Instagram: marcelo.braga73

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

CHÁCARA

 

21.02.2005.

 

 

As goiabas insistem em cair já podres

Assim pelo menos não ouso comer seus bichos!

 

Mais uma leva temporã de acerolas se ensaia

Assim pelo menos já posso descongelar as polpas!

 

Um único cacho de bananas que nunca madura

Assim pelo menos não arrisco uma prisão de ventre!

 

Os pés de limão, laranja e tangerina são só espinhos

Assim pelo menos não me torno ainda mais ácido!

 

O urucum ainda estéril e mirrado

Assim pelo menos não fico ainda mais vermelho do que já sou!

 



Marcelo Braga

TRAGO NO MESMO PEITO A MESMA FUMAÇA

21.02.2005.

 

 

São novamente os mesmos caminhos

O mesmo asfalto

Os mesmos espinhos

Os mesmos sóis lá no alto

 

São novamente os mesmos diferentes rostos

Nomes diferentes, histórias iguais

Novamente o amargo, as injeções letais

O seco trago da mesma aguardente



Marcelo Braga

LIBERDADE

 

06.06.1993.

 

 

Ante a luz da alvorada

Perfeita iluminação natural

Se não te bastar ser assim amada

Exija-me algo mais real

 

Prodigalizar tuas necessidades

Saber-te risonha e feliz

 

Dê-me a alegria com que sorristes

Conceda-me teu nordestino requebrado

“Subdesenterre” desse dorido passado

Que em pretérito te feristes

 

Vivamos a algazarra do presente

Onde nosso corpo se confundiu

 

Continues tu assim morena

Estejas tu assim serena

Vivas agora o urgente

Que não vivera outrora

 

Extrapole tuas barreiras

Que teu sigma impedistes

Caminhe livre nestas eiras

Que teu pensamento medistes

 

Meu impeça o Astro-Rei

De acordar soledade

Tu bem sabes como fiquei

Perdido na saudade



Marcelo Braga

RESOLVI DEDICAR

20.03.2002.

 
 
   Resolvi dedicar esses últimos dias mornos às preces e palavras de deixas. Não, ainda VIVEREI muitas histórias ricas! Nada está perdido, as portas se fecham na mesma velocidade em que se abrem.
   Nada entendi do que ocorreu até agora, devem ter sido loucuras; tenho uma vida inteira para entender meu passado e achar graça depois. Meu coração não é andróide e pensa nas coisas dos humanos; lamuria perdas e danos. Ouso nesse castigo lento, saciar meu látego sofrer e retornar ileso; retornar como canceriano, como ser humano que precisa continuar.
   Crescer; preciso crescer e essa talvez seja a melhor ocasião.


Marcelo Braga

O TEMPO VAI PASSANDO

21.04.2002.

 
 
   Trágico pensar no que tem se transformado meus sonhos distantes, dispersos e desfeitos.
   Tristeza sem fim, loucura, fraqueza, imobilismo, distensão essa falta total de perspectivas.
   Fantasma chamado SOLIDÃO em meio a quase seis milhões de pessoas; bastante amargura.
   Ouço minha música, fumo meu Derby e as horas passam vagarosamente, só de sacanagem, vão amargando e tornando meus dias piores que outros.
   Minutos ininterruptos de nostalgia onde cada momento me parto em mais pedaços e não sei se saberei juntá-los de volta.


Marcelo Braga

SÁBADO I

27.04.2002.

 


 

Na primeira vez não senti a brisa

Nem ouvi sua voz

Apenas tive de curtir a distância

Imaginar você dormindo

Seu sono lindo

Seu lado anjo

Meus caminhos...

 

Sonhei seu corpo

Vi o absurdo do amor

 

Nos carinhos que me faltaram

Senti suas frágeis mãos

Distantes...



Marcelo Braga

ENCANTADO EM CONHECÊ-LA

08.07.2005.

 

 

Os mais belos sonhos acordam nos mais rústicos ruídos de meu próprio estar

Alimentei-me de placenta

Biodegradável

Intragável me foi ser infante

Ainda bem que cresci e voltei para mim

Noites de breu em que tentei me esconder

Por isso volto para casa

Volto nessa magra carcaça que insiste em viver HOJE.



Marcelo Braga


VITRAL DE TELAS MOSQUITEIRAS

 Quem disse que homem não dá a luz?!

Sou pai de minhas anarquias

Sou criador de meus quadros a óleo

Arquétipo de colunas góticas colossais

Prisma de idiossancrias sacras

Vitral de telas mosquiteiras

Sou quase um quinto dos seres

Sou assim criador de meus seres



Marcelo Braga

O BELO SE DESFAZ, CAI O MITO E CONTINUO A EXPLORAR NOVOS “MISTÉRIOS”

02.10.2003.

 

 

Não é afinal um mistério o desconhecido?

Pois bem, lá adiante vi que não

O belo se desfaz, cai o mito e

Continuo a explorar novas coisas

 

Lentes bifocais

Grande-angulares lentes

Mente inquieta

Leste e oeste

Incansável perscrutador

Inquiridor

Incontinente

Mas me extasio sendo assim

 

Comidas exóticas

Nomes estranhos

Escargot nada mais que lesma

Caviar nada mais que ovas de esturjão!

Petit pois nada mais que ervilha!



Marcelo Braga


sábado, 22 de fevereiro de 2025

CUME

  


19.04.1998.
 
 
Aqui do alto se vê quase tudo
Há, porém coisas jamais vistas
Não permitidas aos olhos humanos
Uma panorâmica cega e turva
 
Há tempos que o homem se impressiona
Há filetes esferográficos desse cume
Restos e avessos do imaginário
Vã retaguarda de um portal iluminado
 
Incomoda; extasia o sépia solar
Vergam tímidos ictéricos sombreados
Tácitos passos desuniformes
Nunca reparados aqui desse cume
 
O gelo, o frio e o lume não percebem
Máscaras interplanetárias
Um mundo irrelevante


Marcelo Braga

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

NO PRINCÍPIO, TUDO ERA NOBRE, ATÉ A MAÇÃ!

  


15.12.1994.
 
 
   Já não me prendo à força motriz que insiste em mudar meus passos a rumos diversos.
   NO PRINCÍPIO, TUDO ERA NOBRE, ATÉ A MAÇÃ!
   Passeios intermináveis nas galáxias de sonhos juvenis, desfeitos em ruínas milenares de um dia só; construções incas, incapazes, que projetávamos e carregávamos intransigentemente no depósito de acúmulos e absurdos.
   Já não me cansa dispor dos sonhos...
   O tempo, a maresia, a ferrugem...
   Até mesmo a ilusão das letras vagando no par de olhos da concepção e entendimento das árvores que balançam seus galhos flexivelmente no vento que sumiu num reflexo espectral de um espelho estilhaçado em cacos feridos no restante de fagulhas que ainda aqueciam sonhos que se acumulavam no ímpeto de ser aquilo que chamam de “normal”; como se arte e tecnologia passassem a caminhar num único passo, militar desfile sem troca de pernas em direção ao abismo.


Marcelo Braga


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

VINTE E QUATRO HORAS

09.10.2006.

 
 
É de praxe e provável meu sempre improvisar
Vinte quatro horas é meu tempo recorde de abatimento
Vivo a tristeza do momento, logo passa
Recomponho, recolho meus ossos
Retomo meu caminho, se acalmam meus batimentos
Tudo que foi já foi, essa é a minha psicanálise
Aquilo que haverá, acontecerá, esse é o meu futurismo
São minhas as palavras de reconforto
Sou eu mesmo meu seguro porto
Tudo que tiver de ser meu, será
Tudo que um dia foi já foi
Nesse improvisar, quando não há uma porta
Existe sempre uma janela em que me espremo, saio, fujo
Quando pareço distraído é que estou em alerta máximo
Tudo que foi já foi
Vinte quatro horas é o prazo máximo de meu recuperar!


Marcelo Braga

sábado, 15 de fevereiro de 2025

DO MEU CAMINHO

  


25.07.2007.
 
 
Volto a falar do meu caminho
Que nunca foram caminhos
Coisas, pessoas, instituições
Meu cívico “portar-se”: solidão
Lentidão em minhas agitadas sacudidelas
Ora absorto em meu “nadaísmo”
Ora apreendido em meus moucos escutares
Tímido diante de meu próprio existir
Resoluto e revolto em minhas resoluções
 
Volto a falar do meu caminho
Que nunca foram caminhos
Temas, estátuas, congregações
Meu típico “ausentar-se”: civilismo
Contradito e irrelevante
Mas lá adiante opinoso e rebelde
Desfeitio e súbita azáfama
Descorregido e perfeitamente ingênuo
Até que se descubra o lençol
 
Sacro e sacrílego
Santo e demoníaco
Aroma e amoníaco
Perfeito e ventrículo
 
Calmamente satisfeito
Assim necessito
Assim deve e é essa agitação
Bravo! Bravíssimo!
Parvo...


Marcelo Braga


ÉTICO E SELVAGEM

 


28.04.2007.

 
 
 
  Retoques, aprimoramentos, reparos e novidades
   Em qualquer lugar é possível
   Preferiria à beira dos frios lagos europeus
   Nas escarpas escandinavas
   Nas praias mediterrâneas
   Nas bucólicas paisagens dos alpes suíços
 
   Pois bem, novidades, brotam em qualquer lugar
   Resultado de nossas buscas
   Que seria da vida sem renovações, revoluções?!
 
   Inquietantemente repouso entre bosques de minhas idealizações
   Minhas coisas não param de crescer e adaptarem-se
   Raptei-me a um quarto poeirento
   Refutei as velhas coisas de dois anos atrás
   Enjoei do DILEMA como vou enjoar nesse oceano agora
   Joguei fora algumas idiotices e alguns suicídios parcelados
 
   Novidades ligeiramente recentes, crescentes
   “Que importa eu?” troquei por: “Que importa mais que EU?”
   Que importa minha insatisfação quando a mesma se estende agora ao universal e contraditoriamente reaqueço minha lareira, não como conformação, mas com a leve noção de que, eu e o universal somos uma embaralhada compressão de predileções, quereres e poderes ético-selvagens.


Marcelo Braga


BICHO COM CANETA VERMELHA NA MÃO

25.07.2007.

 
 
Novamente concentrado na descontração
Neural...
Anestesiado por um deus desconhecido
O sofá que se estende ao descanso de meus pés
Pedaços de mim que interpelam vagas desorientadas
Nimbos, combos e goteiras...
Desconexão! Essa é a palavra
Não viajo em excursões
Liberto de cadeias e de minhas inquietudes
Solicitudes, quitutes e atitudes
Cansado e apaixonado por pessoas simultaneamente
Eletrocutado pelo choque cultural
Isso é bom
Achar-se besta e sabedor de algo como: “Só sei que nada sei!”
 
Novamente concentrado na dissimulação
Aprendi que nada presta e tudo serve
Até o NÃO tem seu valor
 
Insensato
Porém
Nessa incongruência

Demente
 
Antecipadamente
Mais bicho que ser humano


Marcelo Braga


DESEOS

15.09.2007.

 
 
   Sábado, ótimo dia, primavera vem chegando no Hemisfério Sul
   Sul, ótima banda e cerveja gelada
   Foto de filho com 14 anos e
   Toda minha insistência na irredutibilidade
   Acostumado com a minha não irresolução
   Adequado cancerianamente falando, com minha “introspectividade”
 
   Sábado, ótima banda, primavera vem chegando do sul
   Hemisfério sul, ótimo dia e cerveja gelada
   Aquário com peixes sobreviventes e
   Toda minha relutância “anti-acontecimento”
   Travado nas lembranças do esquecimento
   Enquadrado no ilimitado limite de meu infinito desistir
 
   Já sei, tudo é muito breve
   Amanhã será domingo e a cerveja já estará quente
   Aquela foto ficará amarela junto a estante e
   Nesse mesmo instante escorrerá entre esses dedos magros
   Desejos, vontades
   Deseos...


Marcelo Braga


JE SUIS HOMME SPONTANÉ

06.05.2007.

 
 
Não sou homem patente, código de barras
Sou homem nu
Não ando nos caminhos determinados
Sou homem ave
Não sou discípulo, rebanho
Sou homem astro
Não olho aquilo que me mostram
Sou homem águia
Não sou crédulo, caridoso, bondoso
Sou homem cobra
Não me alimento na árvore do bem e do mal
Sou homem livre!


Marcelo Braga



COM NÉCTAR, HEI!

30.09.2007.

 
 
Conectarei meu cérebro na sanidade
Todo seu circuito elétrico na frugalidade
Com néctar hei de paginar mais um nome na lista dos fortes
Farei das placas meus suportes
O ponto final nessas tantas mortes
 
Há de brotar risos e só risos
Chega de tanto assim chorar!
 
Regularei os pontos em sinal de alerta
Trocarei neurônios suicidas pelo rejuvenescimento
Duvido que dessa não vai
O passado existiu ontem
Presente e futuro fundiram-se numa só coisa
 
Há que se brotar risos e só risos
Chega de tanto assim chorar


Marcelo Braga

ASSIM RABISCA O GIZ

29.09.2007.

 
 
Quase nada é céu
Simplesmente notívago, sem rumo
A derrota é clara
Poesia do túmulo, poesia do desrumo
Existe o caminho e eu o conheço (em parte...)
Desfaleço
Muito mais fácil curtir e nada insistir da vida
Querer morrer de tanta vida
Muito mais fácil apenas existir
Athenas teria o elixir
Exaspero do soluçar regurgitante
Amar a si próprio
O ópio (vulgo: cevada)
Mundo empedernido de situações sutis
Proliferação da angústia, do vazio
Loucura e doçura num mesmo copo
Assim rabisca o giz


Marcelo Braga

sábado, 8 de fevereiro de 2025

ENCRAVAR EM TUA GENITÁLIA

25.09.06.

 
 
Testar tua libido
Encravar em tuas genitálias
Abrir teus meios
Ser inteiro nas teorias libertárias...
 
Megafone de teus gemidos
Monitorar tuas mamárias
Burilar teus pontos gês
Adepto das práticas igualitárias...


Marcelo Braga

DO VERBO: CAGAR

15.09.2007.

 
 
Poesia deve ser delírio
Auto flagelo
Diário adolescente
Martírio letrificado
Eutanásia literária
Diverticulite (gosto do nome dessa inflamação)
Ensaio do âmago assombrado
Retórica insana
Desalinho do raciocinar
Baú de ossos
Sopa de amargas ervas
Falta do que fazer
Náufrago cerebral
Desinteressar-se
Desintegrar-se
Vaidade desorientada
 
Tenho uma idéia, uma caneta, um caderno
Aciono a descarga!
Elétrica...


Marcelo Braga

SUSPEITO

 

27.04.2007.
 
 
   Admiro mais o louco e o ébrio, incultos por sua debilidade mental e vício, que os sóbrios embriagados de ignorância, estultos e inaptos a enxergarem algo além de notícias de jornais populares, programas televisivos e revistas de fofocas.


Marcelo Braga
 

SÓ PARA DIZER QUE CONHEÇO

SEM DATA

 
 
   Para que compreenda melhor esse que vos escreve (símbolos e sinais da lapidação lenta, provisória e imprecisa de um espírito livre), cito aleatoriamente minhas infusões, minhas influências e egocentricamente nomes que não influência, sim ENCONTROS. Encontros que me deixaram pasmo, admirado. Nomes que usei como muletas e me tornaram mais livre ainda do que eu já o era em minhas outras escravidões.
   Outros que admirei por sua arte e me tornaram ainda mais apaixonado pela “loucura”.
   Nomes que existiram e existem, participam de minha auto formação intelectual atual.
   Seres que convivo diariamente e todos nem imaginam serem imagens imortais de meu labirinto; personagens que por graça ou acaso vieram-me de encontro, por busca, simpatia, aprazimento e os carrego por cidades, ruas e casas.
   Entre os incluídos, nomes que por conveniência, minha liberdade um dia possa repetí-los ou excluí-los, já que pretendo continuar na ganância de sabedoria e prazer pleno.
   Nomes de minha infância, adolescência e vida adulta que apenas se inicia.
   Vou citá-los embaralhadamente para que subentenda-se meu relaxado modo em adquirir BENS, também para que não se perceba os primórdios e os atuais e não se pese facilmente meu ardor e minha paixão por suas genialidades em seus diferentes graus qualitativos.
   Que minha “embriagada” memória não me deixe na mão.
   Eis tais personagens que marcaram minha vida, minha forma de pensar, meu conjunto; construção de meu prédio, o alicerce de minhas nuvens viajantes, meu prazer pelas inquietudes, de onde nascem minhas perplexas atonitantes divagações acerca do nada e do todo:
   Frida Kalo, Júlio Verne, Cícero, Chico Buarque, João Marcos, o Batista e o Braga, Liszt, Maquiavel, Victor Hugo, Sêneca, Caetano Veloso, Kant, Wagner, Salvador Dalí, Shakspeare, Machado de Assis, Sócrates, Carl Gustav Jung, Rimsky-Korsakov, Sófocles, Raul Seixas, Pablo Neruda, Tolstói, Robert Schumann, Voltaire, Émile Zola, Gauguin, Clarice Lispector, Ziraldo, Cazuza, Friedrich Nietzsche, Bach, Renato Russo, Morris West, Beatles, Virgílio, Jorge Amado, Napoleão Bonaparte, Lampião, Paulo Supimpa, Strauss, Erasmo de Rotterdam, Marisa Monte, Karl Marx, Platão, Aristóteles, Angela Rô Rô, Mário Quintana, Jô Soares, Alexandre Dumas, Gabriel Garcia Marquez, Arnaldo Lisboa, Omar Amaro, Vivaldi, Sören Kierkegaard, Maria Bethânia, Descartes, Che Guevara, Villa-Lobos, Juca Chaves, Dostoiévski, Malba Tahan, Tchaikovsky, Gregório de Matos, Mário de Andrade, Thomas More, Los Hermanos, Leonardo da Vinci, Björk, Paco de Lucia, Cervantes, Beethoven, Freud, Lenine, Paul Mauriat, Radiohead, Nina Simone, Mozart, Schopenhauer, Van Gogh, José de Alencar, B.B. King, Chopin, Carlos Drummond, Franz Kafka, Ferreira Gullar, Diderot, Milan Kundera, Jean-Jacques Rousseau, Legião Urbana, Michelangelo, Ariano Suassuna, Louis Armstrong, Sartre, Jean Piaget, Carlos Gomes, Verdi, Dvórak, U2, Debussy, Darwin, Monteiro Lobato, Orígenes Lessa, Montesquieu, Fausto Wolf, Billie Holiday, Aldir Blanc, Godard, Jean Reno, Peninha, Walt Disney, Roberto Carlos, Fernanda Montenegro, La Rochefoucauld, Ravel e etc. Uns que ainda pretendo encontrar, uns que ainda estão sendo gestados (Ana Julia), outros que me esqueci momentaneamente, sociólogos, psicanalistas, artistas, agnósticos, existencialistas, ateus, pessoas do bem, pintores, cantores, músicos, cientistas, filósofos, escritores, poetas e outros mentirosos!
 

Marcelo Braga

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

LÁ SE DÃO

15.03.2007.

 
 
Lassidão...
Estou vivendo o pleno cansaço
Cansado de mentiras desde minha época pura
Cansado da repetição das coisas
(o erro está em mim, isso é o pior)
Pleno no conhecimento de que tudo vai e retorna
Estou vivendo cansado, o pleno cansaço
Lassidão...
 
Em meus mais idiotas manquejantes neurônios
Na sala dos subjetivos inventores das teorias
Lá se dá minhas não poucas sublimares fugas
Dessa coisa que me cansa, que me enruga
Desse enfado que me alcança
LÁ SE DÃO minhas “fridacalonistas” telas multicores
Arpejos de minha inaptidão, minha ânsia
A incoerência dos meus mais pesados supores
 
Lassidão...
Cansaço diante da eterna repetição do próprio repetir sobre a mesma
Esse terreno de hipócritas, capitalistas, neoliberais, democratas
Delivery, full-time, for sale, open, closet
Sinto angústia nessa correria doente
Recuso os cálices e hóstias
Prefiro minhas esquisitices momentâneas
Minhas idéias absurdas e subterrâneas
Minhas poesias que são como erupções cutâneas e
LÁ SE DÃO!
 


Marcelo Braga

LASSIDÃO

 


15.03.2007.

 
 
Cansei dos coelhinhos, dos coleguinhas, dos bonzinhos
Cansei dos “justos”, dos certinhos, dos exemplos de dignidade
Cansei dos fracos, dos permissivos, dos religiosos
Prefiro Gengis, Napoleão e Adolf
Prefiro Maquiavel, Voltaire e Nietzsche
Prefiro os “demasiadamente humanos”
Os loucos, os suicidas
Os arrogantes, os gênios
 
Cansei dos superficiais, dos puros, dos normais
Cansei dos profetas, dos padres, monges e pastores
Cansei dos patriotas, dos idiotas e “doutores”
Prefiro virar estátua de sal
Prefiro me afogar no dilúvio
Prefiro o calor do hades eternal
Prefiro do enxofre seu eflúvio
 
Cansei dos aduladores, dos “mente vazia”
Cansei dos sistemáticos, dos “sérios”, dos prognosticadores
Cansei dos “cultos”, dos grandes vultos e imperadores
Prefiro a revolução
Prefiro o contra-regra
Prefiro a alienação
Prefiro o quebra-quebra!


Marcelo Braga

domingo, 2 de fevereiro de 2025

GIULIA

22.12.2007

 
 
És algo tão esperado quanto sonhado
Tu que assomas assim com apenas 28 centímetros ainda
Fêmea de minha genética
Meu pedaço de flor agitado no ventre
Enquanto eu cá fora, emocionado e apaixonado por ti
 
Venha falando tudo errado
Venha me matando de rir
Falando sem parar, me puxando pelo braço
 
Cresça, conviva bem com as dúvidas
Duvide de tudo, inclusive do nada
Duvide do riso, duvide do choro
Não seja triste nem pessimista
Insista naquilo que desisti
Pergunte, inquira, observe
Nunca se estrague, nunca se entregue
Seja estrela
Seja divina
Esteja linda
Esteja viva nessa sua passagem
 
Seu pai que te espera.


Marcelo Braga

FATOS TÃO REAIS

  


15.03.2007.
 
 
Estou vivendo momentos perturbadores
A insônia, a angústia, a memória do cárcere
A cama que me expulsa
Exaustores que me sugam
Os vícios, os perigos dos vícios
São mais de 4700 substâncias...
 
Estou vidrado por mim
O rosto colado em minha reprodução
Amarelos olhares ao infinito
Ansioso, cheio de idéias, aflito
 
Às vezes um minuto sozinho me parece “cem anos de solidão”
Às vezes meus pesadelos assumem formas de uma só imensidão
Às vezes meus sonhos viram fatos tão reais que nem mais tento sair do chão


Marcelo Braga

A ESPERANÇA DA RESSURREIÇÃO É A MORTE

 


27.09.2007.


 
 
A esperança da ressurreição é a morte
Meu respeito pela cruz é meu espanto
Minha “religare”, um só calvário


Já fora ameno
Hoje sou agnóstico
Leigo adepto dos gritos de liberdade
Quando das tumbas nas “eclesias” me prostraria ante imagens?!
 
Pessoas que gritam com outras e
Prostram-se ante imagens de pedra, gesso e sabão
 
Não se ressuscita sem morrer
Essa é a lei
 
Vivo no estábulo dos muares
Onde o sóbrio que berra, ensina o louco que sofre
Ofícios religiosos: ponha um copo de água sobre a televisão!
 
A glória, o credo e o opus dei
Piedade...
Nada mais comum na beatitude que o grito
Vale a pena pincelar o inferno
Para depois imaginar o céu
 
A esperança da ressurreição é a morte
Meu monastério está lotado de dementes andando mudos
Pra lá e pra cá
 
Nunca mais a guerra
Nem ataque, nem defesa
Lutar contra quem não sabe lutar?
Com quem não sabe atacar ou defender?
 
Largue seu emprego e morra!
Sorria nesse mundo ébrio de pessoas ruins
 
Super difícil encontrar alguém diferente
Quando se é indiferente às diferenças

Será sempre difícil escrever o que se sente
Quando mal se consegue falar
 
Acres, minhas palavras estão amargas
 
Glorificamos-te!
Seres “santíssimos” desse infernal mundo
“Santíssimos” imersos no “amor”
 
   Quem ama a vida, o apreço, o respeito, o conhecimento, a calma, o alento de uma música e o lamento de quem sofre?!


Marcelo Braga

METADES

 

21.10.2007.
 
 
Não estou bem
Não estou bem porque me sinto e sou realmente só
Porque meus pensamentos estão descoordenados
Não estou bem porque não me sinto bem
Não me sinto bem com as coisas mal começadas
Não me sinto bem com as metades inacabadas
Não estou bem em minha apatia
Estou péssimo por minha antipatia
Distante das pessoas que eu deveria conviver
Daquelas que eu queria conviver
Daquelas que um dia quis e hoje não mais
 
Não me sinto bem com a ausência dos móveis
Com a falta de roupas
Com a ignorância própria e alheia
Colegas de trabalho, transeuntes
Não me sinto bem por não me sentir bem, simplesmente...
 
Não estou bem pela incerteza que nos concede o futuro
Pelas surpresas que não sei se serão boas ou ruins
Mal sei se o bom é bom e o ruim é ruim
Não me sinto bem pelo calor que faz
Não estou bem com minha aparência
A transparência que vejo
A turva visão daqueles que me vêem
 
Não me sinto bem por estar estranhando muita coisa
Não estou bem com meu caráter
Com minha genética, personalidade e
Minha canceriana influência astrológica
 
Meu trabalho
Minha esposa
Meus planos
Meus filhos
Meus livros e
Com tudo aquilo que acho que é meu

Muito menos bem por minha insegura insegurança
Péssimo por estar escrevendo mal
Mal por pouco estar escrevendo
Lendo pouco
Conversando nada
Nada fazendo
 
Angustiado pelo recente passado
Nada bem pela sobriedade
Pior na embriguez
 
Tédio pela falta de assunto
Chateado por exigir coisas que não podem me dar e
Não devem me dar
Péssimo por saber que mereço pouco daquilo que vislumbro
 
Nada bem pela insônia
Nada bem, psico-físico-espiritualmente falando
Por estar enlouquecendo
Por estar esquecendo de estar bem
Mal por qualquer novidade
Pior ainda pelas antiguidades
 
Muito mal por não estar bem quando tenho motivos
Nunca tive tantos e não os percebo; estou mal...
 
Não me sinto bem com meus sonhos
Com meus agitados sonos
Por tanto idealizar o perfeito e
Estar desfeito em meu auto-descrédito
Nada bem por conviver comigo
A pessoa que sou
Menos bem ainda por saber que sou meu próprio torturador
Péssimo por ter crescido sem rumo e amparo
Pessimamente pior por me lembrar disso sempre
 
Não me sinto nem um pouco bem
Espírito intranquilo, alma agitada, corpo dolorido
 
Não me sinto bem por não mais me sentir bem com nada
Com ninguém
Objetos, cachorros, livros, músicas
 
Nada bem pela “incompletitude”
Nada bem pelos livros empoeirados
Ganha-se pouco, gasta-se pouco
Nada sobra; nunca sobra quando se economiza
 
Chateado por ter chateado chatas pessoas
Impressionado por minha inapetência
Nada bem por conhecer minhas limitações e incompetências
 
Não me sinto bem...


Marcelo Braga


BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

  12.02.2011. Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escald...