Os familiares, especialmente os e mães, têm a sensação implícita
ou explícita de que seus filhos se envolveram com drogas/álcool porque a
educação que eles receberam foi defeituosa. Os familiares se culpam pelo que
seus entes queridos estão passando. Essa ideia não merece prosperar
e esse sentimento de culpa é
inútil. Aqueles que se envolveram com drogas/álcool fizeram
isso pelos mais variados motivos: automedicação,
ignorância, imaturidades, maus amigos, escolhas ruins, sentimentos de culpa,
amortecimento de desconfortos emocionais, entre outros. Os valores
morais e éticos que receberam
durante sua infância
e adolescência, o carinho
e atenção que lhes foram
dirigidos não são a “única”
causa da adicção. A adicção é um processo muito mais complexo.
Então por que os pais se culpam pelo que ocorreu
com seus filhos? Isso tem reflexo na cultura religiosa e é denominado de teoria
da árvore dos frutos envenenados: se o fruto está envenenado (filho) é porque a
árvore também está (família). Entretanto, isso não é real, porque é impossível
atribuir o fenômeno da drogadição, com todas suas consequências, como sendo uma simples herança
familiar ou genética.
Se a “culpa” pelo processo
de adicção fosse apenas familiar, não seria possível existirem pessoas adultas
que nunca se envolveram com drogadição, apesar de
terem vivido suas infâncias e adolescências em famílias adictas e
disfuncionais. O problema do fruto (filho), quando nos referimos ao processo abstêmio, não tem ligação
exclusiva com a árvore (família).
Porém, cabe destacar que existem certos casos em que a família contribui enormemente para o desenvolvimento de processos adictos. Isso é fato. Contudo, embora a família não seja a causa do processo de adicção – não é necessariamente
1 Tema apresentado no Livro e Ebook:
ZIEMMERMANN, Péricles. Teorias abstemiológicas. 1ª ed. Curitiba/PR: Edição do autor, 2019. 151 p.; 14 X 21 cm. ISBN: 978-85-924432-2-1. Distribuído pela Editora Simplíssimo.
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