16.02.2016.
Um tribunal Supremo que todos carregam em si
Óh leitura complexa do mesmo para se tornar imparcial e cristalino!
Fiscalizando pormenores e eteceteridades minhas éticas e moralidades - concluo que nada se conclui
Sob todos os aspectos de meus céus e infernos - ri de tudo - por desespero, alegria e ironia
Saí ileso de mim graças à minha essência imutavelmente firme
Optei pelos caminhos cômodos que apaziguam as dores maiores e chorei nas pequenas dores para transformá-las em agradáveis futuras lembranças
Minha consciência quando chata comigo, mando-a pastar um pouco - passada sua moralidade e solidão, volta-se pra mim como um cão feliz por seu dono imponderável
Criei poesia para iludir-me de que eu era poeta
Criei minha satânica santidade para desprezar o certo e o errado criado e modificado constantemente
Tropecei de sacanagem para andar mais rápido
Tapei meus ouvidos às regras somente para transgredi-las
Joguei valiosidades fora para poder reconquistá-las
Fui ao fundo de vários poços somente para me refrescar um pouco
Incriminei-me regularmente só para irritar as pessoas certinhas
Em meu egocentrismo consegui livrar-me dos chatos e donos da razão
Encouraçado de minhas desobrigatoriedades tornei a vida mais leve
Armado de meus descompromissos tudo consistiu em apenas acordar
Minhas poesias foram apenas músicas que não soube fazer
Minhas convicções mantiveram adendos para que eu pudesse mudar constantemente
Joguei fogo nas fogueiras somente para brincar e mijar na cama depois
Joguei humanidade em mim para ver se sobrava algo pra alguém
Venerei com minha hierarquização aquilo que achei digno
Substancialmente por saber a sociedade mutável - tratei-a com reservas intelectivas
Se fui feliz? O que é felicidade para você pode ser a minha infelicidade
Na verdade fui nada - óh que dó... tão inteligente...
Tive nada e tive tudo
Falador e mudo
Inquisidor e polêmico
MARCELO BRAGA
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