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quarta-feira, 21 de maio de 2025

MUNDO CARANGUEJO ou REDOMA 2005

 - COLE Ç Ã ODILEMA -

19.10.05.



Acordei em poltronas de ônibus em outros estados.

Deslizei pelas estradas do quimérico, do utópico.

De sobressalto dispus-me atento ao

abraso de tímidos silvos do frio de invernos serranos e angustiosos

Um contemplar aflito das nevascas ensopadas de ufanismo retrógrado;

hábito. 


Coabitei COABS inteiras num mudar-se como Tarzan de cipó

em cipó, de história em história, mecânica e insistentemente em busca

de minha Jane, sublime e abstrata Jane, onde pudesse então ser

abraçado sôfrega e animadamente.


Escrevi ter achado um caminho enfim, quando no dia seguinte,

perdido em meu labirinto fantasioso; percebi-me analfabeto diante

das placas indicativas num enigma criado e esquecido por mim

mesmo.


Fica difícil me entender, me estender nas longas práxis

contraditas e despreocupadas em que me permitem prendo, me

intoco, me “in loco” e me desloco na mesma facilidade e velocidade

inconstante e irreal com que fico estático.


Penetrei mundos investigativos, instigantes, intrincáveis. Penetrei

mundos do além do túmulo sentado numa cadeira; deitado em camas,

penetrei no meio das pernas dos mundos de outras pessoas e coube-me

sentir suas cores, ver seus odores, provar suas caras e seus falsos

pudores.


Interrompi minhas partes de fórceps antes da intromissão do mundo

real que entra sem bater em minhas portas e destruiu meus sonhos

sonhos movidos por minha inapetente anoréxica hepática mania de

não pare na hora certa.


Alimentei-me de aquários, de répteis que se rastejam

(redundância proposital), de aves, de terrestres inanimados e,

inconsequentes; como um abutre comi carne decomposta, de-compus

minhas músicas inexatas e contraditas percepções.


Fiz-me bolos de aniversários, tornei-me por vezes o próprio bolo

de meus próprios aniversários e com meus grilhões estourei coloridos

balões que nunca subiram aos cinzentos céus do meu bolorado e

daltônico campo de visão.


Nos conta-gotas, nas gotas pluviométricas, sem alguma

observância que contivesse métrica, saindo de mim, escrevi sonetos,

regi meus CONSERTOS e vivi meus “in cestos sentidos”, doridos e

hematomáceos.


Nos clarões dos relâmpagos, inadimplentes em meus compromissos

omissos (nova proposital redundância), perpetuei-me nas lápides

Tantos que autografei, e hoje nem mesmo mais sei qual minha predileta

música para o fúnebre cortejo.


Aprendi que sou IMAGEM E SEMELHANÇA de tantos outros

sósias, percebi que sou clone de tantas outras histórias e descobri

que me olha com olhos de susto e admiração inexplicavelmente.


Meu DNA (Desejo Não Alcançado), em seu formato espiral tal

qual escada caracol azul e vermelha é todo esse sobe e desce

regurgitante, impávido e relutante jeito de querer muito fazer tudo.

Enfim, nesse Mundo Caranguejo sou senhor dos meus sonhos!


Marcelo Braga

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