ESTUDO DOS DEGRAUS DA ESCADA ABSTÊMIA1
A seguir, serão realizadas algumas
comparações entre os períodos de drogadição e de abstinência. Para tanto, fixaremos que o tempo de abstinência (Ab) corresponde ao somatório dos períodos de abstêmio mínimo, abstêmio menor e
abstêmio maior (esse período
abstêmio, aqui, engloba o abstêmio maior real e o mega-abstêmio). Por sua vez, o período
de drogadição (D) corresponde ao somatório dos períodos de usuário (U) – que
compreende os períodos de mero usuário e de usuário abusivo – e de adicto (Ad). Existe outra premissa: serão
desconsiderados períodos anteriores ao início do uso de drogas/álcool, de modo que a abstinência anterior ao período de
mero usuário não será utilizada para nenhum
critério2.
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1 ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora
Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824565-3-8
ZIEMMERMANN, Péricles.
TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0
ZIEMMERMANN, Péricles.
ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora
Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-924432-3-8
2
Existem
duas grandes abstinências: a originária,
natural ou primária, que surge
no nascimento de cada ser humano, e
a derivada ou secundária, que surge após a drogadição, se consolidando através do desenvolvimento do processo abstêmio. A
natureza do ser humano é abstêmia, e não adicta. Ninguém nasce fadado a desenvolver o processo de adicção. Nascemos com
natureza abstêmia e direcionados a viver
uma vida em abstinência. Isso indica que a abstinência é originária e natural
ao ser humano. É esse o raciocínio
utilizado para definir o Homo abstemius purus. Assim sendo,
via de regra, a pessoa nasce abstêmia
e pode ser denominada Homo abstemius purus. Existem casos
específicos em que algumas pessoas
não conseguem nascer abstêmias. Cito o exemplo de filhos (neonatos) de mulheres
que usaram drogas/álcool durante a
gravidez. Nesses casos, temos o nascimento de uma criança sem abstinência primária. Isso é lamentável, mas muito
comum. Quando mencionamos sobre neonatos que nascem sem abstinência primária, as pessoas, em geral, imaginam crianças
filhas de usuárias de drogas ilícitas ou drogas
“pesadas”. Entretanto, sugiro ao nobre leitor que imagine o número de crianças
que nascem de mães fumantes
ou consumidoras de álcool durante
a gravidez. Essas crianças também
nascem sem
Assim, existem
três possibilidades para serem analisadas:
(1ª)
o período de drogadição (D) é MAIOR que
o período de abstinência (Ab); (2ª) o período de drogadição (D) é IGUAL ao período de abstinência (Ab);
(3ª) o período de drogadição (D) é MENOR que o período de abstinência (Ab).
Então, agora, podemos
estabelecer as três formas de comparar os períodos da escada de abstinência:
(a)
Se
[período de drogadição (D) > período de abstinência (Ab)],
ou seja, (D>Ab), tem-se:
Na prática, no cotidiano, a soma dos
períodos de usuário (U) e adicto (Ad), ou seja, o período de drogadição (D), é muito maior que o período de
abstinência (Ab). Deste modo, esse é
o quadro mais comum encontrado na fase inicial da abstinência. Porém, ao longo
do tempo, esse panorama tende a mudar.
(b)
Se
[período de drogadição (D) = período de abstinência (Ab)],
ou seja, (D=Ab),
tem-se:
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abstinência primária. Apesar disso tudo, felizmente isso é a exceção, e não a regra. Na prática, a grande maioria
das crianças nasce com abstinência primária.
Nesse caso, o período total de uso de
drogas/álcool (período de drogadição) equivale
ao tempo de abstinência, ou seja, o somatório do tempo em que a pessoa
foi mera usuária, usuária
abusiva e depois adicta iguala-se
ao somatório do período de abstinência.
Como se verá logo adiante, essa é a fórmula que resulta no ponto “Z”. Esse é o exato momento em que o lapso temporal
correspondente às ideologias que permitiram com que a pessoa fizesse
o uso de drogas/álcool se equivale ao lapso temporal em que a pessoa está inserida em ideologias abstêmias. No instante seguinte
ao ponto “Z”, o
tempo de abstinência será superior a todo o tempo de drogadição.
(c)
Se
[período de drogadição (D) < período de abstinência (Ab)],
ou seja, (D<Ab), tem-se:
Essa é, de fato, a situação mais
almejada e desejável quando fazemos as comparações dos períodos da escada de abstinência. Aqui, haverá a
superação do lapso temporal de drogadição
(D) pelo período abstêmio (Ab). Portanto, existe um ponto, ou seja, um momento exato em que o período de usuário
somado ao período de drogadição (U+Ad) começa
a ser superado pelo lapso temporal abstêmio (Ab). Esse ponto, momento, ou instante
em
que
se
invertem os
períodos pode
ser
chamado
de
PONTO
O ponto Ziemmermann corresponde, filosoficamente, ao sepultamento dos modelos
S.I.U. positivo,
S.I.U. negativo e S.I.A. negativo, para que seja realmente fixado
o
S.I.A. positivo. No ponto Ziemmermann, o S.I.A. positivo
atinge sua vitória cronológica sobre
os antigos modelos ideológicos que culminaram na adicção. A pessoa que passa pelo ponto
Ziemmermann tem, na prática,
sua maior conquista abstemiológica.
Após
o ponto Ziemmermann, a pessoa efetivamente estará há mais tempo projetando seu modelo ideológico abstêmio para toda a humanidade
do que esteve quando fazia parte do
S.I.A. negativo. Aqui, logo após o ponto Ziemmermann, se inicia o PÓS-ABSTÊMIO ou MEGA-ABSTÊMIO e
se concretiza o 13º passo3 como sendo
uma assistência cosmoética, já que a
pessoa nessa condição conseguiu fazer com que
o tempo de exposição da humanidade às ideias usuárias fosse inferior ao tempo
de exposição às ideologias abstêmias.
Esse é um momento individual, mas que gerará
efeitos universais.
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3
O
13º passo corresponde à inclusão de um critério cronológico ao 12º passo. O 12º
passo dos grupos anônimos representa o passo da assistência e consiste em ajudar outras pessoas a superarem o problema da adicção. Se o 12º passo for realizado por muito tempo, poderá atingir
um critério cosmoético e tornar-se o 13º passo. Nesse
caso, a pessoa estará prestando assistência a outros adictos há tanto tempo que terá realizado uma verdadeira assistência cosmoética e que transcende a si mesma.

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