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O lastro abstêmio2 corresponde ao período em que o abstêmio permaneceu em processo de abstinência dividido
pelo número de recaídas (reintoxicação física) que ocorreram
durante sua jornada abstêmia. O período
de sobriedade anterior à recaída – aqui entendida apenas como a reintoxicação
física – forma um lastro capaz de dar sustentação à futura abstinência que virá após a desintoxicação.
Por exemplo, se a pessoa ficou 10
(dez) anos em abstinência e recaiu ela terá
muito mais condição de voltar ao caminho abstêmio do que aquele que ficou 02 (dois) anos em abstinência e recaiu. Então, pensar que o período
de abstinência anterior à recaída está completamente “perdido” não é uma premissa verdadeira. Esse lastro abstêmio corresponde a tudo que foi realizado enquanto a
pessoa estava abstêmia, por exemplo: novos circuitos neuronais, melhoras do quadro clínico, novas amizades, superação de defeitos de caráter, aumento da espiritualidade,
relacionamentos afetivos mais saudáveis, emoções de tristeza e felicidade sem
uso de drogas/álcool, enfim tudo que ocorreu durante o período de abstinência
que antecedeu o processo de recaída. Esse
lastro abstêmio que ajudará ao retorno da abstinência é diretamente proporcional ao tempo de abstinência
antes de recair, ou seja, quanto maior for o período de abstinência
antes da recaída maiores serão as chances da pessoa realinhar-se ao processo
abstêmio novamente. O resultado do lastro abstêmio pode demonstrar em que fase da escada abstêmia3 a pessoa se encontra
atualmente.
FORMAS DE CALCULAR O LASTRO ABSTÊMIO
É
possível calcular, matematicamente, o LASTRO ABSTÊMIO.
Para isso, basta utilizar
o período de abstinência anterior à recaída
(desde
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ENTENDENDO OS ELEMENTOS DA FÓRMULA DO LASTRO ABSTÊMIO
O período de abstinência anterior
à recaída (dividendo) corresponde ao período de abstinência que a pessoa possui. Se o
abstêmio tem 08 (oito) anos de abstinência esse será o numeral do dividendo. Aqui cabe um pequeno detalhe: só será computado como
período abstêmio (dividendo) o tempo de abstinência da pessoa que tiver
superado 02 ou 03 anos, ou seja, só entrará na fórmula do cálculo do lastro
abstêmio aquele abstêmio que for considerado
abstemaior, abstemaior real ou mega-abstêmio. Os abstêmios que
tenham períodos de abstinência inferiores ao ponto “R+2 ou R+3” não possuem lastro abstêmio porque não tem período abstêmio
anterior à recaída capaz de
ser inserido no dividendo da equação do lastro abstêmio. O tempo de abstinência
de 02 ou 03 anos é muito pequeno para conseguir calcular o lastro abstêmio e,
mesmo que isso fosse possível, o abstêmio permaneceria como sendo abstemenor,
ou seja, não haveria motivo lógico para
efetuar o cálculo do lastro.
Por sua vez, o divisor corresponde à soma do número de segurança
com o número de recaídas. O número de segurança
representa um acréscimo no denominador para poder dar mais segurança ao valor que será
obtido pelo lastro abstêmio já que o resultado do lastro será deslocado para
menos. Em regra, o número de segurança é
o numeral “01” (um) que pode ser
substituído por outro numeral para poder dar mais rigor ao lastro abstêmio.
Assim, por exemplo, se utilizar como número de segurança o valor “02”, “03” ou,
até mesmo, “04”, teremos um divisor maior e,
consequentemente, um lastro abstêmio menor. Esse número de segurança irá variar conforme
o nível de efeitos produzidos pela recaída de modo que a recaída com efeitos gravíssimos,
graves ou moderados poderá ter números de segurança variáveis.
O outro
elemento, também divisor, da equação do lastro abstêmio é, simplesmente, o número de recaídas
do abstêmio, desde que tenha havido
Após a
(re)desintoxicação do abstêmio, o novo período de abstinência que se iniciará indica em que momento do processo abstêmio
a pessoa se encontra conforme o resultado obtido
pelo quociente da equação.
Exemplificando:
se o abstêmio contava com 10 (dez) anos de abstinência e recaiu, terá: 10/1+1,
ou seja, 05 anos de lastro abstêmio que corresponde ao abstêmio maior. E, se
recair novamente, terá, após a desintoxicação, 10/1+2, ou seja, seu lastro abstêmio será de 03 anos e quatro meses que,
também, ainda, corresponde ao período de abstêmio maior. Entretanto, se recair
novamente terá: 10/1+3, ou seja, 02 anos e seis meses, de modo que pode ser
considerado com sendo abstemenor. Assim, cada recaída indica que o abstêmio está regredindo em sua evolução
abstêmia podendo a reduzir seu S.I.A.+ de forma acentuada. Nesses cálculos, ora exemplificados, foi utilizado
como número de segurança o valor “1”, porém todos os cálculos podem ser
refeitos com o valor “2”, “3” ou “4” e, consequentemente, o lastro abstêmio que
será obtido será muito menor. Desse modo, podemos chegar a algumas conclusões
interessantes:
1.
Quanto maior o
período de abstinência (numerador) e menor o número de recaídas (denominador)
maior será o lastro abstêmio já que o abstêmio
estará a mais tempo inserido
no S.I.A.+.
2. A síndrome
das recaídas sucessivas4 afetará diretamente o lastro abstêmio já que poderá reduzi-lo drasticamente porque
aumenta o divisor da equação.
3.
O resultado do
lastro abstêmio pode indicar em que fase da abstinência se encontra a pessoa da
seguinte forma:
· Se, Lastro abstêmio
< 02 ou 03 anos, fase de abstêmio menor ou, nos casos mais graves, abstêmio
mínimo. O abstêmio
pode ter retornado ao S.I.N. ou, até mesmo, ao
S.I.A.-.
· Se, Lastro abstêmio > 02 ou 03 anos, fase de abstêmio
maior de modo que o abstêmio
ainda está no S.I.A.+.
· Se, Lastro abstêmio
> todo o período de drogadição, o abstêmio ainda está na fase do
pós-abstêmio e com S.I.A.++.
4. O tamanho do lastro abstêmio pode corresponder, até mesmo,
a alguém que esteja no período pós-abstêmio desde que superado o ponto “Z”. De fato, o pós-abstêmio é alguém que
possui, em regra, um enorme lastro abstêmio.
5. O número de segurança
mais elevado está relacionado com o nível dos efeitos produzidos pelo processo de recaída, ou seja, se o processo de recaída gerou efeitos gravíssimos, graves ou moderados pode-se
6. Como somente poderá se utilizado no numerador da fórmula do lastro abstêmio o período de abstinência superior a “R+2 ou R+3” pode-se concluir que o lastro abstêmio mínimo será 01 (um) porque representa o menor período abstêmio (que é 02 anos), o menor número de segurança (que é 01 para os casos em que os efeitos da recaída foram muito moderados) e apenas uma recaída (01), ou seja, 02/01+01. De fato, a fórmula 02/01+01 representa o menor lastro abstêmio e é indicativa do abstemenor, ou seja, o abstêmio com sistema ideológico neutro (S.I.N.).
A intenção
e o motivo de calcular o lastro abstêmio6 se baseiam no fato de que, através do resultado obtido, podemos dar ao abstêmio
uma forma lógica e racional de lhe demonstrar que sua abstinência ficou no
passado e que ele está regredindo ou, pelo contrário, de que mesmo após ter
recaído ele ainda pode ser enquadrado como abstêmio e continuar sua vida sem
maiores preocupações posto que estará inserido no S.I.A.+.
1 Tema apresentado no Livro e Ebook:
ZIEMMERMANN, Péricles. Teorias abstemiológicas. 1ª ed. Curitiba/PR: Edição do autor, 2019. 151 p.; 14 X 21 cm. ISBN: 978-85-924432-2-1. Distribuído pela Editora Simplíssimo.
2 Esses temas também estão apresentados no Livro e Ebook:
ZIEMMERMANN, Péricles. Princípios abstemiológicos. 1ª ed. Curitiba/PR: Edição do autor, 2019. 165 p.; 14 X 21 cm. ISBN 978-85-924432-1-4. Distribuído pela Editora Simplíssimo.
3 Escada da abstinência ou escada abstêmia: modelo teórico proposto para estudar os
diversos ciclos pelos quais passa a pessoa adicta e o abstêmio. É a síntese gráfica das etapas do processo de adicção e do processo abstêmio. É composta de degraus (etapas), vértices (pontos) e períodos (delays).
4 Também conhecida como síndrome de recaídas em cadeia ou recaídas continuadas
5 Ver, nesta obra, o Tema “Teoria
do nível dos efeitos da recaída”.
6 De fato, o lastro abstêmio é um excelente
quantificador abstêmio.
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