11.02.04.
Sinto as letras como gestação
Ejaculações precoces
Como o suor que o corpo tende a expelir
Um jato de tinta sobre o papel
O que me cabe são essas folhas
Essas BICs, meus sentidos
Meu pulsar, minhas dores
Esse pensar assim tão daltônico
Turvo, porém sublime, único!
O belo, a calma, a plenitude
O paladar insosso, o nirvana
O ruído desses pequenos pulmões
Que ainda ousam respirar esses pesados ares
Nem mesmo os retoques finais me cabem
É tudo bruto, rústico, rupestre
Exalações do burlesco
Do inconsciente, das emoções
Alma, espírito, sei lá que sejam...
Isso tudo já me prostra
Muito cansado...
Marcelo Braga
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