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quinta-feira, 13 de abril de 2023

AVALIAÇÕES GERAIS pelo colégio PÓLEN - sistema Piaget de ensino

 AVALIAÇÕES GERAIS pelo colégio PÓLEN:

 
 

   Com 10 anos e 11 meses, Marcelo Braga da Silva, do recanto (sala): Poente, da professora Miriam. Colégio de sistema Piaget de ensino, com seis alunos por sala, do qual guardo saudades e lembranças ótimas. Por que não dizer que as melhores lembranças de minha infância se passaram nesse colégio. Sua localização é próxima à garagem de ônibus da empresa Redentor em Jacarepaguá entre os bairros Freguesia e Cidade de Deus (este último, na época era apenas um conjunto de prédios, não o complexo comunitário que é hoje). Lá comi muita amora, brinquei com formigas saúvas e lagartas, tive noções de horários e higiene, minhas primeiras puras paixonites: Joy, Ana Paula, Agnes... Minha inesquecível participação no jornal escolar e os testes psicológicos a que éramos todos submetidos constantemente. Essa ‘prô’ (assim chamávamos as professoras) Miriam foi a primeira pessoa a reparar minha propensão à literatura e dedicou-me um livro com a seguinte frase: “Ao meu futuro escritor.” Meu pai sacrificou-se para pagar na época as mensalidades e por motivos que desconheço me tirou de tal colégio. Lá eu permanecia em regime semi-interno, ou seja, das 08:00 às 18:00.


 
DADOS OBSERVADOS:
 
I – Área física
 

  1. HÁBITOS:

Higiene: Bom, Postura: Bom, Ritmos fisiológicos: não observados, Alimentação: Bom.

 

  1. EXPLORAÇÃO DO AMBIENTE:

Pessoas: Muito Bom, Plantas: Muito Bom, Animais: Muito Bom, Terra/areia: Bom, Água: Bom.

 

  1. SENSÓRIO-MOTOR (desenvolvimento)

A: Utilização dos membros:
Andar: Muito Bom, Trepar: Muito Bom, Correr: Muito Bom, Pular: Muito Bom, Ajoelhar: Muito Bom, Escrever: Muito Bom, Desenhar: Muito Bom, Recortar: Muito Bom, Abotoar: C, Amarrar: C.
B: Coordenação dos movimentos:
Muito Bom
C: Equilíbrio:
Estático: Muito Bom, Dinâmico: Muito Bom

 

  1. CONDUTA MOTORA LIGADA À:

Direção: Muito Bom, Percepção Espacial: Muito Bom, Coordenação de Meio-Fim: Muito Bom.

 

 

  1. VOZ E PROLAÇÃO:

Normal.
 
II – Área cognitiva
 

 

  1. EQUILÍBRIO:

Permanência do objeto: não observada, Invenção: Bom, Descoberta: Muito Bom, Intuições: Muito Bom.
Conservações: número, peso, substância e volume: C

 

  1. FUNÇÃO SEMIÓTICA – Comunicação:

Reconhecimento de: Símbolos, Índices, Sinais e signos: Muito Bom
Transmissão de estórias, narrativas: Muito Bom, Imitação: Muito Bom, Dramatização: Muito Bom, Monólogo: não observado, Monólogo Coletivo: C, Diálogo: Muito Bom, Interpretação de símbolos e signos: Muito Bom.

 

  1. EXPERIÊNCIA FÍSICA – Matemática:
Topologia: Muito Bom. Ordenação: C, Classificação: Muito Bom, Linguagem dos Conjuntos: Muito Bom, Qualidade dos Objetos: Muito Bom, Localização espacial: Muito Bom, Localização temporal: Muito Bom.
 
III – Área emocional
 
 1. AFETIVIDADE:
Centração na prô: Muito Bom, Interesse em outras crianças: Muito Bom, Relações com outras pessoas: R.
2. REAÇÕES:
Em situações inesperadas ou bruscas suas reações notam:
Certo controle emocional, manifestação exagerada, adequada à intensidade do estímulo e alheamento.
3.ACEITAÇÃO DOS VALORES OU ESTÍMULOS DO MEIO:
Precisa ser advertida frequentemente.
 
IV – Área social
 
1.   RELAÇÕES INTERPESSOAIS:
Forma principal de contato: verbal
Aceitação dos colegas: Bom
Cooperação: R

terça-feira, 11 de abril de 2023

Muçarela de Búfala

14.05.2012.

 
 
Passei três capítulos colecionando corpos e imagens
Abrindo janelas por onde o vento levava meus sonhos
Sem saber se o mar era agitado ou o baleeiro frágil
 
Atravessei quatro pontes com olhar insolente
Onde vivi inquietude e aflição debalde
Até que o dedilhado calmo do violão fosse constante
 
Tive oito encantamentos quando os mesmos chegaram ao fim
Cruzes e amuletos oxidados sobre deuses mortos
Até que descobri nunca tê-los sido ao menos miragens
 
Estive vários Marcelos em setecentos vilarejos
Covas, mármores, tumbas onde pesadelei
Horas esparsas entre os dedos enrugados de tanto rio
 
Treinei vida sob o foco das luzes dos faróis
Impermanentes e em descerimônia íntima
Quando forasteiro de mim, fui ser amor


Marcelo Braga

Resenha do livro "Ecce Homo" - Nietzsche

Além de ter sido um gênio no sentido mais amplo do termo, Nietzsche (1844-1900) também foi um dos mais refinados humoristas de seu tempo, um sátiro do mesmo quilate de Voltaire. E não estou brincando com relação a isso, tão pouco menosprezando a fantástica obra nietzschiana ao enfatizar sua veia humorística, mas apenas ressaltando que esta a impressão que se tem logo ao ler as primeiras páginas de "Ecce Homo" e exemplifica plausivelmente uma das máximas gislescas de que nada é mais hilariante do que a mais pura verdade.


   A extraordinária autobiografia nietzschiana é um antro da mais grandiosa e contundente ode a si mesmo. Com uma escrita apurada e cheia de deliciosas referências, ele mostra a quem ainda não se dignou a notar, o porquê de ser tão inteligente, o porquê de escrever livros tão bons, o porquê de ser tão sábio... E ainda nos leva em uma viagem pelos bastidores de sua impecável obra literofilosófica, comentando seus livros, com um humor acrimonioso atirado por uma metralhadora giratória. Nietzsche é sempre atual porque sempre esteve, enclichezadamente falando, muito à frente de seu tempo. Ele não conseguiu, em vida, nem um doze avos do reconhecimento de que era merecedor, e o que poderia ter sido um empecilho, parece ter sido a grande inspiração para que ele escrevesse este que foi o último suspiro antes do colapso mental que o atacou, a paralisia que o levaria à morte.


   Logo no prólogo, ele já manda uma bala que atinge o alvo antes que este tenha tempo de dizer "Zaratustra", dizendo que "O desequilíbrio entre a grandeza de minha tarefa e a pequenez de meus contemporâneos ficou expresso no fato de que não me ouviram, nem sequer me viram." Referindo-se a seu projeto de "Transvaloração de Todos os Valores", que incluía "As Canções e Zaratustra" (publicado postumamente sob o titulo de "Ditirambos de Dioniso") "O Anticristo", "Ecce Homo" e mais um, que não chegou a ficar pronto, ele esclarece que esta seria a mais pesada exigência que jamais foi colocada à humanidade. Alguém ainda duvida? E o ritmo é constante, porém, nada monótono, sempre enfatizando a si mesmo como o grande pensador que fora e como o "ar das alturas", de sua obra, poderia ser prejudicial aos que não tinham sido talhados para respirá-lo. Entre um golpe e outro, ele demonstra sua gratidão a si mesmo e ao ano glorioso que teve (1888), em que trouxe à vida seu já citado projeto de transvaloração dos valores, "Crepúsculo dos Ídolos" e o próprio "Ecce Homo", suas tentativas de filosofar com o martelo. Noutra forma de se auto-elogiar e provar o porquê de não ser um décadent, fala de seu pai, "frágil, amável e mórbido, destinado à transitoriedade, uma lembrança bondosa da vida, e não a vida em si"; da mãe e da irmã, "quando eu procuro o mais profundo dos antagonismos a mim mesmo, a baixeza incalculável dos instintos, sempre encontro minha mãe e minha irmã"; e, especialmente, contra-ataca os alemães, seus alvos favoritos: "Sou estranho a tudo que é alemão, de modo que tão-só a proximidade de um alemão retarda a minha digestão ".Entre seus "iguais", ele coloca o casal Wagner, dizendo que "Cosima (mulher de Richard) é, de longe, a natureza mais nobre, a única mulher digna a receber o primeiro exemplar de Ecce Homo. E Richard, é o homem mais aparentado comigo... O resto é silêncio..." O tal do silêncio pode ser exemplificado pelo papel social da mulher (especialmente a do final do século XIX), que ele diz ter o páthos agressivo, ser vingativa, e por isso, fraca. Elogia Stendhal, que lhe "roubou" um dos seus melhores aforismos ateus ("Qual foi à maior objeção à existência feita até hoje? Deus"); Baudelaire, "que foi o primeiro a entender Delacroix e Wagner" e mais uns poucos sortudos.


   Num dos motivos que explicam sua larga sabedoria e seu caráter benéfico por ser maligno, ele cita o método de desforra: mandar o mais rápido possível, uma atitude inteligente atrás de uma burrice, pois assim talvez a mesma ainda possa ser alcançada. "Basta que me façam algo de mau, que em pouco tempo encontro uma oportunidade de expressar meu agradecimento ao "malfeitor" ou de pedir algo a ele, o que pode ser mais cortês do que dar alguma coisa. "Ainda divaga, com muita coerência, sobre o tipo de recreação (“ ler me relaxa de minha própria seriedade”), a nutrição (pro diabo a culinária alemã!), o local e o clima (seco, de Paris, Atenas, Florença) corretos para extrair o melhor de si mesmo; critica o estilo de viver "sobre as nádegas", que alguns ostentam; os "wagnerianos et hoc genus omne, que acreditam honrar a Wagner pelo fato de se considerarem semelhantes a ele". E explica "que a gente se torne o que a gente é pressupõe que a gente não saiba o que a gente é. Até mesmo as decisões erradas têm seu valor e seu sentido peculiar". Sobre a solidão, além do que foi feito no majestoso "Assim Falou Zaratustra", ele sintetiza tudo numa única frase: "minha humanidade não consiste em sentir junto com a pessoa como ela é, mas sim em suportar o fato de senti-la". E completa, primorosamente: "Sofrer por causa da solidão também é uma objeção ― eu sempre sofri tão-só por causa da 'multidão'". Amém.



Fonte da Resenha: "Psicoloucos"

domingo, 9 de abril de 2023

Apresentação para livro no prelo

 SOBRE MARCELO BRAGA:

 

Falar sobre Marcelo Braga? Acho que é fácil. Vamos lá: temos alguns pontos em comum. Assim como ele, eu gosto de rock, de Bob Dylan e sou leitora voraz. Assim como ele, sou redundante e às vezes implicante. Mas, ao contrário dele, não gosto de cigarros nem de Coca-Cola. Considero-o inteligentíssimo. Uma pessoa que consegue definir comportamentos. Consegue transmitir suas convicções e sustentá-las com firmeza – ainda que o faça através das entrelinhas de sua fina ironia. Lendo-o pela primeira vez, um leitor que não o conhece pode pensar: ”esse cara é louco”! Mas, se esse mesmo leitor continuar lendo textos seus, logo encontrará um sobre o qual será inevitável afirmar: “nossa, esse sujeito é um verdadeiro professor de psicologia! Que sabedoria, que lucidez”! É isso, Marcelo é assim. O ser humano é assim, controverso – aliás, se assim não fosse não teria graça, seria chato demais. E eu diria que Marcelo Braga é um perfeito exemplo de SER humano. Certa vez li uma frase sua que me deixou perplexa pela sua simplicidade e, ao mesmo tempo, sua profundidade: “Minha essência é inseparável de mim, mesmo no Tibet”. Tenho a impressão de que ele vive constantemente procurando se inovar, descobrir e se (des)cobrir – tal qual uma criança. Aprendi a “conhecê-lo” melhor lendo seus pensamentos, suas consistentes crônicas e as incríveis poesias em que – poeticamente falando – ele se desnuda. Gosto de “assistir” suas freqüentes visitas ao seu íntimo, as quais descreve com riqueza de pormenores e detalhes sórdidos (às vezes nem tão sórdidos assim... rsrs). Seja como for, sempre me impressionam pela sinceridade neles contida. Sua inteligência quase assusta. Suas prosas são verdadeiras catarses. Ele escreve com gana. Com garra. Com fúria. Com dor. Com amor. Se ele fosse mulher eu diria que escreve com o útero. Mas é homem, e eu digo assim mesmo: ele escreve com o útero, ou seja, visceralmente! Basta ter um pouco de sensibilidade para sentir isso. Quem o lê verdadeiramente sente que sua escrita flui do mais profundo do seu ser. Não há superficialidade. Até mesmo quando debocha é intenso. Tudo que escreve tem seu alvo – e é uma pena que nem sempre isso seja percebido. É com intensidade que elabora seus textos mais loucos. Ou incrivelmente lúcidos – depende do ponto de vista do leitor. Do meu, eles sempre foram... loucamente coerentes. Alguns, repletos de entrelinhas. Mas quem o conhece sabe quando nestas entrelinhas está contida a sinceridade, a dor ou a ironia. Ele é um cara que brilha. Azul é minha cor preferida, então eu diria que ele é um sujeito de alma azul.

Bad boy, que de “bad” não tem nada. Pai de família, faz questão de falar sempre em sua esposa e filhos.

É um ser em constante mutação. O poeta que mora dentro dele de repente se transforma. Realidade se confunde com ficção, e aí ele vira menino. Às vezes vira um Cavaleiro do Apocalipse. Brinca, implica, debocha, escracha, ironiza. Ah, como o Praga (ops, o Braga) ironiza! Seu grito irônico ecoa e se mistura ao mágico universo dos seus escritos!

 Adoro sua irreverência direcionada, suas metafóricas indiretas certeiras, sua irreverência  e suas ambulantes divagações. Gostaria de deixar um recado para ele. Posso? Marcelo, quando eu crescer quero escrever igualzinho a você!

 

(Beth Joy) - 2011

Meus contatos com a literatura

 III – LITERATURA

 1. Primeiros contatos
 
   No sobrado à Rua José Silva, no Pechincha em Jacarepaguá. Os infantis: O Menino do Dedo Verde, O Menino Maluquinho de Ziraldo, O Pequeno Príncipe de Saint-Exupèri, Reinações de Narizinho e Caçadas de Pedrinho de Monteiro Lobato. Também os infantis da editora Ediouro: Os Meninos da Rua Paulo, Mark Twain, A Ilha de Coral de Ballantyne, Memórias de um Cabo de Vassoura, Quinze Anos, O Tesouro Perdido, Vamos Aquecer o Sol, Meu Pé de Laranja Lima e muitos outros. Logo depois quase toda a obra infantil de Monteiro Lobato e alguns de Julio Verne. Ainda na mesma época, em 1980-87, Tieta do Agreste de Jorge Amado, Histórias Macabras de Alfred Hitchcock e Um Cadáver Ouve Rádio presenteado por uma professora do Pólen chamada Mirian com a dedicatória “ao meu futuro escritor”. Antes da fase evangélica, ainda a febre dos livros de bolso de faroeste.
 
2. 1ª fase
 
   Dicionários morfológicos, gregos, bíblicos, Atlas e livros teológicos (1988-1991). Cheguei a gastar mais que a metade de meus rendimentos na época como missionário, na compra de livros e na manutenção de uma Escola Bíblica por Correspondência onde eu era um distribuidor.
   Lia muito, todos os dias. Estudava a Bíblia e cheguei a ler praticamente toda a literatura da JUERP usada na formação de pastores batistas. Entre tudo que tive na época, calculo uns 700 livros lidos.
 
3. 2ª fase
 
   Em meu afastamento do meio evangélico (1992-2005), os escritores nacionais e uns poucos estrangeiros. Praticamente toda a obra de Machado de Assis, de Jorge Amado e de Graciliano Ramos. Também José de Alencar, Érico Veríssimo, Júlio Ribeiro, Milan Kundera, Umberto Eco, Camilo Castelo Branco, Oscar Wilde, Aluísio Azevedo, R. Louis Stevenson, Victor Hugo, Cruz e Sousa, Carlos Drummond de Andrade, Agatha Christie, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Clarice Lispector, Tolstói e muitos outros. Livros técnicos, astrológicos, de psicologia, de idiomas, biografias e históricos. Arrastei essa fase, lendo de tudo um pouco até meus trinta anos, fechando a mesma com a obra de Paulo Coelho. Por alto, sem errar, uns 2000 mil livros lidos. Uma média de 2 livros por semana em seu auge.
 
4. Fase atual
 
   Ainda curioso em relação a vários assuntos, porém focado em sociologia, psicologia e filosofia. Quem permeia minhas estantes, bolsas e mesas atualmente: Kant, Comte, Rousseau, Diderot, Schopenhauer, Erasmo, Sêneca, Cícero, Platão, Sören Kierkegaard, Voltaire, Nietzsche, Spinoza, Aristóteles, Darwin, Descartes, Thomas More, Lúlio, Franz Kafka, Montesquieu, La Rochefoucauld, Fernando Pessoa e outros... (até 2011).
 
5. Minha bibliografia
 
   Na infância, escrevia, ilustrava e encadernava livrinhos de historinhas e fazia também um tal de Jornal Tupi, onde ainda tenho alguns de seus exemplares. Alguns desses livrinhos de historinhas foram perdidos no derramar acidental de um vidro de nanquim numa sala de arte-final da Editora Bloch onde meu pai trabalhava.
   Na época de missionário, um jornalzinho periódico que não se manteve por muito tempo chamado Enquanto Ele não vem...
   Por volta de 1996-97, apostilas de poesia que me renderam alguns trocados em restaurantes em São José dos Campos.
   Por último, a Coleção Dilema, que junto a Isabel, minha esposa, no calçadão da praia da Barra da Tijuca à noite de segunda a sexta nos seus 60 e tantos quiosques, nos renderam o sustento por dois meses no Itanhangá.
 
   Coleção Dilema:
   Barafunda Fecunda
   Mundo Caranguejo
   Partículas Acrílicas
   Pretensão de Encarar o Sol
   República Democrática de um Homem Só.
   (concluídos e publicados)
 
   Coleção Esfera:
   Tantálico (concluído e em revisão)
   Narciso do Valão (concluído e em revisão)
   Venerável Ferrão (concluído e em revisão)
   Estou Vendendo Meus Sonhos (pela metade)
   Olhos Que Brilham Vendo o Paraíso (pela metade)
 
   Outros:
   Petit Fille (1° dos cinco livros da Coleção Pequena Menina, um projeto de 15 anos).
   Ensaios e Aforismos (já iniciado)
   Eu (este que folheias)



Marcelo Braga

 
  

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Desenvolvimento do Pensamento Pós Formal

 

Desenvolvimento do Pensamento Pós-Formal


Trabalho: Psicologia do Desenvolvimento Humano 04/04/2023 


O que é o pensamento pós-formal?

Embora Piaget afirme que a cognição atinge seu estágio final na adolescência, outros teóricos consideram que também existe o pensamento pós-formal , um quinto estágio do desenvolvimento cognitivo caracterizado pela capacidade de relativizar, assumir contradições e sintetizar elementos opostos.

Para Jean Piaget, pioneiro da psicologia evolucionista e autor da teoria mais popular do desenvolvimento cognitivo, chega ao ponto culminante quando o pensamento concreto é abandonado e o pensamento formal é consolidado, ou seja, a capacidade de pensar abstratamente.

Isso implica que, ao chegar a esse estágio, que ocorre como regra geral entre 11 e 15 anos, trabalhe não apenas com elementos concretos, tangíveis e baseados na realidade, mas também com hipóteses e possibilidades. Além disso, são desenvolvidas habilidades que permitem que diferentes perspectivas sejam adotadas.

Posteriormente, diferentes autores questionaram e qualificaram o conceito original de pensamento formal. Assim, hoje se acredita que nem todas as pessoas atingem esse estágio, que isso pode acontecer em qualquer idade e apenas nas tarefas em que nos especializamos, e que pode haver outro tipo de raciocínio ainda mais avançado: o pensamento pós-formal.

 

Características do pensamento pós-formal

 

1. Relativismo

O pensamento formal tende a ser dicotômico

Pensamento dicotómico

Classificar as coisas como brancas ou pretas, verdadeiras ou falsas. Por exemplo: “Se este trabalho não ficar perfeito, o meu esforço não terá valido para nada”, ou quando uma pessoa não encontra emprego e pensa “sou completamente inútil!”.;

assim, por exemplo, as pessoas são geralmente categorizadas como “boas” ou “ruins”, e as afirmações são entendidas como verdades absolutas ou mentiras, sem pontos intermediários.

No entanto, a interação com outras pessoas, a adoção de múltiplos papéis e a aquisição de novas informações favorecem a conscientização de que existem múltiplas verdades que dependem do ponto de vista , fortemente influenciadas pela história pessoal e pelo contexto a partir do qual Eu os observei.

 

Assim, essa tendência não dá tanta atenção ao que deveria ser “a verdade”, e o foco está no tipo de narrativas adotadas para explicá-la.

 

2. Contradição

Uma vez que o pensamento relativístico aparece, a contradição é aceita como um aspecto natural da vida. Fenômenos aparentemente incompatíveis podem coexistir, tanto na percepção da realidade quanto nos seres e objetos vivos.

Assim, qualquer um pode ser “bom” e “ruim” simultaneamente, seguindo o exemplo anterior. A natureza complexa da realidade é aceita e a ideia de que existem realidades ontológicas diferentes que se sobrepõem é internalizada.

Vários autores argumentam que a aceitação da contradição é a característica mais característica do pensamento adulto, e que geralmente se desenvolve durante a meia idade . No entanto, a variabilidade interindividual é alta, portanto também pode acontecer mais cedo ou mais tarde.

Relacionado:  ter amigos inteligentes nos torna mais inteligentes, de acordo com uma pesquisa

 

3. Síntese ou dialética

Como eles assumem o relativismo e a contradição como aspectos naturais da experiência humana, as pessoas que usam o pensamento pós-formal podem integrar (ou sintetizar) conteúdos mentais contraditórios, tanto cognitivamente quanto emocionalmente.

Durante esse estágio, há uma dialética contínua no pensamento, de modo que todas as ideias são comparadas e sintetizadas com seus opostos e com diferentes experiências. Isso permite uma capacidade de raciocínio mais alta e mais flexível do que aquela que caracteriza o pensamento formal.

 

Fase de desenvolvimento ou estilo de pensamento?

Embora aqueles que defendem o conceito de pensamento pós-formal usualmente o definam como um estágio de desenvolvimento cognitivo que, como o próprio nome indica, aparece após o estágio de operações formais, no momento a pesquisa científica não confirmou essa hipótese .

Embora seja verdade que as características definidoras do pensamento pós-formal se manifestem com mais frequência na idade avançada, nem todas as pessoas que se desenvolvem normalmente atingem esse período cognitivo. De fato, nem todo mundo consegue passar do estágio de operações concretas para o estágio de operações formais.

Além disso, as evidências científicas mostram que algumas pessoas que não atingiram o período formal mostram pensamento relativista. Hipotetizou-se, portanto, que o pensamento pós-formal é um estilo de raciocínio que consiste em um conjunto de habilidades metacognitivas que podem ser adquiridas após a maturação , e não necessariamente em um estágio de desenvolvimento.



BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

  12.02.2011. Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escald...