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terça-feira, 28 de novembro de 2023

Violentamente afável ante meus instintos mais primitivos


12.02.2016.


Permeiam-me vultos daquilo que nunca em mim se alterou

Por uma vez ter passado fome, visto a fome, socializei-me com a dor humana

Hoje alimento-me bem com perpectivas utópicas de um mundo luminescente

Coagido por minha insatisfação abandonei a apreciação das certezas alheias

No sarcarmo da loucura humana preservo-me, hienicamente falando, a sorrir

Gargalhadas três por quarto quando vejo não haver o certo e o errado, diante dos diversos prismas

Descriterioso quanto à utilidade dos trágicos mecanismos da sociedade que dimensiona seu mundo particular à minha garganta abaixo

Com minhas bolas de ferro arrastadas, prossigo inatingível às opiniões contrárias - e contraditoriamente apraz-me considerá-las (por lapsos momentos)


Torno-me cada vez mais afável no trato com a indiferença

Admiro com olhos que brilham a justiça que se mostra liberta de interesses escusos

A generosidade humana às vezes tropeça diante do interesse de reconhecimento e glória

Minha racionalidade de honestidade e virtude se contrapoem à minha visão de mundo investigativa (onde mais vejo superficialidade que benevolência)

Vibro euforicamente com a destinação de recursos aos pobres e
Enojam-me as despesas com movimentações festivas que parecem desconhecer os pruridos dos que sofrem


E mesmo assim sigo violentamente afável em meus instintos mais primitivos

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