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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Itinerários Abstemiológicos 33/35

 


QUESTÃO DOS DELAYS DA ESCADA ABSTÊMIA¹

 

Pode-se observar, na imagem a seguir, que existem 05 (cinco) delays na escada abstemiológica.

Quadro: delays da escada abstemiológica.

  

 

Analisaremos cada um desses delays com mais atenção.

A escada abstêmia apresenta uma diferença entre seus degraus abstemiológicos. Existem dois delays na parte negativa da escada (D1 e D2) e três delays na parte positiva da escada (D3, D4 e D5).

Existem delays entre mero usuário e usuário abusivo (D1), entre usuário abusivo e adicto (D2), entre adicto e abstemenor (D3), entre abstemenor e abstemaior (D4) e entre abstemaior e mega-abstêmio (D5). Cada um dos delays corresponde aos fatores necessários para que o abstêmio suba o próximo degrau na escada.

 

Primeiro delay da parte negativa da escada abstemiológica (D1)

O primeiro delay da parte negativa da escada abstêmia consiste num rebaixamento consciencial que levará a uma debilidade cognitiva. Essa debilidade cognitiva reforça a própria ideia dos sistemas ideológicos. O sistema ideológico do mero usuário é diferente do sistema ideológico do usuário abusivo. O D1 representa uma involução consciencial que admite o uso abusivo de drogas/álcool.

 

Segundo delay da parte negativa da escada abstemiológica (D2)

O segundo delay da parte negativa da escada abstêmia sinaliza outro rebaixamento consciencial que, dessa vez, representa uma deformidade cognitiva. O D2 é a mudança de sistema ideológico do usuário abusivo para o adicto. É o agravamento definitivo do quadro da adicção. Após o desencadeamento do D2, o problema da adicção se manifesta e inicia-se o desenvolvimento de uma fase calamitosa e repleta de desventuras.

 

Primeiro delay da parte positiva da escada abstemiológica (D3)

A diferença entre o fim da adicção (ponto “F”) e o início da abstinência (ponto “R”) corresponde, para a abstemiologia, ao período de desintoxicação, e ocorre entre o ponto “F” e o ponto “R” (primeiro delay positivo ou D3). Desta forma, enquanto não estiver desintoxicado o abstêmio, nem sequer se iniciou sua jornada abstêmia2. Por isso esse abstêmio menor pode ser entendido, como já foi visto antes, como sendo abstêmio mínimo, abstêmio ínfimo, abstêmio duplo negativo, abstêmio embrião ou abstêmio feto.

 

Segundo delay da parte positiva da escada abstemiológica (D4)

É a diferença entre o período em que termina a fase de abstemenor e o período em que a pessoa se autopercebe como ser abstêmio (autorreconhecimento consciencial da abstinência3 ou ponto “X”). Ocorre entre o ponto “R+2” ou “R+3” e o ponto “X”. Durante essa fase, a pessoa tida cronologicamente como abstêmia ainda não se sente como um ser abstêmio. É uma anacronia entre SER abstêmio e SENTIR-SE abstêmio. Por isso essa fase também pode ser denominada de PERÍODO ANACRÔNICO. O momento em que a pessoa passa a se sentir efetivamente como abstêmia representa a internalização consciencial do ser como sendo “abstêmio propriamente dito”. A partir de então a pessoa anda – e se sente andando – através do caminho da abstinência.4 Vale ressaltar que o autorreconhecimento como ser abstêmio é a internalização do Homo abstemius5. No primeiro dia de abstinência, o abstêmio já pode ser considerado Homo abstemius coacto, porém se sentirá como Homo abstemius voluntariis somente após chegar ao ponto “X”.

Outra questão interessante é que, na realidade, entre o ponto “R+2” ou “R+3” e o ponto “X” (ou seja, no segundo delay da parte positiva da escada abstemiológica ou D4) tem-se a figura do abstêmio maior, porém, após o ponto “X” e até o ponto “Z”, tem-se o ABSTÊMIO MAIOR REAL. Então, a chegada ao ponto “X” gerará, simultaneamente, dois efeitos:

·   A inversão do Homo abstemius coacto em um novo abstêmio, alguém que realmente deseja ficar em abstinência de forma voluntária, ou seja, o Homo abstemius voluntariis.


·   O abstêmio maior, por se autorreconhecer como sendo um abstêmio, torna-se ABSTÊMIO MAIOR REAL.

 

Terceiro delay da parte positiva da escada abstemiológica (D5)

Esse delay pode ser entendido como sendo um falso intervalo, que não corresponde a um espaço de tempo significativo, porque consiste no período imediato, no instante seguinte ou no “primeiro segundo” após o ponto “Z”. O “D5”, na realidade, é usado apenas como um degrau para distinguir entre o abstêmio maior real e o mega- abstêmio. A função do “D5” é causar uma diferença meramente conceitual entre os abstêmios que possuem maior jornada nessa condição.

 

1 ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824565-3-8

 

ZIEMMERMANN,   Péricles.   TEORIAS    ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0

 

ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-924432-3-8

2 A “recaída de ouro” consiste na última reintoxicação física que a pessoa teve, ou seja, após essa recaída a pessoa iniciou seu processo de abstinência. O período de desintoxicação tem início imediatamente após o término da recaída “de ouro” para aqueles que estavam tentando permanecer abstêmios, mas não conseguiram e reintoxicaram-se fisicamente. Em alguns casos raros, não haverá “recaída de ouro” se a pessoa permanecer abstêmia logo após sua primeira e única desintoxicação.

3 IGOR CABRAL aponta o “autorreconhecimento consciencial” como sendo uma de 10 (dez) analogias do Serenarium. Na abstemiologia, o que se analisa é o autorreconhecimento consciencial do ser abstêmio como sendo aquele que superou de forma definitiva o processo de adicção e tem plena consciência dessa sobrelevação e de suas responsabilidades abstêmias.

4 Ambos os delays, delay entre ponto “F” e ponto “R” e delay do ponto “R+2” ou “R+3” ao ponto “X”, representam critérios subjetivos, uma vez que o período de desintoxicação e o período anacrônico correspondem, respectivamente, a avaliações fundadas na análise individual de cada sujeito.

5 Ver, nesta obra, o capítulo referente ao Homo abstemius.

 


(Péricles Ziemmermann)

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