, coqueluche, convulsão

Cartório, carranca, careca, cartucho

Contágio, continência, contrabando, constipação...


Corda bamba, cocaína, corno, caveira

Cesariana, chacina, chacota, censura

Cocô, coice, cólera, coceira

Cistite, cobaia, cobiça, clausura...


Crítica, culpa, curto circuito, crucificação

Capeta, capitalismo, caos, cara de pau

Camisa de força, camelô, cambista, camburão

Capataz, caolho, crueldade, canibal...


Cambalacho, calúnia, calundu, calvário

Cancro, canalha, camisa-de-vênus, contra-indicação

Carência, cárie, câncer, corsário

Caduquice, cadeia, chulé, cafetão...


Como comporta coisas chatas esse C!

(falta do que fazer...)


Marcelo Braga


sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

NOSTÁLGICA DECEPÇÃO "ALÉM-BERÇÁRIO"

 19.07.05.


Minha memória é fotográfica

Quase dez meses no útero

A membrana amniótica, o cordão umbilical

Pela placenta me alimentando

Meus primeiros goles de colostro

Idiotas me olhando no berçário

O táxi pela serra de Jacarepaguá

A cabeleira de meu pai

Aquela manta azul

Os olhos de coruja de minha mãe

Os vidrinhos de papas

Neston, Cremogema, Nescau

Chupetas, mamadeiras, fraldas de pano

Vaz Lobo, Curicica, Praça Seca

Vitrola, garrafas de leite e

A visão de um mundo muito louco!


Marcelo Braga


PRIMEIRA PARTE

 31.07.05.


Escrevi minha história de várias formas:

Várias canetas, esferográficas, hidrocor

Giz de cera, lapiseira e lápis de cor


Usei a datilografia (a arcaica), máquina eletrônica e computador

Registrei parte em escritório de direitos autorais

Usei régua, por vezes compasso e até milimetrado

Apontador, borracha, "liquid paper"

Sublinhei, abri "aspas" e em alguns episódios pus tudo entre

(parênteses)


Usei letra de forma, arial e meros garranchos

Assinei capítulos, alguns anônimos e uns com pseudônimo

Usei papel de caderno, papel off-set e até carbono

Quadro negro, pichações e areia da praia


Escrevi minha história de várias formas:

Algumas vezes revisei, fiz releituras

Alguns capítulos quase idênticos, plágios de meus próprios textos

Uns, utopias, um mundo perfeito

Mas escrevi, sempre escrevi...


Usei letra de médico, códigos, enigmas

Outras vezes fui tão claro que nem mesmo consegui ler!


Aventurei no italiano, no francês, no espanhol, no inglês e

português

Mas o idioma mais usado sempre foi o esperanto...


Enfim, não sei ainda se posso escrever minha história

Quem sabe eu esteja ainda na PRIMEIRA PARTE?!


Marcelo Braga


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

TRÍADE

 13.08.05.


As noites são longas no inverno

Isso dá poesia...


São longas quando não se tem companhia

As noites são amigas do frio

Por isso em quentes cobertas se estendem


Elas são amantes do frio

Por isso corpos se atraem e formam com a noite

Um só trio!


(na ocasião desse texto marcava 4 graus abaixo de zero em Fraiburgo - SC)


Marcelo Braga


MEFISTOFÉLICO ii

 01.10.05.


Me fiz anormal, me fiz diferente

Me fiz Mefisto, me fiz bélico

Me fiz mefistofélico!


As paredes são tijolos maciços

As chuvas de algodão e

Os ventos nem movem as penas de meu cocar

Um devaneio de setembros já passou e

Me fiz bicho, me fiz quebra-cabeça

Me fiz mundo, me fiz mula-sem-cabeça

Pendurei parte de meu putreficado cerebelo

Como se pendura um quadro em paredes de papel japonês e

De meus espinhos, pregos para fixá-lo


Saí nu nas chuvas de algodão

Me fiz guarda-chuva, me fiz guarda-pó

Me fiz Mefisto, me fiz muralha

Me fiz mefistofélico!


Troquei meu cocar feito de penas de urubu

Por ridículos bonés e preferia ainda os sombreros

Assim passaram muitos fevereiros e

Continuo me guardando para quando o mundo acabar


Me fiz megatons, me fiz mega suplícios

Me fiz imbecil, me fiz disco de vinil

Mefistofélico!


Marcelo Braga


terça-feira, 17 de dezembro de 2024

QUANDO O MAR SE ACALMAR

 03.10.05.


Amanhã, todo o iceberg já terá derretido

Mesmo assim estará mais calmo o mar

O píer restaurado, a calmaria se instalado e

Virão outras noites estreladas

Novas primaveras e pétalas

Novos odores e flores

De baldio e fétido terreno, um lindo canteiro

Daquele que atrai até beija-flor

Daquele que transmite paz

Amanhã

Quando o mar se acalmar...


Marcelo Braga


domingo, 15 de dezembro de 2024

Vacinas de Abstinência 33/33 - TEORIA DA INOCULAÇÃO DA IDEOLOGIA ABSTÊMIA


TEORIA DA INOCULAÇÃO DA IDEOLOGIA ABSTÊMIA¹

 

A expressão IDEOLOGIA serve para designar um conjunto ou somatório de ideias2. Esse termo, para a abstemiologia, significa apenas um agrupamento de ideais sem força coercitiva ou de persuasão, sem critérios de dominância e, tampouco, constituído de fundamentações meramente políticas e/ou religiosas. Por isso, utiliza-se essa expressão “ideologia” para designar uma forma de pensar, sentir e agir no sentido de iniciar, manter e desenvolver a abstinência.

Sugiro ao leitor, de modo singelo, que pense na expressão ideologia, quando estivermos na seara abstemiológica, como sendo uma “mochila” que o abstêmio carrega continuamente para qualquer lugar. Nessa “mochila” existem pensamentos, sentimentos, emoções, formas de agir, condutas, técnicas, princípios, teorias, definições, estudos, síndromes, abstemiopatias ou métricas (abstemiometria). Enfim, a ideologia abstêmia engloba tudo que envolve o fenômeno da abstinência, a vida abstêmia e o processo para obter a abstinência. Isso ocorre mesmo que o abstêmio não tenha consciência de toda essa complexidade de fatores, porque tudo isso está embutido no próprio fenômeno da abstinência.

A abstinência é um fenômeno complexo e que interage com múltiplos fatores. Portanto, a abstinência se baseia num sistema ideológico, e existem inúmeros sistemas ideológicos capazes de gerar abstinência. Por exemplo:


            Pessoas que tendem a manter-se abstêmias e refratárias ao uso de drogas/álcool devido à sua forma de pensar na saúde: atletas, pessoas com outras doenças graves ou pessoas idosas.

            Pessoas muito espiritualizadas não possuem ideias que condizem com uso de drogas/álcool: religiosos, pastores ou padres.

            Determinadas profissões exigem que a pessoa esteja sempre muito saudável, de modo que também afastam sistemas ideológicos adictos, sobretudo quando houver exames toxicológicos periódicos.

 

Assim, podemos fazer uma modesta categorização entre sistemas ideológicos adictos e sistemas ideológicos abstêmios. Em outras palavras, existem sistemas que favorecem a adicção e sistemas que favorecem a abstinência. O leitor já sabe antecipadamente quais são os sistemas ideológicos adictos, de modo que não perderei mais tempo com isso. Apenas assevero que sempre existirão exceções.

Destaco que se utiliza, em estudos abstemiológicos, a abreviação “S.I.A. negativo” ou “S.I.A.-” para representar o sistema ideológico adicto. De outra banda, utiliza-se a abreviação “S.I.A positivo” ou “S.I.A.+” para retratar o sistema ideológico abstêmio.

Ademais, existe uma subdivisão do sistema ideológico adicto (S.I.A.-) em:

(I)   “S.I.U.+”, Sistema ideológico do mero usuário ou usuário positivo. Conjunto de ideias, crenças, pensamentos, atitudes, lugares, hábitos, amizades, relacionado a pessoas que consomem drogas/álcool de forma moderada.

(II)   “S.I.U.-”, Sistema ideológico do usuário abusivo ou usuário negativo. Conjunto de ideias, crenças, pensamentos, atitudes, lugares, hábitos, amizades, relacionado a pessoas que consomem drogas/álcool de forma abusiva. Fenômeno que antecede a adicção.

(III)  “S.I.U.--”, Sistema ideológico do usuário duplo negativo. O mesmo que sistema ideológico adicto “S.I.A.-”. Conjunto de crenças, pessoas, hábitos, posturas, éticas, lugares, emoções e iniquidades que conduziram à vida adicta.

(IV)  “S.I.A.-”, Sistema ideológico adicto. Sinônimo do sistema ideológico do usuário duplo negativo (S.I.U.--). Conjunto de crenças, pessoas, hábitos, posturas, éticas, lugares, emoções e iniquidades que conduziram à vida adicta.

Essa classificação anterior serve para diferenciar as formas de pensar, sentir e agir do mero usuário, do usuário abusivo e do adicto.

No que se refere ao sistema ideológico abstêmio (S.I.A.+), existem formas de pensar, sentir e agir que se dirigem a todos os abstêmios. Por exemplo, se a pessoa está em abstinência, é porque está aplicando a técnica do “evite o primeiro gole/dose”. Isso independe de qual seja o sistema ideológico abstêmio adotado. O mesmo raciocínio ocorre com as máximas “só por hoje”, “um dia por vez”, “rejeite toda reserva” ou “não precisa usar”. Contudo, abstemiologicamente, existem várias subdivisões do sistema ideológico abstêmio (S.I.A.+), que são:



(I)     “S.I.N.”, Sistema ideológico neutro ou Sistema ideológico do recuperando. Sistema ideológico do ABSTÊMIO MÍNIMO e, depois, do ABSTEMENOR. Momento de reflexão e de confrontação pessoal, interna e subjetiva sobre o seu próprio S.I.A-. Fase em que se neutralizará o S.I.A. negativo.

(II)     “S.I.A.+”, Sistema ideológico abstêmio ou positivo. Conjunto de crenças, pessoas, hábitos, posturas, éticas, lugares, emoções e equidade que conduziram à vida abstêmia. Sistema ideológico do ABSTEMAIOR.

(III)   “S.I.A.++”, Sistema ideológico pós-abstêmio ou duplo positivo. Conjunto de crenças, pessoas, hábitos, posturas, éticas, lugares, emoções e equidade que conduziram a um período de vida abstêmia que superou o somatório de todo o período de drogadição. Refere-se ao MEGA-ABSTÊMIO.

(IV)    “S.I.R.”, Sistema ideológico religioso. Modelo de S.I.A.+ muito comum em abstêmios oriundos de comunidades terapêuticas fundadas ou vinculadas a um sistema religioso.

Assim, para iniciar, manter e desenvolver a abstinência, será necessário alterar a forma de pensar, sentir e agir. Essas alterações ocorrerão diversas vezes durante a jornada abstêmia. Desse modo, o mesmo problema apresentado ao abstêmio mais novato (v.g., abstemenor) terá soluções diferentes para o abstêmio mais experiente (v.g., abstemaior). Isso indica que haverá uma constante alteração de paradigmas e sistemas ideológicos conforme aumenta o lapso temporal abstêmio. Por óbvio, o sistema ideológico pode regredir e voltar ao sistema ideológico adicto, e, nesse caso, teremos uma pessoa que era abstêmia, mas retornou ao universo da adicção.

 









 

 

De mais a mais, inexoravelmente, é preciso introduzir nas pessoas que desejam sair da adicção as ideias abstêmias (“mochila”). A inoculação de tais ideias faz com que a ideologia adicta seja confrontada e lentamente substituída por novas formas de pensar, sentir e agir.

Nesse sentido, o tamanho do período de adicção e a quantidade de recaídas podem colaborar para que o adicto perceba que suas ideias e crenças não estão lhe favorecendo nem contribuindo para sua evolução consciencial. Pelo contrário, a ideologia adicta faz com que a pessoa fique estagnada ou, até mesmo, retroceda em sua vida social, pessoal, profissional e afetiva. Daí, nesses casos, as ideias e crenças da abstemiologia podem ser inoculadas com mais facilidade e germinarem com mais raízes. Aparentemente, quanto mais fundo for o poço gerado pela adicção, maiores serão as raízes da abstinência. Uma das formas de inocular a ideologia abstêmia é através do proselitismo abstêmio.


1 ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824565-3-8

ZIEMMERMANN, Péricles. TEORIAS      ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0

ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-924432-3-8

 

2 Ideologia para a abstemiologia é o resultado de um somatório ou conjunto de ideias, apenas isso.

sábado, 14 de dezembro de 2024

Vacinas de Abstinência 32/33 - Teoria do Deslocamento Vetorial da Desintoxicação


Imagine o seguinte cenário: um abstêmio com 18 anos de abstinência recaiu (reintoxicação física). Em seguida, ele é submetido a um internamento com outras pessoas. O problema é que as pessoas lá internadas possuem 15 anos de adicção. Em síntese, durante o internamento tenta-se ajudar, simultaneamente, alguém com 15 anos de adicção e alguém com 18 anos de abstinência no mesmo ambiente e com as mesmas técnicas. Você realmente acredita que ambos devem ser submetidos à mesma forma de tratamento? Como é possível que uma pessoa com longo período de abstinência receba a mesma forma de tratamento de alguém com longo período de adicção? Para resolver esse dilema existe a TEORIA DO DESLOCAMENTO VETORIAL DA DESINTOXICAÇÃO.

 

Esse tema de estudo abstemiológico reflete uma forma de pensar na desintoxicação para o abstêmio que já possuía longos anos de abstinência e que, infelizmente, recaiu (reintoxicação física). É um tema avançado de abstemiologia porque exige a compreensão e aplicação simultânea de diversas definições abstemiológicas. Tentarei ser o mais didático possível, porém caso o leitor tenha dúvidas sobre alguns conceitos recomendo que busque esclarecimentos em postagens do nosso site já que todos os termos técnicos aqui utilizados estão devidamente explicados em outros estudos.

 

Exemplificando: imagine uma pessoa que está em abstinência por mais tempo do que esteve em drogadição (Ponto “Z”)2. Assim, por exemplo, a pessoa teve 15 anos de drogadição (mero usuário, usuário abusivo e adicto),mas está em abstinência 18 anos. Esse abstêmio é classificado como sendo MEGA-ABSTÊMIO. Agora, esse mega-abstêmio, por diversos fatores que não vêm ao caso, recaiu (reintoxicou-se fisicamente), mas os efeitos gerados pelo processo de recaída foram moderados. Nesse caso, terá que se submeter a uma nova desintoxicação. Então, o abstêmio que recai e precisa desintoxicar- se volta ao início do processo de abstinência? Em termos técnicos, o abstêmio que recai sempre retorna ao Ponto “F”3 da escada abstêmia? Vamos responder essas questões no decorrer dos próximos parágrafos.

 

Para entender como o DESLOCAMENTO VETORIAL DA DESINTOXICAÇÃO funciona precisamos conjugar a TEORIA DO LASTRO ABSTÊMIO e a TEORIA DO NÍVEL DOS EFEITOS DA RECAÍDA com diversos outros termos abstemiológicos que servem para delimitar a escada abstemiológica ou escada abstêmia. Assim, o abstêmio após se reintoxicar fisicamente precisa fazer uma análise que compreende, simultaneamente, o seu do tempo de abstinência (lapso temporal abstêmio), efeitos gerados pelo processo de recaída (moderados, graves ou gravíssimos), cálculo do lastro abstêmio e, em seguida, fazer a realocação do vetor da abstinência.

 

Resolvendo o problema apresentado no exemplo anterior: a pessoa do exemplo anterior possuía 18 anos de abstinência. Reintoxicou-se fisicamente, mas o processo de recaída teve efeitos moderados, ou seja, o numero de segurança pode ser apenas “01”. Assim, podemos formular o LASTRO ABSTÊMIO da seguinte forma:

 

·         PERÍODO DE ABSTINÊNCIA ANTERIOR À RECAÍDA: “18” anos

 

·        
NÚMERO DE SEGURANÇA: “01” porque a recaída teve efeitos moderados (caso a recaída tivesse gerado efeitos graves ou gravíssimos o número de segurança seria, respectivamente, 02 ou 03)

 

·         NÚMERO DE RECAÍDAS: “01” porque foi a primeira vez que isso aconteceu em “18” anos de abstinência

 

·         Fórmula: LASTRO ABSTÊMIO=PERÍODO DE ABSTINÊNCIA ANTERIOR À RECAÍDA/(NÚMERO DE RECAÍDAS+NÚMERO

DE SEGURANÇA), ou seja, 18/(01+01)=09. Isso indica que o LASTRO ABSTÊMIO corresponde a 09 (nove) anos de abstinência.

 

Continuando com o mesmo exemplo anterior, sabemos que o abstêmio que recaiu era classificado como sendo MEGA-ABSTÊMIO já que estava em abstinência por mais tempo do que esteve em drogadição. Todavia, essa recaída (reintoxicação física) reclassifica o abstêmio para ABSTEMAIOR já que o seu novo LASTRO ABSTÊMIO será de 09 (nove) anos, ou seja, muito menos do que os 15 anos de drogadição. Assim, essa única recaída (reintoxicação física) causou uma nova reclassificação do abstêmio e o DESLOCOU para um ponto anterior na escada abstemiológica.

 

Nos exatos termos do exemplo citado, ocorreu o deslocamento do abstêmio dentro da escada abstemiológica colocando-o num patamar inferior. A partir desse novo patamar é que será realizada a desintoxicação, ou seja, houve um DESLOCAMENTO VETORIAL DA DESINTOXICAÇÃO.

 

Como dito antes, o vetor da desintoxicação não retornou ao Ponto “F” da escada abstemiológica porque o abstêmio que recaiu NÃO estava vindo da adicção em si, mas, pelo contrário, o abstêmio vinha de 18 anos em abstinência. A desintoxicação em si, é uma questão clínica (médica) e poderá ocorrer da mesma forma para qualquer pessoa intoxicada: quer seja abstêmio, quer seja adicto. O problema abstemiológico que temos surge quando se tenta adotar o mesmo tratamento ou aplicar a mesma técnica para quem passou pela desintoxicação vindo de 15 anos de adicção e quem vem de 18 anos em abstinência.


Para resolver essa questão entendo que houve um DESLOCAMENTO VETORIAL DA DESINTOXICAÇÃO de modo que podem existir dois pontos de desintoxicação na escada abstemiológica:

 

(I)   O Ponto “F” que corresponde à desintoxicação de quem vinha de um passado mergulhado na adicção, ou seja, o Ponto “F” é a desintoxicação da pessoa em processo de adicção.

 

(II)    O Ponto “DETOX” que corresponde à desintoxicação (nesse caso, detoxificação) de quem vinha de um passado abstêmio, ou seja, o Ponto “DETOX” é a desintoxicação da pessoa em processo de abstinência.

 

Entendo que o abstêmio com longos anos de abstinência, caso recaia (reintoxicação física) sofrerá tecnicamente uma desintoxicação, mas abstemiologicamente apenas uma DETOXIFICAÇÃO. Embora, em ambos os casos, tanto a desintoxicação quanto a detoxificação representam, em apertada síntese, a eliminação de xenobióticos no organismo4.

 

Essa sutil diferença se baseia no fato de que a desintoxicação em termos abstratos – e não médicos ou clínicos – exige uma biopsicossocioespiritual transformação do ser. A desintoxicação serve para retirar a droga/álcool do organismo e, simultaneamente, dar possibilidade para que a pessoa entenda a necessidade de iniciar sua abstinência. A função da desintoxicação, para a abstemiologia, é dar a possibilidade de que a pessoa adquira o mínimo de lucidez para iniciar e manter sua abstinência. A desintoxicação da pessoa adicta é uma tentativa dada para ela alcançar a LUCIDEZ ABSTÊMIA. Raramente a lucidez abstêmia se manifesta em pessoas intoxicadas pelo longo período de uso de drogas/álcool. Em regra, precisa haver uma desintoxicação, por menor que seja.

 

Em outra toada, temos o abstêmio com longos anos de abstinência e que recaiu (reintoxicou-se fisicamente). Nesse caso, o abstêmio já possui LUCIDEZ ABSTÊMIA e pode decidir livremente se deseja permanecer em abstinência ou abandonar seu processo abstêmio e retornar ao universo da adicção. Para essa pessoa NÃO se exige uma biopsicossocioespiritual transformação de modo que basta uma DETOXIFICAÇÃO.

 

Em resumo, podemos compreender a TEORIA DO DESLOCAMENTO VETORIAL DA DESINTOXICAÇÃO como:

 

(a)    Aplicação prática da TEORIA DO LASTRO ABSTÊMIO;

 

(b)      Análise do lastro abstêmio de forma que o abstêmio pode ser submetido a novo internamento ou regime de desintoxicação mais severo. Isso depende do tamanho do lapso abstêmio, do número de recaídas e do nível dos efeitos produzidos pelas recaídas;

 

(c)     Necessidade de reclassificar o abstêmio que recaiu (reintoxicou-se fisicamente);

 

(d)   Forma de determinar o Ponto “DETOX”;

 

 

(e)    Mecanismo de diferenciação entre as pessoas que vêm do passado adicto e precisam se desintoxicar (Ponto “F”) e as pessoas que vêm do passado abstêmio e precisam se detoxificar (Ponto “DETOX”);

 

(f)       Forma de (auto)diagnosticar a necessidade, ou não, de uma biopsicossocioespiritual transformação;

 

(g)    Demonstração clara e inequívoca da necessidade de aplicar técnicas e mecanismos de tratamento diferentes para pessoas que recaiam após longos anos de abstinência que não podem ser utilizadas as mesmas técnicas daqueles que vêm de longos anos de drogadição.




1 Tema apresentado no Livro e Ebook:

ZIEMMERMANN, Péricles. Teorias abstemiológicas. 1ª ed. Curitiba/PR: Edição do autor, 2019. 151 p.; 14 X 21 cm. ISBN: 978-85-924432-2-1. Distribuído pela Editora Simplíssimo.

2 Ponto Ziemmermann ou Ponto “Z”: momento em que se iguala todo o somatório do tempo correspondente ao período de drogadição ao período de abstinência. É o dia da boda de diamante. Surgimento do MEGA-ABSTÊMIO e início do desenvolvimento do 13º passo ou passo cosmoético.

3 Ponto “F”: Representa o fim da adicção. É momento anterior ao Ponto “R”, porque ainda não existe a desintoxicação. Pode consistir em óbito ou abstinência. Se for abstinência, poderá ser oriunda da simples interrupção do uso de drogas/álcool (com ou sem internamento) ou recaída “de ouro”. É, simultaneamente, o dia da boda de ouro, o dia “D” e o “marco zero”. É a primeira manifestação de lucidez abstêmia. É comum a ocorrência de insights no ponto “F”. É o início do período de abstêmio mínimo ou ínfimo.

QUENTAL, Ana Raquel de Pinho Sousa. ANÁLISE TOXICOLÓGICA DA COCAÍNA  E          DOS                      SEUS         METABÓLITOS                  EM    CONTEXTO    FORENSE.

Universidade Fernando Pessoa: Porto, 2015. Trabalho apresentado à Universidade Fernando Pessoa como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Ciências                                        Farmacêuticas.   Disponível                                         em:

<https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/5170/1/PPG_23796.pdf>. Acesso em 25 julho 2019.



sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

TEU CEGO PALADAR

 10.10.05


Aos que nunca saberiam andar sozinhos

Uma pessoa no caminho

Providência!


Aos que fracos dormiriam entregues ao relento

Um teto, uma base, uma coberta

Sorte!


Aos que não se convencem

Um livro que lhes abra a visão

Órbita!


Nos rios, os peixes

Na mata, a caça

Nos céus, as aves

Sempre foram assim os lugares em que passei

Povoados de sobrevivência...


Nas lágrimas, lenços

Nas chagas, gazes e esparadrapos

No frio, edredons e trapos


Escolheria um só caminho cheio de placas

Daltonicamente falando, tentaria reconhecer o azul

Mandaria ao inferno meu demônio personal-trainner

Mergulharia em fossas marinhas sem precisar do ar

que sofregamente insufla meus debilitados pulmões

Sulfuricamente falando, beberia minhas sodas e

Como um pombo feliz bicaria minhas migalhas


Marcelo Braga


PERAMBULO POR AÍ COM MEU CÉREBRO A TIRACOLO

 13.10.05.


Andarilho na vida, becos e arestas

Hóspede das noites de corujas mórbidas

Músico sem clavas e cifrões

Perambulo por aí com meu cérebro a tiracolo


Nas barcas, nas balsas

Nos trens, nos metrôs

Nas vans, nos ônibus

Atravesso cruzamentos

Ando de elevador, escada rolante

Acordo e durmo no volante

Vou vivendo meus momentos e

O século XXI só está começando


Já andei de carroça, de charrete

Carro de boi, jardineira

Avião, helicóptero, bicicleta

Patins, carrinho de rolimã e

Ainda assim continuo livre nesse ir e vir


Já atravessei andando, nadando

Já fui sonâmbulo, trôpego

Correndo, chorando, sorrindo

De pedalinho, jangada...


Como já andei

Com um monte de gente

Muitas vezes sozinho e

Algumas vezes, ao lado meu


    Marcelo Braga

BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

  12.02.2011. Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escald...