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domingo, 9 de abril de 2023

Apresentação para livro no prelo

 SOBRE MARCELO BRAGA:

 

Falar sobre Marcelo Braga? Acho que é fácil. Vamos lá: temos alguns pontos em comum. Assim como ele, eu gosto de rock, de Bob Dylan e sou leitora voraz. Assim como ele, sou redundante e às vezes implicante. Mas, ao contrário dele, não gosto de cigarros nem de Coca-Cola. Considero-o inteligentíssimo. Uma pessoa que consegue definir comportamentos. Consegue transmitir suas convicções e sustentá-las com firmeza – ainda que o faça através das entrelinhas de sua fina ironia. Lendo-o pela primeira vez, um leitor que não o conhece pode pensar: ”esse cara é louco”! Mas, se esse mesmo leitor continuar lendo textos seus, logo encontrará um sobre o qual será inevitável afirmar: “nossa, esse sujeito é um verdadeiro professor de psicologia! Que sabedoria, que lucidez”! É isso, Marcelo é assim. O ser humano é assim, controverso – aliás, se assim não fosse não teria graça, seria chato demais. E eu diria que Marcelo Braga é um perfeito exemplo de SER humano. Certa vez li uma frase sua que me deixou perplexa pela sua simplicidade e, ao mesmo tempo, sua profundidade: “Minha essência é inseparável de mim, mesmo no Tibet”. Tenho a impressão de que ele vive constantemente procurando se inovar, descobrir e se (des)cobrir – tal qual uma criança. Aprendi a “conhecê-lo” melhor lendo seus pensamentos, suas consistentes crônicas e as incríveis poesias em que – poeticamente falando – ele se desnuda. Gosto de “assistir” suas freqüentes visitas ao seu íntimo, as quais descreve com riqueza de pormenores e detalhes sórdidos (às vezes nem tão sórdidos assim... rsrs). Seja como for, sempre me impressionam pela sinceridade neles contida. Sua inteligência quase assusta. Suas prosas são verdadeiras catarses. Ele escreve com gana. Com garra. Com fúria. Com dor. Com amor. Se ele fosse mulher eu diria que escreve com o útero. Mas é homem, e eu digo assim mesmo: ele escreve com o útero, ou seja, visceralmente! Basta ter um pouco de sensibilidade para sentir isso. Quem o lê verdadeiramente sente que sua escrita flui do mais profundo do seu ser. Não há superficialidade. Até mesmo quando debocha é intenso. Tudo que escreve tem seu alvo – e é uma pena que nem sempre isso seja percebido. É com intensidade que elabora seus textos mais loucos. Ou incrivelmente lúcidos – depende do ponto de vista do leitor. Do meu, eles sempre foram... loucamente coerentes. Alguns, repletos de entrelinhas. Mas quem o conhece sabe quando nestas entrelinhas está contida a sinceridade, a dor ou a ironia. Ele é um cara que brilha. Azul é minha cor preferida, então eu diria que ele é um sujeito de alma azul.

Bad boy, que de “bad” não tem nada. Pai de família, faz questão de falar sempre em sua esposa e filhos.

É um ser em constante mutação. O poeta que mora dentro dele de repente se transforma. Realidade se confunde com ficção, e aí ele vira menino. Às vezes vira um Cavaleiro do Apocalipse. Brinca, implica, debocha, escracha, ironiza. Ah, como o Praga (ops, o Braga) ironiza! Seu grito irônico ecoa e se mistura ao mágico universo dos seus escritos!

 Adoro sua irreverência direcionada, suas metafóricas indiretas certeiras, sua irreverência  e suas ambulantes divagações. Gostaria de deixar um recado para ele. Posso? Marcelo, quando eu crescer quero escrever igualzinho a você!

 

(Beth Joy) - 2011

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