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sexta-feira, 1 de março de 2024

LASTROS DE INSANIDADE

 

29.02.2012.
 
 
   Tudo que não é positivo é determinantemente ruim? Acredito que não. O que chamamos de EQUILÍBRIO depende da existência dos extremos.
   Como ser humano, possuo atributos de natureza subjetiva que transitam entre os extremos, ora calma ora apressadamente. Quando, nesse transitar, tais atributos encontram-se no passo calmo e encontram-se também no meio dos extremos é quando digo que estou equilibrado. Apenas nessa “conjunção” milagrosa... ocorre tal solstício...
   “Normalmente” não estou centrado, diria assim.
   Um exemplo meu, para facilitar: quando eu estudava em um colégio em Copacabana, em 1984, meu pai tendo sido novamente chamado pela diretoria do mesmo, ficou a par do seguinte: “seu filho apronta demais, só iremos renovar a matrícula dele porque suas notas são boas... e blá blá blá...”, o que me rendeu mais uma surra em casa depois, das muitas anteriores e posteriores. Pensei depois: se eu iria poder continuar naquele colégio, por que dizer a meu pai aquilo que ele já estava careca de saber?
   Desde aquela época eu já evidenciava uma busca por equilíbrio e acho que toda a humanidade busca isso, inclusive os portadores de distúrbios psicológicos (que não transitam entre os extremos, vivem em um extremo específico).
   Confesso que não me acho normal. Isso não deve ser normal. Mas não vem ao caso; o que se esperar de alguém que com oito anos de idade preferia ganhar livros que qualquer outro presente. Quando era roupa então... putz!
   Mas voltando: admiro quem está sempre centrado. Chego a pensar: “caramba, eu queria ser assim!” Sabe, aquele cara que pensa antes de pensar?! Aquele cara que predetermina, calcula, estuda a execução do plano com inteligência.
   Não seria esse, esse cara centrado um serial killer?
   Então, prefiro esse desequilíbrio em liberdade que ser um equilibrado que ataca seu semelhante e perde seus direitos de cidadão comum.
   Nunca sei o que me espera o dia que amanhece. Se irão errar comigo, se irei errar com os outros. Os dias me são sempre uma nova surpresa.
   Querendo encerrar e não querendo me perder pelo caminho, o que quero dizer é o seguinte: além de sermos universos únicos, temos também nossos momentos de oscilações (em meu caso, culpo a Lua). Cabe então me desculpar e saber desculpar meus semelhantes diante dos maus entendidos.
   No quesito DESCULPAR, garanto: tenho um APAGADOR GIGANTE que limpa uma lousa (um quadro-negro) do tamanho de um prédio e recomeço tudo de novo como se nada tivesse acontecido.


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