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sábado, 24 de maio de 2025

PARTÍCULAS ACRÍLICAS

 15.06.03.


Já transitei por aldeias

Conheci a selvageria dos indomáveis

A sabedoria dos incontestáveis e

Por toda a maldade humana

Pelas enciclopédias, por películas passei e

De tudo ou quase tudo

Partículas daquilo que se deve viver nessa vida...


Senti o cheiro das flores nos cafezais em agosto

Atolei meus sapatos na terra bem vermelha

Me alimentei de aquáticos, terrestres

Me inebriei sob a Dama da Noite

Caminhei pesadas malas em vastas passadas

Suei nos mais tórridos verões

Partículas daquilo que se deve sentir nessa vida...


Anulei-me diversas vezes

Diversas vezes fui o principal

Tive nome próprio e por vezes anônimo demais

Tive um rosto puro acne

Por hora clara tez

Fui lástima, fui saco de risos

Partículas daquilo que se deve ser nessa vida...


Fui inconsequente quanto tenaz

Consciente quanto alheio

Voraz por noites esquálidas

Fui paz, fui Gólgota

Tão vazio quanto cheio

Pernas bambas, cara pálida

Fui sozinho no ermo caminho

Fui pai, fui primo, sobrinho

Leitor assíduo de bulas e lápides

Caneta refratária

Indeciso, pernóstico e insano

Amante sincero

Mensageiro do céu e do inferno!

Fui da lua, da rua

Fui maré, farol e istmo

Guindaste, grua

Construí tais castelos

Instinto, intuição

Criança, infante puro

Fui perfeitos acordes

Dissonâncias

Matizes diversas

Preponderâncias...


Marcelo Braga

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