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quinta-feira, 18 de julho de 2024

Grupo de Oxford - parte I

 

Grupo de Oxford =


> Esta foi uma das várias denominações que um movimento iniciado por Frank Buchman em 1908, recebeu até os dias de hoje, 2013, uma vez que, com outro nome e outros propósitos, continua em atividade.

Franklin Nathaniel Daniel Buchman nasceu em Pennsburg, Pensilvânia, em 04 de junho de 1878, filho de um comerciante de bebidas por atacado e dono de restaurante e de uma mãe piedosa Luterana. Controverso e polêmico ministro luterano e secretário da YMCA - Associação Cristã de Moços (ACM) - fundou na Filadélfia uma instituição chamada Igreja do Bom Pastor. igreja prosperou e após um desentendimento com o comitê gestor, Buchman renunciou e foi para a Europa, indo parar numa grande convenção religiosa em Keswick, Inglaterra. Uma transformação espiritual ocorreu quando ouviu uma conversa da esposa do orador sobre a cruz de Cristo. Sobreveio um sentimento forte, um desejo de compartilhar esta experiência. Em 1908 fundou o movimento evangélico Companheirismo Cristão do Primeiro Século que tinha como finalidade recapturar no mundo moderno a força do cristianismo do primeiro século.

O movimento colocava ênfase na oração e na busca da orientação divina em todas as coisas, seus membros estudavam a Bíblia e desenvolveram literatura própria. Esperava detonar uma reação em cadeia – cada pessoa levaria a boa nova a outra pessoa – e objetivava uma conversão mundial. O núcleo do programa eram os “quatro absolutos”: honestidade absoluta, abnegação absoluta, pureza absoluta e amor absoluto; tinham também os “cinco “Cs”: confiança, confissão, convicção, conversão e continuidade; e ainda os “cinco procedimentos”: entregar- se a Deus, atender a direção de Deus, confirmar a orientação, restituição e compartilhar - para dar testemunho e confessar.


Em 1917, o estudante da Universidade de Princeton, Samuel (Sam) Moor Shoemaker (1893 - 1963), participou, junto com outros estudantes voluntários, de uma missão em Pequim – China – com o objetivo de implantar um projeto pedagógico e uma ACM. Foi lá que em janeiro de 1918, encontrou-se com Buchman e após conhecer os “quatro absolutos” aderiu ao movimento.

Voltando à América foi ordenado diácono Episcopal em 1920, e sacerdote em 1921. Em 1924 aceitou o convite para ser reitor da Missão e da Igreja Episcopal do Calvário em Nova York.

Seu ministério foi fortemente influenciado pelos princípios seguidos por aquele movimento que mais tarde se chamaria Grupo de Oxford, do qual foi o introdutor e principal líder na América.           


Em 1921, Frank B. mudou a sede desse movimento para a Inglaterra onde procurou a adesão de pessoas influentes da sociedade, líderes estudantis e atletas, particularmente das universidades de Cambridge e Oxford, onde teve grande aceitação, especialmente na última.

No verão de 1928, seis homens da Universidade de Oxford, Oxford, Inglaterra, viajaram sem


Buchman à África do Sul para promover o movimento e, a imprensa local sem saber como descrever o novo movimento religioso cunhou o indicativo "Grupo de Oxford" escrito nas janelas do compartimento do trem em que esse grupo viajava. A aceitação do nome foi tão boa que o movimento mudou o nome de “Companheirismo Cristão do Primeiro Século” para cidades e Estados americanos.




Devido à grandiosidade das construções que abrigavam as sedes do movimento e aos enormes gastos na promoção de eventos e festas para divulgação, a revista “Time” publicou em fim de abril de 1936, um artigo de capa chamando a atenção para essa megalomania cunhando uma frase que Buchman repetia constantemente “Cultista Buchman: Deus é um milionário”.


Em 25 de agosto de 1936, o jornal New York World Telegram de Nova York publicou um artigo sobre Buchman em que ele dizia "Eu agradeço aos céus pó existir um homem como Adolf Hitler, que construiu uma linha de defesa contra o comunismo anticristo”, declaração esta que levou à suspeita de ser pró-nazista. Embora tenha sido inocentado até pelos seus críticos, o artigo transformou os grupos de Oxford em assunto de controvérsia pública. Em conseqüência disso, em 1938, a Universidade de Oxford pediu que o movimento não utilizasse mais aquele nome. Havia, ainda, a oposição da Igreja Anglicana que associava o nome do grupo com o histórico Movimento de Oxford, um movimento religioso de anglicanos da Alta Igreja, a maior parte deles membros da Universidade de Oxford, que teve início em 1833.e finalizou em 1854 deixando como legado a definição da Igreja Anglicana como um dos ramos históricos da única Igreja Católica. Segundo os Tratadistas, a única e verdadeira Igreja fundada por Jesus Cristo, a Igreja Católica (Universal), havia se fragmentado devido a razões históricas e teológicas em três grandes ramos: o Romano, o Ortodoxo e o Anglicano. O principal ponto defendido pelo movimento era demonstrar que a Igreja Anglicana era uma descendente direta da Igreja estabelecida pelos apóstolos.


Em 1938, quando Europa estava-se preparando para a guerra, um sueco, socialista, membro do Grupo de Oxford, chamado Harry Blomberg, escreveu um artigo sobre a necessidade de se rearmar moralmente. Buchman gostou do termo, e lançou uma campanha para o Armamento Moral e Espiritual, no leste de Londres. Mais do que apenas um novo nome substituto ao Grupo de Oxford, Movimento de Rearmamento Moral (MRM, ou, ARM) e sinalizou um novo compromisso por parte Buchman para tentar mudar o rumo das nações.


Paralelamente a esses episódios, a Justiça inglesa declarou a inexistência legal do Grupo de Oxford quando seus representantes pretendiam receber a quantia de 500 Libras esterlinas deixadas como herança no testamento de um membro do grupo que tinha falecido. Mesmo que em 1938 tivesse mudado o nome do movimento, Buchman entrou com um recurso na Justiça inglesa para que o nome “Grupo de Oxford” fosse reconhecido. Em junho de 1939 a Câmara de Comercio acabou decidindo a favor do Grupo.

Em 1939, Frank Buchman, político astuto, antevendo o início da II Guerra Mundial mudou a sede do movimento da Inglaterra para a Suíça – país neutro durante o conflito.


No começo teve o apóio, com reservas, de Sam Shoemaker, reitor da Igreja Episcopal do Calvário em Nova York, e principal líder do Grupo de Oxford nos EUA. Porém, pretensões políticas levaram-no a distanciar-se dos princípios pregados pelas igrejas cristãs, e Sam acabou rompendo com o novo movimento em fins de 1941. Também perdeu o apoio das principais igrejas cristãs, ao ponto de a Igreja Católica, em 1950, proibir seus adeptos de se filiarem àquele movimento. Entretanto, e apesar desses percalços, Frank Buchman, teve bom trânsito e muita influencia como articulador inteligente entre os principais políticos de seu tempo direita com o líder indiano Jawaharlal Nehru [1889-1964]); Konrad Adenauer (1876-1967), Chanceler da Alemanha, costumava assistir reuniões conduzidas por Buchman em Caux, na Suíça. Ele foi condecorado pelos governos francês e alemão por sua contribuição para a reconciliação franco-alemã depois da Segunda Guerra Mundial, e também pelos governos da Grécia, Japão, Filipinas, Índia e Marrocos, e por duas vezes, em 1952 e 1953, teve seu nome indicado para o Prêmio Nóbel da Paz.

Após a morte, em 1961, Frank Buchman foi sucedido na condução do movimento pelo jornalista inglês Peter Dunsmore Howard (1908-1965), que viria a falecer em 1965, e o MRA entrou em um período de declínio. Foi reorganizado e, no início do novo milênio estava claro que as palavras “rearmamento moral” não carregavam mais a mesma ressonância que em 1939.


Em 2001, adotou o nome Iniciativas de Mudança (IdeM), e em 2002, Iniciativas de Mudança Internacional (IdeM Internacional), que se descreve como uma organização não-governamental (ONG) que trabalha pela paz, reconciliação e a segurança humana a nível mundial. Tem status consultivo especial no Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas (ONU) e um status participativo no Conselho da Europa em Strasburg. Ressalta a importância da responsabilidade pessoal, liderança ética e a construção da confiança em meio às divisões do mundo. Com sede em Caux, Genebra, Suíça, seu primeiro presidente foi Rajmohan    Gandhi    (n.    1935),    biógrafo    e    neto    do   líder da independência da Índia, Mahatma Gandhi (1869-1948). Em 2011 foi sucedido pela médica pediatra egípcia Dra. Omnia Marzouck.


Após a morte de Buchman em 1961, Bill Wilson, disse ter-se arrependido por não havê-lo convidado para a 2ª Convenção Internacional de A.A. em 1955, em St. Louis, quando foram feitas homenageadas as pessoas não alcoólicas, profissionais e leigos, que contribuíram para o crescimento da Irmandade naqueles 20 anos, e os ensinamentos defendidos por Buchman no Grupo de Oxford, foram fundamentais para a estruturação da Irmandade. Bill W. disse: “Agora que Frank Buchman se foi, eu percebo mais do que nunca o quanto devemos a ele; gostaria de tê-lo procurado nos últimos anos para lhe externar o nosso apreço”. Levar Adiante, página 422/5/3, Junaab, código 118.



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