Abstemiopatias 5/12 - APOLOGIA ABSTÊMIA
APOLOGIA ABSTÊMIA
Tema interessante. Será que assistir a uma palestra contra
o uso de drogas/álcool causa o mesmo impacto da palestra sobre abstinência?
Vamos analisar isso com mais cuidado e entender que “ser contra alguma coisa”
não significa que “sejamos a favor de outra”.
É atribuída a MADRE TERESA
DE CALCUTÁ a
célebre frase: “NUNCA IREI
A UMA MANIFESTAÇÃO CONTRA A GUERRA, SE FIZEREM PELA PAZ
CHAMEM-ME”. A filosofia oculta nessa máxima é a de que “ser contra alguma coisa”
não resolve o problema. Muitos estudiosos apontam que uma força contrária ao ódio, ao terror ou ao medo não pode diminuir suas intensidades.
Então, por mais que lutemos contra isso, sempre existirá
ódio, terror e medo. Dessa forma, ir numa manifestação popular contra ódio,
terror ou medo não poderá causar nenhuma
diminuição na intensidade desses fenômenos. E como resolver isso? Devemos comparecer
numa manifestação popular a favor do amor, da compaixão ou da coragem. Esses
são os antídotos que devem ser usados contra o ódio, terror ou medo.
Puxando a brasa para nossa sardinha, os efeitos gerados por
uma ação contra o uso de drogas/álcool (problema) são muito diferentes dos
efeitos gerados por uma ação a favor da abstinência (solução). A ação contra o
uso de drogas/álcool é denominada de PROFILAXIA DA ADICÇÃO. Por sua vez, a ação
protagonizada a favor da abstinência é conhecida como PROSELITISMO ABSTÊMIO.
Assim, entendo, humildemente, que não basta ser contra o
uso de drogas/álcool é preciso mais: é preciso ser a favor da abstinência.
Respeito as posições contrárias que advogam a tese de que qualquer ação contra
o uso de drogas/álcool é válida e bem-vinda. Concordo com esse ponto de vista.
Contudo, entendo que há necessidade de avançar nessa área e, quem sabe, mudar a
metodologia utilizada adotando uma ideologia em prol da abstinência. Ademais,
essa tem sido uma tônica lentamente adotada no mundo.
Citarei alguns exemplos e, em seguida, será explicado com
mais detalhes o conteúdo de suas significâncias:
1. PROSELITISMO ABSTÊMIO: estudos, palestras, debates, seminários, cursos e divulgação de informações em prol da abstinência. Consiste na análise dos hábitos, técnicas, métodos e terminologias adequadas para iniciar, manter e evoluir abstemiologicamente. Sugerimos a criação de mecanismos como: isenção tributária ou subsídios para formação de grupos anônimos (A.A., N.A.), incentivo ao esporte amador com isenções tributárias às academias (v.g.), bonificação salarial para funcionários que comprovem abstinência através de exames clínicos; gratuidade do ensino de cursos abstemiológicos, proibição de publicidade sobre bebidas alcoólicas etc.
2. PROSELITISMO ADICTO: existem
muitos exemplos disso: publicidade incentivadora do consumo de álcool, músicas
que cultuam o consumo de bebidas alcoólicas, filmes e novelas que fomentam o
uso de drogas/álcool, idolatria da embriaguez
e a famosa “marcha da maconha”. Veja que o incentivo ao uso de
drogas/álcool (proselitismo da adicção) é MAIOR do que
qualquer outra forma ação negativa sobre esse consumo. De fato, essa forma de
proselitismo é muito difundida e faz parte, infelizmente, da própria cultura
popular sendo, na verdade, muitas vezes, uma APOLOGIA
À DROGADIÇÃO.
3. PROFILAXIA DA ADICÇÃO: é o
combate ao uso de drogas/álcool, por exemplo: criminalização da embriaguez,
altas taxas tributárias sobre a comercialização de bebidas alcoólicas e do
tabaco, o slogan “beba com moderação”, o fomento governamental as clínicas e
comunidades terapêuticas, o fornecimento de seringas descartáveis etc. Enfim, tudo que combate
o uso de drogas/álcool pode ser compreendido como forma de profilaxia
da adicção. Assim, mesmo no caso de haver a substituição da frase “se beber,
não dirija” pela frase “se beber, procure um grupo anônimo” estaríamos fazendo
somente uma profilaxia da adicção. Porém, penso que isso seja melhor do que não fazer
nada.
Após essa relação de exemplos, vamos entender o que
significam cada um desses institutos.
O PROSELITISMO ABSTÊMIO ocorre quando aqueles que estão em jornada abstêmia começam a “espalhar” a ideologia abstêmia para toda sociedade. A ideologia abstêmia deve ser ministrada a todos os que desejam a evolução consciencial abstêmia. O conjunto de ideias abstêmias precisa ser semeado por todos os cantos para que a abstinência consiga atingir o maio número possível de pessoas e instituições. Como métodos de proselitismo abstêmio são possíveis citar: visitas a centros abstêmios (A.A. ou N.A.), palestras de motivação abstêmia, política estatal para desenvolvimento de clínicas ou comunidades terapêuticas, técnicas individuais de reparação de danos, criação espaços geográficos abstêmios (bibliotecas, escolas, academias, centros religiosos) ou incentivos a internamentos voluntários e preventivos.
No outro lado, existe o PROSELITISMO ADICTO que consiste na proliferação de crenças e ideias que promovem o uso de drogas/álcool. Como exemplo
de proselitismo adicto temos as músicas que se referem
a bebidas alcoólicas, os filmes que estão recheados
de cenas com uso de drogas/álcool, publicidades comerciais do álcool e do
cigarro, piadas populares em que os “bêbados” são engraçados, festas aonde o
uso de drogas/álcool supera a intenção de reencontro ou reunião de amigos etc.
Existe uma piada (hoje já é um ditado popular) que diz: “melhor ser um bêbado
conhecido do que um alcoólatra anônimo!”,
será que isso é verdade? Isso é real? De fato,
o
PROSELITISMO ADICTO é muito mais difundido e “glorificado” do que
o
PROSELITISMO ABSTÊMIO.
Por fim, existe a PROFILAXIA DA ADICÇÃO que consiste no
combate a ideologia adicta através de procedimentos, recursos, medidas ou
medicamentos. Assim, a profilaxia da adicção consiste numa ação direta contra a adicção e as ideias adictas que lhe
sustentam. São exemplos de profilaxia da adicção: visitas as clínicas de
desintoxicação, palestras de prevenção de combate às drogas, política estatal
ou técnica individual de redução de danos, distribuição de medicamentos ou
internamentos compulsórios.
A profilaxia da adicção visa combater de forma
direta o proselitismo adicto.
Por outro lado, o proselitismo abstêmio
não combate de forma direta
o proselitismo adicto porque se baseia, num primeiro momento, apenas na propagação de ideias abstêmias. No proselitismo abstêmio não se fala em drogadição, mas somente em temas abstêmios de forma que o combate às ideologias adictas ocorrerá de forma indireta.
Concluindo, combater o proselitismo adicto através da profilaxia da adicção é muito diferente de difundir ideias abstêmias utilizando
o proselitismo abstêmio. Para exemplificar
isso vamos usar o caso clássico que aparece em programas televisivos de pessoas
que eram adictas e se tornaram atletas de alto rendimento. Nesses casos,
explicar para a criança que o atleta que venceu a competição já tinha sido
usuário de drogas (profilaxia da adicção) é muito diferente de explicar, para
essa mesma criança, que o atleta que venceu a competição só conseguiu esse
feito porque estava abstêmio há muitos anos (proselitismo abstêmio). O atleta
não venceu a competição porque foi usuário de drogas no passado, ele venceu
porque treinou, se preparou e está em abstinência há muitos anos. Diferenciar
isso é muito importante e relevante.
Ante tudo que foi exposto, penso que a Madre Teresa de
Calcutá estava certa: combater o problema é muito diferente de fomentar a solução.
O PROSELITISMO ABSTÊMIO e a PROFILAXIA DA ADICÇÃO são formas de APOLOGIA
ABSTÊMIA.
Bons estudos!!!
(Escritor: Péricles Ziemmermann)
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REFERÊNCIAS
Sugerimos, humildemente, a leitura do texto disponível no site da abstemiologia: TÉCNICA DA “LIBERDADE
DE” E DA “LIBERDADE PARA”.
ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto
Alegre/RS: Editora
Simplíssimo, 2018. ISBN 978-85-824565-3-8
ZIEMMERMANN,
Péricles. TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS:
Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0
ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto
Alegre/RS: Editora
Simplíssimo, 2020. ISBN 978-85-924432-3-8
ZIEMMERMANN, Péricles. ABSTEMIOPATIAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo,
2021. ISBN 978-85-824583-6-5
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