A QUE SE DESTINA:
Uma reunião de ideias, mesmo que aleatoriamente, que sobrevêm volta-e-meia e cismei que devo pô-las juntas. Reunir meus pensamentos que tratam de vários aspectos que facilitam a vida, a sobrevivência e a boa comunicação entre os seres.
Dispor-me de minhas ironias, pois um dia havia dito que num futuro próximo eu iria, deitado numa rede, rindo de minhas agonias passadas. Determinações? Não! Meros subterfúgios.
Informar-me mais formalmente de meu amadurecimento tardio, que urgia num atoleiro de pequeninices e hoje sobra-me em forma de compreensão, descompressão, entendimento e uma justa maneira de analisar sobre prismas “absurdos” calmamente a “loucura” que é preocupar-se, e não mais viver pré-ocupado com o devir, incerto e conturbado devir; deixar que as coisas fluam em seu tempo, criando condições e situações que esgotem todas as possibilidades de refluxo (voltar ao ponto de partida); crescer!
Participar, relatar e relacionar-me com uma série de transformações que meu caráter multívolo repuxa-me e tentar assim descobrir se foi o cristianismo, ou o budismo, ou o confucionismo, ou o positivismo, ou o existencialismo e outros, ou se fora meu método de tornar um pouco de tudo coerente, aproveitável, reciclável e inflamável!
Sabedor que não se tem o tempo necessário para se atingir o clímax da inteligência no viver e a totalidade do conhecimento, despreocupo-me relaxadamente com o pouco que reparai e neste livro tento transformar em ditos e aforismos toda a complexidade que criamos para resolver problemas do cotidiano. Embora não se destine a um manual de resoluções, tentei de minha forma, assombrar-te com as minhas conclusões atípicas que esbarram na ética hipócrita (não em sua totalidade hipócrita); que enfrentam os dogmas que como parasitas agarram-se em nosso tecido vida afora, complicando-a muito mais do que a mesma já é per si; que desnudam o ser travestido de superioridade ou inferioridade que superlota meus caminhos; que contradiz muito aquilo que éramos acostumados e de certa forma podem parecer escandalizadoras tais lições, pois não estamos preparados para mudanças bruscas e/ou novidades e outrossim, cada cabeça é um mundo sem solução! Valendo-me então do lugar-comum: “aquilo que não tem solução, solucionado está”, seguirei livro a fórum...
Destina-se também ao meu ego. Não se escreve livros senão para a satisfação do ego.
Seja ciência ou arte, filosofia ou poesia; que sejam golfadas de minha saturada impaciência com as idiotices e imbecilidades que me importam conviver aonde vou, onde me encontro e que me fazem duvidar às vezes se sou humano, se sou normal, se sou sensato, ao ponto de já ter anteriormente renomeado-me como Narciso do Valão e Mefisto, no intuito de isolar-me dos meus da minha espécie, trancafiar-me num mundo individualíssimo e riquíssimo que se transformou o meu “modesto” imo, involuntariamente em parte e em parte retocada por filósofos que se tornaram pensadores livres.
Tem também como propósito testar, experimentar, ensaiar minha queda ao pensamento. Digamos que seja meu primeiro livro laboratório, os outros foram poesia e pensamento abstrato; os outros foram aquela vontade de falar sem palavras para dizer; os outros foram momento de minha sensibilidade artística e momento do momento, já esse é intemporal, talvez variável; desprendido de emoção e comiseração.
Se destina a caducar minhas e suas antiguidades, badulaques e quinquilharias a que tanto me refiro e carrega-se arrastadamente vida afora; antiguidades... Modernizar-nos em nossas novidades indesviáveis e indesejáveis e para complicar aquilo que poderia ser tenro, calmo e fácil. Destina-se também um depositário de minhas transbordâncias corroboradas de completitudes!
Ainda cabe dizer que este livro nasce como nascem os pensamentos, irregulares, confusos e interessantes. Não sigo uma longa linha de raciocínio, por um motivo pessoal e lógico: adepto de poesia e pouquíssimo de crônicas ao menos que fossem. MOMENTOS e alterações com o tempo e com as luas. Assim livre, pela conveniência de explorar a variedade dos pensamentos, escreve a desordem em que surgem os mesmos, omitindo evidentemente os “proibidos” e “politicamente incorretos” demais. Substancialmente, apenas modelo em formato de letras e de minha visão às vezes enferma e daltônica.
Marcelo Braga
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