Abstemiopatias 4/12
ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA
Imagine a seguinte situação: um determinado local era usado
como ponto de consumo de
drogas/álcool. Porém, atualmente, esse local deixou de ser um território de drogadição. Em outras
palavras, havia antes uma área de uso de drogas/álcool,
mas agora existe um local de abstinência. Isso indica que houve o surgimento
de ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA.
Quando mencionamos sobre locais de consumo de drogas/álcool,
o leitor deve estar pensando em
locais como “cracolândia”, praças localizadas em locais ermos ou “mocós”
(residências abandonadas). De fato, não resta dúvida
que
tais locais são utilizados para tal
desiderato. Entretanto, também devemos estender esse raciocínio para qualquer
local que venda álcool já que tal bebida também
é uma droga. Ademais, se utilizarmos o CONCEITO MAXIMIZADO de drogas/álcool[1] chegaremos a conclusão
de que são locais de uso de drogas/álcool: bares, restaurantes, lojas de conveniência em postos de combustíveis, locais de festas (baladas), área para fumantes,
tabacarias, farmácias,
drogarias, hospitais, entre outros. Esses locais são destinados ao uso e consumo de drogas/álcool seja de
forma legal ou ilegal, seja para uso recreacional ou medicinal,
seja para uso ético ou aético[2].
Contudo, para nosso raciocínio evoluir de forma mais
equilibrada e serena vamos restringir
a visão e pensar em locais de uso de drogas/álcool como sendo apenas regiões
específicas da cidade (“cracolândias” ou praças malconservadas), residências abandonadas (mocós)
e qualquer local semelhante
a esses. Agora, imagine que alguns desses locais deixaram de ser usados para uso de drogas/álcool e foram
reutilizados de maneira adequada. Por
exemplo, uma antiga residência abandonada que era usada para consumo de drogas/álcool
foi reformada e começou a ser utilizada como residência familiar.
No caso do parágrafo anterior, tínhamos um local que era
usado para consumo de drogas/álcool
e que foi convertido em local que não terá a drogadição como destinação específica. Em outros termos, o
local de drogadição foi convertido ou
transformado em local de abstinência. Então, nesse caso, dizemos que houve ABSTINÊNCIA
GEOGRÁFICA.
A abstinência geográfica consiste num local que geograficamente NÃO se consomem drogas/álcool. Podemos
ter uma local de ABSTINÊNCIA
GEOGRÁFICA INAUGURAL ou, como nos casos
apresentados anteriormente, ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA ENCAMPADA.
A ABSTINÊNCIA
GEOGRÁFICA INAUGURAL sinaliza a existência de um local que sempre
foi destinado à abstinência, por exemplo: escolas,
praças
esportivas, bibliotecas, templos
religiosos, prédios industriais, escritórios comerciais etc. Enfim, são os lugares
frequentados por pessoas
em que predomina a necessidade de manter-se abstêmio.
A ABSTINÊNCIA
GEOGRÁFICA ENCAMPADA, por sua vez, corresponde ao local que houve uma transformação, ou
seja, antes era destinado ao uso e consumo
de drogas/álcool, mas agora possui predominância abstêmia. Por exemplo, uma residência abandonada que era
usada como ponto de uso e consumo de
drogas/álcool e que, atualmente, é uma clínica de tratamento de dependentes. O poder público costuma fazer
essa modalidade de abstinência ao direcionar serviços públicos aos locais que estavam à revelia da administração.
Veja que esses modelos de abstinência geográfica (inaugural ou encampada) não se confundem com a TÉCNICA DA FUGA GEOGRÁFICA. Essa técnica, pouco eficaz,
consiste na mudança geográfica do adicto. Por
exemplo, a família transfere seu ente querido adicto para outra cidade a
fim de que ele melhore e supere a adicção. A simples mudança
geográfica da pessoa não costuma gerar muitos efeitos abstêmios
já que mesmo estando em outra cidade
a tendência é que a pessoa volte à adicção. Apesar disso, a técnica da fuga geográfica mostra-se
eficaz no que se refere ao rompimento com
pessoas e lugares da ativa da cidade de partida. Porém, em longo prazo, o
adicto restabelecerá novos contatos com pessoas e lugares da ativa na nova cidade. O índice de abstêmios que basearam
sua recuperação somente nessa técnica
é muito pequeno. Futuramente, faremos um estudo mais detalhado sobre técnicas abstêmias
e voltaremos a estudar
o tema: técnica da fuga geográfica.
Concluindo, a ABSTINÊNCIA GEOGRÁFICA consiste numa forma de abstinência territorial em que certos locais podem ser originariamente destinados à abstinência (abstinência geográfica inaugural) ou na transformação de lugares direcionados ao uso de drogas/álcool e que foram convertidos em locais abstêmios (abstinência geográfica encampada).
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REFERÊNCIAS
[1]
Sugerimos, humildemente, a leitura
do texto disponível no site da abstemiologia: “ABSTINÊNCIA
ABSOLUTA OU ABSTINÊNCIA RELATIVA”.
[2] Aliás, não podemos olvidar
o que o número de dependentes de medicamentos legalmente prescritos está cada vez mais elevado.
Sugerimos, humildemente, a leitura do texto disponível no site da abstemiologia:
“O HOMEM ABSTÊMIO
(HOMO ABSTEMIUS)”.
ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto
Alegre/RS: Editora
Simplíssimo, 2018. ISBN 978-85-824565-3-8
ZIEMMERMANN,
Péricles. TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS:
Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0
ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto
Alegre/RS: Editora
Simplíssimo, 2020. ISBN 978-85-924432-3-8
ZIEMMERMANN, Péricles. ABSTEMIOPATIAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2021. ISBN
978-85-824583-6-5
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