Instagram: marcelo.braga73

sábado, 23 de março de 2024

QUANDO OS LASTROS SE ESTABILIZAM


29.01.2012.
 
 
Domingo passado nessa hora, eu não sabia ainda o que fazer
Veio sei lá de onde, algo a cutucar meu espírito e me orientar
Ao risco, à energia positiva, ao vigor, à retomada, à iniciativa
 
O cerco estava fechado; transpô-lo parecia impossível
Mas um potencial de conquista encontrou meu corpo curtido
Levantou-me da inércia e me mostrou uma rota, um alvo
 
E deu certo
Cada peça que a vida ME PREGA!


A IMORTALIDADE SUBJETIVA CINGE-LHES SUAS FRONTES GLORIOSAS!

 A IMORTALIDADE SUBJETIVA CINGE-LHES SUAS FRONTES GLORIOSAS!

10.02.2012.


Prodígios literatos
Notoriedades do idioma latino
Nomes consagrados
Topo da escalada
Relicários de sumidades sábias
Medalhões imortais
Encarnações de nobrezas e sapiências

Nicho do eterno Reino das letras
Templo da eterna glória
A Academia Brasileira de Letras!

A todos que já passaram pela nobre Casa
Aos que lá permanecem ativos
Aos que ocuparão tronos disponíveis
Ao trabalho glorioso em uma apoteose de virtudes

Minha sincera poesia homenagem.


AO REDOR


11.02.2012.





Não sei o que é amor
Não sei se eu preciso sentir amor
Não quero saber nada dessas coisas
Não quero saber nada de coisa nenhuma
Meu dia está tão legal hoje e

A vida é uma tão bela agonia...

Se me suportas
Se gostas de mim
Se me amas
Seja lá o que venha ser
Apenas continue por perto porque

A vida me é uma tão bela agonia...


sexta-feira, 15 de março de 2024

Vincent van Gogh

    

 
   Vincent van Gogh não se enquadra em nenhuma escola de pintura, embora sua extraordinária percepção das cores possa ter se originado das teorias impressionistas. Foi depois de se juntar ao irmão Théo, em Paris, e conhecer os "Impressionistas" que van Gogh começou a abandonar os tons escuros que até então usara, preferindo as cores puras primárias e secundárias, e adotar as pinceladas irregulares que davam uma sensação de luminosidade e leveza aos quadros impressionistas. Começou também a pintar a ar livre, hábito que conservou até morrer. A técnica de pinceladas firmes e carregadas que criou para seu próprio uso, aplicadas sem hesitação, permitiu-lhe pintar rapidamente e produzir um vasto número de obras nos últimos dois anos e meio de sua vida.
 
   Vincent William van Gogh nasceu em Groot-Zundert, uma cidadezinha em Brabante, no dia 30 de março de 1853. O pai era pastor protestante e van Gogh herdou dele o forte sentimento religioso pela vida e pela natureza que caracterizou o seu trabalho. Ele e o irmão mais novo, Théo, eram muito amigos e este não só incentivou o seu desejo de ser pintor como, na verdade, susentou-o financeiramente nos últimos anos de sua vida. O primeiro emprego de Vincent foi nas filiais de Paris, Bruxelas e Londres da Goupil e Cie, empresa que negociava objetos de arte fundada por seu tio. Mais tarde, tentou ensinar em Londres e, depois, trabalhou pregando nas minas e distritos agrícolas pobres de Brabante. Foi aí que van Gogh começou a expressar nos seus desenhos o que sentia pelas pessoas que o cercavam. Vivia tão pobre quanto elas, ao lado de uma prostituta que tomara a seus cuidados, mas a sua dedicação cristã foi mal compreendida e a sua igreja o censurou.
 
   Mais tarde, um amor não correspondido levou-o a tentar o suicídio. Em 1880, van Gogh resolvera estudar arte em Bruxelas e Haia, acabou por juntar-se ao irmão Théo, que trabalhava para o Goupil e Cie em Paris. Ali, van Gogh conheceu
Degas, Pissarro, Signac, Seurat, Toulouse-Lautrec, Monet e Renoir, e descobriu a sua verdadeira vocação.
 
   Depois de dois anos em Paris, durante os quais pintou mais de duzentos quadros com a ajuda financeira do irmão, van Gogh foi para Arles, no sul da França. Alugou um estúdio num local batizado de Casa Amarela e ali esperou que o amigo
Gauguin viesse lhe fazer companhia. Gauguin relutava mas, como Théo era o seu marchand, sentiu-se obrigado a passar algum tempo com Vincent. Os dois homens estabeleceram-se em Arles, mas a tenção entre eles era muito grande, principalmente devido ao temperamento exaltado de van Gogh, e Gauguin anunciou que ia voltar para Paris. Uma noite, percebeu que estava sendo seguido pelos jardins públicos de Arles por van Gogh que o ameaçava com uma lâmina de barbear ou faca. Gauguin dormiu aquela noite no hotel e, no dia seguinte, voltando a Casa Amarela, soube que tinham levado van Gogh para o hospital. Vincent cortara parte da orelha e a dera de presente a uma prostituta do bar que os dois costumavam freqüentar.
 
   Depois disso, van Gogh retirou-se voluntariamente para um asilo para doentes mentais em St-Rémy-de-Provence, onde esperava recuperar a confiança em si mesmo e a estabilidade mental. Enquanto esteva internado, pintou sem parar e escrevia ao irmão e a Gauguin garantindo-lhes que já estava curado. Outros se seguiram; van Gogh percebeu que era vítima de uma doença incurável.
 
   Em 1890 deixou St-Rémy e o clima ameno do sul e, seguindo o conselho de Pissarro, foi para Auvers-sur-Oise, onde um certo Dr. Gachet cuidou dele. Ali continuou pintando mas, depois de uma visita a Paris, onde soube das dificuldades financeiras do irmão e da doença do sobrinho, van Gogh teve uma recaída. Um dia, enquanto pintava ao ar livre em Auvers, deu um tiro no peito. O ferimento não parecia ser muito grave. Dr.Gachet fez o curativo e chamou Théo em Paris. Dois dias depois, em 29 de julho de 1890, Vincent van Gogh morria. Foi enterrado no cemitério de Auvers.



sábado, 2 de março de 2024

EXTRAÇÕES PREDILETAS BHAGAVAD GITA – KRISHNA

 

Capítulo 1
 
39 – “Quando uma tribo se corrompe, perece a piedade, e com ela perece o povo – a impiedade é contagiosa!” Arjuna.
 
Capítulo 2
 
11 - “Andas triste por algo que tristeza não merece – e tuas palavras carecem de sabedoria. O sábio, porém, não se entristece com nada, nem por causa dos mortos, nem por causa dos vivos.” Krishna.
67 - “O homem sem domínio sobre sua mente e seus sentidos é como um navio levado à mercê das ondas.” Krishna.
 
Capítulo 3
 
35 – “Melhor é viver segundo a consciência própria, mesmo imperfeitamente, do que se guiar, com perfeição, pela consciência alheia; melhor é morrer no cumprimento do dever do que viver com temor, à mercê de instintos inferiores.” Krishna.
 
Capítulo 4
 
21 – “Não espera lucro nem receia perda; vive todo em si mesmo, senhor de seus sentimentos e pensamentos, enquanto age, rei no reino de sua alma.” Krishna.
 
Capítulo 5
 
3 – “O verdadeiro renunciante é somente aquele que nada deseja e nada recusa, inatingido pelos opostos, tanto no seu agir quanto no seu desistir, não afetado nem por esperança nem por medo.” Krishna.
 
Capítulo 6
 
34 – “Inconstante e turbulenta é minha mente, ó Krishna! – mais fácil seria controlar os ventos...” Arjuna.
 
Capítulo 7
 
23 – “Limitada é a visão dos que demandam coisas finitas, e finita é a sua recompensa...”
Krishna.
 
Capítulo 8
 
26 – “São estes os dois caminhos invariáveis do mundo: um é a senda da iluminação e da sabedoria – o outro, a vereda das trevas e da ignorância. Por um recebe o homem autoliberação – por outro, autolimitação.” Krishna.
 
Capítulo 9
 
1 – “A ti, cuja alma se libertou das contraditórias *cavilações da mente, revelo-te a suprema sabedoria, o secreto poder do auto-conhecimento, que te fará viver em perfeita liberdade no meio dos variáveis fenômenos deste mundo material. “ Krishna
* cavilações: tramas ardilosas, zombarias.
 
Capítulo 10
 
25 – “Entre os sábios sou a sabedoria; entre as palavras sacras sou o *AUM, entre as montanhas sou o Himalaia. Eu sou o enlevo nas preces dos devotos.” Krishna
*AUM ou OM: o mais sagrado dos mantras orientais.”
 
Capítulo 12
 
15 – “Quem a ninguém ofende neste mundo, nem se sente ofendido por ninguém, mas paira acima de gozo e dor, liberto de cólera e temor – este me é querido.” Krishna
 
Capítulo 13
 
25 – “Pelo auto-conhecimento alguns homens encontram o seu verdadeiro Eu; outros pelo caminho do raciocínio e por atividade de sabedoria e santidade.” Krishna.
 
Capítulo 14
 
23 – “Ó príncipe! Quando o homem que habita na paz e no esplendor da luz é capaz de tolerar o fogo dos desejos e as trevas da ignorância, sem ser por eles dominado nem por eles irritado.” Krishna em resposta a Arjuna cuja pergunta fora: “Como se conhece Senhor, o homem que tal vitória alcançou? Como vive aquele que, pelo poder do espírito, superou as *três forças da natureza?”
*as três forças da natureza segundo Krishna sattva, rajas e tamas.
 
Capítulo 15
 
5 – “O homem liberto de vaidade, egoísmo e apego ao mal e que, de todo o coração, se devota à realização do Eu divino, superando os pares de opostos, como prazer e dor – este é um sábio e ingressa na Suprema Realidade.” Krishna.
 
Capítulo 17
 
11 – “Obra praticada sem interesse nem desejo de prêmio ou louvor, mas pelo senso do dever que a lei exige – esta é filha da sabedoria.” Krishna
 
Capítulo 18
 
60 – “O que procuras evitar, iludido pelas aparências, a isso mesmo serás compelido finalmente, contra a tua vontade, mercê das forças que vivem no íntimo do teu ser.” Krishna.



MEU LSD ACABOU...


21.02.2012.
 
 
Meu compromisso é com a felicidade
Nem vou mais perguntar o que você sente
 
Nada está tão ruim que não possa piorar e
Num passe de mágica, tudo se resolve
 
A realidade nunca é exata e
Aquilo que sinto é complicado agora pra te explicar
 
Ah, desculpe-me, você leva tudo muito a sério
Minha profusão não tem luz, é secreta e joguei no terreno do vizinho
 
Não me sinto sozinho no mundo
Hoje nasceu Letícia lá em Laranjeiras
 
As cores do psicodelismo dos anos 70 ainda me atraem
Mas meu LSD acabou...
 

Vou pra sua igreja rezar um pouco...
Quem sabe Buda e Maomé paguem meu imposto simples?!


HOJE, NA PONTE RIO-NITERÓI

 CONTOS DO SEPTO NASAL

 
 

22.02.2012.
 
 
 
   Por pior que possam ser os problemas de nosso planeta, de nosso continente, de nosso país, de nosso estado, de nossa cidade, sempre sobra-nos um amor pelos nossos iguais e parecidos e desaparecidos.
 
   Hoje pela manhã pensava nos que aparecem e nos que desaparecem. Afinal, a efemeridade das relações ainda são mais curtas que a efemeridade da vida em si.
 
   Pensei que de tudo podemos tirar proveito. Não, não sou xiita e observo as manifestações humanas, ora com sarcasmo, ora com amor, ora com neutralidade.
 
   Mas voltando ao assunto que nem comecei e talvez você já até tenha parado de ler: gostamos de ser do lugar em que nascemos. Reparo isso nos textos que leio e costumo de vez em quando dizer que nasci no Grajaú, bairro próximo ao bairro de Vila Isabel no hospital Italiano e fui criado em Jacarepaguá, distrito da capital carioca.
 
  Conheço costumes daqui. Gírias, falas e comportamentos.
 
   Em nenhum outro lugar dos 13 estados do Brasil que conheço, fiz tantas amizades como fiz aqui.
 
   Não concordo com mil coisas daqui, mas uma não posso negar: somos numa alta porcentagem, criativos e alegres.
 
   Bem, então vamos lá. Estava vindo ao trabalho (sou um carioca que trabalha nas quartas-feiras de cinzas) e a ponte Rio-Niterói engarrafada. Muitos cariocas voltando de vários lugares (fiquei reparando nas placas dos carros). Em principal, cariocas voltando da Região dos Lagos que inclui várias cidades belíssimas. O engarrafamento se dava na hora, devido a dois carros parados, pouco depois do vão central. O motivo: um pneu furado. Seis rapazes sem camisa e seis garotas com camisas e shortinhos. Enquanto um deles trocava o pneu, o resto da galera dançava ao som de um funk. Sim, dançavam em cima da ponte, ao sol escaldante. Divertida e alegremente.
 

   Não sou muito de Região dos Lagos na alta temporada. Não tenho mais 20 e poucos anos. Não gosto de ficar com o carro parado em lugar nenhum. Não gosto de funk. Mas a imagem daquela rapaziada se divertindo, fez-me rir, fez-me feliz por ser carioca também.


LUSITANA DE MEU TIRIONI


22.02.2012.
 
 
O poder das palavras
Que apagas
Mas fica, o primeiro canto
Tirioni...
 
Nem Mariza, nem Dulce, nem Amália
Saberiam desse meu Tirioni
O poder desse teu assento nas favas
Em larvas que me deixas
 
Modinha de saias
Não, não saias, eu morrerei!
Sem o doce som de tua voz
Uma graça perdida no mar
 
Uma estrela do mar
Achei nesse meu Tirioni
Sempre foram presas de meus caninos
Anas, Anitas e Anões dos jardins.
 
 
Dentro de mim
Nesse sonho de abraçar
Trago um mar e te dou
Estrelas desse mar
Insólito e inteiro
 
Anita...


DECLARAÇÕES DE AMOR e suas adequações...

 25.02.2012.



antecipamo-nos deveras exageradamente em declarações de amor. Investigamos pouco quando bate-nos tal sentimento. São em sua maioria esboços e simulações subjetivas. Quantas já não fiz?! Parece-me por hora, mais adequadas, as declarações não escritas...



de minha ESSÊNCIA a ESSÊNCIA de meus TEXTOS, às vezes...

 25.02.2012.



trivialidades confortadoras nunca fizeram parte da essência de meus textos, por não existir conforto em minha mente. Pensar na vida como um dom Supremo é, da boca pra fora, facílimo. Não vejo consertos, saídas – nem vislumbro uma flor como um poeta deveria assim fazer. Mas não posso negar que tenho, em lapsos e resvalos da memória, um lado sequestrado pelo reino da poesia... há mais de 30 anos...



E NÃO NOS PERDEMOS


26.02.2012.
 
 
Antes fossem racionais minhas ordenações
Mas, intuitivas e espontâneas

Quando se tornam urgentes são precisas
Volto-me aos objetos da substancialidade
Onde me revigoro
Onde evidencio
Onde processo com matures
No dedilhar tranquilo de um violão
Onde uma intensa luz faz-me ver teu nome
Onde meus movimentos perdem a autonomia
 
Monopolizam-me, teus dedos em minhas mãos
Teus incansáveis carinhos
Tua singular verdade
 
Rendo muito mais
Em tua inteligente orientação



ALGUMAS DE PEDRINHO (DOM PEDRO II)

 



►Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael de Gonzaga e Bragança nasceu no dia 2 de dezembro de 1825, Rio de Janeiro. Seus apelidos foram: Pedrinho (na infância) e Magnânimo (na maturidade). Ou "Bibianinho'?


► Canja de Galinha - era o prato predileto do imperador.


► Pedrinho era bastante estudioso: tinha aulas de ciências, astronomia, línguas (mais de 10, incluindo grego, sânscrito e latim), filosofia, religião, desenho, caça, aritmética, literatura, dança, música, geografia, equitação e esgrima. Não sobrava tempo para brincar.


► "Enganaram-me!" - essa foi a reação do imperador, então com 17 anos, ao ver AO VIVO a noiva que lhe trouxeram da Europa: Teresa Cristina. De perto, a moça era manca, feia e mais velha, mas tinha sentimento e chorou... não sei informar qual dos dois chorou, ou se os dois.


► o casal teve quatro filhos. Só as meninas Isabel e Leopoldina chegaram à idade adulta.


► Pedro II era "muito" preocupado com a educação das filhas. A tutora, a condessa de Barral, tornou-se sua amante...


FONTE: O GUIA DA HISTÓRIA DO BRASIL - EDITORA ABRIL.


VISTO QUE:


02.03.2012.
 
 
Meu nome é complicação quando quero ser
Meu nome é solubilidade quando quero ser
Desaconselho me acompanhar
Vou querer dividir meus tributos com você
Tudo é passageiro, eternamente passageiro
Todos os dias a rotina é passageira?
 
Trato tudo com gradativa delicadeza
Logo trato tudo com agressiva aspereza
No caminho da acomodação
Comprometo todo o processo da ação
Mantendo-se na delicadeza o ressentir vai morrendo
Todos os dias tem um ressentimento morrendo...
 
Visto se tratar de devaneios ao som de Eric Clapton
Circunspecções ao som da flauta de Jethro Tull
Pura, simples e inteiramente passageiros pensamentos
 
Apenas um potencial à resistência
Apenas o efeito triplicado
Apenas 38 anos vividos agitadamente
 
É que reativei meu neutralizador de temores
É que minha rotina é uma surpresa atrás da outra
É que meus pressentimentos acabam me indicando o nada
É que fico mais feliz com o nada e minhas próprias armas
É que minhas viagens à Lua ocorrem enquanto estou dormindo
É que desaconselho me acompanhar
 
Visto que sou um misto de brutalidade e delicadeza
Visto que visto minhas camisas sem nada escrito nelas
Visto que impeço que você me indique as soluções
Visto que naturalmente sempre preferi aprender sozinho
Visto que nada sei e hoje pouco importam-me suas bandeiras

Visto roupas porque não posso andar pelado porraí!



LIBERTOS PELA LOUCURA!




Nivelei meu desprendimento permanente
Criei o clima propício para minhas mutações
Descarreguei todo o surpérfluo de minha mente
Uma gênese, um eclipse e várias estações

 
Libertei-me de mim em mim numa procura
de um eu ainda desconhecido, um norte,
mergulhei em momentos de densa loucura
e encontrei-me menos febril, mais forte
 

Transei sóis, luas, estrelas, tão infinitamente
Sem desgaste, habitei as preces do jugo a dois
Ganhei espaços, terrenos de posse permanente
Invadi muito antes tudo que deveria ser depois

 
Acostumei a me perder em vielas tão sórdidas,
que serviam pra afogar meus próprios dias,
vendo seres alinhados, alienados em suas vidas,
mas vesti-me de Narciso e livrei-me de tudo, em poesia!







Por Denise Matos e Marcelo Braga


sexta-feira, 1 de março de 2024

ENFEITADO PARA NÃO DAR NA VISTA

 

02.03.2012.
 
 
Se aprovo ou desaprovo em minhas considerações alheias
Equaciono minha realidade subjetiva
Uma busca de compensação aos buracos de minha alma
Como que andando a cata de pedaços humanos para compor o meu
Despedaçado mundo
 
Se saio em pronunciamentos de minhas frutificações
Tento disfarçar as árvores que não plantei e os frutos que apodreceram
Uma ostentação periférica e superficial daquilo que não sou
Como se estivesse tudo resolvido aqui sem as normas da aquilitação
De meu ainda bruto diamante



LASTROS DE INSANIDADE

 

29.02.2012.
 
 
   Tudo que não é positivo é determinantemente ruim? Acredito que não. O que chamamos de EQUILÍBRIO depende da existência dos extremos.
   Como ser humano, possuo atributos de natureza subjetiva que transitam entre os extremos, ora calma ora apressadamente. Quando, nesse transitar, tais atributos encontram-se no passo calmo e encontram-se também no meio dos extremos é quando digo que estou equilibrado. Apenas nessa “conjunção” milagrosa... ocorre tal solstício...
   “Normalmente” não estou centrado, diria assim.
   Um exemplo meu, para facilitar: quando eu estudava em um colégio em Copacabana, em 1984, meu pai tendo sido novamente chamado pela diretoria do mesmo, ficou a par do seguinte: “seu filho apronta demais, só iremos renovar a matrícula dele porque suas notas são boas... e blá blá blá...”, o que me rendeu mais uma surra em casa depois, das muitas anteriores e posteriores. Pensei depois: se eu iria poder continuar naquele colégio, por que dizer a meu pai aquilo que ele já estava careca de saber?
   Desde aquela época eu já evidenciava uma busca por equilíbrio e acho que toda a humanidade busca isso, inclusive os portadores de distúrbios psicológicos (que não transitam entre os extremos, vivem em um extremo específico).
   Confesso que não me acho normal. Isso não deve ser normal. Mas não vem ao caso; o que se esperar de alguém que com oito anos de idade preferia ganhar livros que qualquer outro presente. Quando era roupa então... putz!
   Mas voltando: admiro quem está sempre centrado. Chego a pensar: “caramba, eu queria ser assim!” Sabe, aquele cara que pensa antes de pensar?! Aquele cara que predetermina, calcula, estuda a execução do plano com inteligência.
   Não seria esse, esse cara centrado um serial killer?
   Então, prefiro esse desequilíbrio em liberdade que ser um equilibrado que ataca seu semelhante e perde seus direitos de cidadão comum.
   Nunca sei o que me espera o dia que amanhece. Se irão errar comigo, se irei errar com os outros. Os dias me são sempre uma nova surpresa.
   Querendo encerrar e não querendo me perder pelo caminho, o que quero dizer é o seguinte: além de sermos universos únicos, temos também nossos momentos de oscilações (em meu caso, culpo a Lua). Cabe então me desculpar e saber desculpar meus semelhantes diante dos maus entendidos.
   No quesito DESCULPAR, garanto: tenho um APAGADOR GIGANTE que limpa uma lousa (um quadro-negro) do tamanho de um prédio e recomeço tudo de novo como se nada tivesse acontecido.


BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

  12.02.2011. Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escald...