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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Vacinas de Abstinência 23/33 - Teoria da Evolução Cognitiva

 



Imagine uma pessoa que tenha passado pelas  fases  de  mero  usuário,  usuário abusivo e, depois, adicto. Esse é, em regra, o caminho da adicção.  A pessoa que se torna adicta teve uma involução cognitiva, ou seja, atrofiou seu  desenvolvimento físico, psicológico, social e espiritual. O desenvolvimento da adicção gera uma involução ideológica capaz de afetar o modo de pensar, sentir e agir do indivíduo. Porém, quando a abstinência se desenvolver haverá uma evolução? Existe alguma forma de evolução cognitiva depois da involução causada pela adicção?

 

Podemos  entender  que  a  transmutação  entre  USUÁRIO-ADICTO-ABSTÊMIO também representa, simultaneamente, uma alteração cognitiva. Por exemplo, o usuário (mero usuário ou de uso abusivo) apresenta uma debilidade cognitiva que o permite  fazer  uso  de  drogas/álcool.  Por  sua  vez,  o  adicto  possui  uma  deformidade cognitiva  que  o  permite  usar  indiscriminadamente  drogas/álcool.  Porém,  após  a cessação definitiva do uso de drogas/álcool teremos o abstemenor como  sendo alguém que está na fase de reeducação cognitiva e, por último, o abstemaior que representa uma pessoa com sinais de evolução cognitiva.

 

A afirmação de que MERO USUÁRIO e o USUÁRIO ABUSIVO são pessoas que apresentam DEBILIDADE COGNITIVA insurge-se devido ao fato dessas pessoas pensarem que podem usar drogas/álcool. O simples fato  de  admitir  essa possibilidade representa uma debilidade  no  sistema  racional  por  diversos motivos que não vamos, nesse  momento,  discutir.  Contudo,  infelizmente,  a sociedade admite essa prática de forma constante e, inclusive, incentiva isso sobre vários aspectos. O sistema ideológico do mero usuário (S.I.U. positivo) e o sistema ideológico do usuário abusivo (S.I.U. negativo) condensam essas formas debilitadas de pensar, sentir e agir.

 

O ADICTO, por sua vez, é uma pessoa que possui algo além da  debilidade cognitiva,  ou  seja,  é  a  pessoa  que  centra  sua  vida  no  uso  de  drogas/álcool  e,  por causa disso, possui uma DEFORMIDADE COGNITIVA. Essa pessoa deformou sua forma de pensar, sentir e agir a tal ponto que não consegue se (re)adequar ao meio social. Ademais, uma das características mais marcantes da adicção é justamente o estreitamento de repertório. O sistema ideológico do adicto (S.I.A. negativo) representa, em síntese, essa deformidade cognitiva.

 


Porém, existem boas notícias. Após o desencadeamento do processo de abstinência, gradualmente, a pessoa deixará de sustentar a deformidade cognitiva que alimentava a adicção e passará, ao longo do tempo, por uma REEDUCAÇÃO COGNITIVA. Essa será  uma  fase  de  muito  aprendizado  e,  sobretudo,  um  período de enfrentamento das crenças que fundamentaram a adicção. Penso que o ABSTEMENOR (pessoa com menos de 02 ou 03 anos  de  abstinência)  precisará efetuar diversos trabalhos cognitivos:


 

(a)     Encontrar suas crenças pessoais que fundamentam a adicção (autoinvestigação permanente)

(b)    Analisar essas crenças sobre o crivo da racionalidade (lucidez abstêmia)

(c)    Adotar uma nova forma de pensar, sentir e agir perante os fatos da vida (adoção do novo sistema ideológico abstêmio)

(d)    Viver de acordo com o novo sistema ideológico abstêmio (S.I.A. positivo)

 

Por último, surge a figura da pessoa que passou pela involução da adicção, mas que conseguiu mudar sua forma de vida e, agora, vive  sobre  o  manto  da  abstinência. Essa pessoa é classificada como ABSTEMAIOR (pessoa com mais de 02 ou 03 anos de abstinência). O abstemaior enfrenta o dia a dia sem recorrer ao uso  de drogas/álcool   porque   conseguiu   mudar   completamente   seu   sistema   ideológico   e abandonar as crenças que davam sustentação à adicção. Entretanto,  vale  ressaltar que, mesmo adotando uma nova forma de pesar, sentir e agir, o abstemaior deverá permanecer em constante vigília para  não  retornar  ao  universo  da  adicção.  Por isso, a pessoa que mesmo vivendo numa sociedade conivente e, em alguns momentos,  estimuladora  do  uso  de  drogas/álcool   superou  a  involução  da  adião, conseguiu anular as crenças adictas e restabeleceu novos patamares cognitivos será tida como alguém  que  está  em  constante  EVOLUÇÃO  COGNITIVA.  Aqui,  a expressão evolução cognitiva significa que houve  uma  evolução  consciencial abstêmia apta a criar um novo sistema ideológico abstêmio.



 


 

Concluindo, podemos entender que a adicção em si é algo odioso e capaz de causar uma involução cognitiva em qualquer pessoa que mergulhar nas suas entranhas. Apesar dos pesares, a superação da adicção é capaz de gerar pessoas que coadunam com uma EVOLUÇÃO COGNITIVA após passarem por um período de REEDUCAÇÃO.



1 Tema apresentado no Livro e Ebook:

ZIEMMERMANN, Péricles. Teorias abstemiológicas. 1ª ed. Curitiba/PR: Edição do autor, 2019. 151 p.; 14 X 21 cm. ISBN: 978-85-924432-2-1. Distribuído pela Editora Simplíssimo.

 

 

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