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domingo, 20 de outubro de 2024

Itinerários Abstemiológicos 19/35 - Estudo dos Degraus da Escada Abstemiológica

 

ESTUDO DOS DEGRAUS DA ESCADA ABSTÊMIA1

 

A seguir, serão realizadas algumas comparações entre os períodos de drogadição e de abstinência. Para tanto, fixaremos que o tempo de abstinência (Ab) corresponde ao somatório dos períodos de abstêmio mínimo, abstêmio menor e abstêmio maior (esse período abstêmio, aqui, engloba o abstêmio maior real e o mega-abstêmio). Por sua vez, o período de drogadição (D) corresponde ao somatório dos períodos de usuário (U) que compreende os períodos de mero usuário e de usuário abusivo – e de adicto (Ad). Existe outra premissa: serão desconsiderados períodos anteriores ao início do uso de drogas/álcool, de modo que a abstinência anterior ao período de mero usuário não será utilizada para nenhum critério2.



1 ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824565-3-8

 

ZIEMMERMANN, Péricles. TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0

 

ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-924432-3-8

 

2 Existem duas grandes abstinências: a originária, natural ou primária, que surge no nascimento de cada ser humano, e a derivada ou secundária, que surge após a drogadição, se consolidando através do desenvolvimento do processo abstêmio. A natureza do ser humano é abstêmia, e não adicta. Ninguém nasce fadado a desenvolver o processo de adicção. Nascemos com natureza abstêmia e direcionados a viver uma vida em abstinência. Isso indica que a abstinência é originária e natural ao ser humano. É esse o raciocínio utilizado para definir o Homo abstemius purus. Assim sendo, via de regra, a pessoa nasce abstêmia e pode ser denominada Homo abstemius purus. Existem casos específicos em que algumas pessoas não conseguem nascer abstêmias. Cito o exemplo de filhos (neonatos) de mulheres que usaram drogas/álcool durante a gravidez. Nesses casos, temos o nascimento de uma criança sem abstinência primária. Isso é lamentável, mas muito comum. Quando mencionamos sobre neonatos que nascem sem abstinência primária, as pessoas, em geral, imaginam crianças filhas de usuárias de drogas ilícitas ou drogas “pesadas”. Entretanto, sugiro ao nobre leitor que imagine o número de crianças que nascem de mães fumantes ou consumidoras de álcool durante a gravidez. Essas crianças também nascem sem

 



 

Assim, existem três possibilidades para serem analisadas:

(1ª) o período de drogadição (D) é MAIOR que o período de abstinência (Ab); (2ª) o período de drogadição (D) é IGUAL ao período de abstinência (Ab);

(3ª) o período de drogadição (D) é MENOR que o período de abstinência (Ab).

 

 

Então, agora, podemos estabelecer as três formas de comparar os períodos da escada de abstinência:

 

(a)   Se [período de drogadição (D) > período de abstinência (Ab)], ou seja, (D>Ab), tem-se:

 


 

Na prática, no cotidiano, a soma dos períodos de usuário (U) e adicto (Ad), ou seja, o período de drogadição (D), é muito maior que o período de abstinência (Ab). Deste modo, esse é o quadro mais comum encontrado na fase inicial da abstinência. Porém, ao longo do tempo, esse panorama tende a mudar.

 

(b)   Se [período de drogadição (D) = período de abstinência (Ab)], ou seja, (D=Ab), tem-se:



abstinência primária. Apesar disso tudo, felizmente isso é a exceção, e não a regra. Na prática, a grande maioria das crianças nasce com abstinência primária.

 



 

Nesse caso, o período total de uso de drogas/álcool (período de drogadição) equivale ao tempo de abstinência, ou seja, o somatório do tempo em que a pessoa foi mera usuária, usuária abusiva e depois adicta iguala-se ao somatório do período de abstinência. Como se verá logo adiante, essa é a fórmula que resulta no ponto “Z”. Esse é o exato momento em que o lapso temporal correspondente às ideologias que permitiram com que a pessoa fizesse o uso de drogas/álcool se equivale ao lapso temporal em que a pessoa está inserida em ideologias abstêmias. No instante seguinte ao ponto “Z”, o tempo de abstinência será superior a todo o tempo de drogadição.

 

(c)   Se [período de drogadição (D) < período de abstinência (Ab)], ou seja, (D<Ab), tem-se:

 



 

Essa é, de fato, a situação mais almejada e desejável quando fazemos as comparações dos períodos da escada de abstinência. Aqui, haverá a superação do lapso temporal de drogadição (D) pelo período abstêmio (Ab). Portanto, existe um ponto, ou seja, um momento exato em que o período de usuário somado ao período de drogadição (U+Ad) começa a ser superado pelo lapso temporal abstêmio (Ab). Esse ponto, momento, ou instante   em   que   se   invertem   os   períodos   pode   ser   chamado   de   PONTO

 


ZIEMMERMANN, ou, por ser o último nível de equiparação cronológica entre o período de drogadição e de abstinência, de ponto Z.

 

O ponto Ziemmermann corresponde, filosoficamente, ao sepultamento dos modelos

S.I.U. positivo, S.I.U. negativo e S.I.A. negativo, para que seja realmente fixado o

S.I.A. positivo. No ponto Ziemmermann, o S.I.A. positivo atinge sua vitória cronológica sobre os antigos modelos ideológicos que culminaram na adicção. A pessoa que passa pelo ponto Ziemmermann tem, na prática, sua maior conquista abstemiológica.

 

Após o ponto Ziemmermann, a pessoa efetivamente estará mais tempo projetando seu modelo ideológico abstêmio para toda a humanidade do que esteve quando fazia parte do S.I.A. negativo. Aqui, logo após o ponto Ziemmermann, se inicia o PÓS-ABSTÊMIO ou MEGA-ABSTÊMIO e se concretiza o 13º passo3 como sendo uma assistência cosmoética, já que a pessoa nessa condição conseguiu fazer com que o tempo de exposição da humanidade às ideias usuárias fosse inferior ao tempo de exposição às ideologias abstêmias. Esse é um momento individual, mas que gerará efeitos universais.

 


3 O 13º passo corresponde à inclusão de um critério cronológico ao 12º passo. O 12º passo dos grupos anônimos representa o passo da assistência e consiste em ajudar outras pessoas a superarem o problema da adicção. Se o 12º passo for realizado por muito tempo, poderá atingir um critério cosmoético e tornar-se o 13º passo. Nesse caso, a pessoa estará prestando assistência a outros adictos tanto tempo que terá realizado uma verdadeira assistência cosmoética e que transcende a si mesma.

 





(Péricles Ziemmermann)

 

 

 


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