TRIPLO EFEITO DA EXPOSIÇÃO INTERVENTIVA E A QUESTÃO DA REINTERVENÇÃO¹
Em qualquer uma das formas de exposição
interventiva vistas anteriormente – falsa, real
ou autoexposição – ocorrerão três efeitos imediatos. Esses efeitos decorrem das respostas
às seguintes questões: Existe um processo
de adicção? Quem é o adicto? O que
vamos fazer? As respostas dessas indagações identificarão “o que”, “quem” e
“como”. Não é necessário identificar nenhum “porquê”, já que não
interessa muito o motivo pelo qual
se iniciou o processo de adicção; o que
importa é a solução do problema.
Não é preterível procurar
culpados, mas sim encontrar a solução.
O primeiro efeito da exposição interventiva consiste em RECONHECER OU AUTORRECONHECER a existência de um processo de adicção. Se houver o autorreconhecimento, o processo já estará um pouco mais adiantado do que se houver apenas o reconhecimento da adicção por terceiros, e não pelo próprio adicto. Assim, reconhecer ou autorreconhecer a adicção enseja um diagnóstico consciencial que determina a existência do “ser adicto”, ou seja, do Homo addicto. Dessa maneira, o ponto “E” representa o reconhecimento ou autorreconhecimento do Homo addicto que já existe, efetivamente, desde o ponto “A”. Sendo assim, o ponto “E” serve para constatar, na escada abstêmia, a existência do Homo addicto.
O segundo
efeito é IDENTIFICAR “quem” está
passando pelo processo de adicção, ou seja, quem é – ou são – os adictos
envolvidos.
O terceiro
efeito é muito mais prático, uma vez que, após a exposição interventiva, os atores envolvidos começarão a procurar
soluções para o processo de adicção, ou seja,
“como” TENTAR SANAR o
problema.
Esse triplo efeito da exposição
interventiva pode ser descrito
na fórmula: reconhecer
– identificar – sanar. É para gerar esses
efeitos que existem
as diversas formas
de exposições interventivas.
Para concluir, é na ANTESSALA do
processo de abstinência que se reconhece, identifica e tenta sanar o processo de adicção. Agora, somente após sabermos
qual é o problema e quem está
afetado, poderemos começar a discutir quais serão as possíveis soluções.
Questão da reintervenção
A reintervenção ocorre quando houver
uma recaída e a própria pessoa, sua família,
seus cuidadores ou terceiros tiverem que fazer uma nova intervenção.
Toda recaída gera a necessidade de uma nova intervenção, que também pode decorrer de terceiros (heterorreexposição interventiva) ou do
próprio recaído (autorreexposição interventiva). O processo é muito semelhante à primeira intervenção e se
desenvolve com a mesma sistemática. O
detalhe que deve ser destacado é o de
que a cada reintervenção os desgastes
serão maiores. A cada reintervenção, os relacionamentos afetivos
se desgastam, a falta de segurança emocional
domina os envolvidos e a sensação
de fracasso aumenta. O
fracasso individual na tentativa de se recuperar parece ser um fracasso coletivo que envolve todos os
terceiros (familiares, cuidadores e terapeutas). Muitas vezes a reintervenção gera reinternamento, mas também
pode provocar outras situações, como
reavaliações clínicas, mudanças de médicos, alteração de cuidadores, rompimentos de laços familiares e
discussão sobre “culpas”. De fato, o mais comum, e que ocorre na esmagadora maioria dos casos, é a existência de
uma intervenção e, depois, sucessivas reintervenções.
1 ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824565-3-8
ZIEMMERMANN, Péricles. TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0
ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-924432-3-8
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