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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

SERVE SE FOR CARIOCA

 07.04.05.


O fio de cabelo não ficou no paletó

Não tenho mais paletó

Aliás, nem mais se usa paletó

Mesmo assim meus cabelos caem

Os que resistem, embranquecem

Valeu esse quase plágio

A lembrança de que ainda respiro meu tempo

Magros dedos, parco cérebro


Desejo as incontestáveis

As mulheres sem pudor e

Então honestas

Descarto todo o jogo, todo o ensaio

Procuro o “detrás do muro”

Depois preciso como Hércules

Ou como o minotauro

Dormir; me deixe dormir porra!


Desejo as loucas

As mulheres dotadas

De riso, de dom

Descarto toda a ética

Desligo-me do dogma

Quero uma latina tarantela

Uma digna sulista italiana

Mas serve caso seja carioca!


Marcelo Braga


QUE MERDA!

 20.04.05.


Cheio de pensares, gritos e mofo


Meu recatado orgulho explode minhas artérias

Minha inocente maldade, só em meu mundo trabalhou

Fiquei mais velho que o próprio mundo...


Meu pesado sonâmbulo sono foi uma só perturbação

Cocei com cacos de telha as sarnas de meu hipotálamo

Meus simpáticos neurônios foram se suicidando aos poucos

Fui trabalhando minha Lei de Murphy, de Newton

Me entreguei em minha sábia estupidez

Meus olhos perderam tempo olhando o mundo velho

Lendo os velhos livros das estantes e

O velho mundo todo dia era diferente

Já o meu não: um só passo militar ao abismo


Grand Canyon, Cataratas do Iguaçu, Nova Iguaçu

Que merda!


Marcelo Braga


NO QUARTO LÁ DE CIMA

 20.04.05.


Eu não ganhei dinheiro por não saber cantar as letras que escrevo

Morri de fome com os nigerianos

Embora brasileiro

Ao menos soubesse ser de Toulon

Criasse a arte do embuste

Ou tocasse violão ao menos


Estou te esperando lá em cima

No quarto detrás

No décimo quarto sono

Te vejo lá em cima e te pergunto:

Em cima do quê se a Terra é redonda?!

Onde fica o Éden?

Em cima do Brasil ou em cima do Japão?


Eu não ganhei dinheiro por não sabê-lo juntar na conta bancária que sabe-se lá o Serasa

No cofrinho porquinho de barro que comprei fiado

Fui o maior fiasco que conheci!


Só quis amor, amor, amor

Por preguiça quis o amor

Por achá-lo mais em conta, fácil de se ter, eu quis o amor

Lá no quarto de cima

Uma francesa, uma japonesa, nigeriana ou brasileira que fosse

Eu quis depositar amor na minha conta

Por não ter conta, não tive amor


Marcelo Braga


RECRIAÇÃO

 21.04.05.


Já tive borboletas que transitaram em meu jardim

Não só borboletas, mariposas e colibris também

Algumas doses do néctar

Já tive vários jardins e todos viraram caatinga

Hoje só cactos e saudade das mais lindas borboletas

Acabou o húmus, a chuva, o regador furou-se todo

O terreno foi plano – hoje baldio, inóspito

Antes flores, hoje espinhos (lugar-comum!)


Vamos formar juntos um novo jardim?

Vamos juntos deixar de sermos lagartas?

É uma proposta sim

Na verdade nada entendo de jardim

Mas acredito no poder da natureza em se recriar!


(quando se recebe uma mensagem pelo celular que me orienta a criar um jardim para atrair borboletas)


Marcelo Braga


COM PARENTES - Pai

 • Com pai:

   No início, como todo o filho de pais separados: aguardando a visita ansiosamente. Meu pai fora-me herói até meus 30 e poucos anos. Demorei muito para perceber tudo o que me ocorrera nessa relação e aquilo que eu trouxera da mesma, vida a fora. Muitas lembranças agradáveis e de muita saudade. As mais inesquecíveis: nossa ida ao Planetário da Gávea, ao Pão-de-Açúcar, ao Corcovado, nossas peladas e caminhadas na praia de Copacabana, nossas idas na praia de Icaraí e as ocasiões em que me levou na Manchete em seu setor de arte-final na Rua do Russel e por último, quando já repórter fotográfico, em gravações de novelas em Vista Alegre.

   Das desagradavelmente inesquecíveis: as surras com espectadores, nas ruas, nos bares, na frente de meus colegas. As surras com objetos: tamancos, fivelas, fios e cadeiras. As surras com golpes: chutes e socos no estômago, cascudos, mordidas nos braços e tapas no rosto. Fora as surras, os gritos, as exigências descabidas, os castigos como ler um trecho da Bíblia e lhe explicar depois de uma surra; as duas vezes que me expulsou de casa, uma em Copacabana, a outra em Nova Iguaçu e os xingamentos como se xingaria um adulto. Muita agressividade.

   Passei anos, numa inconsciente negação escondendo todos os transtornos causados por tal relação, que não deixou de ser uma grande angústia e frustração sofrida em minha infância. Um pai artista, ótimo pintor de telas a óleo, de muitos amigos, bem querido aonde chegava, porém agressivo e tirano com seu filho, cruel e insano na educação do mesmo e completamente perturbado em seu lado emocional. Fora isso, desleixado consigo mesmo, desorganizado, neurótico e manipulável pelos ambientes que convivia, como uma lagartixa na parede!

   Passei anos e mais anos falando de suas qualidades aos quatro ventos como se nada tivesse acontecido em nossa turbulenta relação. De certa forma, essa foi minha fórmula involuntária de não me entregar; minha estratégia de guerra na sobrevivência.

   Guardo dele os exemplos de trabalho, de bom relacionamento com as pessoas, seu lado agradável e divertido, algumas fotos e quase 20 anos de distância em seu falecimento datado em 04.08.1989.

   João Marcos Batista da Silva, nascido no dia 20 de julho de 1949 em Sagrado Coração de Jesus, distrito de Osasco (se não me engano), cidade da grande São Paulo. Filho de João Batista da Silva, que faleceu em 1974 quando eu tinha 1 ano, membro ativo da igreja Batista e escriturário da estrada de ferro Santos - Sorocabana. Casado com Joana Gomes, senhora que faleceu nos anos 90 completamente louca e quase que totalmente sozinha na Vila Brasilândia, zona norte da capital paulista. Irmãos de meu pai: Clóvis (um ano mais velho), Zuleika e a caçula Lígia.


Itinerários Abstemiológicos 29/35 - Pathway of Abstinence

 

PATHWAY OF ABSTINENCE1

 

O PATHWAY OF ABSTINENCE corresponde ao CAMINHO DA ABSTINÊNCIA. Existem diversos sistemas usados para determinar o caminho da fissura (pathway of craving). Aliás, esse tema é muito estudado quando se debatem estudos sobre a vontade de usar drogas/álcool. Contudo, aqui e agora, faremos uma análise que destoa dos estudos comuns. Não queremos entender como é a fissura (vontade de usar drogas/álcool) e nem como ela se desenvolve; queremos, por outro lado, compreender como pode ser analisado o caminho da abstinência (pathway of abstinence).

Existem milhares de pessoas que desenvolveram a adicção, mas, apesar disso, conseguiram iniciar, manter e evoluir seus processos de abstinência. Temos pessoas que interromperam o processo adicto das mais variadas formas: adotando atividades saudáveis, inserindo-se num sistema religioso, controlando suas comorbidades, utilizando o método da força bruta (abstêmio superman2), fazendo terapia individual ou utilizando mecanismos preestabelecidos por grupos anônimos.Porém,comopodemos dissecar os diversos caminhos abstêmios que foram utilizados? Existem estruturas similares em todos eles? Existe mais de um caminho para a abstinência? Talvez vocêjá tenha percebido que questões básicas e rudimentares como estas ainda não são satisfatoriamente respondidas devido ao fato de todo o sistema de tratamento de dependentes de drogas/álcool se basear no problema (adicção) e não na solução (abstinência). A abstemiologia visa, em grande parte, superar esse equívoco metodológico. Por isso os estudos abstemiológicos se baseiam na abstinência, ou seja, na solução da adicção.


Existem diversas formas de analisar o caminho da abstinência. Isso faz com que definições terminológicas sejam misturadas e confundam aqueles que desejam estudar o tema. Pensando em evitar isso, foram formuladas 05 (cinco) formas de analisar os caminhos abstêmios, quais sejam: MODELO OBJETIVO, MODELO SUBJETIVO, MODELO AXIOLÓGICO, MODELO DESVIANTE e MODELO OBLÍQUO.

Esse tema está sendo desenvolvido na parte final do livro porque exige do leitor um conhecimento temático mais complexo. Assim, durante a leitura desta obra, algumas expressões terminológicas já devem ter sido absorvidas, e isso facilitará sobremaneira a leitura dos próximos parágrafos.

As 05 (cinco) maneiras de pensar sobre a jornada abstêmia podem ser classificadas da seguinte forma:

 

(01)    Caminho da abstinência no modelo objetivo

1.1   Interrupção do uso de drogas/álcool

1.2  Desintoxicação

1.3  Superação dos ciclos de 30 dias

1.4   Início, desenvolvimento e término de cada uma das 05 fases abstemiológicas3

 

 

(02)    Caminho da abstinência no modelo subjetivo

2.1   Interrupção do uso de drogas/álcool

2.2  Período de abstêmio mínimo

2.3  Período de abstemenor

2.4  Período de abstemaior

2.5  Surgimento do abstemaior real

2.6  Período de mega-abstêmio

 

(03)    Caminho da abstinência no modelo axiológico

3.1  Reconhecimento do sistema ideológico adicto (S.I.A. negativo)

3.2  Necessidade de criação do sistema ideológico neutro (S.I.N.)

3.3  Surgimento de um sistema ideológico abstêmio (S.I.A. positivo ou S.I.A.+)

3.4  Desenvolvimento do sistema ideológico abstêmio positivo

3.5     Surgimento e desenvolvimento do sistema ideológico abstêmio duplo positivo (S.I.A.++)

 

(04)    Caminho da abstinência no modelo desviante

4.1  Mera suspensão do uso de drogas/álcool

4.2  Desintoxicação, em regra, temporária

4.3  Ausência do Passo Zero e presença da irresponsabilidade abstêmia

4.4       Reconhecimento do sistema ideológico adicto, mas sem compromisso de enfrentamento

4.5  Surgimento de algumas características do sistema ideológico neutro (S.I.N. parcial)

4.6    Permanência em sistemas ideológicos de mero usuário (S.I.U. positivo), usuário abusivo (S.I.U. negativo) ou, em casos mais graves, adicto (S.I.A. negativo)

4.7   Retorno ao processo de adicção ou permanência em abstinência desviante com forte tendência ao retorno à drogadição

 

(05)    Caminho da abstinência no modelo oblíquo

5.1 Ponto “F”

5.2 Ponto “R+02” ou “R+03”

5.3  Ponto “X”

5.4  Ponto “Y”

5.5  Ponto “Z”

 

 

Em suma, existem diversas formas de pensar na abstinência como sendo um caminho a ser seguido (pathway of abstinence). Porém, conforme as terminologias adotadas, podemos estar nos referindo a um modelo ou a outro. O que importa, realmente, é saber que a abstinência pode ser compreendida através de sucessivas etapas. A seguir analisaremos cada uma dessas maneiras de estudar a jornada abstêmia.


1 ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824565-3-8

 

ZIEMMERMANN,   Péricles.   TEORIAS    ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0

 

ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-924432-3-8

 

2 Existem abstêmios atípicos: abstêmios wundermittel, abstêmios superman, abstêmios one step e abstêmios por traumas. Esses abstêmios são pessoas em abstinência devido, respectivamente, aos efeitos milagrosos atribuídos ao sistema religioso ou medicamentos, pessoas que pararam por vontade própria e sem precisarem da ajuda de terceiros, pessoas que estão em abstinência e continuam com os mesmos hábitos da adicção, e pessoas que estão abstêmias porque presenciaram ou sofreram grandes traumas durante a drogadição.


3 Fases abstemiológicas: abstêmio mínimo, abstemenor, abstemaior, abstemaior real e mega-abstêmio.

 

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Itinerários Abstemiológicos 28/35 - Pathway of Abstinence - Modelo Subjetivo

 

PATHWAY OF ABSTINENCE MODELO SUBJETIVO¹

Nessa forma de visualizar o processo de abstinência, responderemos a indagações como: todos os abstêmios são iguais? Existe diferença entre os abstêmios? Podemos classificá-los? As respostas desses quesitos fazem parte do modelo subjetivo aplicável ao processo de abstinência.

Quando perguntamos a um abstêmio com poucos dias de abstinência sobre as técnicas que ele utiliza para manter-se abstêmio, obtemos determinada resposta. Quando fazemos essa mesma pergunta para outro abstêmio com muitos anos de abstinência, obtemos uma resposta muito diferente. Por exemplo: ao perguntar para o abstêmio mais novato sobre como ele deve se comportar ao receber um convite para ir a alguma festa2, a resposta, em regra, será a de que ele deve recusar o convite e não comparecer a festividades no início do tratamento3. Ao fazer essa mesma pergunta para um abstêmio mais experiente, as respostas serão: nenhum dos meus amigos me convidaria para nenhuma festa porque eles sabem que não posso ir; comparecerei com um amigo de grupo anônimo (padrinho); utilizarei a técnica da farmacoterapia depois da festa para diminuir minha ansiedade; ou irei à festa, mas depois participarei de 10 (dez) reuniões seguidas em grupos anônimos. O que desejo mostrar através desse singelo exemplo é que quanto maior for o tempo de abstinência, maior será o repertório abstêmio que dá sustentação à abstinência. Isso indica, claramente, a existência de uma diferença abstemiológica entre os diversos abstêmios.


O modelo subjetivo do caminho da abstinência nos indica que os abstêmios passam por 05 fases em que podemos observar notórias diferenças entre cada sujeito (abstêmio). Existem, empiricamente, no mínimo, 05 classificações de abstêmios, e para denominá- los utilizamos uma adaptação do raciocínio de Kant sobre menoridade4, compreendendo como sendo menor o abstêmio que ainda precisa seguir uma rígida estrutura técnica para evitar reintoxicações físicas, uma vez que ele ainda não consegue pensar e adaptar as técnicas de modo eficiente no seu cotidiano. De outra sorte, terá maioridade abstemiológica o sujeito que pensa e age de modo coerente com sua abstinência porque já saiu da menoridade. Seguindo esse raciocínio teremos:

·         Período de abstêmio mínimo

·         Período de abstemenor

·         Período de abstemaior

·         Surgimento do abstemaior real

·         Período de mega-abstêmio

Assim, o abstêmio é a pessoa que pode estar em qualquer uma das cinco fases de abstinência: abstêmio mínimo, abstemenor, abstemaior, abstemaior real ou mega- abstêmio. A palavra “abstêmio” também pode ser usada como sinônimo de abstêmio positivo ou abstêmio propriamente dito. O abstêmio é a pessoa que percorre uma jornada abstêmia e, simultaneamente, se submete ao processo de abstinência. Esse é o HOMO ABSTEMIUS.

O abstêmio mínimo5 é, tecnicamente, o abstêmio que está em fase de desintoxicação. É uma subclassificação do abstêmio menor. Com menor rigor formal, pode ser usado como sinônimo de abstêmio menor.

O abstêmio menor (abstemenor) é a pessoa em fase abstêmia inicial. Refere-se ao antigo  conceito  de  recuperando.  É  um  abstêmio  negativo,  porque  ainda  está neutralizando o sistema ideológico que deu fundamentação à adicção. É o abstêmio que não atingiu 02 ou 03 anos de abstinência, ou seja, está antes do ponto “R+2” ou “R+3”.

O abstêmio maior (abstemaior) é o abstêmio com sistema ideológico positivo (S.I.A.+) e, por causa disso, é um abstêmio positivo. É o abstêmio propriamente dito. Esse abstêmio está há mais de 02 ou 03 anos em abstinência, ou seja, superou o ponto “R+2” ou “R+3”, mas ainda não alcançou o ponto “Z”. Esse abstêmio conhece muitas técnicas para manter-se em abstinência e, ao que tudo indica, essas técnicas têm funcionado muito bem, já que lhe garantiram um tempo abstêmio relevante.

O abstêmio maior real (abstemaior real) é a pessoa que se autorreconhece como ser abstêmio. Dizemos que, na escada abstêmia, essa pessoa atingiu o ponto “X”. É uma subclassificação do abstêmio maior. Aqui, o abstêmio se identifica como sendo uma pessoa que ficará em abstinência pelo resto da vida e que decidiu viver desse modo. Esse é o início do HOMO ABSTEMIUS VOLUNTARIIS.

O mega-abstêmio, por sua vez, é o abstêmio que está em abstinência por mais tempo do que esteve em drogadição. Essa pessoa superou de maneira abstêmia todo o período em que esteve usando drogas/álcool. Por exemplo, a pessoa usou drogas/álcool por 20 anos, mas está em abstinência há mais de 20 anos. Nesse caso, temos um abstêmio que está há mais tempo semeando ideologias abstêmias do que esteve, outrora, espargindo ideias de drogadição.


1 ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824565-3-8

ZIEMMERMANN, Péricles. TEORIAS       ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS:      Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0

ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-924432-3-8

 

2 Aqui, a palavra festa deve ser compreendida como sendo uma “balada” ou “noitada”.

3 Aplicação, pura e simples, da técnica abstemiológica do “evite pessoas, hábitos e lugares da ativa”.


4 Existem muitos textos que explicam o conceito de “menoridade” visto por Kant. Recomendo a leitura do artigo intitulado “O que é esclarecimento em IMMANUEL KANT” da autoria de AMANDA SILVA DE OLIVEIRA e PAULO ROBERTO KONZEN.

5 O abstêmio mínimo também pode ser denominado abstêmio ínfimo, abstêmio duplo negativo, abstêmio embrião, desintoxicando ou abstêmio feto.


Péricles Ziemmermann



IN VITRO

 21.04.05.


Fui inadimplente, portanto fui livre

Inapetente, portanto comi o de melhor

Inadvertido, portanto atento às artes

Inassimilável, portanto me compreendi

Incabível, inatingível, inacreditável!


Fui Marcelo

Incauto, incrédulo, incontinente!


Fui Marcelo

Inalterável, incógnito, incontrolável!


Fui Marcelo

Indócil, inflexível, inimitável!


Fui Marcelo

Intravenoso, intolerante, interminável!

Intervenção, interurbano, intestinal

Intraduzível, intragável, intranqüilo

Invertebrado, invasivo, introspectivo


Fui Marcelo

Inventivo, inviável, invocado, invisível

Intrincado, intoxicante, intervalo, interrogativo

Intrépido, intermitente, intenso, insulto


Inteligente, portanto Marcelo fui!


Marcelo Braga


ASTROLOGIA, GENÉTICA E VIVÊNCIA

 27.04.05.


Definitivamente somos o que somos

Frutos da influência astral

Filhos de misturadas células

Restos de nossa infância

Astrologia, genética, vivência

Filhos de influências


Meu jeito de andar

Meu jeito de falar

Meu jeito de viver

Meu jeito de pensar

Nada disso escolhi, fui apenas permissivo

Lutei sem força contra tudo isso

Permissivo e fraco

Por isso ainda acredito

Por isso ainda sei que posso

Numa só guinada, numa só rasteira

Mudar quase tudo isso, afinal

Por ter sido fraco e permissivo

Guardei muita energia!


Marcelo Braga



COM PARENTES - Mãe


• Com mãe:

Aquela cobrança intensa, como num grito de socorro: salva-me, sem nunca ter pronunciado tais palavras; em atos apenas. Sempre a sensação de descaso e indiferença, algo que nunca quis aceitar. Sempre achei que ela TERIA de me salvar e cresci com muita revolta. Nunca racionalizei facilmente tal angústia ocasionada pela distância em tal relação; para dizer a verdade, agora, nesse livro, nesse texto é que penso numa forma, digamos formal e calculada, do que aconteceu nesse tempo todo. Passei a vida criando inconscientemente situações que me levariam ao desprotegimento e talvez então criasse comoção e a disposição materna de me auxiliar, em vão. Uma das últimas vezes que agi assim foi em minha ida para o sul. Larguei empregos e dispensei algumas poucas oportunidades de ascensão em uma empresa. Vivi também relacionamentos onde a transferência da carência materna assustava quem comigo se relacionava, como um jugo, no início fascinante e mais a frente desgastante. O despreparo de Angela para a vida, o egoísmo e a frieza nunca a dispôs à maternidade na forma que eu concebia e via em outras famílias. Fui sim, um peso na consciência da mesma, causando uma preocupação superficial e prova non grata de incapacidade para amar.
Nenhum passeio ou brincadeira que me venha à lembrança ou me cause saudade, por mais sincero, imparcial e curado que eu não estivesse sendo. Aquele carinho que os filhos têm por suas mães, principalmente os filhos homens, comigo é algo nulo, nem bom nem ruim. Aquela sensação de que ocorrera algum sacrifício por parte de sua mãe em sua criação me é profundamente pequena, isso porque observo hoje, em fase adulta, o que viria a ser sacrifício materno incondicional; incondicional porque criou-se um código social e comercial de que mães são protetores, guerreiras e amorosas com os filhos em qualquer situação. De alguma forma esse código encalacrou em mim como requisito indispensável e não abri exceção nem mão de ter uma mãe ternamente dedicada.
Sendo assim, não fui filho também. Pouco atentei em ocasiões como natal e réveillon; datas como dia das mães e aniversário. Vivi despreocupado demais com a aproximação aos meus parentes num geral. Cresci também despreparado para situações comuns e simples. Hoje dou meus primeiros passos numa vida onde me sinto querido e onde tenho novamente a oportunidade de acertar, não mais como filho, mas como esposo e pai. São lacunas não preenchíveis, porém acredito que dá para levar adiante. Uma coisa vem para compensar outra.
Minha mãe, nasceu no bairro de Madureira, filha de Sildo Braga e Leda Nolding. Irmã de Paulo Ricardo, Aline Aida, Carlos e Fernando. Recebeu criação de um pai enérgico, sem carinho, porém bem de situação financeira e de uma mãe que enlouqueceu aos trinta e poucos anos. Desistiu de quase tudo que iniciou na vida, inclusive de sua faculdade de letras na UFF e hoje vive no Rio de Janeiro em companhia de um funcionário público federal em vias da aposentadoria. Trabalhou em escola de idioma, lojas de shopping e como secretária.
Tenho dela o exemplo de tentar usar corretamente o idioma e algum gosto musical em comum. Também traços de negativismo e nervosismo.

COM PARENTES - Filhos

 • Com filhos:

   O mais velho, Alexandre Rufino, resultado de um namoro efêmero em São Paulo capital no ano de 1992 com Márcia Rufino, com quem estudava a 8ª série. Tive pouco contato com ele nas poucas ocasiões em que minha situação permitiu que eu viajasse a São Paulo, até que em dezembro de 2007 lhe mandei passagem e ele veio enfim ao Rio de Janeiro. Passamos natal e ano-novo juntos pela primeira vez, porém os anos, a distância e a falta de contato dificultou um pouco nossa aproximação definitiva; aliando a esses fatores, alguns problemas que eu estava passando financeiramente na ocasião e o despreparo para lidar com um rapaz já adolescente. Acredito que ainda demorarei mais algum tempo para criar algum tipo de entrosamento fraterno. Quem salvou muito a situação foi Isabel com seu jeito peculiar em lidar com as pessoas.

   Ele criou aquela imagem de super-pai devido a diversos fatores, dentre eles, as informações que ele tinha em São Paulo ao meu respeito e como de igual às cartas que trocamos durante um certo período recentemente. No mais, mesmo assim, ainda pudemos passear um pouco para que ele conhecesse nossa cidade e tivemos momentos em que se tornaram claros aspectos de nossa similaridade genética e de nossa personalidade, bem como situações de pai com filho.

   Um fato que não posso deixar de relatar é a sua facilidade com o desenho, parecendo um pouco com seu avô paulista, meu pai no caso, que era desenhista nato.

   Não participei de sua gestação nem de seu nascimento em 06 de março de 1993; já havia me mudado de São Paulo quando ele nasceu. Apareci pela primeira vez quando ele já tinha um ano e alguns poucos meses. Tirei fotos e o levei para passear na Vila Brasilândia. Apareci também com João Marcos para que ele conhecesse seu irmão, por volta do ano de 1999. Somando-se a essas duas “aparições”, mais umas duas ou três vezes no período. Ainda não possui em seu registro meu nome e por muita sorte tem em São Paulo, uma família que acompanhou todo o seu desenvolvimento como se fosse filho e até hoje o ajuda muito em todas as questões como educação e recreação.

   Linhas atrás, eu era o filho que reclamava distância, agora sou o pai que repete-se, como numa “maldição familiar”.

   Com meu segundo filho, João Marcos Braga da Silva, nascido em Barra do Piraí em 03 de setembro de 1996, filho de meu casamento com Maria Marta, o convívio foi bem maior. Durante cinco anos. Veio a separação, desentendimentos e a distância novamente. Desse guardo muita coisa desde seu nascimento até seu quinto ano de idade. Algumas poesias que aguardavam ansiosamente seu nascimento são prova de minha vontade em acertar, mas vontade precisa estar aliada, nesse caso ao preparo e à maturidade: não tinha. Hoje, nossa reaproximação requer algumas minúcias que somadas, constituem-se num grande impedimento. Esperarei que o tempo resolva da melhor maneira possível e que tal tempo não traumatize mais ou cauterize uma possível inapetência de sua parte em voltar a ter contato com seu pai.

   Um menino tranquilo e inteligente. 

   Agora, Ana Julia Sarmento Braga, minha terceira oportunidade de exercer a paternidade, fruto de meu atual relacionamento com Isabel Cristina, nascida em Niterói no dia 04 de maio de 2008. 

   Uma bela menina, divertido bebê de quatro meses, que sem saber, me impõe, digamos, pela última vez: maturidade rapaz!

   Veio de forma inesperada, já que Isabel “nunca” engravidaria, segundo os médicos na ocasião de seu primeiro casamento. Igualmente, causou-nos muita emoção toda a sua gestação, bem como seu nascimento.

   Dos três filhos, o único que parece bastante comigo, comparando fotos de quando eu era bebê. Um pouco agitada e muito esperta; aquele, digamos, ser humano com muita sede de vida. Olhos e ouvidos atentos a tudo ao seu redor.

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Itinerários Abstemiológicos 27/35 - Pathway of Abstinence - Modelo Oblíquo

 

PATHWAY OF ABSTINENCE MODELO OBLÍQUO¹

Durante o processo de abstinência existem diversos momentos bem peculiares. Na escada abstêmia podemos sintetizar, graficamente, cada um desses momentos. Após atingir determinado ponto, o abstêmio passará a sentir, pensar e agir de modo diferente. Haverá uma mudança no nível de evolução do processo de abstinência, ou seja, uma alteração oblíqua. Contudo, quais são os principais momentos na escada evolucional do abstêmio?

Existem alguns pontos bem específicos na jornada abstêmia: início da abstinência; fim da desintoxicação física; superação dos ciclos de 30, 60, 90 e 120 dias; análise dos anos de abstinência em comparação com os anos de drogadição e de adicção ou autorreconhecimento consciencial.

Então, saber qual fase de abstinência que o abstêmio está enfrentando ou qual será o próximo ponto importante na sua evolução abstêmia são questões analisadas através do caminho da abstinência no modelo oblíquo. Esse modelo destaca 05 (cinco) pontos relevantes, assim listados:

·           Ponto “F”

·           Ponto “R+02” ou “R+03”

·           Ponto “X”

·           Ponto “Y”

·           Ponto “Z”

O ponto “F” representa o fim da adicção. É o momento anterior ao ponto “R” porque ainda não ocorreu a desintoxicação. Pode consistir em óbito ou abstinência. Se for abstinência, poderá ser oriunda da interrupção do uso de drogas/álcool de quem estava num processo de adicção ou da interrupção do uso de drogas/álcool depois da recaída “de ouro”. O ponto “F” é, simultaneamente, o dia da boda de ouro, o dia “D” e o “marco zero”. É a primeira manifestação de lucidez abstêmia. É comum a ocorrência de insights no ponto “F”2. O ponto “F” também é o marco inicial do período de abstêmio mínimo ou ínfimo.

O ponto “R+02” ou “R+03” marca, empiricamente, o momento em que os abstêmios atingem 02 ou 03 anos. Após o alcance desse ponto, sabe-se que os abstêmios tendem a ficar muito tempo em abstinência. Por isso considero esse período cronológico muito importante no processo de abstinência de cada pessoa. Aqui, nesse período de 02 ou 03 anos, a superação de cada ciclo de 30 dias é de fundamental importância.

O ponto “X” é o momento em que o abstêmio pode ser classificado como sendo abstêmio maior real (abstemaior real)3 porque decide consciencialmente que vai viver sua vida em abstinência. Aqui ocorre a mudança consciencial entre HOMO ABSTEMIUS COACTO e HOMO ABSTEMIUS VOLNTARIIS. O abstemaior real é pessoa que se autorreconhece como ser abstêmio. O abstêmio se identifica como sendo uma pessoaque ficará em abstinência pelo resto da vida e que decide viver desse modo. O ponto “Z4 é o exato momento em que o período de drogadição se iguala ao período de abstinência. O período de drogadição corresponde à totalidade do período compreendido entre a primeira vez que a pessoa usou drogas/álcool e o fim da adicção, como, por exemplo, alguém que usou drogas/álcool dos 15 anos (primeira vez) até os 35 anos de idade (última vez que usou drogas/álcool). Esse período de drogadição é de 20 anos, de modo que o ponto “Z” ocorrerá quando a pessoa tiver 20 anos de abstinência.

Por isso esse ponto depende de cada abstêmio e do tamanho do lapso temporal de drogadição subjetiva.

Deixamos de lado, na análise do caminho da abstinência no modelo oblíquo, alguns pontos, tais como:


·           Ponto “A”: Data de início da adicção. É uma data estimada em que a pessoa percebe que mudou de usuário abusivo para adicto.

·           Ponto “E”: Data da autoapresentação ou heteroapresentação do diagnóstico adicto. Dia da intervenção. Exposição ou autoexposição da adicção.

·           Ponto “R”: Data de início do período abstêmio menor. Momento imediatamente posterior à desintoxicação física.

·           Ponto CEGO: representa tudo aquilo causado pelo processo de adicção e que o simples transcurso do tempo abstêmio não conseguiu resolver.

·           Ponto DETOX: é uma forma de recalcular o lastro abstêmio com base no nível dos efeitos da recaída. Isso fornece base técnica para tratar o abstêmio de modo diferenciado em relação à pessoa que está em adicção. É preciso distinguir entre a pessoa (abstêmio) que possui 20 anos de abstinência e recaiu da pessoa (adicto) que possui 20 anos de adicção.

 

Essas são as formas de pathway of abstinence ou caminho da abstinência. Foi elaborada uma sequência de estudos sobre cada uma das 05 (cinco) formas de analisar os caminhos abstêmios, quais sejam: modelo objetivo, modelo subjetivo, modelo axiológico, modelo desviante e modelo oblíquo.



1 ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824565-3-8

ZIEMMERMANN, Péricles. TEORIAS       ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0

ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-924432-3-8

2 Denominamos isso como insights de  grau.

3 É uma subclassificação do abstêmio maior.

4 Ponto “Z” ou ponto ZIEMMERMANN.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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