TEMAS ABSTEMIOLÓGICOS
A abstinência é capaz de gerar
diversos efeitos na vida de cada pessoa. Entre essas consequências positivas
produzidas pela abstinência, existe o efeito da recuperação da quádrupla
capacidade.
Acompanhe o seguinte raciocínio:
durante a drogadição a pessoa vai deteriorando gradativamente suas capacidades
de relacionar-se com outros, de prestar assistência e de gerir a própria vida.
Além disso, convém destacar a existência de deteriorações nas esferas moral,
biológica, psicológica e cognitiva. O afunilamento da drogadição durante o processo
de adicção é capaz de reduzir a pessoa a uma completa ausência de dignidade.
Porém, esse panorama pode ser revertido através do processo de abstinência e
durante os longos anos de vida abstêmia (lastro abstêmio).
O processo de abstinência,
principalmente na sua fase inicial, parece ter o escopo de fazer com que o
abstêmio recupere algumas capacidades que foram perdidas – ou atrofiadas –
durante sua adicção. As capacidades cognitivas que foram mais afetadas e que devem
ser recuperadas gradualmente pelo abstêmio são: a afetividade,
a socialização,
a espiritualidade e
a autoadministração
(autogerência) da própria vida.
Parece que estas QUATRO ÁREAS são
extremamente debilitadas pelo período de drogadição. Quanto mais longo for o
período de adicção, mais débeis estarão essas áreas e mais difícil será
recuperar a QUÁDRUPLA CAPACIDADE.
Outro detalhe interessante, e não
menos importante, é que recuperar a quádrupla capacidade não significa que a
pessoa pode realizar qualquer ato ou praticar qualquer atitude. Recuperar a
capacidade significa reconhecer suas novas limitações e viver, apesar delas.
Recuperar o juízo social, pessoal e afetivo representa um dos níveis de
evolução do próprio processo de abstinência. Assim, no decorrer de toda a vida
abstêmia, os abstêmios estarão constantemente reavaliando suas capacidades e
redirecionando o sentido de suas vidas para permanecerem nos trilhos da
sobriedade.
Aproveito a oportunidade para
enfatizar a necessidade da prestação de assistência aos outros colegas mais
inexperientes[1] na vida abstêmia, bem como aos familiares deles[2]. Inclusive,
cabe destacar que os familiares, estatisticamente, são as pessoas que buscam
mais informações sobre o problema da adicção e como solucioná-lo. Os
familiares, via de regra, desejam saber mais sobre o processo de abstinência do
que os próprios abstêmios. Por isso, a maioria das vendas de livros sobre
abstinência, dos estudos abstemiológicos e das campanhas de publicidade sobre
formas de manter-se abstêmio são direcionadas aos familiares e não,
necessariamente, aos abstêmios (outrora adictos). De mais a mais, já presenciei
reuniões abstemiológicas em que o número de familiares que compareceram na
terapia era muito superior ao número de pessoas que desejavam permanecer em
abstinência, ou seja, havia muito mais familiares presentes do que seus entes
queridos que precisavam manter-se abstêmios.
A par disso tudo, concluo esse breve
estudo afirmando que, infelizmente, a maioria dos abstêmios que recuperou
a QUÁDRUPLA CAPACIDADE ignora a necessidade de ajudar outros
companheiros. A falta da prestação de assistência dos abstêmios mais
experientes aos abstêmios mais novatos indica que muito do universo da adicção
continua enraizado (internalizado) no abstêmio. Aliás, o egocentrismo é o
problema principal (busílis) da adicção e a melhor forma de minimizar essa
distorção cognitiva, centrada no “eu”, é prestando assistência, certo?
Péricles Ziemmermann
TEMAS ABSTEMIOLÓGICOS
A abstinência é capaz de gerar
diversos efeitos na vida de cada pessoa. Entre essas consequências positivas
produzidas pela abstinência, existe o efeito da recuperação da quádrupla
capacidade.
Acompanhe o seguinte raciocínio:
durante a drogadição a pessoa vai deteriorando gradativamente suas capacidades
de relacionar-se com outros, de prestar assistência e de gerir a própria vida.
Além disso, convém destacar a existência de deteriorações nas esferas moral,
biológica, psicológica e cognitiva. O afunilamento da drogadição durante o processo
de adicção é capaz de reduzir a pessoa a uma completa ausência de dignidade.
Porém, esse panorama pode ser revertido através do processo de abstinência e
durante os longos anos de vida abstêmia (lastro abstêmio).
O processo de abstinência,
principalmente na sua fase inicial, parece ter o escopo de fazer com que o
abstêmio recupere algumas capacidades que foram perdidas – ou atrofiadas –
durante sua adicção. As capacidades cognitivas que foram mais afetadas e que devem
ser recuperadas gradualmente pelo abstêmio são: a afetividade,
a socialização,
a espiritualidade e
a autoadministração
(autogerência) da própria vida.
Parece que estas QUATRO ÁREAS são
extremamente debilitadas pelo período de drogadição. Quanto mais longo for o
período de adicção, mais débeis estarão essas áreas e mais difícil será
recuperar a QUÁDRUPLA CAPACIDADE.
Outro detalhe interessante, e não
menos importante, é que recuperar a quádrupla capacidade não significa que a
pessoa pode realizar qualquer ato ou praticar qualquer atitude. Recuperar a
capacidade significa reconhecer suas novas limitações e viver, apesar delas.
Recuperar o juízo social, pessoal e afetivo representa um dos níveis de
evolução do próprio processo de abstinência. Assim, no decorrer de toda a vida
abstêmia, os abstêmios estarão constantemente reavaliando suas capacidades e
redirecionando o sentido de suas vidas para permanecerem nos trilhos da
sobriedade.
Aproveito a oportunidade para
enfatizar a necessidade da prestação de assistência aos outros colegas mais
inexperientes[1] na vida abstêmia, bem como aos familiares deles[2]. Inclusive,
cabe destacar que os familiares, estatisticamente, são as pessoas que buscam
mais informações sobre o problema da adicção e como solucioná-lo. Os
familiares, via de regra, desejam saber mais sobre o processo de abstinência do
que os próprios abstêmios. Por isso, a maioria das vendas de livros sobre
abstinência, dos estudos abstemiológicos e das campanhas de publicidade sobre
formas de manter-se abstêmio são direcionadas aos familiares e não,
necessariamente, aos abstêmios (outrora adictos). De mais a mais, já presenciei
reuniões abstemiológicas em que o número de familiares que compareceram na
terapia era muito superior ao número de pessoas que desejavam permanecer em
abstinência, ou seja, havia muito mais familiares presentes do que seus entes
queridos que precisavam manter-se abstêmios.
A par disso tudo, concluo esse breve
estudo afirmando que, infelizmente, a maioria dos abstêmios que recuperou
a QUÁDRUPLA CAPACIDADE ignora a necessidade de ajudar outros
companheiros. A falta da prestação de assistência dos abstêmios mais
experientes aos abstêmios mais novatos indica que muito do universo da adicção
continua enraizado (internalizado) no abstêmio. Aliás, o egocentrismo é o
problema principal (busílis) da adicção e a melhor forma de minimizar essa
distorção cognitiva, centrada no “eu”, é prestando assistência, certo?
Péricles Ziemmermann
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