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sábado, 9 de novembro de 2024

GLORINHA

 11.10.96.


Glória exposta nesse nu enigmático

Exporta sede nos olhares bravios

Transcende os passos do pisar ansioso

Alimenta a chama desses pavios


Não conheço Glorinha, nem mesmo nua

Sua sensualidade me suspende

Nunca a vi senão ao longe, quieta na sua

Minha ansiedade não se compreende


Glorinha me instiga a tocá-la, prová-la

Meu quadrado rosto se altera no previsível

A sede renuncia meu ímpeto

Mas curioso prossigo na marcha do possível


Quero mais que nunca toda a Glória

Reconhecimento nessa luta com as letras

Dispor-me do píer, distante nesse noturno cais

Com Glória, trocar minhas fases incertas


É sonho de qualquer poeta

É viração de milênio

Aspiração asteca

Manifestação do gênio!


Desejo de vida: viver para sempre

Deixar traços, ser percebido

Trabalho explícito, medieval!


(pretensão de encarar o sol!)


Marcelo Braga


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