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domingo, 22 de setembro de 2024

Abstemiopatias 4/12 - ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA

 Abstemiopatias 4/12


ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA

 


Imagine a seguinte situação: um determinado local era usado como ponto de consumo de drogas/álcool. Porém, atualmente, esse local deixou de ser um território de drogadição. Em outras palavras, havia antes uma área de uso de drogas/álcool, mas agora existe um local de abstinência. Isso indica que houve o surgimento de ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA.

 

Quando mencionamos sobre locais de consumo de drogas/álcool, o leitor deve estar pensando em locais como “cracolândia”, praças localizadas em locais ermos ou “mocós” (residências abandonadas). De fato, não resta dúvida que


 

tais locais são utilizados para tal desiderato. Entretanto, também devemos estender esse raciocínio para qualquer local que venda álcool já que tal bebida também é uma droga. Ademais, se utilizarmos o CONCEITO MAXIMIZADO de drogas/álcool[1] chegaremos a conclusão de que são locais de uso de drogas/álcool: bares, restaurantes, lojas de conveniência em postos de combustíveis, locais de festas (baladas), área para fumantes, tabacarias, farmácias, drogarias, hospitais, entre outros. Esses locais são destinados ao uso e consumo de drogas/álcool seja de forma legal ou ilegal, seja para uso recreacional ou medicinal, seja para uso ético ou aético[2].

 

Contudo, para nosso raciocínio evoluir de forma mais equilibrada e serena vamos restringir a visão e pensar em locais de uso de drogas/álcool como sendo apenas regiões específicas da cidade (“cracolândias” ou praças malconservadas), residências abandonadas (mocós) e qualquer local semelhante a esses. Agora, imagine que alguns desses locais deixaram de ser usados para uso de drogas/álcool e foram reutilizados de maneira adequada. Por exemplo, uma antiga residência abandonada que era usada para consumo de drogas/álcool foi reformada e começou a ser utilizada como residência familiar.

 

No caso do parágrafo anterior, tínhamos um local que era usado para consumo de drogas/álcool e que foi convertido em local que não terá a drogadição como destinação específica. Em outros termos, o local de drogadição foi convertido ou transformado em local de abstinência. Então, nesse caso, dizemos que houve ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA.

 

A abstinência geográfica consiste num local que geograficamente NÃO se consomem drogas/álcool. Podemos ter uma local de ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA INAUGURAL ou, como nos casos apresentados anteriormente, ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA ENCAMPADA.

 

A ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA INAUGURAL sinaliza a existência de um local que sempre foi destinado à abstinência, por exemplo: escolas, praças


 

esportivas, bibliotecas, templos religiosos, prédios industriais, escritórios comerciais etc. Enfim, são os lugares frequentados por pessoas em que predomina a necessidade de manter-se abstêmio.

 

A ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA ENCAMPADA, por sua vez, corresponde ao local que houve uma transformação, ou seja, antes era destinado ao uso e consumo de drogas/álcool, mas agora possui predominância abstêmia. Por exemplo, uma residência abandonada que era usada como ponto de uso e consumo de drogas/álcool e que, atualmente, é uma clínica de tratamento de dependentes. O poder público costuma fazer essa modalidade de abstinência ao direcionar serviços públicos aos locais que estavam à revelia da administração.

 

Veja que esses modelos de abstinência geográfica (inaugural ou encampada) não se confundem com a TÉCNICA DA FUGA GEOGRÁFICA. Essa técnica, pouco eficaz, consiste na mudança geográfica do adicto. Por exemplo, a família transfere seu ente querido adicto para outra cidade a fim de que ele melhore e supere a adicção. A simples mudança geográfica da pessoa não costuma gerar muitos efeitos abstêmios já que mesmo estando em outra cidade a tendência é que a pessoa volte à adicção. Apesar disso, a técnica da fuga geográfica mostra-se eficaz no que se refere ao rompimento com pessoas e lugares da ativa da cidade de partida. Porém, em longo prazo, o adicto restabelecerá novos contatos com pessoas e lugares da ativa na nova cidade. O índice de abstêmios que basearam sua recuperação somente nessa técnica é muito pequeno. Futuramente, faremos um estudo mais detalhado sobre técnicas abstêmias e voltaremos a estudar o tema: técnica da fuga geográfica.

 

Concluindo, a ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA consiste numa forma de abstinência territorial em que certos locais podem ser originariamente destinados à abstinência (abstinência geográfica inaugural) ou na transformação de lugares direcionados ao uso de drogas/álcool e que foram convertidos em locais abstêmios (abstinência geográfica encampada).


REFERÊNCIAS

 

 

[1]    Sugerimos, humildemente, a leitura do texto disponível no site da abstemiologia: ABSTINÊNCIA ABSOLUTA OU ABSTINÊNCIA RELATIVA”.

 

[2]     Aliás, não podemos olvidar o que o número de dependentes de medicamentos legalmente prescritos está cada vez mais elevado.

 

Sugerimos,    humildemente,   a    leitura    do    texto    disponível    no    site    da abstemiologia: “O HOMEM ABSTÊMIO (HOMO ABSTEMIUS)”.

 

ZIEMMERMANN,       Péricles. PRINCÍPIOS       ABSTEMIOLÓGICOS.       Porto

Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2018. ISBN 978-85-824565-3-8

 

 

ZIEMMERMANN, Péricles. TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS:

Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0

 

 

ZIEMMERMANN,      Péricles. ITINERÁRIOS      ABSTEMIOLÓGICOS.      Porto

Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2020. ISBN 978-85-924432-3-8

 

 

ZIEMMERMANN,    Péricles. ABSTEMIOPATIAS.    Porto    Alegre/RS:    Editora Simplíssimo, 2021. ISBN 978-85-824583-6-5


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