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segunda-feira, 28 de outubro de 2024

COM QUASE PARENTES - Madrata

 • Ilimar

   Tive madrasta, Ilimar, nascida no Acre, criada em Manaus, tendo vivido inicialmente como mendiga em Copacabana, casou-se e teve com Mário uma filha, Mara. Separou-se de Mário e foi morar com meu pai no mesmo prédio do posto seis em Copacabana, isso em 1983.

   Precisei ir morar com meu pai um ano depois. Eu morava no Pechincha com mãe, tio Paulo, tia Aline e avó Leda. Minha mãe havia quebrado dois dedos “ajudando” meu avô a guiar uma manilha que descia do sótão da casa da Praça Seca que seria vendida diante da falsificação da assinatura de minha avó que ele fizera. Nessa, ela começou a fazer fisioterapia. Apaixonou-se pelo fisioterapeuta, rapaz bem mais jovem que morava em Duque de Caxias. Num certo sábado acordei e perguntei a minha avó: Cadê minha mãe? Ué, ela não te falou? Foi morar com o David em Caxias! Peguei algumas roupas e com meus onze anos rumei sozinho para Copacabana.

   Toquei a campainha, minha madrasta abriu, não falou comigo, foi lá dentro e disse ao meu pai: te falei que não aceitaria filho seu morando com a gente! Entrei e passei a morar no inferno que me aguardava. Eu, meu pai, Ilimar e Mara numa quitinete bem pequena. O preço do aluguel foi ficando insuportável para meu pai e um ano depois fomos para Santa Rosa em Niterói. Um amplo apartamento de três quartos. Lá morei três anos, perfazendo um total de quatro anos na companhia dela naquela ocasião.

   Nesse período, tivemos oito empregadas. Todas tinham a ordem de me espancar com pano de chão molhado. Somente uma não cumprira tal ordem. As preferências eram todas de Mara. Na geladeira as coisas que eram compradas eram separadas, como por exemplo, os iogurtes. Final de ano eu ganhava um par de roupas, enquanto Mara ganhava várias roupas e bicicleta nova. O quadro que tanto quis que meu pai fizesse meu, ela nunca o permitiu fazer. Todas as madrugadas praticamente, quando meu pai chegava da Manchete, ela fazia queixas e meu pai me acordava aos gritos e socos. Assim passei até meus 14 anos de idade. Tive problemas nos colégios de natureza comportamental, passei a frequentar psicólogos e problemas no aprendizado.

   Em 1988 fui morar com minha mãe em Caxias. Meu pai havia me machucado muito e David deu parte dele na polícia; ficando assim impraticável continuar morando em Niterói. Em 1989 David se separou de minha mãe e o desespero dela pensando até mesmo em suicídio me obrigou a voltar a morar com meu pai.

   Fui agora para Nova Iguaçu, em Santa Rita, onde meu pai havia comprado uma casa financiada pela Caixa Econômica. O retorno de todos os problemas anteriores, agora em proporções maiores foi se tornando aterrador para mim. Muita surra novamente, castigos onde eu era castigado tendo ou não culpa, geralmente pelo “sumiço” de algo de comer ou por outra banalidade da mesquinhez de Ilimar. Desde Copacabana eu nunca havia visto Ilimar tomar água, nem para ingerir remédios, era apenas cerveja e caipirinha o tempo todo. Vivia embriagada. Passamos infindas vergonhas na rua com ela. Shows e mais shows. Em agosto meu pai faleceu e me mudei no final do ano para Minas Gerais onde me tornei missionário evangélico.

   Perdoei tudo, passaram-se os anos.

   Estando em Barra do Piraí, amigavelmente fui junto com Marta e João Marcos, no ano de 2001, morar na casa de meu pai em Nova Iguaçu onde residia Ilimar e seus dois novos filhos adquiridos com seu terceiro marido assassinado na frente de nossa casa. Na ocasião do nascimento de um desses filhos, teve ela derrame e isso a tornou aparentemente mais tranquila. Um mês de paz e outro mês de inferno; separei-me de Marta e ainda vivi por alguns meses na casa, mas a situação tornou-se impossível e saí para pagar aluguel novamente. Depois dessa época, nunca mais soube da mesma. Apenas notícias de que alugou a casa que também me pertence por herança e foi morar com um sargento da polícia que a espanca diariamente.

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