Costumes nos Grupos de A.A. =
> “Cada Grupo de A.A. é único, tal como uma impressão digital...” (“O Grupo De A.A.”, pág. 12/3/1 - Junaab, código 205).
A adoção de costumes próprios, que caracterizam e singularizam os Grupos
e suas atividades, é o exercício da prerrogativa de autonomia garantida pela
Quarta Tradição, desde que respeite as outras Tradições e não interfira na
autonomia de outros Grupos e nas disposições gerais da Irmandade. Assim, a
escolha do local e o nome do Grupo, a disposição da sala; a definição das
reuniões, seus dias e horários, seu tempo de duração, seu formato; a adoção ou
não de orações, e a maneira de fazê-lo; a disponibilidade de literatura e seu
gênero, independendo de ser aprovada ou não pela Conferência; a entrega ou não
de fichas ou qualquer outra homenagem ou atividade relativas ao tempo de
abstinência de seus membros; a maneira de levar a mensagem de A.A. em sua
comunidade: a promoção de eventos relacionados com o convívio e confraternização
de seus membros; a promoção de eventos destinados a angariar fundos para o
custeio do próprio Grupo, etc. A execução destas ações é determinada unicamente
pela consciência coletiva devidamente esclarecida dos membros do Grupo, sempre
após o assunto pertinente ser amplamente debatido e examinado e tendo ouvido
todos os pontos de vista antes que o Grupo vote, e de ninguém mais. A seguir,
dentre muitos outros, dois dos costumes mais generalizados nos Grupos de A.A.
no Brasil e em boa parte dos Grupos de A.A. ao redor do mundo:
Fichas e lembranças de tempo de
sobriedade em A.A. (origem) =
> O costume atual de muitos Grupos
celebrarem os aniversários de sobriedade de seus membros, uma prática que não
diz respeito ao programa de A.A. na sua essência (1) – mas também não se opõe, remete aos
primeiros tempos da Irmandade. Este costume começou com iniciativas individuais
e depois se estendeu às celebrações comunitárias; os costumes variam muito
conforme os Grupos e as regiões.
A Irmã Inácia, a freira que ajudou o
Dr. Bob nas internações de alcoólicos no Hospital St. Thomas, em Akron, parece
ter sido a primeira a usar medalhas para incentivar alcoólicos a manterem a
sobriedade. Ela dava a cada alcoólico que recebia alta do hospital uma medalha
do Sagrado Coração e fazia-lhe prometer que a devolve-se pessoalmente a
ela antes de tomar o primeiro trago se decidisse voltar a beber. Ela teria
seguido o exemplo de um movimento pró-temperança - Padre Mateus, criado na
Irlanda (a irmã Inácia era imigrante irlandesa) por volta dos anos de 1840 que
teria iniciado esse procedimento.
Entre as primeiras evidências destas
celebrações individuais, aparece uma de Clarence S. cofundador do primeiro
Grupo propriamente dito de A.A. (o primeiro Grupo com o nome Alcoólicos Anônimos)
em Cleveland. Clarence ingressou no Grupo de Akron, o primeiro Grupo de A.A.,
em 11 de fevereiro de 1938. Ele fez um medalhão com uma moeda de um dólar de
prata onde fazia um furo passante a cada ano que conseguia manter a sobriedade.
Carregou esse medalhão em seu pescoço até morrer em 22 de março de 1984. Nessa
data, o medalhão tinha 46 furos.
A pratica de usar fichas para celebrar
o aniversário de sobriedade parece ter sido iniciada em 1947 e é atribuída a um
Grupo de Elmira, Nova York. Muito provavelmente este costume foi herdado dos
membros do Grupo de Oxford que assim comemoravam seus aniversários de
renascimento espiritual.
O Grupo de Portland, Maine, usa fichas
de pôquer de nove cores: a ficha branca é entregue no ingresso; se o membro não
recai, após trinta dias recebe uma ficha vermelha; a ficha azul para dois
meses, a preta para três meses, verde para quatro meses, azul transparente para
cinco meses, âmbar para seis, roxo transparente para nove meses e uma ficha
branca transparente por um ano de sobriedade continuada.
As fichas estão impressas com as letras
AA em dourado. A cada ano seguinte, o membro recebe um cartão de aniversário
assinado pelos presentes.
Em Charlotte, Carolina do Norte, ao
receber a ficha branca no final da reunião o ingressante está admitindo diante
de seus novos companheiros que aceita os preceitos de A.A. e se dispõe a
iniciar o caminho da sobriedade. Após três meses troca a ficha branca por uma
vermelha. Mais tarde uma ficha âmbar transparente indica que este membro tem
desfrutado seis meses de um novo modo de vida. Uma ficha verde-clara sinaliza
que ele manteve a sobriedade durante nove meses e recebe uma ficha azul quando
completa um ano de sobriedade. Em alguns Grupos, os padrinhos presenteiam seus
afilhados com uma ficha de prata gravada quando completam cinco anos de
pensamento claro e vida limpa.
Em Artesia, Novo México, alguns Grupos
entregam esferas de mármore do tamanho de bolinhas de gude. Outros Grupos
alternam essas bolinhas com fichas coloridas ou metálicas.
O Grupo Larchmont, de Larchmont, Nova
York dá uma estatueta de um camelo feita em bronze fundido montada numa base de
mogno para celebrar os aniversários de um, cinco e dez anos de sobriedade. A
figura do camelo simboliza o propósito da maioria dos AAs, ou seja, viver 24
horas sem bebida.
http://www.barefootsworld.net/aachips.html
N.T. (1): A Conferência de Serviços
Gerais de 1992 – EUA/Canadá abrigou uma discussão a respeito de produzir ou não
produzir medalhas e, sobre a responsabilidade de A.A.W.S. de proteger nossas
marcas registradas e os direitos de propriedade contra usos que pudessem
sugerir afiliação com fontes alheias.
O resultado foi uma Ação Recomendável
da Conferência para que a Junta de Serviços Gerais iniciasse um estudo a
respeito da viabilidade de possíveis métodos através dos quais se poderiam
colocar as fichas de sobriedade a disposição da Irmandade, seguido de um
relatório a um Comitê ad hoc (para esse fim) constituído por Delegados à
Conferência de 1993, o qual informaria todos os membros da Conferência no seguinte
mês de março (nos EUA/Canadá, as Conferências são realizadas no mês de abril).
Após longas considerações, o Comitê ad
hoc apresentou seu relatório e recomendações à Conferência de 1993. Depois de
uma discussão, a Conferência aprovou duas das cinco recomendações apresentadas:
1) O uso de fichas e medalhas de
sobriedade é um assunto de autonomia local e não algo sobre o que a Conferência
deva consignar uma posição definitiva;
2) Não é apropriado que A.A.W.S ou a
Grapevine produzam ou autorizem a produção de fichas e medalhas de
sobriedade...
http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_aug-sept93.pdf
(pág. 6-7)
Fichas e lembranças de tempo de
sobriedade no Brasil =
> O texto a seguir foi extraído do
livro “Alcoolismo - Queda e Recuperação”, de Luiz M., membro de A. A. no Rio de
Janeiro, falecido em 1992, e recolhido no site:
http://www.aacarmosion.com/2011/12/historia-do-uso-das-fichas-no-aa.html
Inicio da transcrição =
> A história do uso das fichas no
A.A. Brasileiro. Pelo menos até o início da década de 1950, quando não havia
sido publicado Os 12 Passos, que só ocorreria em 1953, os AAs dos Estados
Unidos adotavam, como programas de abstinência, os slogans: “Se tem que tomar
um trago, não o tome” (revista Seleções, dez. 1947), e “Só por hoje” (revista
Seleções, fev. 1954). Não se falava em “evitar o primeiro gole” ou em “programa
de 24 horas”, sugestões que me parecem, levam muito do reconhecido “jeitinho
brasileiro”.
Não havia ainda, também, uma estrutura
de apoio suficientemente organizada, pois o primeiro escritório de serviços
situado em Versey Street, Nova York, havia nascido em 1940 muito mais como
suporte à Editora que havia sido criada para o lançamento do Livro Azul, que
não dispunha de recursos humanos suficientes para atender, particularmente,
os poucos membros em vacilação, os quais, por outro lado, contavam com poucos
grupos e poucas reuniões em Nova York.
Certamente preocupados com esses
aspectos imaginaram um sistema que mantivesse viva na lembrança dos que se
recuperavam e nasceu um programa intitulado “Psicologia do níquel do telefone”,
que consistia em estimular os companheiros a conduzirem no bolso, número de
telefone de outro, junto com um níquel (N.T.: moeda fracionária de dólar) para,
nos momentos de vacilação, antes de voltarem a beber, usarem. Deu certo. Foi
substancial e muito animador o índice de recuperações.
Essa campanha, através do boletim
mundial, chegou ao conhecimento de um A.A. brasileiro ainda engatinhando,
apalpando no escuro, que tudo fazia na base do “deve ser assim” porque o nosso
saudoso fundador Herbert L. D., quando para aqui veio, também quase
nenhuma experiência institucional possuía e, pois embora com muita
disposição e boa vontade, pouco podia ilustrar.
Mas surgiu logo um grave problema. Como
adotar aqui essa campanha, com o fechadíssimo conceito de anonimato de então,
quando os poucos membros nem mesmo davam os seus nomes? Como usar um “níquel do
telefone” objeto, então muito raro, tanto particular como publicamente? Era, na
época, privilégio de muito poucos a posse de um aparelho telefônico e
Escritório de Serviço, nem pensar!. . .
Foi quando alguém lembrou que recentemente, o Governo Federal havia fechado todos os cassinos e, portanto, nas lojas de material especializado deveria estar encalhado tudo que usavam, inclusive fichas das mais variadas cores. Era a solução. Nasceu assim, com o clássico “jeitinho brasileiro” um sucedâneo para o “níquel do telefone”.
E essas fichas, nestes anos de A.A. no
Brasil, estão nos bolsos de milhares de companheiros, lembrando-lhes a última
reunião que estiveram presentes, os depoimentos que calaram fundo, os novos
fatos na vida de cada um, o progresso, tanto material como espiritual,
conquistado.
Representam as fichas, de certa forma,
uma “tradição” do A.A. brasileiro que, ultimamente registra com alegria sua
adoção por AAs, dos outros Países, incluindo os companheiros dos EUA.
A sequência de cores parece ter sido
aleatória, com base nos estoques encontrados nas lojas, e são: 1° amarela, para
o ingresso; 2º Azul, trocada pela amarela aos 3 meses; 3º rosa, aos 6 meses; 4º
vermelha, aos 9 meses; 5º verde, com 1 ano; 6º verde-gravata, que não é
trocada, aos 2 anos; 7º branca-gravata; aos 5 anos, 8º amarela- gravata, aos 10
anos; 9º azul-gravata, aos 15 anos; 10º rosa-gravata, trocada aos 20 anos; 11º
vermelha-gravata, aos 25 anos e, atualmente, a última; 12º verde-gravata, clara
de um lado e, verde clara circulada por losangos com todas as cores das fichas
anteriores, aos 30 anos (2). A “troca”, até a ficha de 2 anos era feita
pela vontade, o desejo do companheiro de que a ficha que estava
devolvendo, que tanto lhe trouxe, que tanto de seu calor humano continha, fosse
levar, ao novo portador, tudo aquilo que conquistara. Havia muito sentimento de
fraternidade, nessas solenidades.
Por outro lado, no caso de uma
infortunada recaída, devia o companheiro sigilosamente, com o seu padrinho ou
algum companheiro de sua absoluta confiança “quebrar” essa sua ficha evitando o
prosseguimento de seu círculo de imagem negativa.
Essa é a história das fichas no Brasil.
Não tem qualquer procedência outras histórias, especialmente a que diz que elas
lembram as chapinhas guardadas por Bill e Bob, da última cerveja que tomaram
primeiro porque eles nunca beberam juntos, segundo porque, se um alcoólico
ativo não guarda coisas importantes não seria uma simples chapinha que ia
guardar.
(N.T.: 2) Atualmente a Junaab
disponibiliza fichas nos seguintes materiais e cores:
• Ficha plástica comum Amarela =>
Ingresso.
• Ficha plástica comum Azul => 3
meses
• Ficha plástica comum Rosa => 6
meses
• Ficha plástica comum Vermelha => 9
meses
• Ficha plástica comum Verde => Um
ano
• Ficha luxo madrepérola Verde => Um
e dois anos
• Ficha luxo madrepérola Marrom =>
Três anos
• Ficha luxo madrepérola Tomate =>
Quatro anos
• Ficha luxo madrepérola Branca =>
Cinco anos
• Ficha luxo madrepérola Amarelo-claro
=> Seis anos
• Ficha luxo madrepérola Azul-claro
=> Sete anos
• Ficha luxo madrepérola Amarelo-ouro
=> Oito anos
• Ficha luxo madrepérola Laranja =>
Nove anos
• Ficha luxo madrepérola Ouro-velho
=> 10 anos
• Ficha luxo madrepérola Azul => 15
anos
• Ficha luxo madrepérola Lilás => 20
anos
• Ficha luxo madrepérola Rosa-violeta
=> 25 anos
• Ficha luxo madrepérola dupla Azul e
Branca => 30 anos
O mesmo Luiz M. (1929-1992), em sua
história (autorizada) “Origens de A.A. no Brasil” (3)– coletânea que abrange o
período entre os anos 1945 e 1992, ano da sua morte, conta que em 1962 Raimundo
R. foi eleito Secretário-geral de A.A. no Rio de Janeiro e “...Das variadas
realizações de Raymundo R., apenas uma criou sérios e divergentes problemas no
A.A. brasileiro - a criação das fichas de ouro para homenagear os companheiros
quando completassem dez anos de sobriedade e participação; uns alertaram para o
fato de que, sendo o A.A. uma irmandade calcada na espiritualidade, o ouro,
como o mais completo símbolo do poder material, seria um símbolo inadequado em
nosso meio; outros alegavam que, sendo o A.A. uma Irmandade pobre e que assim
devia permanecer, como poderia oferecer fichas de ouro e, finalmente, havia os
que argumentavam que, naquele momento ou nos imediatos anos seguintes, seria
fácil brindar os poucos companheiros que estavam ou estariam completando
dez anos, mas, mais adiante, esse número de companheiros iria crescendo e, os
grupos, não tendo condições para adquirir essas fichas de ouro, criariam dentro
de A.A. duas castas: a dos que tinham fichas de ouro, e a dos que não
podiam ter. De qualquer forma, a ficha foi introduzida no A.A. e, atualmente,
muitos são os companheiros que completaram os seus dez anos e não receberam a
ficha de ouro”.
(N.T.: 3) Maiores informações a
respeito desta coletânea podem ser obtidas no Grupo de origem de Luiz M.,
o Grupo Central do Brasil de A. A. Rua Prof. Clementino Fraga Filho, nº 22
(Igreja de Santana - Reuniões 3ª e 6ª feiras). Caixa Postal: 16.070 CEP:
20.221, Rio – RJ. A história foi redigitada por Ricardo Gorobo - Gr. Paquetá.
Vale dizer que o ato da entrega de
fichas, sua frequência e a forma de fazê-lo ou não, é uma prerrogativa de cada
Grupo em particular adotada conforme sua consciência coletiva. Ainda assim, a
aceitação ou recusa da ficha é de livre vontade de cada membro. Muitos AAs
celebram seus “aniversários” fazendo doações voluntárias e anônimas aos Órgãos
de Serviço conforme suas poses ou doando literatura a companheiros novos. Os
Grupos deverão sempre evitar fazer entrega de fichas e/ou homenagens em
reuniões de divulgação ou de Informação ao Público.
É consenso que as fichas celebram o
tempo de sobriedade continuada – sem recaída, que é, também, o tempo que conta
para pleitear qualquer encargo na estrutura de A.A. Como ninguém pode ser
fiscalizado, este tempo baseia-se numa afirmação moral do membro. O tempo de
Irmandade é contado desde quando o membro manifestou seu desejo de nela
ingressar. Não existindo infração, penalização, punição nem expulsão não existe
reingresso na Irmandade, mas sim, retomada do tempo de sobriedade a partir de
uma eventual recaída.




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