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segunda-feira, 28 de abril de 2025

Síntese do Livro: VENERÁVEL FERRÃO

09.05.2011. 


Do texto VENERÁVEL FERRÃO

“Crescer é dolorido. Acho que essa frase é minha. Acho que cresci, se não, foi o mundo que diminuiu, ou ainda, nada, nada aconteceu, apenas a ilusão é real”.
 
Da nota do autor de VENERÁVEL FERRÃO
“Música, livros e caminhos. Questionamentos de natureza psico-filosófica em busca de perguntas irrespondíveis. Que os textos a seguir expliquem melhor (ou confundam ainda mais)."
 
Da poesia PERGUNTAS
“Quando tudo será maquiável? Quando toda superfície aceitará qualquer tonalidade? Quando aprenderei a viver?”
 
Da poesia ÚNICA
“O inacabável chama-se arte”.
 
Da poesia SIGNIFICÁCIA
“Todo o homem é insignificante na cabeça dos insignificantes”.
 
Da poesia INOCÊNCIA
“O colostro ruiu os pilares da inocência. O eclipse colidiu nos criptos barracos. A ridícula religião floriu a cabeça dos fracos”.
 
Da poesia BARRICADA
“Só os amantes sabem que não existe fim... Vida são esses minutos que passei escrevendo. Palavras apenas comentam e aumentam a altura dessas barricadas”.
 
Da poesia QUEBRA-CABEÇA
“Fatiaram-me em códigos, bulas, cardápios e receitas. Tolhiram-me as poucas supostas arbitrariedades e me indicaram caminhos eternos que ninguém nunca foi e tudo isso me pareceu belo e atraente”.
 
Da poesia MAIS UM MUITO DE VIDA
“Preciso de mais dias nesse baldio terreno...”
 
Do texto BANDEJA PRONTA
“Somos únicos, quando libertos do cabresto, avessos à bandeja pronta. Somos livres quando pensamos”.

Da poesia REPLAY
“As mesmas lágrimas ainda rolam, os mesmos choros nos acompanham, no mesmo berço ainda se dorme”.
 
Da poesia MORMENTE
“Século, milênio, era: são horas, minutos que passam... Tudo funciona e se desativa para dar lugar ao novo, quando do tempo, do tempo, que passa, que passa, que passa... o eterno retorno!”
 
Da poesia JÁ PEDI MAIS DIAS
“Crie teus próprios códigos e barras... Recalcitre toda a idiotia. Tente o mais cedo possível traduzir essas letras. Quero lhe ver logo, ansiedade minha. Não importa, caso o destino nos separe prematuramente. Já pedi mais dias!”
 
Da poesia CORTINAS FECHADAS
“Vou fechar as cortinas, viver nesse recinto fechado às aventuras de teu corpo nu”.
 
Da poesia LETRAS COMBINADAS
“Quero o papel, a mão esquerda, essa caneta, no devaneio dos passos que ainda vou trilhar... Eis a imortalidade: vou em carne, fico em letras combinadas!”
 
Da poesia TRABALHO
“Para enriquecer os ricos, para amamentar as bocas, para ludibriar as loucas, para manter os ritos”.
 
Da poesia CONSUMÍVEL
“É congênito o saber? Somos privilégios do destino?”
 
Da poesia TO BE II
“Construir, criar, inovar, inventar, tecer, arquitetar, idealizar, gestar, são verbos: dão sentido à vida, motivam a vida”.
 
Da poesia MELHOR PARA MIM
“Quando saio da caverna à sua procura é porque estou faminto. Quando pergunto sobre você por aí, ninguém mais sabe... A plenitude, o perfeito estraga tudo, não sou aquele que saiu da caverna, a caverna que saiu que de mim”.
 
Da poesia FELIZ PRA CARAMBA
“Estou brincando de felicidade ao seu lado... Sou um moleque agarrado em seu pescoço, um garoto cheirando seu cabelo... Me sinto menino, me sinto esperto, não fique, não vá, não sei”.

Da poesia VOCÊ QUE SURGE DO NADA
“Você que surge do nada, fica ao meu lado nessa estrada... Me entope de beijos, me aquece em seus peitos, me alimenta com seu corpo... Umedece meus olhos depois seca minhas lágrimas... Desenha meus lábios, encanta meu espaço, encosta, descansa em meu braço, acelera meu passo”.
 
Da poesia SONO PLÁCIDO
“Sair todo dia de casa como um benfeitor para a humanidade, distribuir amabilidade, gentileza. Prestimoso, educado, comportado, simples e naturalmente, tornar tais ações hábitos: vícios!”
 
Da poesia MEIO-DIA MEIO QUE MEIA-NOITE
“Hoje o tempo parece que parou; meio letárgico, atrasado; o relógio parece que pirou; nenhum relógio marca a mesma hora. Meio-dia meio que meia-noite. Hoje o dia está um saco”.
 
Da poesia NOSSA POESIA DE CADA DIA
“Triste o casal de uma música só: temos mil trilhas sonoras! Nossa lua não é somente a cheia, nem a primavera nossa única estação... Nossa história não é um capítulo apenas; nosso começo não tem meio nem fim”.
 
Da poesia TESÃO
“Tenho o tesão de seus gemidos assim possuída; sinto tesão quando lido com pessoas honestas, quando imagino Frida pintando telas. Tesão, muito tesão! Meu gozo é uma explosão!”
 
Da poesia MAHABARATA
“Há que se concordar com os detentores da razão e da absoluta verdade: ironia! Há que se tornar halterofilista ‘bombado’ de açaí: conquistar mulheres vazias!”
 
Da poesia COSMOS
“Era só ficar um pouco longe: batia vontade de se aproximar. Havia antes pensado que o céu não existia... Era só cair o silêncio: batia a vontade de ouvir, de falar. Hoje sei perguntar, responder o que existiria se não existisse você!”
 
Da poesia GRANDEZA DE ESPÍRITO
“Sei que não vou criar instituição, nem mesmo alterar um item que seja da constituição. Serei apenas do trem, o trilho. No imenso plantel: o milho. Dos seres que fui pai: o filho”.

Da poesia MORTE MORRIDA
“Depois que eu morri a primeira vez, nunca mais quis parar de morrer... Toda vez que morro me sinto mais pleno, mais forte. Enquanto vivo eu for, não quererei mais parar de morrer... Quero morrer para os miseráveis, para os ignorantes, quero sempre estar morrendo, morrendo de rir!”
 
Da folha de rosto ALCÂNTARA – SÃO GONÇALO – RJ
”O embrutecimento é um caminho muito mais natural e fácil que a evolução. Passar a ser aquilo que nunca se foi é bem mais complexo que retornar a aquilo que sempre se foi; porém o desconhecido excita, enquanto o já trilhado monotoniza”.
 
Da poesia DO MEU CAMINHO
“Sacro e sacrílego; santo e demoníaco; aroma e amoníaco; perfeito e ventrículo”.
 
Da poesia ÉTICO E SELVAGEM
“Novidades ligeiramente recentes, crescentes. ‘Que importa eu? ’ troquei pelo ‘Que importa mais que EU?’”
 
Da poesia BICHO COM CANETA VERMELHA NA MÃO
“Cansado e apaixonado por pessoas simultaneamente, eletrocutado pelo choque cultural. Isso é bom, achar-se besta e sabedor de algo como: ‘só sei que nada sei! ’”
 
Da poesia DO VERBO: CAGAR
“Tenho uma idéia, uma caneta, um caderno: aciono a descarga! Elétrica...”
 
Da poesia JE SUIS HOMME SPONTANÉ
“Não sou homem patente, código de barras, sou homem nu. Não ando nos caminhos determinados, sou homem ave... Não me alimento na árvore do bem e do mal, sou homem livre!”
 
Da poesia COM NÉCTAR, HEI!
“Conectarei meu cérebro na sanidade, todo circuito elétrico na frugalidade. Com néctar hei de paginar mais um nome na lista dos fortes, farei placas de meus suportes, o ponto final nessas tantas mortes. Há de brotar risos e só risos, chega de tanto assim chorar!”
 
Da poesia VERBORRÁTICO
“Vivo confuso entre quereres e precisares; entre do lar os seus deveres e a fuga para outros lugares. A verdade do Universo é a prestação que vai vencer!* Nem tudo que preciso, quero; nem tudo que quero, preciso”. *trecho de música de Raul Seixas.

Da poesia LASSIDÃO
“Cansei dos aduladores, dos ‘mente vazia’, cansei dos sistemáticos, dos ‘sérios’, dos prognosticadores, cansei dos ‘cultos’, dos grandes vultos e imperadores. Prefiro a revolução, prefiro o contra-regra, prefiro a alienação, prefiro o quebra-quebra!”
 
Da poesia GIULIA
“É algo tão esperado quanto sonhado, tu que assomas assim com 28 centímetros ainda, fêmea de minha genética, meu pedaço de flor agitado no ventre, enquanto eu cá fora, emocionado e apaixonado por você”.
 
Do texto DESTINATÁRIO ou 2ª NOTA DO AUTOR
“Esse livro é dedicado aos livres; quem é suma e excepcionalmente livre nessa sociedade fajuta e hipócrita?”
 
Da poesia SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA
“Estou sempre só em minhas distanciações, as pessoas com que convivo são passantes... Sempre só quando acho que preciso de alguém; embrulhos facilmente reconhecíveis: uma bola de futebol, oh!”
 
Da poesia FATOS TÃO REAIS
“Os vícios, os perigos dos vícios, são mais de 4700 substâncias... Às vezes um minuto sozinho me parecem ‘cem anos de solidão’... Às vezes meus sonhos viram fatos tão reais que nem mais tento sair do chão”.
 
Da poesia OPUS DEI
“Não se ressuscita sem morrer, essa é a lei”.
 
Da poesia MELHOR QUE ISSO
“O mundo está uma merda! O mundo está muito melhor! Vou explicar melhor futuramente...”
 
Do texto TRECHOS PERDIDOS NUM SÓ DIA
“Nada descontagia tanto, esmorece e decepciona mais do que a expectativa. O ‘acima das expectativas’ cabe aos expectadores desatentos.”
“Procure ver e verás que existe o sensato na insensatez, a inteligência na ignorância, o absoluto no relativo, o tudo no nada; ou então vista-se com seus arreios, dê uma polida em seus cascos, saia da estrebaria e vá ver se estou lá na esquina!”
“O desconforto é proveniente do costume. Haveria desconforto maior que o ventre? Já nascemos desconfortados em busca do conforto e seremos assim até o final. Fica assim o consolo aos inconsoláveis e miseráveis...”

Da poesia ESSE SOL
“Quero de volta minha risada, meu senso de humor... chega de ser poeta de cueca branca, de volta o brilho de minhas retinas... Esse Sol tem me tirado a calma!”
 
Da poesia UMA POR OUTRA
“Deixar crescer as penas para voar, dormir para se poder sonhar, ir lá no fundo para se levantar”.
 
Da poesia IMAGENS ENTRONIZADAS NA SANTIFICAÇÃO
“Se buzinar, dou ré. Se gritar, sou mouco. Ser estiver sempre certo, sou louco. Se for santo, sou demônio. Agora, se a conversa sair do íntimo, sou Braga. Agora, se do íntimo sair o inédito, sou filme lançamento. Se me defender, sou força maior. Se me elogiar, sou além. Se me apresentar, sou ouro. Agora se me desprezar, sou bosta”
 
Da poesia ÓRBITA
“Eu sinto o cheiro das coisas, eu vejo o jeito das coisas, viajo na coisa das coisas, minhas coisas são formas, imagens, desenhos, viagens. Deveria viver fora dessa órbita...”
 
Da poesia A REPÚBLICA, A UTOPIA E O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
“Como que abraçando tudo que desabracei, como que construindo tudo que desmoronei, como que recuperando tudo que perdi, como que reunindo tudo que espalhei... Marcelo morreu e nem me convidaram ao seu enterro; vivo mil coisas que não quero, tampouco iria querer. Caminho destroços, cacos de vidro; quão longe se mira minha utopia, pouco suporto pensar...”


Marcelo Braga

BRINCADEIRAS INFANTIS

 10.05.2011.


  
   Como qualquer filho único, minhas brincadeiras sempre se voltaram a engenhosidades particulares e só, tendo momentos de sociabilidade, porém raros.
   As mais antigas de que me lembro, são aos 4 e 5 anos, com terra, nos fundos da casa na Praça Seca, onde pretendia criar uma cidade moldando o barro. Na mesma época os insistentes pedidos a tio Paulo, que montasse seu autorama e também a um vizinho que me fazia aviões de isopor. Brincadeiras com pedras atiradas numa obra em frente tal casa. Lembranças também da Hasta, a cachorra que “sorria” para mim quando voltava da escola e do Porquinho da Índia que residia no alto de uma mangueira nos fundos. Velocípede de ferro. Brincadeiras que imitavam um professor dando aulas e escrevendo no quadro negro (que no caso eram madeirites que ficavam na garagem). Também com o tio Paulo, um garoto de 17 anos na época, que me divertiram muito e algumas com meu pai, onde eu pulava na cama e caía em cima dele, até que consegui na cabeceira da cama quebrar um dente incisivo central.
   Vieram os 6 e 7 anos. Nessa época, carrinhos de plástico que eu recortava abrindo portas e capôs. Também a mania de armar cabanas com lençóis e cobertores, que viravam “tendas” e “esconderijos secretos”.
   Entre 8 a 10 anos, lembro-me logicamente de muito mais coisas da infância. Vieram as primeiras brincadeiras que incluíam estatística, contagem de pontos e colocações, algo que me seria brincadeira até na fase adulta. As primeiras eram simulações de corridas de carros, influenciado pela Formula 1 na época de Carlos Reutmmann, Ricardo Patrese, Nick Lauda, Nelson Piquet e outros. Também nessa época os trabalhos com papel: naves espaciais feitas com cartolina e livrinhos: escritos, ilustrados e encadernados. Não esquecendo também das raras vezes em que, passando finais de semana com meus primos Carlos Eduardo e André Ricardo, jogava o recente Atari. Muitas fugas de reconhecimento pelo bairro que morava (Pechincha em Jacarepaguá) aonde ía cada dia mais longe e preocupava assim os outros em casa.
   Aos 11 anos veio o aprendizado da bicicleta no calçadão de Copacabana numa Berlineta de minha irmã de consideração, Mara. Brincadeiras com algas da praia e areias que ensacadas viravam remédios vendidos em minha “farmácia”. Vieram também as primeiras brincadeiras sexuais, descobrimentos com Mara.
   Em Niterói, entre 12 e 14 anos a mais constante talvez: Linhas de ônibus! Empresas de ônibus, cuja garagem dos mesmos era debaixo de minha cama; passageiros eram moedas antigas e o apartamento era todo dividido em bairros. Toda a capital carioca num apartamento de três quartos. Nessa época carrinhos de rolimã ladeira abaixo na Travessa Santa Rosa do Viterbo em Santa Rosa; primeiras peladas onde percebi-me inapto para o futebol; o futebol de botão que me acompanhou até os 28 anos de idade; o ioio nas promoções da Coca-Cola; o jacaré na praia de Piratininga onde matava aulas do colégio Guilherme Briggs.  
Veio também a locução radiofônica: Rádio Tupi e o Jornal Tupi. Mara era minha funcionária.
   Aos 15 ainda brinquei muito de linhas de ônibus com moedas antigas que eram os passageiros em Caxias, piques, futebol, futebol de botão, “olimpíadas”, “copas do mundo”...
   Aos 16 veio-me a interrupção onde iniciei minhas viagens pelo Brasil.
   Dos 19 aos 28 anos somente o futebol de botão onde simulava campeonatos estaduais, nacionais e internacionais com uso de tabelas da revista Placar e tabelas que eu mesmo idealizava. Só de campeonatos brasileiros cheguei a uns 30 realizados nessa época. Comecei a jogar damas e xadrez chinês. Com baralhos nunca me enturmei.
   Ainda e para finalizar essa parte: Brincadeiras Infantis, dos 28 aos 35 (pelo menos) o retorno do vídeo game! Meu dessa vez!


Marcelo Braga

VESTUÁRIO

 

11.05.2011.

 
   Minha marca pessoal sempre foram os sapatos. Sem cadarço, preto, de couro e o mais confortável possível. A ausência de cadarços por dois motivos: o cadarço conota a aparência de Zé Preá e sua ausência facilita o calçar e descalçar. Sempre tive pressa em fazer tudo. Tênis, nunca gostei por dois motivos: o chulé causado e a cara exigência de usar marcas da moda. Meias sociais e meias meio-esportivas. Cuecas de algodão. Calças sociais durante o período em que fui missionário, de lá pra cá, calças jeans comuns, sem muita invenção. Nunca usaria as rasgadas e aquelas em que se descolorem algumas partes, embora existam tais modas. Azuis escuras ou pretas de preferência. Nunca uma amarela, vermelha, verde ou algo que chame a atenção. Bermudas com bolsos, tecido que não seja sintético e tamanho proporcional, nada de bermudões que se encontram com o tornozelo ou algo que remeta ao costume dos funkeiros. Nada contra o funk – tudo contra o mercado! Outro: de uma cor apenas, sem desenhos ou estampas. De igual forma as camisas: sem nada escrito. Aquelas camisas contendo textos, nunca! Gosto, devido a minha timidez, de passar despercebido. Preferência para as pólos. Camisas sociais também. Recentemente comprei uma do Flamengo, pela primeira vez; meu filho Alexandre a levou consigo para São Paulo. Chinelos de borracha e tira de pano, nunca um rider onde eu tenha de ficar forçando os dedos para que ele não saia enquanto ando. Bonés comuns, sem muita moda e sem propagandas de lojas de materiais de construção. Atrever-me-ei um dia em usar boina do tipo daqueles italianos, acho muito bonitas. Uso boné atualmente; o Sol tem queimado minha carequice. Luvas quando muito frio.
   Desde pequeno, detesto experimentar roupas. Sou péssimo para comprá-las. Sem minhas mulheres, teria eu andado mais maltrapilho ainda do que hoje a situação financeira me permite andar. Nunca me apeteceu ir numa loja comprar determinada roupa. Apenas sapatos.
   Roupas quentes, que me livrem do menor frio. Existem roupas ótimas e caríssimas que um dia usarei no frio, de preferência, no frio europeu. Acho muito elegante as roupas de inverno, como as jaquetas de peles de carneiro. Sou bastante resistente ao calor.
   Em casa, gosto de andar somente de cueca, no calor é claro.
   Pulseiras, anéis e cordões nunca me foram hábitos. Apenas relógios. E é só.


Marcelo Braga

VIDA EMOCIONAL

 

 11.05.2011.

   Entenda-se por “momentos inesquecíveis”, algumas lembranças que não se apagam.
 
1. Meu primeiro dia no Jardim Encantado na Praça Seca onde, depois de muito choro, foi-me dado cavalinhos de plástico para me acalmar.
 2. As visitas de meu avô Sildo, recentemente separado, na Rua Dr. Jacundino Barreto, onde eu escondia minha chupeta debaixo do ventilador para que ele não me chamasse a atenção e suas brincadeiras de cavalinho comigo em tais ocasiões.
 3. Meu amigo jornaleiro, Marcelo, na Rua José Silva.
 4. O Colégio Pólen e o Colégio Nossa Rainha dos Corações me trazem muitas imagens de minha infância. As brincadeiras, o contato com a terra, os primeiros colegas e minhas fugas. O medo que tive das professoras vestidas de freiras, a porta de vidro que arrombei e a fuga! Minha mãe, com a mão engessada na época à minha caça nas ruas. Depois me acostumei com tais professoras.
 5. O apartamento de Sumiko, os muitos tapetes, livros, enfeites, uma carranca, muitos discos e o disco que pus para tocar: The Beatles. Oito anos de idade, Praça Seca.
6. O dia em que fui com minha avó Leda numa mercearia e ela havia esquecido o nome papel higiênico e pediu: papel limpa-bunda! Que vergonha senti.
7. Quando Peninha e meu pai foram me buscar no hospital na ocasião em que eu operei a garganta, aos cinco anos de idade e fomos pela Barra da Tijuca no auge do sucesso Sonhos. Lá eu quis sorvete, Peninha falou que eu não poderia tomar gelado e eu pedi que procurássemos sorvete quente.
8. Na casa de Peninha em Jacarepaguá, onde sua filha se afogava na piscina e eu o acordei às pressas espetando um palito de dente em seu pé, dando tempo assim para que ele a tirasse da piscina.
9. Esperando a possível visita de meu pai, confundindo-o com um homem que ia na calçada em frente ao Colégio Nossa Senhora Rainha dos Corações; corri, gritei papai e pulei em suas costas.
10. Minhas idas à casa de meu avô na Rua Retiro dos Artistas e depois em seu sítio próximo a um centro de macumba onde freqüentava ou era dono o trapalhão Zacarias na Rua Araticum no Largo do Anil. O rio que passava no sítio, as cabras, as galinhas, os canários e as máquinas fotográficas.
11. Minha ida à maternidade na ocasião do nascimento de meu primo Carlos Eduardo.
12. Minha ida junto a meu pai no Pão de Açúcar e no Corcovado.
13. Os passeios de reconhecimento pelo bairro do Pechincha, a pedreira no fim da Rua José Silva, um sítio de eucaliptos e um hospital abandonado.
14. Meus passeios sozinho, matando aulas do colégio em Copacabana. Ônibus, metrô, trens e barcas; conhecendo assim aos onze anos de idade a metrópole do Rio de Janeiro. Na época, a camisa de colégio público era ingresso gratuito em tais transportes. Num desses passeios, tendo ido parar na Restinga de Marambaia, área militar, um sargento percebendo minha aventura, designou um soldado que me entregasse em casa na Atlântica. Chegando lá eu lhe disse: aqui está bom! Ele disse: A ordem que tenho é de lhe entregar a seu pai! Pronto, fui descoberto em minha odisséia e veio a surra!
15. Minha madrasta completamente bêbada numa sexta-feira tentando me agredir nas barcas Rio – Niterói com mil e poucos expectadores. Depois no ônibus para Santa Rosa, a mesma deitando sobre o capô e ainda na ladeira Travessa Santa Rosa do Viterbo dando uma banda em meu pai e quebrando assim os seus óculos.
16. Um tapa na cara dado por minha mãe em meio à multidão de transeuntes em Madureira, devido a minha insistência por comprar uma bananada.
17. As três ocasiões em delegacias, uma em que meu pai socorreu uma mulher no réveillon de 1984 em Copacabana, outra em que meu pai havia agredido minha mãe e a última em Niterói quando eu era o agredido por ele e já relatado anteriormente.
18. Meus primeiros jacarés com uma prancha de isopor, matando aulas novamente, na praia de Piratininga.
19. Algumas noites na discoteca Pioneiros, bairro Vital Brasil, ouvindo e dançando rocks nacionais e a turma de pichadores que éramos.
20. Minha primeira viagem de avião: São Paulo – Rio, com meu pai.
21. O dia em que me pai me proibiu de escutar Camisa de Vênus.
22. Alguns papos com a psicóloga do Colégio Guilherme Briggs em Santa Rosa.
23. Minha primeira bicicleta, uma Caloi Cross, preta, trocada por um rádio toca-fitas que eu tinha. Pela madrugada, tendo Ilimar dito ao meu pai que eu havia roubado uma bicicleta, tivemos de ir às três da manhã desfazer a troca. Tive tal bicicleta por uma tarde.
24. Meus cadernos, tabelas e botões. Campeonatos e mais campeonatos durante anos, jogando sozinho.
25. Dia 12 de junho de 1988, quando Jeani se muda para Pernambuco.
26. Mesmo dia à noite, numa igreja evangélica em Caxias, onde faço minha profissão de fé.
27. Minha primeira pregação na mesma igreja em culto de evangelização domingo à noite no dia 26 de fevereiro de 1989. O texto foi Mateus capítulo 24, 1-14.
28. Dia 04 de agosto de 1989, falecimento de meu pai na reserva biológica do Tinguá em Nova Iguaçu e seu enterro no cemitério de Mesquita. No mesmo dia do enterro, voltando do cemitério, eu, minha madrasta e Dr. Elói no bairro da Posse almoçando e esse grande amigo de meu pai cantando minha madrasta.
29. Um “público” de quase 3000 pessoas num encontro missionário em Ouro Preto do Oeste em Rondônia. Tremi antes da cabeça aos pés.
30. Minha passagem pela divisa do Brasil com a Bolívia, próximo à cidade de Cáceres; o pantanal, o bambuzal batendo no pára-brisa do ônibus e aquele povo com aparência indígena.
31. Minha ida a um hospital na Bolívia onde eu disse à enfermeira que queria “sacar minha presión”, onde ela disse mais ou menos assim: ¿como tu vá a vivir sin su la presión?
32. Numa reunião de estudo bíblico em Ariquemes, Rondônia, que havia sido antecedida por uma sessão de piadas na casa de um dos presbíteros, do alto do púlpito eu via com gosto a simpatia de tal religioso e sua vermelha cabeça que continha apenas alguns fios laterais de cabelos. Verão e muitos mosquitos e besouros sobrevoavam o templo. Um desses besouros agarra-se aos poucos fios de tal ouvinte, inicia-se diante da cena risos de um lado, risos de outro enquanto o mesmo se bate assustadamente, até que todos explodem numa crise de risos sem fim. Reunião interrompida. Voltamos alguns minutos depois à reunião e a incidência de besouros causa uma nova crise de risos: reunião interrompida novamente e finalizada!
33. Minha ida a São Paulo, 1994, para buscar meu histórico escolar; o bilhete anexo ao envelope: Marcelo apareça na casa de Márcia. Algumas crianças sentadas no quintal, todas negras e um menino moreno bem claro no meio: Marcelo, seu filho, Alexandre. Tinha ele um ano e quatro meses.
34. Acordei e senti a cama molhada: Você urinou na cama Marta? Não! Repondeu-me. Sua bolsa estourou! Saí para trabalhar. Pela tarde passa a minha cunhada e me avisa que Marta havia ido para a maternidade. Saio de Ipiabas para o centro de Barra do Piraí, chego ao hospital e Dr. Antônio Claret me avisa que irá iniciar o trabalho de parto. Vou a uma padaria próxima e me encho de sonhos. Começa uma forte chuva e não me é permitido a assistir ao parto, cesariana. Subo debaixo do aguaceiro em cima de um ar-condicionado para tentar ver algo, a cortina se fecha. Nasce João Marcos Braga da Silva no dia 03 de setembro de 1996. Peço à enfermeira que, no berçário, tire as roupas do bebê embrulhado, queria ver se era perfeito. Depois de muita insistência ela me atende. O obstetra me avisa que terei de pagar a cesária, o SUS não estava cobrindo tal operação. Peço então que ele me dê seus santinhos de candidato a vereador para morrer tal suposta dívida. Olho para o relógio, quinze minutos para o último ônibus de volta à Ipiabas, meto as mãos no bolso: nenhuma moeda, havia gasto tudo em sonhos. Falo ao doutor que eu teria de dormir no hospital, ele enche meu bolso de moedas e me diz: boa viagem!
   Chego de volta à Ipiabas, muita chuva, todos os bares fechados, falta luz, ponho pilhas na vitrola e fico ouvindo Zé Ramalho até amanhecer.
36. Minha viagem de mudança para Rondônia, carnaval de 1997. A cidade eu escolho já dentro do estado: Ouro Preto do Oeste. Deixo Marta e João Marcos na rodoviária, desço algumas ruas, alugo uma casa, compro móveis e alimento, espero passar o carnaval, faço uma rápida viagem ao Rio Branco do Acre, acaba o dinheiro e começo a trabalhar numa empresa de ônibus: União Cascavel.
37. Minha viagem ao desconhecido estado de Santa Catarina, pouco dinheiro, tendo vendido o pouco que eu tinha em Santa Cruz. A cidade de Blumenau, alguns pontos turísticos que visitei aguardando chegar meia-noite, onde sairia o ônibus para Fraiburgo. A ansiedade em conhecer uma cidade de dupla-colonização: Itália e Alemanha, as plantações de maça, as geadas, a pequena nevasca, o lago, o sotaque do povo, as flores e as casas de madeira com pintura de tom sobre tom.
38. Meu encontro com Isabel na rodoviária Novo Rio e o início de nossa jornada juntos.
39. Quase trezentas chapas de off-set, duas madrugadas na Ilha do Governador imprimindo o miolo, mês de Julho de 2006, meus tão sonhados livros impressos, depois de quase seis meses sem salário, cobrindo todas as despesas. Havia eu criado a idéia das capas, a editoração e diagramação dos livros, impresso o miolo, feito o acabamento e a divulgação. Eram como se filhos novamente.
40. Em outubro de 2006, depois de muitas cartas a faculdades de letras, faixa na frente da biblioteca, anúncios em jornais, convites pessoais e panfletos espalhados pela região da Penha, o lançamento de minha Coleção Dilema. As poucas pessoas que foram, os poucos livros que vendi, a seleção musical que havia feito em MP3 e o coquetel que ali servimos.
41. Minhas noites com Isabel, novembro e dezembro de 2006, calçadão da praia da Barra da Tijuca, quiosque em quiosque, mesa em mesa, oferecendo meus livros e assim sobrevivemos no Itanhangá naqueles dois meses. Algumas amizades, povo muito educado e o vislumbre de uma vida tranquila.
42. Imprimindo na Ilha do Governador um panfleto católico que anunciava a festa de São José Operário em outubro de 2007, celular toca, Isabel ligando de Alcântara: Marcelo, estou grávida!
43. Sábado para domingo, madrugada, mês de maio, dia 04, Isabel começa a passar mal. Passeamos de ambulância da SAMU. Primeiro hospital, o obstetra de plantão na maternidade municipal em São Gonçalo nos informa que era apenas o feto se movendo. O motorista da SAMU não leva muita fé, nos encaminhamos então para a Santa Casa na Praça XV, aonde havia sido feito o pré-natal. Chegamos já amanhecendo o dia, não havia médico auxiliar para realizar a cesariana. Atravessamos novamente a Ponte Rio – Niterói: Maternidade Alzira Reis em Charitas. Fomos aceitos ali depois de alguma insistência. Fico por uma meia hora no quarto de pré-parto com Isabel já sentindo as intensas dores da contração; lhe dou banho e sou convidado a dar lugar à minha sogra, tendo sido reparado por algumas enfermeiras o meu nervosismo diante daquela situação nova para mim. Muita preocupação com Isabel devido à sua idade: 42 anos. As horas passam, tento me acalmar passeando no calçadão da praia próximo à estação das barcas de arquitetura de Niemayer. Às 12:50 daquele lindo domingo nasce Ana Julia e corre tudo bem com as duas novas mulheres de minha vida! Às 16 horas começa a final do campeonato carioca entre Flamengo e Botafogo: Flamengo campeão! Nem precisava...


Marcelo Braga

domingo, 27 de abril de 2025

COMIDAS E BEBIDAS PREDILETAS

 PREDILEÇÕES

 1.05.2011.


 
 I. COMIDAS E BEBIDAS
 
 1. Pratos


  • angu quente ou polenta
  • bacalhau à Gomes Sá ou à portuguesa
  • mocotó com pimenta
  • costela com agrião
  • feijoada
  • bife bem fino e torrado com batatas fritas
  • caldo verde
  • sopa de ervilha
2. Petiscos


  • iscas de fígado
  • azeitonas verdes ou pretas
  • churrasco
  • pão de alho
  • castanha de caju
  • amendoim
  • ovos de codorna
3. Sanduíches


  • hambúrguer simples com maionese
  • pão francês (com queijo e presunto, manteiga salgada, ovo, requeijão)
  • misto quente
  • pão sírio com presunto tahine
4. Biscoitos


  • waffer (limão principalmente)
  • Piraquês (queijinho, presuntinho e salgadinho)
  • batatas fritas (Elma Chips)
5. Frutas


  • morango, amora, jabuticaba, melancia e abacaxi
  • banana e maçã (em vitamina)
  • acerola, limão e maracujá e laranja (suco)
  • tomate (em saladas)
6. Verduras


  • alface, agrião, brócolis e couve-flor
7. Leguminosas


  • batata inglesa, baroa; aipim, beterraba e cenoura
 

8 .Laticínios


  • leite, presunto e requeijão
  • queijos (gruyère, camembert, minas frescas, provolone, mussarela e gorgonzola)
9. Frutos do mar


  • lagosta, camarão, bacalhau seco, mexilhão, siri e caranguejo
10. Doces


  • de batata doce, de leite, de banana, de amendoim e de goiaba
  • paçoca
11. Sobremesas


  • mousse (de limão)
  • strudell
  • pudim de leite
12. Salgados


  • risoli de camarão
  • coxinha com catupiry
  • quibe frito
  • empada
  • pastel (carne, palmito, siri)
13. Sucos


  • limão, laranja, acerola, abacaxi e maracujá
14. Bebidas


  • cerveja e vinhos muito prejudiciais (apenas secos, tintos ou brancos)
  • refrigerante (apenas Coca-Cola)
15. Sorvetes


  • flocos, bambu e creme
16. Pizzas


  • portuguesa, champignon e palmito
17. Defumados


  • linguiça pura de porco, salame, presunto e salaminho
 
Que nem chego perto: jiló, chouriço, mortadela, rúcula, torresmo, mamão, melão, abiu, caqui, café (nunca bebi), chá mate, peito de frango na comida, massas como macarrão principalmente (com exceção de pizzas) e comida japonesa.
 
Que sou indiferente: carnes em geral (principalmente assadas), chuchu, couve, repolho, manga, goiaba, nozes, avelãs, pêssego, nectarina, chocolate e milho.


Marcelo Braga

Síntese do Livro: TANTÁLICO

 


Da nota do autor de TANTÁLICO
“Não tenho convicções eternas, mas um eterno desejo por essa vida terrena”.
 
Da poesia TANTÁLICO
“Eu, tantálico, narcíseo e mefistofélico, absurdamente sobrevivo... Poeta!”
 
Da poesia ELIPSE, ZEUGMA, PLEONASMO E POLISSÍNDETO
"Eram já nove da noite – Haja luz! Disse. Abri a janela: Lua cheia!"
 
Da poesia FUNÇÕES DA VIDA
FUNÇÃO FÁTICA: “– Oi, como vai você? – Vivo... – Não havia reparado.”
 
Do texto NEGROS, BRANCOS, PARDOS E AMARELOS
“Por 'negligência', a natureza envolve tais tipos, os egoístas, pérfidos, rancorosos e frustrados de uma forma equilibrada, equitativa, 'justa' entre os negros, brancos, pardos e amarelos... Não querendo levantar a BANDEIRA da 'não-segregação racial', sim desnudar, prender no tronco e chicotear os filhos da puta que habitam meu espaço útil nessa lida curta e rápida esses, as filhas da puta: negros, brancos, pardos e amarelos!”
 
Da poesia CANGAÇO, CANSAÇO, CAGAÇO!
"Que venham outras tempestades. Nas horas mais tardes recuperarei, eu sei; desentupirei minhas veias e me restarão os 'extintos' instintos, onde sobreviverei".
 
Da poesia 12.182
“Números, palavras, lembranças, imagens, chuvas, sóis... O que mais poderia ser a vida?”
 
Da poesia VONTADE DE ESCREVER MAIS
"Nacionalismo sem patriotismo... Divorciava-me de vez do cristianismo, meu conflito com Deus iniciava-se... Prazer no cálculo complexo continuava minha maturação... Fugas... fugere urbem . Imersões no abstrato e o respirar arte começavam... O bruto interagindo com o esmerilhado... Asco pela 'sociedade' e o 'lugar-comum'... Objetivos oníricos e subjetivos; metas e Planos Aguardando o Sinal Abir. Da Pelé '... Determinismos Intermináveis ​​e Indetermináveis ​​... Vieram OS Livros Publicados, Já Automaticate O Desprezo Pelos Tais escreva mais!”
 
Da poesia ASSÍNDETO, ONOMATOPÉIA E ANÁFORA
“Sou filho da Lua (canceriano) e meus sentidos são: amatividade, sensualidade, sexualidade, combatividade, conjugalidade, afêrro, resistência, afeição, convivência e o lançar-se!”
 
Da poesia PORÇÕES DE IRONIAS
"Quando me nasce a poesia, ela me vem quadrada, amorfa. É no papel que se acomoda, minha palavra, minha ironia".
 
Da poesia PROSOPOPÉIA, HIPÉRBOLE, EUFEMISMO E IRONIA
"Minha Lua sorri deveras falsa que é; entabula minhas fases várias faces que são. Minha Lua é uma menina num corpo de mulher; encabula a minha fé em diversos tipos de oração".
 
Da poesia DECASSILÁBICA LITERATURA
“Quero muito mais a pragmática, que essa gramática. Muito mais a poesia NA UNHA, que a gramática de Celso Cunha (preguiça!). Muito mais Chopin e Bach, que o estudo secular. Muito mais o livre verso, que os buracos negros do Universo... Muito mais de Frida, suas cores, que do passado, erros e dissabores. Muito mais o amor, a candura, que sua literatura decassilábica!”
 
Da poesia QUASE NADA
“Evaporo, chovo e viro rio novamente; tudo vai e retorna; minhas letras vão ficar bailando por aí, isso é quase tudo que deixo”.
 
Da poesia SÊMEN
“Hoje lhe beijei como quem ama. Lhe desejoi como que reclama por amor. Larguei lá fora, receios, cuidados. Preciso ouvir seus gemidos calados, seus delírios gritados; nada que me roubasse o sono depois...”
 
Da poesia ENSAIO II
“Simplesmente achar que tudo está bom, tudo muito bom e que dessa vez é verdade, mesmo que sejam apenas máscaras de carnaval”.
 
Da poesia TEORIA PRÁTICA
"Concluí que pouco se conclui, as coisas existem e é só. Nada se objetiva a um resultado..."
 
Da folha de rosto BOTAFOGO
"Na rede nossas de concepções, mil peixes que nos alimentam. Na insistência de nossas ilusões, projetos que se realizam."
 
Da poesia NULO ESFORÇO
“Minhas mentiras são os nossos minutos perdidos...”
 
Da folha de rosto de OURO PRETO DO OESTE
“Cada cabeça é um mundo sem nada definido”.
 
Da poesia TRAGO NO MESMO PEITO A MESMA FUMAÇA
“São novamente os mesmos caminhos, o mesmo asfalto, os mesmos espinhos, os mesmos sóis lá no alto”.
 
Da poesia VAIDADE DE UM FU... FULGURANTE VATE
“Sou rude, sou nata; santo aos impecáveis; consistente e irracional; sou veneta e aquilo que me convém ser”.
 
Da poesia ATROFIO
“Somos os inventores do amor e de nosso aparelho de tortura!”
 
Do texto RESOLVI DEDICAR
“Nada está perdida, as portas se fecham na mesma velocidade em que se abrem”.
 
Da poesia SERÁ O PROGRESSO?
“O certo e o errado confundem-se e vestem as roupas um do outro...”
 
Do texto EUTANÁSIA
“Quando um dia eu me ver inapto, me sentir estático, apático e condicionado, sem conseguir assimilar diversos prismas para uma só questão, estarei como um vegetal que precisa ser transportado;
 
Do texto VIVA ÀS ONGS !
“A burocracia é como uma sapataria que vende apenas sapatos apertados; não existe tal sapataria, mas existe a burocracia. Desnecessariamente nos empurra números menores que os nossos. Vivemos num país entupido de filas de esperança e a isso deve-se à total despreocupação de nossos antecessores em criar condições que caminhassem na mesma velocidade do aumento populacional ao menos que fosse”.
 
Do texto RETROSPECTIVA
“Quando circunspetos e/ou desatentos nos descobertos felizes à beira de um lago gélido numa pequena cidade que vive do plantio de maça numa nublada manhã de junho...”
 
Da poesia VITRAL DE TELAS MOSQUITEIRAS
“Sou pai de minhas anarquias; sou criador de meus quadros a óleo; arquétipo de colunas góticas colossais...”
 
Da poesia DESILUSÃO
“O belo se desfaz, cai o mito e contínuo a explorar novas coisas”.
 
Da poesia O TEMPO
“O precioso tempo se dilui nos parcos minutos que restam”.


Marcelo Braga

MANIAS, HÁBITOS E TRAJES

 

 11.05.2011.
 

. Leio em condutas, filas e em recepções.
. Durmo com a televisão ligada. Tive minha época de rádio para dormir.
. Só como algumas horas depois do acordo.
. Coca-Cola para escrever.
. Música para escrever.
. Revisão dos meus textos com leituras em voz alta.
. Várias vezes os altero antes de ir para a revisão.
. Estou sempre fazendo algo, tanto no trabalho quanto em casa.
. Detesto ficar sozinho.
. Adoro folhear enciclopédias, guias, Atlas e
etc. Gosto muito de fotos, cartões e papéis antigos.
. Organize os locais naquele trabalho de forma que fique sempre tudo à mão.
. Não ando em pé em condutas, salvo raríssimas vezes.
. Estatísticas... Faço estatísticas de meus rendimentos, de meus textos, dados e
etc. Ouço uma música que gosto infinitas vezes.
. Gosto de filmes com áudio original, principalmente num idioma pouco conhecido.
. Leio os jornais da última página de seus cadernos para frente.
. Não tenho hábitos de horários para isso ou para aquilo.
. Apenas gosto de almoçar às 12 horas.
. Me sinto péssimo quando alguém me observa fazendo algo.
. Colunas de opiniões em jornais e revistas.
. Evito pisar nas junções das calçadas.
. 50 metros entre um poste e outro e em 20 postes imagino 1 milha percorrida.
. Chegar e sair sem ser percebido.


Marcelo Braga

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Para o Dia das Crianças ou Para Todos os Dias

Quando tiveres uma criança para criar, cuidado: pode ser uma alma refinada, mesmo sendo brutos os seus consanguíneos. Ainda cuidado: pode ser sensível, intuitiva, especial e com uma missão muito pura a cumprir. Não seja você, ó senhor genitor(a), o causador de transtornos emocionais pelo resto da vida em tal criatura divinamente iluminada!

0.05.2011.


Marcelo Braga

QUEM CONSEGUE LER?

13.11.2008.

 
 
 
Somos bem mais que um simples encontro de letras
A sedução, a resoluta expectativa de muitos
Muito mais que vários números de um documento plastificado
A consciência, a angústia de sermos tão animais
Quanto os animais irracionais
 
A variação dos humores
A alternância conveniente dos valores
A mudança repentina dos amores
A tela que anda de muitos núcleos
O mostruário de sentimentalismos e dores

Marcelo Braga

CORPUS COLEÇÃO DILEMA


COLEÇÃO DILEMA

República Democrática de Um Homem Só
Pretensão de Encarar o Sol
Barafunda Fecunda
Partículas Acrílicas
Mundo Caranguejo

 
COLEÇÃO ESFERA
 
Olhos que Brilham Vendo o Paraíso
Estou Vendendo Meus Sonhos
Venerável Ferrão
Narciso do Valão
Tantálico
 
COLEÇÃO FANTASIA
 
Bunker de Alvíssaras Suspeitas
Estrangeiro em País Meu
Fadário Híbrido
Quintessência
Esbórnia

COLEÇÃO PEQUENA MENINA 

Petit Fille 

s Mädchen Klein 

Piccola Bambina 

Pequeña Niña 

Little Girl 


OUTROS 

Eu em Vinte Pedaços 

Ensaios e Aforismos


Marcelo Braga

 

 





 

 

ESCRITOR

  


15.02.2006. 

Antes me seria tipo diário 
Mas sem tempo perdeu-se em conciliações com minha insatisfeita ironia 
Que qualquer outra coisa... 

Antes me seria carta de amor 
Porém entre tantos utópicos amores delineados, virou arquétipo, maquete 
Que qualquer outra coisa... 

Antes me seria livro de filosofia 
Mas de tão vã e filosofia barata tornou-me mais papo de botequim 
Que qualquer outra coisa... 

Antes eu seria apenas desabafos 
Foi tão pouco isso e recebeu tantos códigos que mais enigma 
Que qualquer outra coisa... 

Ants me seria apenas esforço 
Entretanto foram-me surgindo tão mágica e facilmente as palavras 
Que qualquer outra coisa, hoje, sigo escritor.


Márcio Braga
 
 



 



 



 



 


AVALIAÇÕES GERAIS pelo colégio PÓLEN:

 

 
 
   Com 10 anos e 11 meses, Marcelo Braga da Silva, do recanto (sala): Poente, da professora Miriam. Colégio de sistema Piaget de ensino, com apenas seis alunos por sala, do qual guarda saudades e lembranças ótimas. Por que não dizer que as melhores lembranças da minha infância passaram nesse colégio. Sua localização é próxima à garagem de ônibus da empresa Redentor em Jacarepaguá entre os bairros Freguesia e Cidade de Deus (este último, na época era apenas um conjunto de prédios, não o complexo comunitário que é hoje). Lá comi muita amora, brinquei muito com formigas saúvas e lagartas, tive noções de horários e higiene, minhas primeiras puras paixonites: Joy, Ana Paula, Agnes... Minha inesquecível primeira participação no jornal escolar e os testes psicológicos a que éramos todos submetidos constantemente. Essa 'prô' Miriam (assim chamávamos as professoras) foi a primeira pessoa a reparar minha propensão à literatura e dedicou-me um livro com a seguinte frase: “Ao meu futuro escritor.” Meu pai sacrificou-se para pagar na época as mensalidades e por motivos que me desconheço tirou de tal colégio. Lá eu permaneço em regime semi-interno, ou seja, das 08h00 às 18h00.
 
DADOS OBSERVADOS: I – Área física
 

 


  1. HÁBITOS:
Higiene: Bom, Postura: Bom, Ritmos fisiológicos: não observados, Alimentação: Bom.


  1. EXPLORAÇÃO DO AMBIENTE:
Pessoas: Muito Bom, Plantas: Muito Bom, Animais: Muito Bom, Terra/areia: Bom, Água: Bom.


  1. SENSÓRIO-MOTOR (desenvolvimento)
A: Utilização dos membros:
Andar: Muito Bom, Trepar: Muito Bom, Correr: Muito Bom, Pular: Muito Bom, Ajoelhar: Muito Bom, Escrever: Muito Bom, Desenhar: Muito Bom, Recortar: Muito Bom, Abotoar: C, Amarrar: C.
B: Coordenação dos movimentos:
Muito Bom
C: Equilíbrio:
Estático: Muito Bom, Dinâmico: Muito Bom


  1. CONDUTA MOTORA LIGADA À:
Direção: Muito Bom, Percepção Espacial: Muito Bom, Coordenação de Meio-Fim: Muito Bom.



  1. VOZ E PROLAÇÃO:
Normal.
 
II – Área cognitiva
 


  1. EQUILÍBRIO:
Permanência do objeto: não observado, Invenção: Bom, Descoberta: Muito Bom, Intuições: Muito Bom.
Conservações: número, peso, substância e volume: C


  1. FUNÇÃO SEMIÓTICA – Comunicação:
Reconhecimento de: Símbolos, Índices, Sinais e signos: Muito Bom
Transmissão de estórias, narrativas: Muito Bom, Imitação: Muito Bom, Dramatização: Muito Bom, Monólogo: não observado, Monólogo Coletivo: C, Diálogo: Muito Bom, Interpretação de símbolos e signos: Muito Bom.


  1. EXPERIÊNCIA FÍSICA – Matemática:
Topologia: Muito Bom. Ordenação: C, Classificação: Muito Bom, Linguagem dos Conjuntos: Muito Bom, Qualidade dos Objetos: Muito Bom, Localização espacial: Muito Bom, Localização temporal: Muito Bom.
 
III – Área emocional
 
 1. AFETIVIDADE:
Centração na prô: Muito Bom, Interesse em outras crianças: Muito Bom, Relações com outras pessoas: R.
2. REAÇÕES:
Em situações inesperadas ou bruscas suas reações notam:
Certo controle emocional, manifestação exagerada, adequada à intensidade do estímulo e alheamento.
3.ACEITAÇÃO DOS VALORES OU ESTÍMULOS DO MEIO:
Precisa ser anunciada com frequência.
 
IV – Área social
 
1.    RELAÇÕES INTERPESSOAIS:
Forma principal de contato: verbal
Aceitação dos colegas: Boa
Cooperação: R

ARTE INSPIRA ARTE


19.02.2006.
 
 
Arte inspira arte
Escrevo por inspiração da arte
É parte inseparável de mim
São minhas mãos que pensam
É o pensamento que arde
Que urde, que surge
 
Me toco aos sons, as cores, as letras
Eu pinto minhas angústias
Escrevo de mim para mim
São minhas, as frases que invento
Meu pai também era assim
 
Pessoas perdem-me supostas importâncias
Me salvo quando escrevo
Mas a arte não me larga
Tenho pavor à arte
Arte inspira arte
 
Mão esquerda, até nisso...
Tenho medo de ver arte
Tenho medo de ouvir arte
Arte inspira arte
Me faz sentir vivo
Me faz pensar na eternidade
Expurga-me o medo da morte
Cicatriza minhas erupções
 
Escrevo por impulsão da arte
Acho que tenho queda
Compulsão por letras, cores e sons
Nem urbano nem rural
Nem louco nem normal


Marcelo Braga

 
 






 





 





 








 




BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

  12.02.2011. Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escald...