12.02.2016.
Permeiam-me vultos daquilo que nunca em mim se alterou
Por uma vez ter passado fome, visto a fome, socializei-me com a dor humana
Hoje alimento-me bem com perpectivas utópicas de um mundo luminescente
Coagido por minha insatisfação abandonei a apreciação das certezas alheias
No sarcarmo da loucura humana preservo-me, hienicamente falando, a sorrir
Gargalhadas três por quarto quando vejo não haver o certo e o errado, diante dos diversos prismas
Descriterioso quanto à utilidade dos trágicos mecanismos da sociedade que dimensiona seu mundo particular à minha garganta abaixo
Com minhas bolas de ferro arrastadas, prossigo inatingível às opiniões contrárias - e contraditoriamente apraz-me considerá-las (por lapsos momentos)
Torno-me cada vez mais afável no trato com a indiferença
Admiro com olhos que brilham a justiça que se mostra liberta de interesses escusos
A generosidade humana às vezes tropeça diante do interesse de reconhecimento e glória
Minha racionalidade de honestidade e virtude se contrapoem à minha visão de mundo investigativa (onde mais vejo superficialidade que benevolência)
Vibro euforicamente com a destinação de recursos aos pobres e
Enojam-me as despesas com movimentações festivas que parecem desconhecer os pruridos dos que sofrem
E mesmo assim sigo violentamente afável em meus instintos mais primitivos
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