SÉRIE: Grupos de Interesses Especiais em A.A. 10/11 - Agnósticos em A.A.
Agnósticos em A.A. =
> No depoimento do ateu Ed, nas páginas 16/17 do folheto “Você pensa que é diferente?” – Junaab, código 206, ele diz: “Estou me dirigindo àqueles alcoólicos que têm tido problemas com as implicações religiosas do programa de A.A. Àqueles que não aceitam a ideia da existência de um ser sobrenatural, permita-me afirmar que sempre existiram pessoas que me fortaleceram quando precisei de ajuda.
... Existe uma alternativa mais provável de um universo neutro, onde o homem vive trabalhando pela sua salvação, sem esperança no paraíso nem temor do inferno. O homem pode achar que a vida tem valor, não porque um pai divino assim o ordena, mas porque as conquistas dos bons homens e mulheres, trabalhando juntos com amor e autorrespeito, constituem valor e recompensa para eles mesmos”.
A primeira reunião especificamente para agnósticos aconteceu, oh, ironia, numa igreja. Na Igreja Unitária Universalista, em Chicago. Isso foi no dia 7 de janeiro de 1975. Seu criador, Don W., agnóstico, era membro de A.A. desde 1970 e foi convidado a proferir uma palestra no outono de 1974 à qual deu o título “Um agnóstico em A.A. Como funciona para mim”. Ele definiu seu agnosticismo muito simplesmente: “Eu nunca poderia acreditar em um Deus suficientemente pequeno para caber dentro da minha cabeça”. A palestra fez tanto sucesso que lhe foi pedido para repeti-la em outras filiais daquela Igreja. E um dos ministros o encorajou a iniciar reuniões de A.A. especialmente para agnósticos e ateus e para isso estava cedendo um espaço naquele local.
Surgiu assim o quádruplo AAAA: Alcoólicos Anônimos para Ateus e Agnósticos.
O primeiro Grupo de A.A. para agnósticos na California, “Nós os Agnósticos em A.A.”, nome retirado do título do Capítulo 4 do Livro Azul, foi fundado em 1978, em Los Angeles, por Charlie P. Charlie tinha ingressado em A.A. em 1970 com a idade de 56 anos “eu era um não-crente, e depois de oito anos no programa de A.A., sóbrio, senti que era o momento oportuno para se ter reuniões para ajudar não-crentes”.
Para ficar próximo dos filhos, Charlie, mudou-se para Austin, Texas, em 2000. Em 21 de agosto de 2001, fundou o Grupo Austin de Agnósticos em A.A.
Pouco depois, em 3 de maio de 2002, Nick H., afilhado de Charlie P., fundou o Grupo “Filhos do Caos”, também para agnósticos em Austin. Atualmente, em Austin existem quatro Grupos para humanistas – ateus, agnósticos e livres-pensadores.
O primeiro grupo agnóstico de Nova York chamou-se “Nós, Ateus em A.A.”, e sua primeira reunião foi realizada em 10 de setembro de 1986.
O grupo teve três fundadores, Ada H., David L., e John Y. Eles, que não se conheciam entre si, responderam a um artigo publicado na primavera de 1986 na edição da Free Inquiry, ou, algo como Inquérito Livre, uma revista secular humanista, distribuída até hoje em toda América. O artigo tinha sido escrito por Harry, um californiano, e era dirigido a ateus e agnósticos membros de A.A. que estavam tendo problemas com a natureza religiosa de grande parte das reuniões regulares de A.A. Ao longo das semanas seguintes, Harry escreveu para os três novayorquinos encorajando-os e lhes dizendo que não estavam sozinhos se quiserem abrir um grupo para agnósticos seguindo o programa de A.A. Disse-lhes como funcionava em Los Angeles e enviou uma cópia do roteiro para reuniões do Grupo quer ele participava, o “Nós Agnósticos em Pasadena”.
As reuniões começaram no apartamento de Ada; no roteiro constava que fossem encerradas com os presentes em círculo e de mãos dadas cantando a canção “Live And Let Live” ou, “Viva e deixe viver” (não há indicação do autor; os autores e intérpretes mais conhecidos para o mesmo título, porém com conteúdo muito diferente, são, Daniel Amos e Guns N´Roses. (N.T.: A associação com uma canção ou outra corre por sua conta sua). O grupo começou a crescer e mudou-se para, oh, ironia, a Igreja Hus Jan. A Igreja encontrou a palavra ateu um tanto pesada, e o grupo mudou o nome para “Nós, humanistas em A.A.”.
Em 13 de setembro de 2009 foi realizada a “Primeira Conferência de Humanistas, Ateus e Agnósticos em A.A.”, em Chicago. Uma das palestras foi proferida por Lisa D., sobre como os humanistas, ateus, secularistas e agnósticos podem trabalhar os Doze Passos independentemente da crença ou da falta de crença. Seu título foi “Como o programa de A.A. funciona para um Humanista”. E descreveu como ela tinha chegado a entender os valores humanos – “a empatia, compaixão, a integridade, consciência, honestidade, mente aberta, diligência, excelência, serenidade, coragem, sabedoria que foram meu poder superior para conseguir a mudança necessária”.
Atualmente, existem Grupos de Agnósticos em A.A., em praticamente todas as grandes cidades dos EUA e Canadá e também no Reino Unido, França, Holanda, Bélgica, Alemanha, Nova Zelândia e Austrália.
Enquanto “Agnósticos em A.A. de Nova York” divulga uma lista com 87 Grupos agnósticos nos EUA, o Escritório de Serviços Gerais de A.A. em Nova York – GSO, divulga uma lista com apenas 48 Grupos. Entretanto, não há qualquer exigência que obrigue os Grupos a se registrar em qualquer organização, assim, não se sabe ao certo quantos Grupos para agnósticos existem.
Quanto aos indicativos de seu crescimento, vale registrar que, dos 48 Grupos de agnósticos listados pelo GSO, 30 deles, quase dois terços, realizaram suas primeiras reuniões neste novo milênio.
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