QUESTÃO DOS DELAYS DA ESCADA ABSTÊMIA¹
Pode-se observar,
na imagem a seguir, que existem 05 (cinco) delays na
escada abstemiológica.
Quadro: delays da
escada abstemiológica.
Analisaremos cada um desses delays com mais atenção.
A escada abstêmia apresenta uma diferença entre seus degraus abstemiológicos. Existem dois delays na parte negativa da escada (D1 e D2) e três delays na parte positiva da escada (D3, D4 e D5).
Existem delays entre mero usuário e usuário abusivo (D1), entre usuário
abusivo e adicto (D2), entre adicto e
abstemenor (D3), entre abstemenor e abstemaior (D4) e entre abstemaior e mega-abstêmio (D5). Cada um dos delays corresponde aos fatores necessários para que o abstêmio suba o próximo degrau na escada.
Primeiro delay da
parte negativa da escada abstemiológica (D1)
O primeiro delay da parte negativa da escada abstêmia consiste num
rebaixamento consciencial que levará
a uma debilidade cognitiva. Essa debilidade cognitiva reforça a própria ideia dos sistemas ideológicos. O
sistema ideológico do mero usuário é diferente
do sistema ideológico do usuário abusivo. O D1 representa uma involução
consciencial que admite o uso abusivo de drogas/álcool.
Segundo delay da parte negativa
da escada abstemiológica (D2)
O segundo delay da parte negativa da escada abstêmia sinaliza outro
rebaixamento consciencial que, dessa
vez, representa uma deformidade cognitiva. O D2 é a mudança de sistema ideológico do usuário abusivo
para o adicto. É o agravamento definitivo do
quadro da adicção. Após o desencadeamento do D2, o problema da adicção
se manifesta e inicia-se
o desenvolvimento de uma fase calamitosa
e repleta de desventuras.
Primeiro delay da parte positiva
da escada abstemiológica (D3)
A diferença entre o fim da adicção
(ponto “F”) e o início da abstinência (ponto “R”) corresponde, para a abstemiologia, ao período de desintoxicação,
e ocorre entre o ponto “F” e o ponto
“R” (primeiro delay positivo ou D3).
Desta forma, enquanto não estiver desintoxicado o abstêmio, nem sequer se iniciou sua jornada abstêmia2. Por isso esse
Segundo delay da
parte positiva da escada abstemiológica (D4)
É a diferença entre o período em que
termina a fase de abstemenor e o período em que
a pessoa se autopercebe como ser abstêmio (autorreconhecimento consciencial da abstinência3 ou ponto “X”). Ocorre
entre o ponto “R+2” ou “R+3” e o ponto “X”. Durante
essa fase, a pessoa tida cronologicamente como abstêmia ainda não se sente como um ser abstêmio. É uma anacronia
entre SER abstêmio e SENTIR-SE abstêmio. Por isso essa fase também pode ser
denominada de PERÍODO ANACRÔNICO. O momento em que a pessoa passa a se sentir
efetivamente como abstêmia representa a internalização consciencial do ser como sendo “abstêmio
propriamente dito”. A partir de então
a pessoa anda – e se sente andando – através do caminho da abstinência.4 Vale ressaltar
que o autorreconhecimento como ser abstêmio é a internalização do Homo abstemius5. No primeiro dia de abstinência, o abstêmio
já pode ser considerado Homo abstemius coacto, porém se sentirá
como Homo abstemius voluntariis somente
após chegar ao ponto “X”.
Outra questão interessante é que, na
realidade, entre o ponto “R+2” ou “R+3” e o ponto
“X” (ou seja, no segundo delay da
parte positiva da escada abstemiológica ou D4)
tem-se a figura do abstêmio maior, porém, após o ponto “X” e até o ponto
“Z”, tem-se o ABSTÊMIO MAIOR REAL. Então, a chegada ao ponto “X” gerará,
simultaneamente, dois efeitos:
· A inversão do Homo abstemius coacto em um novo abstêmio, alguém que realmente deseja ficar em abstinência de forma voluntária, ou seja, o Homo abstemius voluntariis.
· O abstêmio
maior, por se autorreconhecer como sendo um abstêmio, torna-se ABSTÊMIO MAIOR REAL.
Terceiro delay da
parte positiva da escada abstemiológica (D5)
Esse
delay pode ser entendido
como sendo um falso intervalo, já que não corresponde
a um espaço de tempo significativo, porque consiste no período imediato, no instante seguinte
ou no “primeiro segundo” após o ponto “Z”. O “D5”, na realidade, é usado apenas como um degrau para
distinguir entre o abstêmio maior real e o mega- abstêmio. A função do “D5” é causar uma diferença meramente
conceitual entre os abstêmios que possuem
maior jornada nessa condição.
1 ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824565-3-8
ZIEMMERMANN, Péricles. TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0
ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-924432-3-8
2 A “recaída de ouro” consiste na última reintoxicação física que a pessoa teve, ou seja, após essa recaída a pessoa iniciou seu processo de abstinência. O período de desintoxicação tem início imediatamente após o término da recaída “de ouro” para aqueles que estavam tentando permanecer abstêmios, mas não conseguiram e reintoxicaram-se fisicamente. Em alguns
3 IGOR CABRAL aponta o “autorreconhecimento consciencial” como sendo uma de 10 (dez) analogias do Serenarium. Na abstemiologia, o que se analisa é o autorreconhecimento consciencial do ser abstêmio como sendo aquele que superou de forma definitiva o processo de adicção e tem plena consciência dessa sobrelevação e de suas responsabilidades abstêmias.
4 Ambos os delays, delay entre ponto “F” e ponto “R” e delay do ponto “R+2” ou “R+3” ao ponto “X”, representam critérios subjetivos, uma vez que o período de desintoxicação e o período anacrônico correspondem, respectivamente, a avaliações fundadas na análise individual de cada sujeito.
5 Ver, nesta obra, o capítulo referente ao Homo abstemius.
(Péricles Ziemmermann)
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