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terça-feira, 5 de novembro de 2024

NO VENTO QUE TE LEVAS

 17.07.93.


Ao léu, ao desdém


Para onde bem queira, te leve o vento

Tal seja o desfeitio da súbita azáfama

Que se perturbe o cenho indignado!


Aos lunáticos, aos sórdidos


Intrometa-se tenaz

Em cadências doutras freguesias

Permita-se o pomposo desfilar da degeneração

Nessa terra consumida por fogo

Engajada na extinta supremacia clerical

A mesma: ruidosa

Nos diz-que-diz-que dessa imprensa


À deriva, à impertinência


Incúbitas, súbitas e pútridas linguagens

Que entornem por onde proporem circundar

Emoldem-se a possíveis possibilidades

Probabilidade para a prática do probo

Do engodo, que daltoniconizem-se as cores

Que nossos olhos não percebem

Finjam as emoções seu ludibrio

Nessa linguagem rude e popular

Expressões quadradas e desejadas

Nossos tímpanos sempre preferiram e

Ao lejo nos fez pastar

Sem que vejamos distorções


São só loucuras essas juras e perjuras

De lonjuras os sonhos e vidas que se vivem ao mister

Onde o mistério do querer transborda


Ao indiferente


Enfim

Nesse vento que nos leva junto à grande turba

Possamos ante o destino que nos enleva

Expandir nossa tímida e recatada sofreguidão

No subterfúgio de véus e máscaras

Que nos assombram, entranham e

Nos estranham


Marcelo Braga

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