Princípios Abstemiológicos 31/81
PRINCÍPIO DA AUTOTRANSCENDÊNCIA
Como dito
reiteradas vezes no decorrer desta obra, a abstinência tem fases iniciais
(aprendizado), fases de permanência e manutenção
(aplicação de técnicas e aprimoramento) e fase evolutiva
(assistência). Esse sistema de etapas abstêmias
é sobreposto de maneira a cada fase estar inserida na fase anterior e nenhuma delas pode ser alcançada se a
fase anterior for ignorada ou deixada de lado. Assim, por exemplo,
não tem como o abstêmio prestar assistência a outros abstêmios se
estiver à beira de uma recaída (reintoxicação física). Esse mecanismo dinâmico,
quando é compreendido e observado pelo abstêmio, o transcende.
Por isso, a
jornada abstêmia exige mais que evolução, exige transcendência. O abstêmio
menor, abstêmio maior e o pós-abstêmio precisam superar tantos fatores
pessoais, sociais e espirituais para atingirem a abstinência que tal meta só é possível se houver
transcendência. Essa transcendência não é apenas pessoal – ou individual –, ela é, também, familiar,
social e espiritual. Dessa forma,
existem responsabilidades abstêmias para todos os envolvidos no processo abstêmio.
Havendo essa transcendência, a abstinência poderá – e vai – gerar efeitos e frutos para toda a
coletividade. Um exemplo de abstêmio transcendente está na figura do
mega-abstêmio, uma vez que ele é o abstêmio que superou cronologicamente todo o
período em que esteve sob o efeito
da drogadição, ou seja, está há mais tempo em abstinência do que esteve, antes,
sob os efeitos do uso de drogas/álcool.
PÉRICLES ZIEMMERMANN
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