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terça-feira, 27 de maio de 2025

BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

 


12.02.2011.


Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escaldante Sol.

Nada que violine além de Fauré pela França afora onde tantas vezes estive nos sonhos de dois séculos atrás e hoje pouco me importaria conhecê-la.

Nada que grite além do inspirado calmanteníaco duma voz fêmea fugidia que tranquiliza meus sonhos de amante louco que insisti sê-lo.

Nada que esconda e proteja além desse bunker de cerca viva onde me coloco sentado a escrever os filhos e imagens que toco com os dedos da minha alma.

Nada que avilte tanto quanto mais um só estalo do piano ante a mórbida música de hoje que diz ser música e eu que de tanto velho acho não mais sê-la.

Nada que me aflija além da clarividente intempérie de meu tranquilo extasiar que se assombra mansamente ante a perfeita conjugação piano-cordas.

Nada que ocupe além dessa página de linhas que retenha o espaço de minhas poucas centenas e cinquenta páginas de alvíssaras mesmo que suspeitas alvíssaras!

Nota do Autor do Livro: PETIT FILLE

 


PEQUENA MENINA
 
   Em francês, fica belo: PEQUENA MENINA; talvez em outros idiomas que desconheço (logicamente; não sou nem “biliglota”) também seja belo. Fiquemos com Petit Fille, fiquemos no francês; por sinal, pronúncia mais sofisticada dos idiomas já por mim ouvidos e de uma musicalidade apaixonante, não excluindo da lista os demais idiomas latinos e os anglo-saxões que também tanto me agradam.
   Esse livro reunirá, denunciado em palavras gravadas e impressas, o sentimento comum da maioria dos homens quando na ocasião do nascimento de sua filha, levando-se ainda em conta que, tendo tido anteriormente dois filhos homens em situações envolventes e despreparadas (na verdade nunca estamos preparados para nada nessa vida, assim penso...), não os pude por motivos e circunstâncias diversas e adversários criá-los além de fazê-los (somos quem para “fazê-los?”), e agora me parece mais que propícias as condições mínimas possíveis para a formação de uma família contida e solidificada num relacionamento de paz e envolvimento diário, num pacote de planos e anseios amadurecidos devido, talvez aos meus 34 anos de ineficácia e frustrações familiares. Como num GRITO de reformulação de hábitos, conceitos e interesses.
   Ainda não sei que formato, estilo e caminho trilharão tais textos. Primeiro livro escrito assim por mim, pelo começo e de começo incerto em sua própria evolução, com o desconhecimento total de sua trajetória, itinerário, porém com uma certeza: LIVRO EXPLOSÃO! Explosão máxima da minha emotividade; conectividade com outros livros, como por exemplo, minha autobiografia “precipitada” que segue emparelhada ao mesmo num atraso de poucos dias do início de Petit Fille.
   O sono me derrubou abruptamente agora, amanhã devo concluir tais inusitáveis ​​perplexidades temporãs de minha paixão declarada ao presente na forma de pequeno anjo oferecido-me pela Providência (viu, não sou ATEU...) numa ocasião desejada demais, porém repetidamente inesperada.
   Conclua tal página com a seguinte formulação: vivo um momento único, digno de ser documentado, comentado e festejado; esparramando-me pelos recônditos de minhas limitadas reentrâncias emocionais tão manifestadas visualmente, pouquíssimas vezes abertas a visitações e, tais palavras, ocasionalmente escritas numa “soberba” transliteração de códigos poéticos e emblemáticos de minha maior fortuna, minha piccola bambina! 
   Ana Julia, assim fora do seu primeiro ano de vida, coisas que você nunca saberia...   


Marcelo Braga

Nota do Autor do Livro: ENSAIOS E AFORISMOS

 A QUE SE DESTINA:

 

   Uma reunião de ideias, mesmo que aleatoriamente, que sobrevêm volta-e-meia e cismei que devo pô-las juntas. Reunir meus pensamentos que tratam de vários aspectos que facilitam a vida, a sobrevivência e a boa comunicação entre os seres.

   Dispor-me de minhas ironias, pois um dia havia dito que num futuro próximo eu iria, deitado numa rede, rindo de minhas agonias passadas. Determinações? Não! Meros subterfúgios.

   Informar-me mais formalmente de meu amadurecimento tardio, que urgia num atoleiro de pequeninices e hoje sobra-me em forma de compreensão, descompressão, entendimento e uma justa maneira de analisar sobre prismas “absurdos” calmamente a “loucura” que é preocupar-se, e não mais viver pré-ocupado com o devir, incerto e conturbado devir; deixar que as coisas fluam em seu tempo, criando condições e situações que esgotem todas as possibilidades de refluxo (voltar ao ponto de partida); crescer!

   Participar, relatar e relacionar-me com uma série de transformações que meu caráter multívolo repuxa-me e tentar assim descobrir se foi o cristianismo, ou o budismo, ou o confucionismo, ou o positivismo, ou o existencialismo e outros, ou se fora meu método de tornar um pouco de tudo coerente, aproveitável, reciclável e inflamável!

   Sabedor que não se tem o tempo necessário para se atingir o clímax da inteligência no viver e a totalidade do conhecimento, despreocupo-me relaxadamente com o pouco que reparai e neste livro tento transformar em ditos e aforismos toda a complexidade que criamos para resolver problemas do cotidiano. Embora não se destine a um manual de resoluções, tentei de minha forma, assombrar-te com as minhas conclusões atípicas que esbarram na ética hipócrita (não em sua totalidade hipócrita); que enfrentam os dogmas que como parasitas agarram-se em nosso tecido vida  afora, complicando-a muito mais do que a mesma já é per si; que desnudam o ser travestido de superioridade ou inferioridade que superlota meus caminhos; que contradiz muito aquilo que éramos acostumados e de certa forma podem parecer escandalizadoras tais lições, pois não estamos preparados para mudanças bruscas e/ou novidades e outrossim, cada cabeça é um mundo sem solução! Valendo-me então do lugar-comum: “aquilo que não tem solução, solucionado está”, seguirei livro a fórum...

   Destina-se também ao meu ego. Não se escreve livros senão para a satisfação do ego.

   Seja ciência ou arte, filosofia ou poesia; que sejam golfadas de minha saturada impaciência com as idiotices e imbecilidades que me importam conviver aonde vou, onde me encontro e que me fazem duvidar às vezes se sou humano, se sou normal, se sou sensato, ao ponto de já ter anteriormente renomeado-me como Narciso do Valão e Mefisto, no intuito de isolar-me dos meus da minha espécie, trancafiar-me num mundo individualíssimo e riquíssimo que se transformou o meu “modesto” imo, involuntariamente em parte e em parte retocada por filósofos que se tornaram pensadores livres.

   Tem também como propósito testar, experimentar, ensaiar minha queda ao pensamento. Digamos que seja meu primeiro livro laboratório, os outros foram poesia e pensamento abstrato; os outros foram aquela vontade de falar sem palavras para dizer; os outros foram momento de minha sensibilidade artística e momento do momento, já esse é intemporal, talvez variável; desprendido de emoção e comiseração.

   Se destina a caducar minhas e suas antiguidades, badulaques e quinquilharias a que tanto me refiro e carrega-se arrastadamente vida afora; antiguidades... Modernizar-nos em nossas novidades indesviáveis ​​e indesejáveis ​​e para complicar aquilo que poderia ser tenro, calmo e fácil. Destina-se também um depositário de minhas transbordâncias corroboradas de completitudes!

   Ainda cabe dizer que este livro nasce como nascem os pensamentos, irregulares, confusos e interessantes. Não sigo uma longa linha de raciocínio, por um motivo pessoal e lógico: adepto de poesia e pouquíssimo de crônicas ao menos que fossem. MOMENTOS e alterações com o tempo e com as luas. Assim livre, pela conveniência de explorar a variedade dos pensamentos, escreve a desordem em que surgem os mesmos, omitindo evidentemente os “proibidos” e “politicamente incorretos” demais. Substancialmente, apenas modelo em formato de letras e de minha visão às vezes enferma e daltônica.

 

 

Marcelo Braga


Nota do Autor do Livro: EU EM VINTE PEDAÇOS


PRÓLOGO


considerando-se milagre nossa existência, (subentenda-se “milagre” não no sentido restrito das religiões e muito além das mais variedades científicas) analise assim em vinte pedaços a minha existência até então.
Estabeleci (livre como sou, estabeleço coisas), que sou um ser único; nunca existiu ninguém igual e nunca existirá.
Estabeleci que devo viver apenas o presente, pois o passado pode até existir, porém nada tateável, apenas lembranças.
Estabeleci que devo viver apenas o presente, pois o futuro ainda não existe e quando existir não o será por muito tempo; o que tem 80 anos? Tudo passa muito rápido em minha concepção temporal.
Percebi que tenho momentos nulos, momentos de êxtase, de alegria em diferentes graduações, melancolias, dores, tristezas longas e rápidas, cansaço, fome, sede, amor, desamor, amizades, inimizades, trabalho, descanso, prazer, sexo, viagens, histórias, momentos únicos, encontros e desencontros, dilemas, certezas, aprendizado, serei sabedoria, deixarei bons textos e minha vida serão comentados por algum tempo.
Sinto que nasce com uma estrela, não uma estrelinha distante, mas uma grande estrela, com uma missão acima das missões da grande maioria dos seres que convivem. A missão de ser feliz...
Percebo-me ácido e contraditório, por ser facilmente domável; um ser comovido, emotivo, sensível, apaixonado por coisas e legitimamente detentor de uma liberdade acima do bem e do mal; pensador livre, desgarrado de rebanhos, com idéias próprias e pensamentos politicamente incorretos às vezes.
Noto que preciso aproveitar o ESTAR VIVO, como repetidamente cito o CARPE DIEM; não apenas dormir e acordar.
Vivo uma fase ótima, cercada de alguns dos meus sonhos que se realizam; amedrontado pela felicidade antes tão utópica, onde mesmo tão utópica eu desconfiava que ela existia e hoje me certifico de que existe.
Sou por natureza, sentimentalismo, amante da vida e minha vida se resume em ser simplesmente intelecto, curiosidade e observação psicológica dos fatos. Arredio a pessoas de entendimento medíocre e fã de outras habilidosas em seus feitos, sendo essas últimas, do passado ou atuais, famosas ou anônimas.
Hoje amo Isabel Cristina Sarmento e Ana Julia Sarmento Braga. Num grau de amor mais ameno, porém ainda grande, meu espaço, minha profissão, meus livros e numa terceira intensidade, “meus” cantores, músicos e artistas prediletos.
Suspire calmamente ao mesmo tempo em que posso estar socando uma parede sem ser bipolar. Sinto-me humano, tenho minhas mudanças de humor. Nasci, cresci e me formei como hoje sou. Disperso das coisas comuns que envolvem a vida, adepto da fantasia, do sonho, das letras; sofrego por uma passagem terrestre que não tenha sido nula nem lunática, anônima nem egocêntrica. Busco o equilíbrio sem as religiões e os livros de auto-ajuda, sem as alternatividades do moderno ou dos antigos rituais.
Minhas histórias são nada espetaculares, coisas comuns, executando-se algumas passagens daquilo que dizemos: só poderia ser destino mesmo! E alguns fatos que a Insustentável Leveza de Ser explicaria muito bem e outros que a Lei do Eterno Retorno elucidaria satisfatoriamente. Algumas aventuras, uns exageros numéricos de experiências em tão Poucos anos vívidos num misto de engenhosidade pelo salto dado em algumas fases do desenvolvimento “normal” das pessoas comuns que o Direito do Ir e Vir também o tornaria normal.
Ainda na minha história, fatos que de alguma forma traumatizaram e especificaram minhas loucuras e erros que, em alguns casos, aconteceram-se prudência e acertos; aquela de erro errado por linhas certas.
Perceberemos que virei: trabalhador, honesto, pessimista num otimismo realista, cético e desconfiado.
Caso não lhe interesse ir adiante, resumo todo livro assim: EU, em seus mais diversos conceitos do ser, sou: sonho, música, medo, dilema, emoção, paixão, arte, poesia e incongruência.


Marcelo Braga

domingo, 25 de maio de 2025

TANTÁLICO

 


 TANTÁLICO – 15
 
 
01.12.2006.
 
 
Produto da genética
Tantálico, narcíseo e mefistofélico
Joguete do destino
Filho das influências astrais de 73
Animal
Bucólico
Sexual
Hereditariedade
Determinado pelas leis naturais
Interferências das ambientalizações
Átomos, pura química
Minuciosamente codificado no genoma
Miseravelmente na sina que me couber
Vítima do cronograma
Marionete da socialização
Eu
Tantálico, narcíseo e mefistofélico
Absurdamente sobrevivo
Poeta!


Marcelo Braga

VENERÁVEL FERRÃO

  

 
 




17.02.2000.
 
Gente que ousa volver janeiros
Sorvem-se em tímidos desgostos
 
Acredita-se sempre da fila o primeiro
Esmera-se em colheitas de faustos agostos
 
Sim, colhe-se frutos pútridos também e
Toda a bruma suicida a sorte
 
Na peleja do ser remoto se distancia
O inesperado súbito returno da morte
 
Um violão apenas se cabe nas mãos
Uma vida apenas se vive pelos salões
 


Marcelo Braga

Nota do Autor do Livro: OLHOS QUE BRILHAM VENDO PARAÍSO

  Um dos cinco livros da Coleção Esfera. O primeiro dessa coleção escrito diretamente na tela do computador. Os outros meus quatro "filhos" intitulam-se NARCISO DO VALÃO, VENERÁVEL FERRÃO, e TANTÁLICO e em processo de revisão ESTOU VENDENDO MEUS SONHOS, nascendo dias atrás desse OLHOS QUE BRILHAM VENDO O PARAÍSO.

   Vale lembrar que Coleção Esfera é minha segunda coleção de livros de textos e poesias, no entanto com uma queda mais expressiva para a filosofia. É que os momentos de minha vida vão se alternando, gerando a leve impressão de que estou maturando, crescendo; quando na verdade (se é que existe a VERDADE na íntegra de seu verbete e em sua concepção) deve ser o mundo que está diminuindo.

   Reitero ainda que, fora a conclusão que se segue desse conjunto de livros, dedilho ainda mais três livros: EU em VINTE PEDAÇOS (uma autobiografia precipitada), ENSAIOS E AFORISMOS (meu primeiro livro exclusivamente filosófico) e PETIT FILLE (poesias e relatos de meu atual bebê, Ana Júlia).

   OLHOS QUE BRILHAM VENDO O PARAÍSO e ESTOU VENDENDO MEUS SONHOS: poesias atuais, diferentemente dos outros três: NARCISCO DO VALÃO, TANTÁLICO E VENERÁVEL FERRÃO que foram "aquilo que sobrou" de minha primeira coleção de livros chamada Coleção Dilema.

   Dizem que as coisas não costumam dar certo quando, exultantes de alegria, expressamos nossa satisfação aos ventos - compreendo... entretanto tenho motivos de sobra onde minhas falas e textos são apenas pontas de icebergs; o transbordamento de minhas emoções.

   Em outras épocas escrevi alguns livros que se perderam pelo caminho, uns quatro livros inconclusos e sem rumo, cujos títulos nem me lembro mais. Alguns ainda na infância e poesias que o computador fez o "favor" de roubar-me. Seria essa a minha bibliografia até então.

   Advirto que esse livro que seguras pode conter lágrimas de minhas emocionadas observações à minha pequena menina nascida há uma semana: confundir-se com Petit Fille. Pode conter revelações de uma Marcelo abstêmio que renasce das cinzas, outrossim ser um misto de abstrações de minhas conquistas nesse ano tão especial e diferente dos anos anteriores.

   Vamos ver no que dá!


São Gonçalo - RJ

Maio - 2008

Nota do Autor do Livro: NARCISO DO VALÃO

    Há homens somente carne e osso de alma tácita e espírito bárbaro. Quem são esses: Homens Sem Emoção. Pode-se interpretar assim tão resumidamente a natureza humana observando apenas a aparência e num lance de imperícia intitular como tal nos exprime seu aspecto e catalogá-lo como um tipo? É isso que fazem a maioria das pessoas; outrossim a maioria das pessoas capazes de visualizar aquilo que seria uma alma tácita e um espírito bárbaro fica sem tempo para ver sua própria natureza.

   Alienígenas seríamos se nos comportássemos numa contida observação dos que nos cercam, deuses se não os percebêssemos e o Grande Criador Supremo se os ignorássemos por completo. Isso não é humano e felizmente o somos. Quereria ter o cuidado em ignorar os que me cercam e viver como se nada existisse além da natureza e meu EU; isso já me tomaria bastante tempo...

   Precavido de antemão, teria que primeiramente me acorrentar e matar-me de sede para que assim iniciasse um trabalho de auto-conhecimento. Às vezes é necessário BAGUNÇAR para ARRUMAR! Pois bem: iniciado o processo, completamente distante de fatores externos, estudar passo a passo meus vícios, quedas, apatias, medos, virtudes e etc... e concluir que a vida se passou e não deu tempo nem para a metade! Fica assim a primeira mensagem.

   Nesse livro falo de mil assuntos que se fogem e se encontram repetidamente. Minhas "agonias" muitas vezes exageradas e não pronunciadas, apenas citadas como previlégios de um ser pensante. Falo da ausência; reclamo em tom de chantagem emocional com a mulher que hoje amo; escrevo como se fosse um diário "adolescentemente" febril; indago sobre o absurdo e a loucura; falo de sonhos e me engajo em repetir palavras de otimismo para mim mesmo, onde suponho que sua representação possa tornar real o acontecer e o realizar de projetos e ações pessoais às vezes vazadas claramente; outras num subjetivismo metafórico, outonal e bucólico.

   Faço desse livro e suas poesias meu livro de "auto-ajuda" de cabeceira, da mesma forma que fiz com Barafunda Fecunda, Mundo Caranguejo, Partículas Acrílicas, Pretensão de Encarar o Sol e República Democrática de um Homem Só.

   Ele, NARCISO DO VALÃO ainda trás consigo outros quatro companheiros dois anos após a publicação dos cinco primeiros: TANTÁLICO, VENERÁVEL FERRÃO, OLHOS QUE BRILHAM VENDO O PARAÍSO e ESTOU VENDENDO MEUS SONHOS completando o restolho de uma fase que acho se findar após uma gestação de 18 anos.

   Sinto-me enfim maior de idade, livre para outros caminhos que nada mais serão que a continuação dos mesmos caminhos que sempre andei.

   Espero que gostes.


Alcântara - São Gonçalo

Maio de 2007

Nota do Autor do Livro: TANTÁLICO

    O egípcio desejo de imortalização age em mim agora no ápice de meus ímpetos. Acredito ser esses textos uma forma de permanecer entre as pessoas que conviví pela vida.

   Não tenho convicções eternas , mas um eterno desejo por essa vida terrena.

   Quero também ainda poder contradizer minhas convicções, porque hoje tudo me é momentâneo, inclusive a própria vida; um momento só e tudo ainda num pacote disforme e, por que não dizer: por serem MINHAS, as tais convicções, faço deleas oque me apetecer!

   Quero que virem esses textos, um grito de minhas fragilidades; que se projetem, ainda que pelos ralos e destaquem-me como um ser pensante que ousou ir além do alcance dos olhos.

   Que me tenham por soberbo, contraditório e/ou outras coisas a mais, mas percebam que pareço com a própria vida: soberba, contraditória e/ou outras coisas a mais.

   Me preocupo, é claro, com o tipo de mensagem que essas letras irão passar; qual imagem de mim mim irão essas letras combinadas em palavras e agrupadas em frases que preenchem linhas e folhas irão passar. Mas quero que o benéfico e o maléfico se dissolvam num só copo, se confundam e fique impossível separá-los; numa mistura homogênea, demonstrando enfim a inexistência do bem e do mal; alterando a mania preconceitual da árvore do conhecimento do Jardim do Éden e me torne um experimentador do proíbido e do cabível.

   O frio começa a gelar meu nariz; seguem já trêmulas as minhas mãos; meus sentidos vão lerdando (como é que conseguem escrever tanto na escandinávia?!) e o inverno ainda não chegou nessa serra em Barra do Piraí.

   A dilatação já começou; completaram-se nove meses, os seios já indicam bastante leite e Ana Julia terá vindo ao mundo antes do término da digitação deste livro.

   Novo ciclo de vida para mim nessas "velhas" poesia...


Maio de 1996 Barra do Piraí

sábado, 24 de maio de 2025

PARTÍCULAS ACRÍLICAS

 15.06.03.


Já transitei por aldeias

Conheci a selvageria dos indomáveis

A sabedoria dos incontestáveis e

Por toda a maldade humana

Pelas enciclopédias, por películas passei e

De tudo ou quase tudo

Partículas daquilo que se deve viver nessa vida...


Senti o cheiro das flores nos cafezais em agosto

Atolei meus sapatos na terra bem vermelha

Me alimentei de aquáticos, terrestres

Me inebriei sob a Dama da Noite

Caminhei pesadas malas em vastas passadas

Suei nos mais tórridos verões

Partículas daquilo que se deve sentir nessa vida...


Anulei-me diversas vezes

Diversas vezes fui o principal

Tive nome próprio e por vezes anônimo demais

Tive um rosto puro acne

Por hora clara tez

Fui lástima, fui saco de risos

Partículas daquilo que se deve ser nessa vida...


Fui inconsequente quanto tenaz

Consciente quanto alheio

Voraz por noites esquálidas

Fui paz, fui Gólgota

Tão vazio quanto cheio

Pernas bambas, cara pálida

Fui sozinho no ermo caminho

Fui pai, fui primo, sobrinho

Leitor assíduo de bulas e lápides

Caneta refratária

Indeciso, pernóstico e insano

Amante sincero

Mensageiro do céu e do inferno!

Fui da lua, da rua

Fui maré, farol e istmo

Guindaste, grua

Construí tais castelos

Instinto, intuição

Criança, infante puro

Fui perfeitos acordes

Dissonâncias

Matizes diversas

Preponderâncias...


Marcelo Braga

Nota do Autor do Livro: VENERÁVEL FERRÃO

   Para mim, parte difícil: "Nota do Autor". Local reservado à explicação de conteúdo, propósito, historiografia, intenção, objetivo, foco, tema central do livro, linguagem, situações e outras abrangências.

   Penso para esse livro uma "Nota do Autor" revolucionária! Há que se tornar aprazível também esse praxe.


   ENSAIANDO:


   Textos e poesias escritas entre 1994 e 2008.

   Capital, região metropolitana e interior do Rio de Janeiro.

   Meu sétimo livro de poesia.

   Em minha primeira coleção de poesias chamada COLEÇÃO DILEMA, publiquei os seguintes livros: BARAFUNDA FECUNDA, PARTÍCULAS ACRÍLICAS, PRETENSÃO DE ENCARAR O SOL, MUNDO CARANGUEJO e REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE UM HOMEM SÓ.

   Em minha segunda coleção de poesias chamada COLEÇÃO ESFERA seguem em processo de impressão os seguintes livros: NARCISO DO VALÃO, VENERÁVEL FERRÃO, TANTÁLICO, OLHOS QUE BRILHAM VENDO O PARAÍSO e ESTOU VENDENDO MEUS SONHOS.

   Em Venerável Ferrão, um apanhado daquilo que "restou" de Coleção Dilema e outros textos de minha atualidade.

   Cacos multiformes de minhas experimentações de linguagem na neófita vivência literária que insisto adentrar.

   Música, livros, caminhos...

   Questionamentos de natureza psico-filosófica em perguntas "irrespondíveis".

   Que os textos a seguir expliquem-se melhor (ou os confunda mais ainda!).

   Não consegui fazer uma Nota do Autor REVOLUCIONÁRIA! Snif...


São Gonçalo, Abril de 2008.


Marcelo Braga

Nota do Autor do Livro: MUNDO CARANGUEJO

    Desde muito ansiava com certa sofreguidão extirpar-me desses pesados fardos e espalhá-los mundo afora; poder então seguir por outros caminhos e, quem sabe, por outros novos delírios, mesmo que idênticos no estilo, porém de novos efeitos, já que as causas serão sempre as mesmas.

   Desde de meus primeiros dias nessa coisa de inventar palavras, formar frases com elas e em muitas ou poucas frases dizer aquilo que sinto, que penso, que vejo, que acho, que preciso e coisas que acho que preciso.

   Começo pelo final, pelas "coisas" recentes; bem e mau intencionado, despreocupado (em parte) com as possíveis interpretações de alguns momentos ora verídicos, ora alegóricos.

   MUNDO CARANGUEJO é um livro com ascendente em Gêmeos, portanto, cercado de extremos e, acredito, um tanto quê de contraditório. Um livro que não pretende muito mais que apenas uma viagem à Lua. Apenas de ida bastaria tal viagem.

    Datas e localizações para situá-lo no tempo e no espaço e criar uma certa sequência aos textos e, com pequenas NOTAS, decodificar aquilo que possivelmente lhe intrigará. Porém, aquilo que escrevi e nem mesmo sei seu sentido subtenda-se por POESIA.

   Sem mais delongas, vá, vire essa página e boa sorte!


Rio, Março de 2006.


Marcelo Braga

quinta-feira, 22 de maio de 2025

BARAFUNDA FECUNDA

 - C O L E Ç Ã O  D I L E M A -

BARAFUNDA FECUNDA

01.08.93.

Há palavras que parecem verdadeiros palavrões

Mas que mesmo assim abundam nos refrões

Redundando enfim em

Pudibundas nauseabundas interpretações

Há aquelas que terminam desbundando

Resultando tremendas barafundas

Onde geralmente superabundam

Fecundas e vagabundas expressões

(onde abunda não falta!)

Nota do Autor do Livro: PRETENSÃO DE ENCARAR O SOL

   Poesias escritas "despretenciosamente" em períodos de sonolência e abstração, quando contraditoriamente eu era apenas sonho e impulso.

   Trechos de minha envelhecida juventude; precocemente enrugado e bastante perdido, perdido naquela fria serra quase em Conservatória no interior do estado do Rio de Janeiro. Pensava numa partida precoce; medo de morrer aos vinte, vinte e poucos anos... Início ainda de meu primeiro casamento.

   PRETENSÃO DE ENCARAR O SOL também contém outros lugares de minhas tantas mudanças e andanças na busca de encontrar algo que sempre esteve mais perto de mim que eu pudesse imaginar: eu mesmo!

   Ele vem acompanhado de influências musicais; vários músicos e bandas que eu curtia naqueles anos distantes e às vezes tão atuais. Fala-se muito pouco de paz, calma, felicidade - contrário de meus textos hoje, porém sabe-se muito bem que a luz nasce da escuridão e sempre me serão "bem-vindas" (é assim na nova ortografia?) as tormentas e tempestades. Como dizia Haroldo Lima Sobrinho, vulgo Peninha: "Amanhã eu vou ser mais feliz".


Marcelo Braga

Nota do Autor do livro: BARAFUNDA FECUNDA

 


 No que tange, nas pústulas já cauterizadas, restam-me para o futuro apenas cicatrizes e elas, são marcas onde cabe-me optar vê-las com ou sem história. Existe um botão que DELETA lembranças; uma forma de sermos apenas pele, sem a necessidade de convivermos com lembranças; tudo pode ser olvidado naturalmente.

   Me lembro, no colégio Pólen, em Jacarepaguá, em meus oito anos quando a professora Mirian me deu um livro chamado "Um Cadáver Ouve Rádio" e a dedicatória: "ao meu futuro escritor". Lembranças...

    Quanto mais velhos, mais duros nossos cascos, mais rugas, mais marcas; isso é inevitável. Não tenho mais lisos e abundantes cabelos, a pele bem branca, as mãos sem calo e o rosto liso. É a ação do vento, das chuvas, do frio, do tempo, do calor. Noites insones, aflições, alimentação inadequada, espinhas, gripes... cicatrizes!

   Certo também de que, alguns pedaços dessa minha breve existência foram como que buracos negros. Apenas fagulhas, lumes que interceptaram meu dormir e acordar e meu acordar e dormir nessa caminhada. Não me lembro de quase nada de 2002 por exemplo. Mas voltando: tudo é muito simples, existe um botão que apaga nossas lembranças, fiz isso agora a pouco em meu computador, excluí algumas pastas e daqui há um tempo nem me lembrarei o que excluí hoje. Não dizem que nosso cérebro é como um computador?! Pois então, é simples: basta que eu decida esquecer e pronto, aperto o DELETE e se vão as lembranças boas ou ruins que sejam. Fácil não?!

   Será assim tão autômato e mecânico nosso sentimentar? Somos máquina? Somos coisa?

   BARAFUNDA FECUNDA me remete à lembranças vividas do já distante, pelo tempo, bairro Santo Cristo no Rio de Janeiro à Fraiburgo no meio-oeste catarinense abaixo de zero.

   Até a próxima lembrança num outro livro talvez!


Marcelo Braga

Nota do Autor do livro: REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE UM HOMEM SÓ

 29.04.2011.


 Muito me cansa passar para o computador esses textos já tão "águas passadas", porém essa foi a forma que encontrei de ejetar esses pesados fardos, badulaques e quinquilharias. Não obstante, há que se notar em suas entrelinhas um tanto de histórias aprazíveis vividas nesse turbilhão.

   São épocas e situações diferentes; se cresce um pouco a cada ano e, por vezes tenho a desagradável sensação de que se perde no tempo e se mantem estático, inerte.

   Talvez lhe canse algumas palavras tão repetidas como sonho, música, vida... (falta de argumentos?!)... Pois bem, caso lhe seja possível, não pare, continue, algo pode surpreender em seu desfecho; aliás, quase todos os textos carregam um final inesperado: o previsível!

Contraditório? Quase sempre. A vida se contradiz, por quê não eu?

   Santa Cruz, Itanhangá, Estácio, bairros da capital carioca; e Ouro Preto do Oeste - Rondônia? Isso mesmo, alguns textos foram escritos lá, num calor abrasador, rodeado de mosquitos exóticos de antenas das mais diversas cores, dormindo com o ventilador colado ao rosto, envolto em mosquiteiro, filho de um ano ao lado na cama. Um ano no norte brasileiro e mesmo assim consegui escrever alguma coisa.


Marcelo Braga

quarta-feira, 21 de maio de 2025

MUNDO CARANGUEJO ou REDOMA 2005

 - COLE Ç Ã ODILEMA -

19.10.05.



Acordei em poltronas de ônibus em outros estados.

Deslizei pelas estradas do quimérico, do utópico.

De sobressalto dispus-me atento ao

abraso de tímidos silvos do frio de invernos serranos e angustiosos

Um contemplar aflito das nevascas ensopadas de ufanismo retrógrado;

hábito. 


Coabitei COABS inteiras num mudar-se como Tarzan de cipó

em cipó, de história em história, mecânica e insistentemente em busca

de minha Jane, sublime e abstrata Jane, onde pudesse então ser

abraçado sôfrega e animadamente.


Escrevi ter achado um caminho enfim, quando no dia seguinte,

perdido em meu labirinto fantasioso; percebi-me analfabeto diante

das placas indicativas num enigma criado e esquecido por mim

mesmo.


Fica difícil me entender, me estender nas longas práxis

contraditas e despreocupadas em que me permitem prendo, me

intoco, me “in loco” e me desloco na mesma facilidade e velocidade

inconstante e irreal com que fico estático.


Penetrei mundos investigativos, instigantes, intrincáveis. Penetrei

mundos do além do túmulo sentado numa cadeira; deitado em camas,

penetrei no meio das pernas dos mundos de outras pessoas e coube-me

sentir suas cores, ver seus odores, provar suas caras e seus falsos

pudores.


Interrompi minhas partes de fórceps antes da intromissão do mundo

real que entra sem bater em minhas portas e destruiu meus sonhos

sonhos movidos por minha inapetente anoréxica hepática mania de

não pare na hora certa.


Alimentei-me de aquários, de répteis que se rastejam

(redundância proposital), de aves, de terrestres inanimados e,

inconsequentes; como um abutre comi carne decomposta, de-compus

minhas músicas inexatas e contraditas percepções.


Fiz-me bolos de aniversários, tornei-me por vezes o próprio bolo

de meus próprios aniversários e com meus grilhões estourei coloridos

balões que nunca subiram aos cinzentos céus do meu bolorado e

daltônico campo de visão.


Nos conta-gotas, nas gotas pluviométricas, sem alguma

observância que contivesse métrica, saindo de mim, escrevi sonetos,

regi meus CONSERTOS e vivi meus “in cestos sentidos”, doridos e

hematomáceos.


Nos clarões dos relâmpagos, inadimplentes em meus compromissos

omissos (nova proposital redundância), perpetuei-me nas lápides

Tantos que autografei, e hoje nem mesmo mais sei qual minha predileta

música para o fúnebre cortejo.


Aprendi que sou IMAGEM E SEMELHANÇA de tantos outros

sósias, percebi que sou clone de tantas outras histórias e descobri

que me olha com olhos de susto e admiração inexplicavelmente.


Meu DNA (Desejo Não Alcançado), em seu formato espiral tal

qual escada caracol azul e vermelha é todo esse sobe e desce

regurgitante, impávido e relutante jeito de querer muito fazer tudo.

Enfim, nesse Mundo Caranguejo sou senhor dos meus sonhos!


Marcelo Braga

PRETENSÃO DE ENCARAR O SOL

27.11.96.

A mente e seus resultados são corrosivos

Nada que seja novo

Até mesmo antes de “não sei quando” havíamos pensado

Outras vidas possíveis ou nessa mesma

A única coisa que descobri é

Essa história úmida da gente que ouso escrever

Bolor, ferrugem, poeira

Encarnados nos poros estupidamente entupidos

A covarde PRETENSÃO DE ENCARAR O SOL

O idiota lugar-comum de que temos de ser VENCEDORES

O querer que se subterfugia não verbalizar apenas

Tão bem conjugamos em seus diversos tempos

Embora nem sempre, na hora certa

No princípio, tudo era nobre, até a maçã...


Marcelo Braga



REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE UM HOMEM SÓ

 - COLE Ç Ã ODILEMA -

20.04.05.

Que venham ao menos ter fim higiênico todas essas folhas

Já que minha mão débil esquerda não sabe pensar

Bics que me interessaram confundir no desvio dos anos

Sempre um cigarro, uma Coca-Cola

Um cérebro acizentado nas cinzas do Shelton

As mesmas coisas, o mesmo assunto...

Sentado nesse sofá

Sou rei num reino de sonhos infantis

Sou rei num reino de um só súdito

Eu mesmo, súdito de mim mesmo

Num reino onde só se lê

Onde só se ouve música

Aparthotel Le Grand Champs Elissé

Condomínio residencial Marcelo Braga

Abaixe os pilares

Acende a luz interna

Identifique-se ao entrar

Reserva ecológica dos corações mumificados

Abrigo da Anistia Internacional dos Amantes Incorrigíveis

Mônaco, Vaticano, Liechtenstein, Andorra?

Não, menor ainda que reino essess

Mas é meu, somente meu

Meu espaço somente

Meu espaço só

Só, sempre só!

(quando se prefere estar antes mal acompanhado que sozinho)


Marcelo Braga

OLHOS QUE BRILHAM VENDO O PARAÍSO II

 


 
 
11.05.2008
 
 
   De repente conheço um monte de coisas
   Tenho além de meus interiores, cavernas e cavidades
   Mil coisas acontecem inesperadamente
   Me desespero com tamanho exagero das boas motivações
   Tenho Sören Kierkegaard ou Schopenhauer para ler amanhã
   Tenho Ravel ou Debussy para ouvir agora
   Me descobri na estante filósofos que ainda não li
   Francis Bacon ou um dicionário de latim que quero ainda comprar
   Maurice Merleau-Ponty ou terminar de ler Darwin
   Ludwig Wittgenstein ou terminar de ler Baruch de Spinoza
   O Elogio da Loucura de Erasmo e Os Deveres de Cícero para começar ou
   Continuar Montesquieu ou iniciar George Berkeley
   Continuar Sêneca ou iniciar Blaise Pascal
   Daqui uns dias, ensinando Ana Julia a jogar xadrez ou ouvir Schubert
   Minhas rádios são hoje Roquete Pinto e MEC FM
   Faltam-me, além de Carta a Meu Pai, Um Artista da Fome e Metamorfose que já os tenho: O Processo e o Castelo; como me identifiquei com Kafka...
   Em trabalho de parto: meus Olhos que Brilham e Estou Vendendo Meus Sonhos
   Eclodindo, minha autobiografia, Ensaios e Aforismos e Petit Fille
   Faltam-me ilustradores, diagramadores, projetistas gráficos, desenhistas de capas, revisores e dinheiro para a gráfica
   Tenho logo que iniciar minha faculdade e terminar a obra de minha casa
   Um mundo de coisas para realizar
   Vislumbres e pés pelas nuvens
   Minha cura do tabagismo; Ana Julia não deverá respirar meu poluído ou
   Tenho de conhecer Berlioz, Haydn, Bartók, Gluck, Stockhausen, Schönberg, Mussorgski, Milhaud, Casella, Prokofiev, Vítezlav Novák, Alban Berg e Max Reger
   Incluir algum conhecimento literário de Tales de Mileto, Anaximandro, Heráclito, Parmênides, Zenão, Empédocles, Anaxágoras, Protágoras, Górgias Saber mais de Sócrates, Platão e Aristóteles, ler algo de Demócrito, Diógenes Laércio, Epicuro, Zoroastro, Lao-Tzé, Mei-Ti, Chu Hsi, Xenófanes, Pirro, Plotino, Polemo, Cleanto, Panécio, Posidônio, Epicteto, Marco Aurélio, Epicuro, Nicômaco, Teofrasto, Cláudio Galeno, Filon, a Cabala, o Alfarabi, Averroés, Aristides, Irineu, Hipólito, Orígenes, Tertuliano, Boécio, Santo Tomás, Kepler; conheça mais de Descartes, Diderot, Kant, Comte e Marx, ler algo de Hegel, Stuart Mill, Jean-Jacques Rousseau, Schiller, Jean-Paul Sartre, György Lukács, Lefebvre, Bertrand Russel, mais de Piaget e outros.
   Logo começo a reler Nietzsche, é muito bom!
   Meus Olhos Brilham Vendo tais possíveis paraísos!


Marcelo Braga

terça-feira, 20 de maio de 2025

Grandes Pequenas Tarefas

07.05.2011.


Entre Presidente Médice e Ji-Paraná, num ônibus da União Cascavel em 1990, cruzando o estado de Rondônia, um walk-man tocava Frank Pourcell e a sensação de paz e UTILIDADE me preenchia, tornando-me plenamente satisfeito em estar ali, etéreo e eviscerado. Seja qual for a causa, a vida PLENA em sua concepção pessoal de plenitude (a felicidade no caso, uma concepção sumariamente pessoal), efetua-se quando somos os ATUANTES. Tal sensação vem como fôlego para a continuidade, combustível necessário para o próximo passo. Até mesmo os “secundários” são secundários atuantes por objetivarem a posição dos PRIMÁRIOS, quase sempre. A mola propulsora para a realização de grandes tarefas é a sensação única de utilidade a uma causa, seja ela de qual natureza for.


Marcelo Braga

REVENDO MINHAS FUNÇÕES...

 


 
 
29.06.2008.
 
 
Catalíticas...
Termos novos que vou aprendendo...
Quero o anabolismo e o catabolismo dos principais alimentos nutritivos!
Estou carente novamente...
Preciso de vocês, lipossolúveis e hidrossolúveis
Casimir Kunk saberia daquilo que falo...
Quero o retinol dos legumes e laticínios! (A)
Quero a tiamina, a riboflavina, o ácido pantotênico, a piridoxina e a hidroxocobalamina dos rins, fígados e gemas de ovos! (B)
O ácido ascórbico das frutas e legumes! (C)
Dê-me calciferol e o colecalciferol dos peixes e laticínios! (D)
O tocoferol dos germes de trigo e o ácido linoléico dos óleos vegetais! (E e F)
Passe cá a biotina dos rins, do fígado e das gemas! (H)
Quero a filoquinona, a menaquinona e a menadiona das folhas verdes! (K)
Nossa, como preciso da citrina, da rutina das frutas! (P)
 
Xô distúrbios da visão crepuscular, a xeroftalmia, a hemeralopia!
Lá ao longe o béri-béri, os distúrbios cutâneos, mucosos e neurológicos, a anemia!
Nunca o escorbuto!
Chega de distúrbios da calcificação, o raquitismo, a osteomalácia!
Nem pensar na interrupção da espermatogênese!
Péra aí aos distúrbios capilares!
 
Quero o gosto ruim de tudo que é bom
Chega do suicídio parcelado
Minha filha chegou, vou virar o Super Papai!
Papai sabe tudo, Papai Herói, Papai Noel, Papai Velhinho Geração Saúde!


Marcelo Braga



TIRANIA

 

17.10.2008.
 
 
 
Foram geladeiras arranhadas, portas que rangem
Paredes caiadas e esburacadas
Mesas e cadeiras manquetas
Tudo de segunda, tudo velho e rasgado
De improviso; de quebra-galho
Restos daquilo que não quiseram mais
Roupas amareladas; fotos amareladas
Muita lama, poeira e mofo
Empregos que ninguém quis
Desespero dos carnês e salários
Mês após mês; história após história
Visão turva do tempo fechado
O sinal fechado, a sorte distante
A febre delirante; o medo e o pavor
A angústia, a melancolia, a solidão
A saúde de um corpo magro itinerante: frágil
Maxilar que se desloca; dentes que arrasam
Incompreensão e mesquinhez
Dificuldade, barreira e distância
A loucura de muitos; a tirana covardia
Alguns anos, vários meses, muitos dias
Tropeços, esbarrões e empurrões


Marcelo Braga

HESITAÇÕES

 


31.10.2008.
 
 
 
São tantos idiomas e dialetos
Expressões idiomáticas, sotaques
Regionalidades e gírias
 
São tantos países e regiões
Continentes, relevos
Cidades, povos e costumes
 
O esperanto tentou
A música tentou
O ecumenismo tentou
Os blocos econômicos
A ONU e outros cartéis
Também tentaram
 
São tantas ciências
Religiões e filosofias
Culturas, conhecimentos e sabedorias
 
São tantas cabeças e troncos
Imbecis que não sabem que são imbecis
Inteligências que se escondem nas cavernas
 
O consumo tentou
A tecnologia tentou
A modernidade tentou
Os movimentos alternativos
A política e outras esquisitices
Também tentaram


Marcelo Braga

CASCO DE ÉGUA

 


25.10.2008.
 
 
 

   Da poesia frouxa, da vida errada sem meta sem rumo, da filha que veio agora e tanto precisa dos meus anos, certo: a ambição do tempo, a luta contra o relógio, a filosofia que tanto liberta, o corpo que cansado reflete a mente exausta de tanta luta, talvez vã; que trapo, andrajo que arrasta por baixo de mesas em cima de migalhas; sorrisos que babam o róseo sangue, pois bem: desatento que viesse a ser mesmo assim perceberia o gelo, à distância, a ânsia por vida e serenidade onde tampouco apoio encontra quanto mais salta de meus olhos o calor dos asfaltos, a tímida declaração de posses e falando em bens próprios segue-se o rol de minhas aquisições intransferíveis: aniquilamento, solidão, antipatia pela ignorância que tantas portas abrem, cérebro quartinho de guardados de um mundo caranguejo, prazer exacerbado na música, nas palavras bem colocadas de um rico idioma latino, na inteligência de figuras sobre-humanas que sabem dispor tal sapiência, na paciência que ainda aguarda o descuido da cega justiça; a loucura da esperança, a loucura do abster-se da própria, o caminho e o contato com a natureza, os bichos, as folhas do caminho, as pedras do rio, a areia do mar... Mas que mar? Que rio? Que paz? Qual resistência até onde? Por aonde ir agora destrancada assim a tramela de meu coração e abertos pulsos que encharcam de dor as perguntas que não mais ouso fazer?
   Contudo, despreocupo-me quando deixo assim mal conjugado verbo e sinto o sopro tão frágil que é sustentar-se nessas esquinas e quinas do equilíbrio trôpego que tanto pisa a sarjeta e poças, atoleiros e os crânios que chuto pensando serem cocos secos largados no chão; sinto-me à vontade quando transfiro de mim a culpa do trágico e na inconsumação daquilo que julgava ser necessário porto-me contraproducente de meus sonhos que nada além de delírios febris de orientação desorientada e desonesta com a realidade casco de égua que nos acerta os culhões ao mínimo descuido.


Marcelo Braga

BUNKER DE ALVÍSSARAS SUSPEITAS

  12.02.2011. Nada que fale além do murmúrio das pedras que estalam no calor que as dilatam entre terrinhas e espinhos que crescem no escald...