19.07.2011.
177 – “um filósofo é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias. É atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como a sua espécie peculiar de acontecimentos e de faíscas. Ele mesmo é talvez uma trovoada prenhe de relâmpagos novos. Um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes. Um filósofo, ah, um ser que foge, muitas vezes para longe de si mesmo, muitas vezes tem medo de si mesmo, mas que é demasiado curioso para que não ‘volte sempre a si’”. (Nietzsche – no livro Para Além do Bem e do Mal). Não seriam assim também os poetas? Quando falamos de “inspiração” não seriam nossos próprios pensamentos atingindo-nos e quando falamos do espelho não seria a nossa intensa vontade de autoconhecimento? Acredito que essa “trovoada prenhe de relâmpagos novos” seja o que chamamos de inspiração. A inteligência desenvolvida nos leva aos pensamentos bem articulados e a consequência são os textos que ribombam inquietantes.
Marcelo Braga
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