SÉRIE: Grupos de A.A. de Interesses Especiais 2/11 - Negros em A.A. (1945)
Negros em A.A.(1945) =
> Em tese, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos sempre deu as boas-vindas a qualquer alcoólico que independentemente da etnia, cor, religião ou qualquer outra característica que pudesse distinguir as pessoas. No entanto, A.A. é apenas e inevitavelmente uma parte da sociedade em que existe. À época em que A.A. foi fundada, e pelas três décadas seguintes, a discriminação dos negros era uma característica da sociedade americana e nos Grupos de A.A. não era muito diferente. Ainda agora (2012), depois de uma serie de conquistas dos negros na área dos direitos civis, quando um negro vai a uma reunião de maioria branca, mesmo sendo recebido calorosamente e apesar dos esforços feitos pelos membros para que ele se sinta em casa, muitas vezes continua a se sentir “diferente” e provavelmente não fique naquele Grupo. Embora se saiba que o alcoolismo tem uma grande incidência na comunidade negra,
A.A. nunca fez uma pesquisa para especificar a percentagem de negros na Irmandade. Joe Mc O., foi o primeiro negro membro de A.A. em Little Rock, Arkansas, e acredita que as diferenças culturais contra os negros em busca de ajuda em A.A., ou em outro lugar, ficaram um pouco mais atenuadas. Lembra que durante sua juventude, até os próprios negros estabeleciam diferenças entre eles e se dividiam em grupos distintos; uns piedosos e abstêmios que participavam de igrejas, entoando canções espirituais e outros bebedores e arruaceiros; assim, divididos entre bebedores e piedosos, uns não queriam se relacionar com os outros. Estes estereótipos foram se desvanecendo nas últimas décadas com a rápida aceitação dos negros na sociedade em geral. Tem sido uma preocupação continua do ESG que a mensagem de A.A., chegue aos negros alcoólicos com a intensidade desejada.
Este problema foi tratado pela Junta de Custódios numa sessão ordinária durante um fim de semana, em janeiro de 1986. T. Garret, o primeiro Custódio negro, 1983-87, comentou que quando ele chegou em A.A., os negros não eram aceitos nas reuniões composta por brancos em Washington DC, assim que ele sempre teve que frequentar o Grupo Mideast, composto unicamente por negros. Ele disse também, que, de acordo com suas Tradições, A.A., não adotou um papel mais agressivo nem advogou pelas causas raciais. O resultado, em muitas partes do país, a formação de Grupos de A.A. para negros deu-se antes que a integração social.
Nos primeiros tempos da Irmandade, em todo o Sul e na maior parte do Norte dos EUA, os brancos não queriam se misturar socialmente com os negros. Esse era um fato, e ninguém, nem os Grupos de A.A. poderiam ser coagidos ou persuadidos a fazê-lo, ainda que fossem alcoólicos. O preconceito era tão grande, que 50 brancos poderiam se afastar de A.A. para que se pudesse ajudar um único negro. Era uma situação embaraçosa, mas em termos práticos ninguém poderia fazer nada.
No inicio de 1940, chegaram ao Grupo de Nova York dois alcoólicos negros recém saídos da prisão, a quem Bill havia convidado após proferir uma palestra naquela penitenciária. A reação no Grupo foi imediata. Tinha alguns sulistas que acharam que Bill tinha extrapolado ao tomar a decisão sem consultar o Grupo. Estavam dispostos a separar-se de A.A. Por outro lado, havia alguns nortistas que achavam que os negros deviam ingressar como membros normais e com privilégios plenos. E, é claro, aqueles que ficaram em cima do muro. Questionados os opositores a respeito de os negros terem o mesmo direito a A.A. quanto qualquer outro ser humano, eles concordaram, mas ficou mais ou menos combinado que os negros deveriam ser convidados a assistir como “observadores” às reuniões abertas ou fechadas do Grupo.
Esta solução funcionou. A primeira consulta recebida pelo ESG – então ainda Sede, feita por um alcoólico negro chegou em 1943, vinda de Pittsburgh. Em resposta a outra consulta no mesmo sentido em outubro de 1944, a então secretária da Sede, Bobbie B., escreveu: “nós ainda não temos noticias da existência de algum Grupo para negros em qualquer lugar, e este tipo de consulta está acontecendo com frequência quase diária. Sabemos que em Pittsburgh há um membro negro, e eu sugiro que você escreva para o Grupo de lá e descubra como trataram essa situação”.
Em 1945, Jim Scott, um médico negro, fundou na Carolina do Norte o primeiro Grupo de A.A. formado por negros. “A História de Jim” aparece na 2ª e 3ª edições do Big Book, e seguiram-se Grupos para negros em Washington, DC e St. Louis, Missouri. Logo após, em janeiro de 1946, começou outro Grupo em Los Angeles, que no prazo de um ano já contava com vinte membros.
A formação do primeiro Grupo de negros em Cleveland girou ao redor de uma mulher; assim duas minorias estavam envolvidas. Tratava-se de uma mulher negra que trabalhava em uma boate e chamou Oscar W., às três horas da madrugada dizendo-se revoltada com a vida. No dia seguinte chamou de novo dizendo que estava sóbria e querendo saber o que fazer. Oscar W. Levou-a ao Grupo Lake Shore. Disseram que ela poderia frequentar A.A., mas teria que participar de um grupo diferente. “Apesar de todas as atitudes liberais, ainda não se podia aceitar uma mulher negra”, admitiu Oscar. O administrador do prédio disse que se ela ficasse todos deveriam sair. Assim, foi formado um Grupo próximo à casa dela em um bairro negro, na Cedar Avenue. As noticias que se espalharam falavam sobre ‘algumas pessoas loucas que podiam ajudar você a parar de beber’ (Ver capítulo “As Minorias” no livro O Dr. Bob e os Bons Veteranos – Junaab, código 116). Em junho de 1946, o ESG registrou o Grupo Outhwaite, em Cleveland, Ohio; tinha oito membros. Um mês depois, havia notícias de Grupos para negros em Charleston, Carolina do Sul. No mesmo período, também começaram em Kansas City, Missouri e Toledo, Ohio
Em 1947 aumentou o ritmo de criação de Grupos para negros. Começou um Grupo no Harlem de Nova York, e foram relacionados mais dois em Nova Jersey. A Filadélfia conheceu seu primeiro Grupo em Junho desse ano e também outro Grupo foi formado em Cincinnati. O primeiro Grupo para negros em Crowley, Luisiana, foi iniciado em maio de 1949. De acordo com Ann M., em 1952 havia aproximadamente 25 Grupos de A.A. dedicados unicamente a alcançar o alcoólico negro. Como nenhum esforço foi feito pelo ESG para fazer alguma distinção entre os Grupos para negros e os Grupos regulares, é praticamente impossível rastrear seu crescimento durante as décadas intermediárias, ou estimar seu número atual. Sabe-se que, obviamente, sua presença é muito relevante no norte de Ohio, Washington, DC, Atlanta, Geórgia e em muitas outras cidades com importante concentração de população negra.
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