Fichas e lembranças de tempo de sobriedade em A.A. (origem)
=> O costume atual de muitos Grupos celebrarem os aniversários de sobriedade de seus membros, uma prática que não diz respeito ao programa de A.A. na sua essência (1) – mas também não se opõe,remete aos primeiros tempos da Irmandade. Este costume começou com iniciativas individuais e depois se estendeu às celebrações comunitárias; os costumes variam muito conforme os Grupos e as regiões.
A Irmã Inácia, a freira que ajudou o Dr. Bob nas internações de alcoólicos no Hospital St. Thomas, em Akron, parece ter sido a primeira a usar medalhas para incentivar alcoólicos a manterem a sobriedade. Ela dava a cada alcoólico que recebia alta do hospital uma medalha do Sagrado Coração e fazia-lhe prometer que a devolve-se pessoalmente a ela antes de tomar o primeiro trago se decidisse voltar a beber. Ela teria seguido o exemplo de um movimento pró-temperança - Padre Mateus, criado na Irlanda (a irmã Inácia era imigrante irlandesa) por volta dos anos de 1840 que teria iniciado esse procedimento.
A
pratica de usar fichas para celebrar o aniversário de sobriedade parece ter
sido iniciada em 1947 e é atribuída
a um Grupo de Elmira, Nova York. Muito provavelmente este costume foi herdado
dos membros do Grupo de Oxford que assim comemoravam seus aniversários de
renascimento espiritual.
Em Charlotte, Carolina do Norte, ao receber a ficha branca no final da reunião o ingressante está admitindo diante de seus novos companheiros que aceita os preceitos de A.A. e se dispõe a iniciar o caminho da sobriedade. Após três meses troca a ficha branca por uma vermelha. Mais tarde uma ficha âmbar transparente indica que este membro tem desfrutado seis meses de um novo modo de vida. Uma ficha verde-clara sinaliza que ele manteve a sobriedade durante nove meses e recebe uma ficha azul quando completa um ano de sobriedade. Em alguns Grupos, os padrinhos presenteiam seus afilhados com uma ficha de prata gravada quando completam cinco anos de pensamento claro e vida limpa.
Em
Artesia, Novo México, alguns Grupos entregam esferas de mármore do tamanho de
bolinhas de gude. Outros Grupos alternam essas bolinhas com fichas coloridas ou
metálicas.
O
Grupo Larchmont, de Larchmont, Nova York dá uma estatueta de um camelo feita em
bronze fundido montada numa base de mogno para celebrar os aniversários de um,
cinco e dez anos de sobriedade. A figura do camelo simboliza o propósito da
maioria dos AAs, ou seja, viver 24 horas sem bebida.
http://www.barefootsworld.net/aachips.html
N.T.
(1): A
Conferência de Serviços Gerais de 1992 –
EUA/Canadá abrigou uma discussão
a respeito de produzir ou não produzir medalhas e, sobre a responsabilidade de
A.A.W.S. de proteger nossas marcas registradas e os direitos de propriedade
contra usos que pudessem sugerir afiliação com fontes alheias.
O resultado
foi uma Ação Recomendável da Conferência para que a Junta de Serviços Gerais
iniciasse um estudo a respeito da viabilidade de possíveis métodos através dos
quais se poderiam colocar as fichas de sobriedade a disposição da Irmandade,
seguido de um relatório a um Comitê ad hoc (para esse fim) constituído por Delegados à Conferência de 1993, o qual informaria todos os
membros da Conferência no seguinte mês de março (nos EUA/Canadá, as
Conferências são realizadas no mês de abril).
Após longas considerações, o
Comitê ad hoc apresentou
seu relatório e recomendações à Conferência de 1993. Depois de uma discussão, a
Conferência aprovou duas das cinco recomendações apresentadas:
1)
O
uso de fichas e medalhas de sobriedade é um assunto de autonomia
local e não algo sobre o que a Conferência deva consignar uma posição
definitiva;
2)
Não
é apropriado que A.A.W.S ou a Grapevine produzam ou autorizem a produção de
fichas e medalhas de sobriedade...
http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_aug-sept93.pdf (pág. 6-7)
Fichas e lembranças de tempo de sobriedade no Brasil
=> O texto a seguir foi extraído do
livro “Alcoolismo - Queda e Recuperação”, de Luiz M., membro de A. A.
no Rio de Janeiro, falecido em 1992,
e recolhido no sítio:
http://www.aacarmosion.com/2011/12/historia-do-uso-das-fichas-no-aa.html Inicio da transcrição => A história do uso das fichas no A.A. Brasileiro.
Pelo
menos até o início da década de 1950,
quando não havia sido publicado Os 12 Passos, que só ocorreria em 1953, os AAs dos Estados Unidos
adotavam, como programas de abstinência, os slogans: “Se tem que tomar um trago, não o tome” (revista Seleções, dez. 1947), e “Só por hoje” (revista
Seleções, fev. 1954). Não se falava
em “evitar o primeiro gole” ou em “programa de 24 horas”,
sugestões que me parecem, levam muito do reconhecido “jeitinho brasileiro”.
Não havia ainda, também, uma estrutura de apoio suficientemente organizada, pois o primeiro escritório de serviços situado em Versey Street, Nova York, havia nascido em 1940 muito mais como suporte à Editora que havia sido criada para o lançamento do Livro Azul, que não dispunha de recursos humanos suficientes para atender, particularmente, os poucos membros em vacilação, os quais, por outro lado, contavam com poucos grupos e poucas reuniões em Nova York. Certamente preocupados com esses aspectos imaginaram um sistema que mantivesse viva na lembrança dos que se recuperavam e nasceu um programa intitulado “Psicologia do níquel do telefone”, que consistia em estimular os companheiros a conduzirem no bolso, número de telefone de outro, junto com um níquel (N.T.: moeda fracionária de dólar) para, nos momentos de vacilação, antes de voltarem a beber, usarem. Deu certo. Foi substancial e muito animador o índice de recuperações. Essa campanha, através do boletim mundial, chegou ao conhecimento de um A.A. brasileiro ainda engatinhando, apalpando no escuro, que tudo fazia na base do “deve ser assim” porque o nosso saudoso fundador Herbert L. D., quando para aqui veio, também quase nenhuma
experiência
institucional possuía e, pois embora com muita disposição e boa vontade, pouco
podia ilustrar.
Mas
surgiu logo um grave problema. Como adotar aqui essa campanha, com o
fechadíssimo conceito de anonimato de então, quando os poucos membros nem mesmo
davam os seus nomes? Como usar um “níquel
do telefone” objeto, então muito raro, tanto particular como publicamente?
Era, na época, privilégio de muito poucos a posse de um aparelho telefônico e Escritório de Serviço, nem pensar!.
. .
Foi quando alguém lembrou que recentemente, o Governo Federal havia fechado todos os cassinos e, portanto, nas lojas de material especializado deveria estar encalhado tudo que usavam, inclusive fichas das mais variadas cores. Era a solução. Nasceu assim, com o clássico “jeitinho brasileiro” um sucedâneo para o“níquel do telefone”. E essas fichas, nestes anos de A.A. no Brasil, estão nos bolsos de milhares de companheiros, lembrando-lhes a última reunião que estiveram presentes, os depoimentos que calaram fundo, os novos fatos na vida de cada um, o progresso, tanto material como espiritual, conquistado.
Representam as fichas, de certa forma, uma “tradição” do A.A. brasileiro que,
ultimamente registra com alegria sua adoção por AAs, dos outros Países,
incluindo os companheiros dos EUA.
Essa é a história das fichas no Brasil. Não tem qualquer procedência outras histórias, especialmente a que diz que elas lembram as chapinhas guardadas por Bill e Bob, da última cerveja que tomaram primeiro porque eles nunca beberam juntos, segundo porque, se um alcoólico ativo não guarda coisas importantes não seria uma simples chapinha que ia guardar.
(N.T.: 2) Atualmente a Junaab disponibiliza fichas nos seguintes
materiais e cores:
· Ficha plástica
comum Amarela => Ingresso.
· Ficha plástica
comum Azul => 3 meses
· Ficha plástica
comum Rosa => 6 meses
· Ficha plástica
comum Vermelha =>
9 meses
· Ficha plástica
comum Verde => Um ano
· Ficha luxo madrepérola Verde
=> Um e dois anos
· Ficha luxo madrepérola Marrom
=> Três anos
· Ficha luxo madrepérola Tomate
=> Quatro anos
· Ficha luxo madrepérola Branca
=> Cinco anos
· Ficha luxo madrepérola Amarelo-claro => Seis anos
· Ficha luxo madrepérola Azul-claro => Sete anos
· Ficha luxo madrepérola Amarelo-ouro => Oito anos
· Ficha luxo madrepérola Laranja
=> Nove anos
· Ficha luxo madrepérola Ouro-velho => 10 anos
· Ficha luxo madrepérola Azul => 15 anos
· Ficha luxo madrepérola Lilás => 20 anos
· Ficha luxo madrepérola Rosa-violeta => 25 anos
· Ficha luxo madrepérola dupla
Azul e Branca => 30 anos
O mesmo Luiz M. (1929-1992), em sua história (autorizada) “Origens de A.A. no Brasil” (3)– coletânea que abrange o período entre os anos 1945 e 1992, ano da sua morte, conta que em 1962 Raimundo R. foi eleito Secretário-geral de A.A. no Rio de Janeiro e “...Das variadas realizações de Raymundo R., apenas uma criou sérios e divergentes problemas no A.A. brasileiro - a criação das fichas de ouro para homenagear os companheiros quando completassem dez anos de sobriedade e participação; uns alertaram para o fato de que, sendo o A.A. uma irmandade calcada na espiritualidade, o ouro, como o mais completo símbolo do poder material, seria um símbolo inadequado em nosso meio; outros alegavam que, sendo o A.A. uma Irmandade pobre e que assim devia permanecer, como poderia oferecer fichas de ouro e, finalmente, havia os que argumentavam que, naquele momento ou nos imediatos anos seguintes, seria fácil brindar os poucos companheiros que estavam ou estariam completando dez anos, mas, mais adiante, esse número de companheiros iria crescendo e, os grupos, não tendo condições para adquirir essas fichas de ouro, criariam dentro de A.A. duas castas: a dos que tinham fichas de ouro, e a dos que não podiam ter. De qualquer forma, a ficha foi introduzida no A.A. e, atualmente, muitos são os companheiros que completaram os seus dez anos e não receberam a ficha de ouro”. (N.T.: 3) Maiores informações a respeito desta coletânea podem ser obtidas no Grupo de origem de Luiz M., o Grupo Central do Brasil de A. A. Rua Prof. Clementino Fraga Filho, nº 22 (Igreja de Santana - Reuniões 3ª e 6ª feiras). Caixa Postal: 16.070 CEP: 20.221, Rio – RJ. A história foi redigitada por Ricardo Gorobo - Gr. Paquetá.
Vale
dizer que o ato da entrega de fichas, sua frequência e a forma de fazê-lo ou
não, é uma prerrogativa de cada Grupo em particular adotada conforme sua
consciência coletiva. Ainda assim, a aceitação ou recusa da ficha é de livre
vontade de cada membro. Muitos AAs celebram seus “aniversários” fazendo doações voluntárias e anônimas aos Órgãos de
Serviço conforme suas poses ou doando literatura a companheiros novos. Os
Grupos deverão sempre evitar fazer entrega de fichas e/ou homenagens em
reuniões de divulgação ou de Informação ao Público.
É
consenso que as fichas celebram o tempo
de sobriedade continuada – sem recaída, que é, também, o tempo que conta
para pleitear qualquer encargo na estrutura de A.A. Como ninguém pode ser
fiscalizado, este tempo baseia-se numa afirmação
moral do membro. O tempo de Irmandade é contado desde
quando o membro manifestou seu desejo de nela ingressar. Não existindo
infração, penalização, punição nem expulsão não existe reingresso na Irmandade,
mas sim, retomada do tempo de
sobriedade a partir de uma eventual recaída.




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