AÇÕES DE PROMOÇÃO
E DIVULGAÇÃO DA SAÚDE MENTAL: ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, IMPORTANTE
COOPERAÇÃO NA
SUPERAÇÃO DO ALCOOLISMO.
Marcelo Braga da Silva
Professor orientador: Glaucio
Martins da Silva Bandeira
2023
SÃO GONÇALO/RJ
RESUMO
O
presente trabalho analisa dados referentes ao consumo de álcool, como também
dados epidemiológicos sobre a doença do alcoolismo no Brasil. Traz um breve
histórico da irmandade de Alcoólicos Anônimos no mundo e apresenta o formato de
atuação da irmandade no campo da saúde mental ao longo de seus 88 anos de
existência. Descreve como Alcoólicos Anônimos se estrutura no Brasil para
receber o alcoólico ativo, ainda em sofrimento e, como promove nos termos de sugestões o começo de uma recuperação. Apresenta o preâmbulo,
os propósitos primordiais e secundários da Irmandade. Pormenoriza a estrutura de grupos (salas de encontros e
reuniões) assim como, a terapêutica
que se desenvolve nas salas. Analisa em uma breve descrição como funciona seus
organismos de serviço, a atuação interna e externa, o plano de 24 horas, o
programa de 12 passos, tradições, conceitos, literatura disponível, sites,
conferências e convenções. Observa também a participação voluntária de
profissionais de diversas áreas como saúde, educação, justiça, entre outros,
que se identificam com a causa da doença do alcoolismo. Salienta a importância
da inserção do psicólogo nesse trabalho e de
sua capacitação, não somente no que diz respeito à prática clínica, mas também
à sua atuação no desenvolvimento de trabalhos preventivos. Por fim, descreve a
atuação de nosso grupo promovendo essa irmandade na sociedade, seja por meio da distribuição de panfletos e
cartazes, seja por meio da indicação que possivelmente faremos no devir de
nossa carreira como psicólogos a pessoas que encontraremos em sofrimento
causado pela doença do alcoolismo.
I.
DIAGNÓSTICO E TEORIZAÇÃO
1-
Identificação das partes envolvidas e parceiros/Introdução
Arrolados nesta atividade extensionista,
um grupo de treze alunos da graduação em Psicologia da Faculdade Estácio,
unidade Alcântara – São Gonçalo – RJ, de variados períodos, na disciplina de
Psicologia Experimental tendo como professor orientador: Glaucio Martins da
Silva Bandeira. Como cooperadores, tivemos alguns membros de Alcoólicos
Anônimos no município de São Gonçalo – RJ, em recuperação, com sobriedade
(tempo que se mantém sem ingerir
bebidas alcoólicas) que variavam entre, 1 (um) a 47 anos, estando os mesmos
envolvidos ou não nos organismos de serviço da Irmandade de Alcoólicos
Anônimos. Também, membros de Al-Anon e organizações da sociedade civil como:
OAB e Secretaria Municipal sobre Álcool
e Drogas (SEMAD) de São Gonçalo.
2-
Demandas e ou situações-problema identificados
O álcool pode ser considerado uma substância que propicia a integração
entre os indivíduos por possuir características facilitadoras das interações
sociais. Embora em diversas culturas o consumo de bebidas alcoólicas esteja
relacionado a festividades e celebrações, na perspectiva da saúde coletiva, o
consumo abusivo está associado à ocorrência de inúmeras doenças. (ORGANIZATION,
2018)
O consumo nocivo do álcool mantém
relação causal com mais de 200 tipos de doenças e lesões. Câncer, cirrose e
desordens mentais e comportamentais são frequentemente associados ao uso do álcool.
No entanto, uma proporção
importante da carga de doença atribuível ao álcool é decorrente
de lesões não intencionais e intencionais, incluindo-se aquelas devidas a
acidentes de trânsito, violências e suicídios. (ORGANIZATION, 2018)
Recentemente, o álcool também tem sido
implicado na causalidade de doenças transmissíveis, como tuberculose, HIV/aids
e pneumonias. (Alcohol Res Health, 2011)
No Brasil, desde 2006, a pesquisa sobre
Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico
(Vigitel), realizada nas capitais dos estados e no Distrito Federal, monitora
anualmente a prevalência do consumo abusivo de álcool, definido como consumo
abusivo cinco ou mais doses de bebida alcoólica (homem) ou quatro ou mais doses
(mulher) em uma única ocasião, pelo menos uma vez nos últimos 30 dias. A
frequência de consumo abusivo de bebidas
alcoólicas variou entre
14,2%, em Natal, e 24,3%,
em Salvador. As maiores frequências, entre homens, foram observadas em Cuiabá
(33,1%), Salvador (31,7%) e no Distrito Federal (30,9%); e, entre mulheres, em
Salvador (18,1%), no Rio de Janeiro (17,6%) e em Palmas (17,4%). (BRASIL, 2019)
O grupo, hipoteticamente, percebeu a
falta de informação vigente sobre a natureza da doença do alcoolismo entre a
população local e o próprio desconhecimento em relação às práticas terapêuticas
oferecidas gratuitamente pela Irmandade de Alcoólicos Anônimos no acolhimento a
pessoas em sofrimento com o
alcoolismo ativo, e então desenvolveu uma aproximação com o tema no intuito de compreender como
acontece o trabalho desenvolvido por Alcoólicos Anônimos e, assim,
futuramente, como psicólogos formados, facultar a
promoção à saúde também nessa área, seja com a atuação clínica, hospitalar,
terapêutica de grupo etc., e uma possível cooperação com Alcoólicos Anônimos na
pessoa de “Amigo de A.A.” (assim como comumente são denominados pelos A.A.s,
profissionais de diversas áreas que se aproximam do trabalho ali oferecido).
3-
Demanda sociocomunitária e motivação acadêmica
Após o processo da Reforma Psiquiátrica,
no âmbito da saúde mental, surgem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS),
criados como serviços substitutivos às internações em hospitais psiquiátricos.
Os direcionamentos atuais da Política de Saúde Mental para os CAPS estabelecem
que essas instituições deverão assumir um papel estratégico na articulação das
redes, trabalhando em conjunto com as Equipes de Saúde da Família e Agentes
Comunitários de Saúde, além de se articularem com outras redes, como escolas,
empresas etc. (RIBEIRO, 2012)
O referido grupo, observou ações
pontuais que ocorrem em nosso município com o intuito de informar e
conscientizar a população sobre os malefícios do álcool. No dia 18/02/23, Dia
Nacional de Combate ao Alcoolismo e no dia 10/10/23, Dia Internacional da Saúde
mental, ocorrem eventos por iniciativa da Secretaria de Políticas sobre Álcool
e Drogas, porém, temos constatado falta de conhecimento da natureza da doença
do alcoolismo que envolve até comportamentos de viés preconceituoso por partes
desinformadas e o esclarecimento e envolvimento, tanto da sociedade quanto de
instituições da área de educação que abrange também as universidades locais.
4- Objetivos
Objetivo Geral:
·
Compreender o modelo terapêutico
construído pela irmandade de Alcoólicos Anônimos e sua importância no
acolhimento do alcoólico em sofrimento no município de São Gonçalo RJ.
Objetivos Específicos:
·
Vivenciar momentos de
instrumentalização de saberes referentes ao enfretamento do alcoolismo no
município de São Gonçalo com base nas ações de acolhimento dos Alcoólicos
Anônimos.
·
Reconhecer a importância dos
Alcoólicos Anônimos no município de São Gonçalo RJ.
·
Contribuir com a difusão das ações
dos Alcoólicos Anônimos no município de São Gonçalo RJ.
5-
Referencial teórico
Os primeiros indicativos do consumo de
bebidas alcoólicas que continham etanol podem ser achados em vasos paleolíticos
e há evidências sobre o aproveitamento humano há cerca de quatro milênios. O
consumo do álcool na história antiga é essencialmente global, refletindo a
facilidade relativa da produção de álcool como, por exemplo, pela fermentação
de frutas e vegetais cultivados localmente mesmo antes da descoberta dos
processos de
destilação. Pode-se observar que os padrões de consumo de
álcool atuais são resultado dessas antigas tradições (ANTHONY, 2009)
No ano de 1967, o conceito de doença do
alcoolismo foi incorporado pela Organização Mundial de Saúde à
Classificação Internacional das Doenças (CID-8), a partir da 8ª
Conferência Mundial de Saúde 12,13. No CID-10, os problemas relacionados ao uso
de álcool foram inseridos dentro de uma categoria mais ampla de transtornos de
personalidade e de neuroses. Esses problemas foram divididos em três
categorias: dependência, episódios de beber
excessivo (abuso) e beber excessivo habitual. A dependência de álcool foi
caracterizada pelo uso compulsivo de bebidas alcoólicas e pela manifestação de
sintomas de abstinência após a cessação do uso de álcool. (NIAAA, 1995)
A experiência pessoal do fenômeno do uso
do álcool de forma descontrolada é complexa. Junto dela, sofrem os indivíduos
mais próximos aos convivas mais distantes. Em meio à desordem causada pela
ingestão regular e em quantidade progressiva dessa substância, justaposta ao incentivo velado de
seu uso nos encontros sociais e pela propaganda nos meios de comunicação, não
só o funcionamento da consciência se altera: são comprometidas as finanças, o
corpo, a integridade, a moral, as expectativas de vida para todas as idades.
(Barros, 2008)
Os efeitos nocivos do abuso do álcool
refletem situações de nível micro (família, trabalho…) como, mentiras,
desculpas, constrangimentos, irresponsabilidades para com os filhos, situações
vexatórias, violência doméstica entre outras - como de nível macro (sociedade
em geral) como, acidentes de trânsito,
atos de natureza criminosa, entre outros, que repercutem nos dispêndios gastos pela saúde pública.
Nos tempos atuais, a partir de janeiro
de 2022, entrou em vigor a CID- 11, que traz importantes atualizações nas guias
gerais do documento, e algumas específicas aos transtornos relacionados ao uso
de álcool, que são: maior especificação de diferentes padrões de consumo nocivo
de álcool, que podem ser contínuos, episódicos e recorrentes; nova subcategoria
diagnóstica para episódios únicos de consumo nocivo; e a introdução de consumo
nocivo de álcool como um fator de risco para a vida. (Saunders, 2019)
Nosso grupo de pesquisa identificou a
existência de grupos de mútua- ajuda que tratam desta doença (alcoolismo),
entre eles o A.A. - Alcoólicos Anônimos. A história de A.A. no mundo, fundado em 1935, na cidade de Akron,
Ohio, nos Estados Unidos, em um encontro entre, Dr. Bob (médico cirurgião) e
Bill W. (corretor da bolsa de valores de Nova Iorque). Ambos sofriam há anos
com o furor da ingestão descontrolada do álcool. Numa troca de experiências
pessoais, perceberam que conseguiam ficar sem beber enquanto essa troca
acontecia. Juntou-se a eles, um terceiro “A.A.” e em seus três primeiros anos de fundação já havia aproximadamente 40
alcoólicos em recuperação. Em 1938 o livro “12 Passos” foi escrito. Em 1939
veio a publicação do livro “Alcoólicos Anônimos” que deu nome também à
Irmandade, hoje conhecida pelo mesmo nome.
Em 1941, a irmandade já contava com 2
mil membros, após um artigo publicado por Jack Alexander no “Saturday Evening
Post” em 1º de março de 1941, cujo título: “Alcoólicos Anônimos: Escravos
libertados da bebida, agora eles libertam outros.”; o número de membros saltou para 8 mil. Organizaram-se ao longo dos anos em
novos grupos que se espalharam primeiramente pelos Estados Unidos e Canadá.
Posteriormente atingiram a Europa e hoje se fazem presentes em mais de 180
países. De igual forma, o livro “Alcoólicos Anônimos”, traduzido para diversos
idiomas. “Alcoólicos Anônimos Atinge a Maior idade”. No Brasil, contam-se hoje,
de portas abertas, 4.400 Grupos em salas fixas e 92 destes grupos, realizando
407 reuniões à distância por semana.
(AA, 2023)
O A.A. estrutura-se em Grupos, Escritórios
de Serviço Locais, Distritos, Setores, Áreas e uma central em São Paulo (JUNAAB
- Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos). Reúnem-se em Conferências
anuais e Convenções Nacionais a cada cinco anos. Mantém a disposição de membros e pessoas
interessadas uma variada opção em literatura impressa e online: mais de 20
livros e 40 panfletos e livretos voltados para a Recuperação, Unidade e Serviço
entre seus membros.
Os grupos realizam reuniões de
compartilhamento, abertas e fechadas, onde seus
membros falam de suas experiências
pessoais no alcoolismo ativo e
como vivem hoje na sobriedade. As reuniões fechadas destinam-se aos membros e as reuniões
abertas ao público
em geral. Mantêm-se
também
reuniões de esclarecimento e/ou literatura, reuniões
internas de serviço e reuniões comemorativas.
Suas reuniões geralmente começam com a
“Oração da Serenidade”: “Deus, concede-nos a serenidade para aceitar as coisas
que não podemos mudar, a coragem para mudar as coisas que podemos e a sabedoria
para reconhecer a diferença”. Sua
origem foi atribuída a antigos textos sânscritos e aos distintos filósofos
Aristóteles, Santo Agostinho, Tomás de Aquino e Espinosa. De fato, ninguém
encontrou o texto da oração entre os escritos dessas supostas fontes originais.
(Box 4-5-9, 2003)
O preâmbulo
é lido em seguida:
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS
é uma Irmandade de pessoas que compartilham, entre si, suas experiências,
forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se
recuperarem do alcoolismo. O único
requisito para ser membro é o
desejo de parar de beber. Para ser
membro de A.A., não há taxas ou mensalidades, somos autossuficientes, graças às nossas próprias
contribuições.
A.A. não está ligada
a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, nenhuma organização ou
instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate
quaisquer causas. Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudarmos
outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade. (AA, 2001)
A criação e a formulação do modelo
terapêutico e suas influências práticas vieram direta e indiretamente da
filosofia (do estoicismo a de William James), da ciência (medicina, em especial
da psicologia e psiquiatria) e de grupos religiosos (do cristianismo e em
especial dos Grupos Oxford).
Poucos sabem que os Alcoólicos Anônimos foram criados por inspiração de Carl G.
Jung (1875-1961) psiquiatra suíço, fundador da Psicologia Analítica,
considerado hoje um dos Patronos de A.A. Um dos pacientes alcoólatras de Carl
Jung, Rowland H., que viria a influenciar a criação do AA, sendo orientado pelo
mesmo, procurou um tipo de mudança de atitudes que vinculasse a isso uma nova
forma de vida, como acontece em uma conversão religiosa.
Assim como um dos próprios fundadores,
Bill Wilson, anteriormente, Rowland H. passou por experiências religiosas
fulminantes que o levou não só ao fim abrupto do alcoolismo, como a ter visões
diferentes da existência humana, do ego e da liberdade de ser. Numa carta
datada de 26 de janeiro de 1961, escrita de Nova Iorque (EUA), Bill Wilson, que
foi cofundador do A.A., escreveu a Carl G.
Jung, então em Zurique (Suíça), informando a ele que havia
sido inspiração fundamental para a criação do AA. Em 30 de
janeiro do mesmo ano, Carl G. Jung escreveu em resposta a Bill Wilson.
(Alcoólicos Anônimos ON LINE, 2020)
Quanto
à inserção da psicologia no que se refere ao alcoolismo, pode-se observar que as psicoterapias são fundamentais no
processo de intervenção terapêutica, pois auxilia não somente o indivíduo
dependente do álcool como também na redução dos estigmas sociais com que sofrem
os usuários. Neste aspecto, o trabalho do psicólogo deve estar ligado à ideia
de que o usuário alcance uma vida produtiva e socialmente construtiva. (CRP-RJ,
2017)
Para além do desempenho terapêutico dos
AA, nos interessa a subjetivação implícita no processo de engajamento
institucional, já evidenciada no campo de pesquisa das ciências sociais
(Campos, 2010; Mota, 2004). Uma leitura atenta da literatura de AA (livros,
revistas, folhetos) revela a intenção de produção (ou reconstrução) subjetiva
através de um saber-fazer pragmático que
tem o alcoolismo como baliza identificatória.
A identificação entre os membros, o
ideal de abstinência alcoólica e a construção de um saber-fazer espiritualista, produzem uma concepção singular
sobre a categoria alcoólico anônimo. Tal fato evidencia que a proposta dos AA
ultrapassa uma simples técnica terapêutica e se configura na verdade como uma
moral de vida. (Periódicos Eletrônicos Em PSICOLOGIA, 2018)
II.
PLANEJAMENTO PARA DESENVOLVIMENTO DO PROJETO
1- Identificação do público
participante
O público participante do projeto
Promoção e Divulgação da Saúde Mental Alcoólicos Anônimos consiste em 13
integrantes da graduação de Psicologia da Estácio de Sá - Alcântara de variados
períodos. O público alvo é bastante diverso e não é dependente de nenhuma
caracterização (quantidade, natureza, perfil socioeconômico, gênero,
escolaridade), onde o único requisito é
o desejo de parar de beber (no caso da irmandade A.A.) ou a lidar com entes
alcoólatras (no caso de Al-Anon – Associação de Amigos e Parentes de
Alcoólicos). Também, em um encontro, na Praça da Marisa, no dia 10 de outubro, dia Mundial da Saúde Mental junto a OAB, A.A., SEMAD (Secretaria
Municipal de Políticas sobre Álcool e Drogas) entre outros
órgãos, com a presença da população local onde, trabalhamos a panfletagem sobre
o A.A e a colagem de cartazes no comércio adjacente, sobre a doença do
alcoolismo e sobre a saúde mental.
2- Elaboração do plano de trabalho
Pela colaboração dos estudantes de
psicologia da Estácio de Sá – Unidade Alcântara com membros e amigos
A.A e da CTO (Comitê
Trabalhando com os Outros), foi dividido o projeto de pesquisa em duas
partes: teórica e prática.
A parte teórica consiste na introdução
dos estudantes no universo da irmandade de Alcoólicos Anônimos com o intuito de
entender mais sobre a mesma e seu caráter particular de ação. Tal movimento foi
possível através da participação em três reuniões realizadas na sala de A.A.
Alcântara: a primeira com a presença de um palestrante psicólogo, filósofo e doutor
com tese em alcoolismo e adicção; a segunda reunião em que tivemos uma hora
dedicada pelos membros à nossa recepção e troca de informações resumidas
referentes ao funcionamento de um grupo de A.A. e uma terceira reunião de duas
horas de depoimentos de membros.
Também estivemos em um encontro
organizado pelo ESL-AA – Escritório de Serviços Locais de São Gonçalo onde
fomos recebidos pelos seguintes responsáveis: Delegada Suplente da Área 01 (Rio
de Janeiro), Diretor do Escritório, Relações Públicas
do CTO do Escritório e coordenador da SEMAD
(Secretaria Municipal de Políticas sobre Álcool e Drogas). Um outro encontro
deu-se em uma reunião na sala de Al-Anon na Igreja Católica de Alcântara.
Dividimos nosso trabalho em cinco etapas: a primeira, um encontro em uma
palestra com um profissional da Psicologia e Amigo de A.A.; a segunda, uma
reunião de esclarecimento e depoimentos numa sala de A.A.; a terceira, um
encontro no Al-Anon; a quarta etapa, em uma reunião no Escritório de Serviços Locais de A.A.; e
por último, um encontro para ação externa de promoção e divulgação da irmandade
de Alcoólicos Anônimos.
3-
Descrição da forma de envolvimento do público participante
Os participantes envolvidos planejaram o
processo com todo cuidado e respeito às diretrizes da irmandade de A.A. Para
isso, contou-se com a colaboração dos coordenadores A.A e Al-Anon de São
Gonçalo no que se diz respeito a formas de divulgações legais e não invasivas
que protegem os seus anonimatos.
Assim
então, os estudantes conseguiram participar
de reuniões do grupo e entender
em sua totalidade como a irmandade se organiza e suas atividades propostas aos
membros ali dispostos a compartilhar suas vivências e experiências. Dessa
forma, trilhou-se um caminho favorável para uma divulgação coesa e completa de
informações sobre a irmandade A.A. e como a doença do alcoolismo se apresenta
na sociedade.
Sendo assim, em conjunto com o CTO
(Comitê Trabalhando com os Outros), divulgamos por panfletos, cartões e cartazes no Rodo de São Gonçalo
(Centro) a irmandade ao público que estava naquela região.
4- Cronograma do Projeto
|
ETAPAS |
A gosto |
S etembro |
O utubro |
N ovemb ro |
D ezembr o |
|
Apresentação da proposta de trabalho aos alunos e organização dos grupos |
X |
X |
|
|
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|
Exposição e discussão teórica dos conceitos
previstos na ementa |
X |
X |
X |
|
|
|
Pesquisa exploratória, levantamento das principais demandas/necessidades sociocomunitárias aderentes aos temas propostos pelo
componente curricular |
X |
X |
X |
|
|
|
Definição e caracterização do(s) |
X |
X |
X |
|
|
|
público(s)
participante(s) |
|
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|
|
|
|
Priorização de demandas com
o(s) público(s)
interessado(s) |
|
X |
X |
|
|
|
Discussão dos achados
do campo |
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X |
X |
|
|
|
Construção do referencial teórico que subsidiará a proposição de
ações |
|
X |
X |
|
|
|
Elaboração de plano de trabalho |
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X |
X |
X |
X |
|
Discussão e validação dos planos de trabalho |
|
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X |
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Elaboração de relatório coletivo |
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|
X |
|
Relato de experiência individual |
|
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|
|
X |
|
Socialização das experiências, coletiva e individual, com apresentação
dos resultados de forma documentada. |
|
|
|
|
X |
Tabela 1: cronograma de atividades.
5- Descrição da atuação da equipe de trabalho
A proposta desse projeto é que todos conseguissem participar de todas as etapas igualmente, dado a sua disponibilidade de tempo.
· A primeira etapa, foi um encontro comemorativo realizado no dia 10/09/2023, relativo aos 76 anos de A.A. no Brasil com a preleção de Carlos Eduardo Fraga, filósofo, psicanalista, psicólogo, mestre e doutor, tendo como tese de doutorado “Alcoolismo e Adicção” trazendo o tema: “O Desejo como Único Requisito”. Dissertou sobre como se deu o surgimento da irmandade A.A e todos os seus resultados positivos na vida dos “recuperandos” alcoólicos.
·
A segunda, foi um encontro de
caráter informativo realizado no 24/09/2023 com cerca de 3 (três) horas de
duração, divididos entre 1 (uma) hora de reunião
com os coordenadores da unidade A.A e
Al-Anon São Gonçalo e 2 (duas) horas de reunião com
depoimentos de membros da irmandade Alcoólicos Anônimos, que nos trouxeram suas
experiências durante o alcoolismo ativo e como vivem agora em sobriedade junto
à Irmandade de Alcoólicos Anônimos, permitindo-nos in loco amadurecer nossa
percepção sobre o ambiente
terapêutico que ali se pratica.
· A terceira etapa de nosso trabalho deu-se em uma visita ao ESL (Escritório de Serviços Locais de A.A.) – situado próximo ao Zé Garoto no dia 30/09/2023 de 9 (nove) às 13 horas. Fomos recebidos pelos seguintes representantes: Diretor do ESL, Coordenador do CTO do ESL, Delegada Suplente da Área 01 e Wallace Arêas – coordenador da SEMAD (Secretaria Municipal de Políticas sobre Álcool e Drogas). Fomos informados detalhadamente sobre a estrutura de A.A. no âmbito estadual, incluindo grupos, distritos, setores e áreas. Também, sobre a atuação dos escritórios de A.A. que assumem a postura jurídica quando se faz necessário ao trabalho realizado junto a organismos da sociedade e como o psicólogo pode ajudar o A.A. ao tornar-se um “amigo de A.A.” promovendo palestras e indicando seus pacientes alcoólicos que procurem também ajuda na irmandade, aumentando assim, seu repertório de ferramentas disponíveis em suas recuperações. O coordenador Wallace nos trouxe uma visão do trabalho que a secretaria de “Álcool e Drogas” realiza no município de São Gonçalo e também, importantes informações sobre a natureza da doença do alcoolismo. Alguns alunos adquiriram livros que estavam à venda no escritório.
·
A quarta etapa deu-se em 04/10/2023
das 18:30 às 20:30 horas em uma visita à reunião de Al-Anon na Igreja Católica
de Alcântara. Fomos recebidos por membros da associação local, de outros grupos
próximos e por alguns membros de A.A. Fomos apresentados aos Grupos Familiares Al-Anon
que são uma associação de parentes e amigos de alcoólicos que compartilham sua
experiência, força e esperança, a fim de solucionar os problemas que têm em
comum. Acreditam que o alcoolismo é
uma doença que atinge a família e que uma mudança de atitudes pode ajudar em
suas recuperações.
Partilhamos de relatos pessoais de
parentes de alcoólicos que sofreram às mais diversas situações de desamparo a
agressões físicas. Na segunda parte da reunião abriu-se uma oportunidade para
fazermos perguntas aos membros que ali estavam, e também alguns estudantes
relataram suas experiências pessoais referentes ao alcoolismo de pessoas
próximas.
A parte prática consistiu em um evento
público de divulgação e distribuição de literatura no encontro do Dia Mundial
de Saúde Mental (10/10/23), junto ao pessoal do A.A. e outros órgãos da
sociedade (SEMAD, OAB etc.) na Praça da Marisa, Rodo – centro de São Gonçalo
entre 10h e 14h. Ajudamos na montagem do stand, fizemos colagens de cartazes no
comércio local, distribuição de panfletos aos que ali passavam e acompanhamos os
A.A.s nas abordagens a quem ali se dirigiu em busca de
informações e ajuda. Também interagimos com outros órgãos da sociedade que
atendiam em seus stands: OAB, Secretaria Municipal de Saúde, Defesa Civil e
Secretaria de Políticas sobre Álcool e Drogas.
Tais atividades foram coletivas,
extensiva a todos os participantes do grupo, cabendo aos mesmos sua disponibilidade particular para cada reunião e encontro, contribuindo assim em todo o
processo do trabalho de pesquisa.
6- Metas, critérios ou indicadores de avaliação do
projeto
Conseguimos o contato mais aproximado
participando presencialmente das reuniões, ouvindo depoimentos dos membros e
por uma visita ao ESL (Escritório de Serviços Locais) recebendo de seus membros
total disponibilidade e uma atenção carinhosa ao nosso projeto de pesquisa.
Também obtivemos informações mais
descritivas em nossos acessos aos sites oficiais de Alcoólicos Anônimos e
Al-Anon; como de igual, à literatura disponibilizada pelas mesmas irmandades.
Usamos como critério uma participação efetiva e ampla para assim obter uma visão panorâmica e
consistente que vai, da experiência acumulada pelo A.A., até o resultado
prático que a proposta terapêutica ali praticada poderá resultar numa atuação
futura como psicólogos formados, no cenário de nos depararmos com doentes
alcoólicos em sofrimento.
Percebemos também uma aproximação e troca de conhecimento entre
a instituição de ensino onde estamos matriculados à irmandade envolvida
em nossa pesquisa. Como resultado, evidenciou-se a possibilidade de atender a
demanda que envolve um dos papéis do psicólogo proposto pelo Código de Ética
Profissional do Psicólogo em sua apresentação no item “a”:
Valorizar os
princípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a relação do
psicólogo com a sociedade, a profissão, as entidades profissionais e a ciência,
pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma contínua
reflexão sobre o contexto social e institucional.
7-
Recursos previstos
Apenas despesas com locomoção,
impressões e lanches custeadas pelos participantes do
grupo.
III.
ENCERRAMENTO DO PROJETO
1.
Relatório Coletivo/Discussão/Avaliação
Dos Pares
Novos saberes – essa é palavra que
sintetiza ao máximo nossa experiência. Desconstrução de um conhecimento de
senso comum a um saber científico. Uma imersão na saúde mental e
especificamente no alcoolismo. Avançamos no conhecimento da natureza da doença
do alcoolismo e identificamos práticas terapêuticas que trabalham o “fazer
parar” da progressão de tal
patologia. Focamos em um grupo terapêutico específico: Alcoólicos Anônimos.
Procuramos em encontros que envolveram reuniões de variadas matizes, conhecendo
assim as especificidades práticas da terapêutica de A.A. e, logo, nos deparamos
com as sugestões dos “12 Passos”, mundialmente difundidas e utilizadas por
outras instituições de mútua-ajuda.
Ouvimos depoimentos de pessoas que
conseguiram sair do intenso sofrimento causado pela doença à ressocialização
promovida pela sobriedade. Junto ao Al-Anon, percebemos a abrangência dos
agravos causada pelo alcoolismo ativo. Momentos dedicados à pesquisa, a leitura
de artigos, a livros de A.A.; encontros com troca de experiências, com
perguntas e respostas. Recepcionados com carinho e atenção pela irmandade,
pudemos também absorver um pouco do ambiente humano e acolhedor que permeia
suas reuniões.
Finalmente, encerramos nossa pesquisa,
em uma ação de cooperação, esclarecimento e divulgação de Alcoólicos Anônimos
em nosso munícipio com a certeza de que iremos levar essa efetiva aproximação
que envolve, do sofrimento físico e psíquico à superação, em um futuro próximo,
à prática da Psicologia em seus mais diversos métodos, práticas e abordagens.
2.
Relato de Experiência Individual
Marcelo Braga da Silva
De início, a minha proposta era realizar
uma pesquisa com dados quantitativos com respostas a um questionário e, por conseguinte, um
levantamento estatístico que especificasse os motivos que
levam as pessoas buscar em Alcoólicos Anônimos um alívio permanente de abstemia
e sobriedade, entre outros dados, que também traçasse o perfil geral de seus
membros incluindo gênero, grau de escolaridade, tempo de sobriedade entre outros.
Nosso professor orientou que fizéssemos
uma imersão mais plena, humanizada, envolvendo o contato direto com os membros
da Irmandade e que nosso trabalho
também proporcionasse atividades de divulgação da terapêutica de A.A. na
comunidade de São Gonçalo. Assim fizemos: uma incursão em diferentes tipos de
reuniões, com profissional da Psicologia, ouvindo depoimentos de membros em
recuperação, com membros ativos na estrutura de serviços e com órgãos da
sociedade civil que promovem o esclarecimento e alternativas terapêuticas no
trato da doença do alcoolismo.
Munido de um conhecimento prévio
referente aos problemas sociais gerados pelo alcoolismo crônico, pude ampliá-lo
conhecendo de perto alguns aspectos da natureza da doença como física e mental
com informações provenientes da literatura científica, incluindo a própria OMS
e o CID. Fui ver in-loco como se dá o
processo de transformação, digamos até “espiritual e filosófico”, nas salas de
Alcoólicos Anônimos. Participei de todos os encontros, pesquisei na literatura
científica e na literatura da A.A. uma diversidade de temas que envolvem o
assunto e participei na elaboração dos textos que abarcam o arcabouço teórico
da pesquisa como um todo. Envolvi-me ativamente na organização dos encontros e
notei que, a cada encontro, os colegas do grupo de pesquisa iam se envolvendo e
se interessando ainda mais pela proposta de extensão da disciplina.
Percebi que, o que leva as pessoas a
procurarem ajuda na Irmandade de A.A. envolve, em um primeiro
plano, histórias de sofrimento incluindo perdas em diversas áreas da vida pessoal e social: família,
trabalho, dignidade, moradia e sanidade. Logo, pude verificar também que existe
uma “atmosfera” nas reuniões que compreende uma resposta automática e positiva
proveniente de uma identificação que acontece entre os visitantes e membros ao
ouvirem os relatos, gerando assim uma motivação que inclui força e esperança
para uma vida melhor. Nessa imersão,
procurei conhecer o Programa
de 12 Passos, que é sugerido
em A.A. e replicado em diversos grupos terapêuticos similares.
Constatei que, além de possuir uma
sequência lógica, esse programa promove uma reinserção social, um crescimento
humano gradativo, um encontro substancial com o si mesmo e um desinflar egóico.
Propõe também uma nova forma de lidar com os problemas da vida, incluindo
substituições de hábitos nocivos para hábitos saudáveis e como resultado, um
aumento considerável na qualidade de vida. Uma experiência que certamente me
marcou e trouxe-me orientações consideráveis para o meu futuro profissional na
área da saúde mental.
1.
Referências
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