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quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

MEFISTOFÉLICO ii

 01.10.05.


Me fiz anormal, me fiz diferente

Me fiz Mefisto, me fiz bélico

Me fiz mefistofélico!


As paredes são tijolos maciços

As chuvas de algodão e

Os ventos nem movem as penas de meu cocar

Um devaneio de setembros já passou e

Me fiz bicho, me fiz quebra-cabeça

Me fiz mundo, me fiz mula-sem-cabeça

Pendurei parte de meu putreficado cerebelo

Como se pendura um quadro em paredes de papel japonês e

De meus espinhos, pregos para fixá-lo


Saí nu nas chuvas de algodão

Me fiz guarda-chuva, me fiz guarda-pó

Me fiz Mefisto, me fiz muralha

Me fiz mefistofélico!


Troquei meu cocar feito de penas de urubu

Por ridículos bonés e preferia ainda os sombreros

Assim passaram muitos fevereiros e

Continuo me guardando para quando o mundo acabar


Me fiz megatons, me fiz mega suplícios

Me fiz imbecil, me fiz disco de vinil

Mefistofélico!


Marcelo Braga


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