27.11.96.
O sentido das retas
O soluço engasgado
A maldição do olhar
Cinema individual...
Só uma pessoa vê
O sentido das coisas
Só uma pessoa vê
Todos vivem sós...
Textos materializados
Almas mumificadas
Rostos plastificados
Inscrições perplexas...
Os recordes do tempo
A história do mundo
O simples toque
Queremos a primazia...
Sacos farroupilhos
Fragmentos indecifráveis
A diferença dos metais
Sentidos opostos...
Tudo tem de ser definido
O homem não se cansa
Diversidade de tons e cores
Não ousamos passos iguais...
A razão é muito louca
O estanque rebentou
A dor é um fantasma
Todos comportam uma agonia...
PRETENSÃO DE ENCARAR O SOL
Sepultamos o ridículo
Tudo tende a ter uma ordem
A natureza torna-se culpada
A lágrima escoa...
Angústia é uma linda mulher
O mistério já foi revelado
O caucho também dá borracha
Há verbos difíceis de se conjugar...
A cultura entorpeceu a noite
Não há mais lugar sem luz
O mundo já foi todo descoberto
Queremos outros mundos novos...
O brado das paisagens cruas
A inaudita preponderância
A morte das rimas e da sabedoria
Não há mais respeito entre a vida e o homem...
A tolerância foi exterminada
Até mesmo o nada sumiu do todo
O dinheiro tem e é o valor
Os oceanos são um só mar...
A luz que não apaga mais
O vento que não é mais tímido
Homens com suas próprias línguas
O retorno de babel...
Lençóis, lenços, ungüentos
Panegíricos líricos e paliativos
A vastidão dos campos ermos
Pedras e espinhos são alimentos...
Uma vez jurei não mais comer pedras
São compactas demais
O pão que o diabo amassou, bolorou
Olhares sombrios...
O canto estúpido
O grito da independência
A precisão da idéia
Suspiro não é mais nada que respiração prolongada...
A semente que não foi semeada
A lavoura que não foi regada
A colheita que foi castigada
Supostamente tudo é divisível...
Os medos e temores
O filó, o crepe
São dúbios, clarabóia
Tudo já foi retratado...
Marcelo Braga
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