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sábado, 29 de junho de 2024

Princípios Abstemiológicos 03/81


Princípios Abstemiológicos 03/81


PRINCÍPIO DA AUTORRESTRIÇÃO PROTETIVA

 

Somente o abstêmio sabe quais devem ser suas restrições e qual o nível de restrição que deve ter para conseguir se autoproteger. O abstêmio deve ser honesto e sincero “consigo mesmo” para identificar “o que” deve ser restringido e “o quanto” deve ser restringido. O contrário desse princípio gera a exposição desnecessária do abstêmio e pode estar ocultando uma enorme desconjuntura autossuficiente.


PÉRICLES ZIEMMERMANN



sexta-feira, 28 de junho de 2024

Princípios Abstemiológicos 02/81

 Princípios Abstemiológicos 02/81


PRINCÍPIO DA ASSUNÇÃO

 

Esse princípio consiste no ato de assumir sua real condição, ou seja, é quando a pessoa se autoafirma como sendo abstêmia ou adicta. É um princípio muito importante do ponto de vista evolutivo, visto que, ao assumir a condição de adicto, por exemplo, a pessoa sabe o que é e para onde vai. Por outro lado, assumir a condição de abstêmio faz com que a pessoa mude sua postura e passe a buscar pelo caminho da abstinência. O importante nesse princípio é que, se for introduzido na mente do adicto ou abstêmio, faz com que ele assuma sua real condição perante os fatos da vida que estão ocorrendo. A pessoa passa a ser adicto ou abstêmio convicto. O importante desse princípio é que a pessoa assume sua real condição e para de “autoenrolar”. Por isso, o PRINCÍPIO DA ASSUNÇÃO pode ter 04 (quatro) modelos:

v Nem o adicto e nem seus familiares (codependentes) reconhecem o processo de adicção: PRINCÍPIO DA DESASSUNÇÃO ABSOLUTA.

v Os familiares (coabstêmios) reconhecem o processo de adicção de seu ente querido, mas a pessoa não se autorreconhece como sendo adicta (ou, em casos mais raros, vice-versa): PRINCÍPIO DA DESASSUNÇÃO RELATIVA.

v Assumir a condição de adicto e autorreconhecer o processo de adicção: é quando a pessoa assume que é adicta – PRINCÍPIO DA ASSUNÇÃO NEGATIVO.

v  Assumir a condição de abstêmio e autorreconhecer a necessidade de iniciar, manter e evoluir no processo abstêmio: é quando a pessoa assume a responsabilidade  pela  sua  própria  abstinência   PRINCÍPIO DA ASSUNÇÃO POSITIVO.


PÉRICLES ZIEMMERMANN



Princípios Abstemiológicos 01/81

 

Princípios Abstemiológicos 01/81


PRINCÍPIO DA PORTA ABERTA

 

 

A abstinência está sempre de “porta aberta” para quem quiser mudar da vida adicta para a vida abstêmia. Esse princípio é levado em consideração, inclusive, em muitas salas de grupos anônimos que estão sempre “abertas” para receberem novos membros. Porém, o princípio de portas abertas representa muito mais que isso, já que compreende a possibilidade que a pessoa possui de fazer parte do universo abstêmio assim que desejar. A abstinência está sempre “aberta” e, mesmo quando a pessoa sair da abstinência por ter recaído (reintoxicação física), ela poderá retornar. A abstinência não fecha sua porta, o adicto é que se fecha na “porta da adicção”, afastando-se da abstinência. De fato, enquanto a abstinência “abre a porta” para o abstêmio, a adicção exige que a “porta esteja fechada” para fazer com que a pessoa permaneça na adicção.


PÉRICLES ZIEMMERMANN



terça-feira, 25 de junho de 2024

Alcoólicos Anônimos - O livro

 



> Em novembro de 1937, Bill W. e o Dr. Bob encontraram-se em Akron para avaliar os resultados do movimento. Contabilizaram uns quarenta casos de sobriedade, incluindo eles próprios – Bill três anos e Dr. Bob dois anos e meio. Entenderam que o resultado era animador consideraram então que poderiam escrever um livro para servir como texto básico e contar a historia e as experiências dos primeiros tempos da Irmandade e, sem distorções, levasse aquela mensagem aos lugares onde não poderiam ir pessoalmente. O livro começou a ser escrito em maio de 1938.



Em 1939 o livro estava pronto, mas sem título. A princípio foram cogitados mais de cem títulos, entre eles “O Copo Vazio”, “O Caminho Seco”, “A Vida a Seco”, “Fronteiras Secas”, “Uma Saída”, “O Céu”, “A chegada da Aurora”, etc.; por eliminação, ficaram cinco: “Cem Homens”, abandonado devido às objeções de Florence Rankin, a primeira mulher a acompanhar o movimento. O segundo “The Way Out”, algo como, “O Caminho da Saída” é descartado depois de se constatar que na Biblioteca do Congresso, em Washington, existiam 25 livros com esse título e outros 12 intitulados “A Saída”; ao quarto, num acesso de estrelismo Bill pretendeu chamá- lo de “Movimento Bill W.” do qual desistiu ao ser lembrado que todos eram seus autores, e até o pretencioso subtítulo propondo “Their Pathway to a cure” ou algo como “Seu Caminho Para a Cura” para o qual tinha sido elaborada um protótipo de capa direita). A última opção veio em decorrência da própria situação: depois de se separar do Grupo de Oxford, os membros do movimento, também sem nome, uns cem entre homens e mulheres sem qualquer referência, passaram a tratar a si próprios como “um punhado de alcoólicos sem nome”. Derivou daí o título para o livro, “Alcoólicos Anônimos”, e o nome da Irmandade.


A primeira parte contém a “Introdução”, “A Opinião Do Médico”, escrita pelo Dr. William Duncan Silkworth, o texto básico e o programa de recuperação de A.A. descrito em onze capítulos: o 1º Capítulo, “A História de Bill” e o 8º Capítulo, “Às Esposas” ambos escritos por Joe Worth, o 10º Capítulo Aos Empregadores”, escrito por Hank P. (que também formatou o livro), o Capítulo 12º, “O Pesadelo do Dr. Bob”, escrito pelo próprio Dr. Robert Holbrook Smith, (Dr. Bob), e os Capítulos 2º a 9º e o 11º escritos por Bill Wilson com a participação de uma equipe de trabalho. A espinha dorsal do livro é o capítulo 5º - “Como Funciona” - que contém os Doze Passos Sugeridos para a Recuperação.


A segunda parte conta as histórias pessoais dos seguintes seguidores do movimento:

Hank P. O Incrédulo” - Fitz M., “Nosso Amigo do Sul” - Clarence S., "A Casa do Mestre Cervejeiro” - Ernie G., A Escorregada de Sete Meses” - Charlie S., Uma viagem de trem” - Bob O., O Vendedor” – ‘Arch’ T., O Homem que Dominou o Medo” - Dick S., Ele Precisava ser Mostrado” - Joe D., O Bebedor Europeu” - Florence R., Uma Vitória Feminina” - Bill R. , Um Homem de Negócios em Recuperação- Harry B. , Uma visão diferente- Jim S., "Viajante, Editor, Estudioso” - Walter B., "O Arrependido” - Marie Bray, “A Esposa de um Alcoólico" - Tom e Maybell L., “Minha Esposa e Eu" Bill H., “Sob a tutela do Tribunal de Sucessões" - Wally G., “Demitido novamente" - Paul S., “A Verdade me Libertou" - Harold S., “Sorria Comigo" - Harry Z., ”Foi por Pouco" - Norman H., “Um Agnóstico Educado” - Ralph F., “Outra história Pródiga" - Myron W., “Percepção Tardia" - Popsy M., “A Caminho" - Ray C., O Artista Conceitual” - Lloyd T., “A Pedra Rolando".


=> A primeira edição: Para se certificar que o livro seria bem aceito pela opinião pública e não entraria em conflito com a medicina e a religião, antes de sua impressão, foram feitas quatrocentas copias mimeografadas e enviadas a profissionais das mais diversas áreas e leigos interessados no problema do alcoolismo, com o pedido de devolvê-las acompanhadas de comentários ou sugestões. Entre as sugestões que vieram de profissionais e simpatizantes do movimento após a distribuição das cópias mimeografadas do Big Book para comentários, uma delas foi particularmente importante: ela veio do Dr. Howard, um conhecido psiquiatra de Montclair, Nova Jersey. Ele salientou que o texto usava demais as palavras “você” e “deve”, e sugeriu que se substituíssem por “nós” e “deveríamos”. Sua sugestão era remover todas as formas imperativas e de coação, para que a Irmandade se estabelecesse na base de “nós deveríamos” em vez de “você deve”. O texto todo foi revisado e adaptado a essa sugestão.


Conforme consta no Registro de Direitos Autorais em Washington DC, EUA, a primeira edição do livro “Alcoholics Anonymous” saiu em 10 de abril de 1939 e seu autor e detentor dos direitos é “Wm. G. Wilson”, a editora, a “Work Publishing Co.” e o endereço, “17 William St., Newark, New Jersey”. O registro foi feito no dia 19 de abril de 1939 sob o número 25687, e a taxa de registro foi de $2,00 (dois dólares).


Foram impressos os primeiros 4.730 exemplares com a ordem para fazer a impressão com o papel mais grosso e as letras em tamanho maior que o normal para dar um ar de autoridade intelectual e justificar o preço (muito elevado naquela época), que foi de 3,5 dólares o exemplar. Assim, a edição original tornou-se tão volumosa que imediatamente ficou conhecida como Big Book (Livro Grande). O livro foi encadernado em uma capa de tecido vermelho escuro com as simples palavras “Alcoholics Annonymous” impressas em cursivo dourado. A sobrecapa, com os seus familiares vermelho, preto, amarelo e branco, foi desenhada por um artista de nossos membros, Ray C., cuja história, contada nesse livro, chama-se “O Artista Conceitual”.

A primeira edição em abril de 1939, teve 16 reimpressões e foram distribuídas 300.000 cópias; a segunda edição foi publicada em julho de 1955; a terceira edição, em 1976. A quarta edição saiu em fevereiro de 2001.


 Exemplares representativos da evolução da publicação do Big Book (EUA/Canadá):

ü O exemplar nº 1.000.000 foi presenteado pelo Dr. John L. Norris, Presidente da Junta de Serviços Gerais, ao 37º presidente dos EUA, Richard Nixon (1913-1994), no dia 16 de abril de 1973.

ü O exemplar de nº 2.000.000 foi presenteado a Joseph A. Califano Jr. (n. 1931), Secretário de Estado de Saúde, Educação e do Bem-estar nomeado pelo 39º presidente dos EUA Jimmy Carter, em junho de 1979.

ü O exemplar de nº 5.000.000 foi presenteado a Ruth Hock Crecelius (1911-1986), primeira secretária (não alcoólica) da Irmandade, por ocasião 50º aniversário de A.A. e da 8ª Convenção Internacional de Montreal, Canadá, em julho de 1985.

ü O exemplar de nº 10.000.000 foi presenteado a Nellie (Nell) Elizabeth Wing (1917- 2007), secretária e primeira arquivista (não alcoólica) da Irmandade, por ocasião 55º aniversário de A.A. e da 8ª Convenção Internacional de Seattle, Washington, em julho de 1990.

ü O exemplar de nº 15.000.000 foi presenteado em 1996, a Ellie Norris, viúva do Dr. John L. Norris (1903-1989). (não alcoólico) Custódio emérito, ex-presidente da Junta de Serviços Gerais.

ü O exemplar de nº 20.000.000 foi presenteado a Al-Anon, por ocasião 65º aniversário de A.A. e da 11ª Convenção Internacional de Minneapolis, Minnesota, em julho de 2000.

ü O exemplar de nº 25.000.000 foi apresentado a Jill Brown, diretora da prisão de San Quentin, Califórnia, em julho de 2005, na Convenção Internacional de AA, em Toronto, Canadá.

ü O exemplar de nº 30.000.000 foi presenteado à Associação Médica Americana - AMA, representada pela sua antiga diretora Rebecca Patchin, M.D., por ocasião 75º aniversário de A.A. e da 13ª Convenção Internacional de San Antonio, Texas, em julho de 2010.

ü Entre os dias 25 de junho e 29 de setembro de 2012, a Biblioteca do Congresso dos EUA realizou uma exposição em Washington, DC, mostrando os 88 livros que “moldaram a Nação Americana e influenciaram na visão que o mundo tem da América”. Entre esses livros encontra-se o livro “Alcoholics Annonymous” ou Big Book. (1)


N.T.(1): Veja o relato desta distinção em: Alcoólicos Anônimos – o livro, um ícone cultural” no Box 4-5-9, Outono (Set.) / 2012 (pág. 7-8)

Título original: “El Libro Grande de A.A.: un icono cultural”

http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_fall12.pdf



Fichas e lembranças de tempo de sobriedade em A.A. (origem)

 





Fichas e lembranças de tempo de sobriedade em A.A. (origem)


 => O costume atual de muitos Grupos celebrarem os aniversários de sobriedade de seus membros, uma prática que não diz respeito ao programa de A.A. na sua essência (1) mas também não se opõe,remete aos primeiros tempos da Irmandade. Este costume começou com iniciativas individuais e depois se estendeu às celebrações comunitárias; os costumes variam muito conforme os Grupos e as regiões.


A Irmã Inácia, a freira que ajudou o Dr. Bob nas internações de alcoólicos no Hospital St. Thomas, em Akron, parece ter sido a primeira a usar medalhas para incentivar alcoólicos a manterem a sobriedade. Ela dava a cada alcoólico que recebia alta do hospital uma medalha do Sagrado Coração e fazia-lhe prometer que a devolve-se pessoalmente a ela antes de tomar o primeiro trago se decidisse voltar a beber. Ela teria seguido o exemplo de um movimento pró-temperança - Padre Mateus, criado na Irlanda (a irmã Inácia era imigrante irlandesa) por volta dos anos de 1840 que teria iniciado esse procedimento.



Entre as primeiras evidências destas celebrações individuais, aparece uma de Clarence S. cofundador do primeiro Grupo propriamente dito de A.A. (o primeiro Grupo com o nome Alcoólicos Anônimos) em Cleveland. Clarence ingressou no Grupo de Akron, o primeiro Grupo de A.A., em 11 de fevereiro de 1938. Ele fez um medalhão com uma moeda de um dólar de prata onde fazia um furo passante a cada ano que conseguia manter a sobriedade. Carregou esse medalhão em seu pescoço até morrer em 22 de março de 1984. Nessa data, o medalhão tinha 46 furos.

A pratica de usar fichas para celebrar o aniversário de sobriedade parece ter sido iniciada em 1947 e é atribuída a um Grupo de Elmira, Nova York. Muito provavelmente este costume foi herdado dos membros do Grupo de Oxford que assim comemoravam seus aniversários de renascimento espiritual.



O Grupo de Portland, Maine, usa fichas de pôquer de nove cores: a ficha branca é entregue no ingresso; se o membro não recai, após trinta dias recebe uma ficha vermelha; a ficha azul para dois meses, a preta para três meses, verde para quatro meses, azul transparente para cinco meses, âmbar para seis, roxo transparente para nove meses e uma ficha branca transparente por um ano de sobriedade continuada. As fichas estão impressas com as letras AA em dourado. A cada ano seguinte, o membro recebe um cartão de aniversário assinado pelos presentes.

Em Charlotte, Carolina do Norte, ao receber a ficha branca no final da reunião o ingressante está admitindo diante de seus novos companheiros que aceita os preceitos de A.A. e se dispõe a iniciar o caminho da sobriedade. Após três meses troca a ficha branca por uma vermelha. Mais tarde uma ficha âmbar transparente indica que este membro tem desfrutado seis meses de um novo modo de vida. Uma ficha verde-clara sinaliza que ele manteve a sobriedade durante nove meses e recebe uma ficha azul quando completa um ano de sobriedade. Em alguns Grupos, os padrinhos presenteiam seus afilhados com uma ficha de prata gravada quando completam cinco anos de pensamento claro e vida limpa.


Em Artesia, Novo México, alguns Grupos entregam esferas de mármore do tamanho de bolinhas de gude. Outros Grupos alternam essas bolinhas com fichas coloridas ou metálicas.

O Grupo Larchmont, de Larchmont, Nova York dá uma estatueta de um camelo feita em bronze fundido montada numa base de mogno para celebrar os aniversários de um, cinco e dez anos de sobriedade. A figura do camelo simboliza o propósito da maioria dos AAs, ou seja, viver 24 horas sem bebida.

http://www.barefootsworld.net/aachips.html

N.T. (1): A Conferência de Serviços Gerais de 1992 – EUA/Canadá abrigou uma discussão a respeito de produzir ou não produzir medalhas e, sobre a responsabilidade de A.A.W.S. de proteger nossas marcas registradas e os direitos de propriedade contra usos que pudessem sugerir afiliação com fontes alheias.

O resultado foi uma Ação Recomendável da Conferência para que a Junta de Serviços Gerais iniciasse um estudo a respeito da viabilidade de possíveis métodos através dos quais se poderiam colocar as fichas de sobriedade a disposição da Irmandade, seguido de um relatório a um Comitê ad hoc (para esse fim) constituído por Delegados à Conferência de 1993, o qual informaria todos os membros da Conferência no seguinte mês de março (nos EUA/Canadá, as Conferências são realizadas no mês de abril).

Após longas considerações, o Comitê ad hoc apresentou seu relatório e recomendações à Conferência de 1993. Depois de uma discussão, a Conferência aprovou duas das cinco recomendações apresentadas:

1)   O uso de fichas e medalhas de sobriedade é um assunto de autonomia local e não algo sobre o que a Conferência deva consignar uma posição definitiva;

2)   Não é apropriado que A.A.W.S ou a Grapevine produzam ou autorizem a produção de fichas e medalhas de sobriedade...

http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_aug-sept93.pdf (pág. 6-7)



Fichas e lembranças de tempo de sobriedade no Brasil

 => O texto a seguir foi extraído do livro “Alcoolismo - Queda e Recuperação”, de Luiz M., membro de A. A. no Rio de Janeiro, falecido em 1992, e recolhido no sítio:

http://www.aacarmosion.com/2011/12/historia-do-uso-das-fichas-no-aa.html Inicio da transcrição => A história do uso das fichas no A.A. Brasileiro.


 Pelo menos até o início da década de 1950, quando não havia sido publicado Os 12 Passos, que só ocorreria em 1953, os AAs dos Estados Unidos adotavam, como programas de abstinência, os slogans: “Se tem que tomar um trago, não o tome” (revista Seleções, dez. 1947), e “Só por hoje” (revista Seleções, fev. 1954). Não se falava em “evitar o primeiro gole” ou em “programa de 24 horas”, sugestões que me parecem, levam muito do reconhecido “jeitinho brasileiro”.

Não havia ainda, também, uma estrutura de apoio suficientemente organizada, pois o primeiro escritório de serviços situado em Versey Street, Nova York, havia nascido em 1940 muito mais como suporte à Editora que havia sido criada para o lançamento do Livro  Azul,  que  não  dispunha  de  recursos  humanos  suficientes  para  atender, particularmente, os poucos membros em vacilação, os quais, por outro lado, contavam com poucos grupos e poucas reuniões em Nova York. Certamente preocupados com esses aspectos imaginaram um sistema que mantivesse viva na lembrança dos que se recuperavam e nasceu um programa intitulado “Psicologia do níquel do telefone”, que consistia em estimular os companheiros a conduzirem no bolso, número de telefone de outro, junto com um níquel (N.T.: moeda fracionária de dólar) para, nos momentos de vacilação, antes de voltarem a beber, usarem. Deu certo. Foi substancial e muito animador o índice de recuperações. Essa campanha, através do boletim mundial, chegou ao conhecimento de um A.A. brasileiro ainda engatinhando, apalpando no escuro, que tudo fazia na base do “deve ser assim” porque o nosso saudoso fundador Herbert L. D., quando para aqui veio, também quase nenhuma

experiência institucional possuía e, pois embora com muita disposição e boa vontade, pouco podia ilustrar.


Mas surgiu logo um grave problema. Como adotar aqui essa campanha, com o fechadíssimo conceito de anonimato de então, quando os poucos membros nem mesmo davam os seus nomes? Como usar um “níquel do telefone” objeto, então muito raro, tanto particular como publicamente? Era, na época, privilégio de muito poucos a posse de um aparelho telefônico e Escritório de Serviço, nem pensar!. . .

Foi quando alguém lembrou que recentemente, o Governo Federal havia fechado todos os cassinos e, portanto, nas lojas de material especializado deveria estar encalhado tudo que usavam, inclusive fichas das mais variadas cores. Era a solução. Nasceu assim, com o clássico “jeitinho brasileiro” um sucedâneo para o“níquel do telefone”. E essas fichas, nestes anos de A.A. no Brasil, estão nos bolsos de milhares de companheiros, lembrando-lhes a última reunião que estiveram presentes, os depoimentos que calaram fundo, os novos fatos na vida de cada um, o progresso, tanto material como espiritual, conquistado.


Representam as fichas, de certa forma, uma “tradição” do A.A. brasileiro que, ultimamente registra com alegria sua adoção por AAs, dos outros Países, incluindo os companheiros dos EUA.



A sequência de cores parece ter sido aleatória, com base nos estoques encontrados nas lojas, e são: 1° amarela, para o ingresso; 2º Azul, trocada pela amarela aos 3 meses; 3º rosa, aos 6 meses; 4º vermelha, aos 9 meses; 5º verde, com 1 ano; 6º verde-gravata, que não é trocada, aos 2 anos; 7º branca-gravata; aos 5 anos, 8º amarela- gravata, aos 10 anos; 9º azul-gravata, aos 15 anos; 10º rosa-gravata, trocada aos 20 anos; 11º vermelha-gravata, aos 25 anos e, atualmente, a última; 12º verde-gravata, clara de um lado e, verde clara circulada por losangos com todas as cores das fichas anteriores, aos 30 anos (2). A “troca”, até a ficha de 2 anos era feita pela vontade, o desejo do companheiro de que a ficha que estava devolvendo, que tanto lhe trouxe, que tanto de seu calor humano continha, fosse levar, ao novo portador, tudo aquilo que conquistara. Havia muito sentimento de fraternidade, nessas solenidades. Por outro lado, no caso de uma infortunada recaída, devia o companheiro sigilosamente, com o seu padrinho ou algum companheiro de sua absoluta confiança “quebrar” essa sua ficha evitando o prosseguimento de seu círculo de imagem negativa.

Essa é a história das fichas no Brasil. Não tem qualquer procedência outras histórias, especialmente a que diz que elas lembram as chapinhas guardadas por Bill e Bob, da última cerveja que tomaram primeiro porque eles nunca beberam juntos, segundo porque, se um alcoólico ativo não guarda coisas importantes não seria uma simples chapinha que ia guardar. 

(N.T.: 2) Atualmente a Junaab disponibiliza fichas nos seguintes materiais e cores:

·  Ficha plástica comum Amarela => Ingresso.

·    Ficha plástica comum Azul => 3 meses

·    Ficha plástica comum Rosa => 6 meses

·    Ficha plástica comum Vermelha => 9 meses

·    Ficha plástica comum Verde => Um ano

·    Ficha luxo madrepérola Verde => Um e dois anos

·    Ficha luxo madrepérola Marrom => Três anos

·    Ficha luxo madrepérola Tomate => Quatro anos

·  Ficha luxo madrepérola Branca => Cinco anos

·    Ficha luxo madrepérola Amarelo-claro => Seis anos

·  Ficha luxo madrepérola Azul-claro => Sete anos

·  Ficha luxo madrepérola Amarelo-ouro => Oito anos

·  Ficha luxo madrepérola Laranja => Nove anos

·  Ficha luxo madrepérola Ouro-velho => 10 anos

·  Ficha luxo madrepérola Azul => 15 anos

·  Ficha luxo madrepérola Lilás => 20 anos

·  Ficha luxo madrepérola Rosa-violeta => 25 anos

·  Ficha luxo madrepérola dupla Azul e Branca => 30 anos

 

O mesmo Luiz M. (1929-1992), em sua história (autorizada) “Origens de A.A. no Brasil” (3)– coletânea que abrange o período entre os anos 1945 e 1992, ano da sua morte, conta que em 1962 Raimundo R. foi eleito Secretário-geral de A.A. no Rio de Janeiro e “...Das variadas realizações de Raymundo R., apenas uma criou sérios e divergentes problemas no A.A. brasileiro - a criação das fichas de ouro para homenagear os companheiros quando completassem dez anos de sobriedade e participação; uns alertaram para o fato de que, sendo o A.A. uma irmandade calcada na espiritualidade, o ouro, como o mais completo símbolo do poder material, seria um símbolo inadequado em nosso meio; outros alegavam que, sendo o A.A. uma Irmandade pobre e que assim devia permanecer, como poderia oferecer fichas de ouro e, finalmente, havia os que argumentavam que, naquele momento ou nos imediatos anos seguintes, seria fácil brindar os poucos companheiros que estavam ou estariam completando dez anos, mas, mais adiante, esse número de companheiros iria crescendo e, os grupos, não tendo condições para adquirir essas fichas de ouro, criariam dentro de A.A. duas castas: a dos que tinham fichas de ouro, e a dos que não podiam ter. De qualquer forma, a ficha foi introduzida no A.A. e, atualmente, muitos são os companheiros que completaram os seus dez anos e não receberam a ficha de ouro”. (N.T.: 3) Maiores informações a respeito desta coletânea podem ser obtidas no Grupo de origem de Luiz M., o Grupo Central do Brasil de A. A. Rua Prof. Clementino Fraga Filho, nº 22 (Igreja de Santana - Reuniões 3ª e 6ª feiras). Caixa Postal: 16.070 CEP: 20.221, Rio – RJ. A história foi redigitada por Ricardo Gorobo - Gr. Paquetá.


Vale dizer que o ato da entrega de fichas, sua frequência e a forma de fazê-lo ou não, é uma prerrogativa de cada Grupo em particular adotada conforme sua consciência coletiva. Ainda assim, a aceitação ou recusa da ficha é de livre vontade de cada membro. Muitos AAs celebram seus “aniversários” fazendo doações voluntárias e anônimas aos Órgãos de Serviço conforme suas poses ou doando literatura a companheiros novos. Os Grupos deverão sempre evitar fazer entrega de fichas e/ou homenagens em reuniões de divulgação ou de Informação ao Público.


É consenso que as fichas celebram o tempo de sobriedade continuada – sem recaída, que é, também, o tempo que conta para pleitear qualquer encargo na estrutura de A.A. Como ninguém pode ser fiscalizado, este tempo baseia-se numa afirmação moral do membro. O tempo de Irmandade é contado desde quando o membro manifestou seu desejo de nela ingressar. Não existindo infração, penalização, punição nem expulsão não existe reingresso na Irmandade, mas sim, retomada do tempo de sobriedade a partir de uma eventual recaída.



BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

  12.02.2011. Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escald...