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sábado, 8 de junho de 2024

Alcoólicos Anônimos - A Irmandade

1. É uma Irmandade mundial de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolverem seu problema em comum e ajudar outras pessoas a se recuperarem do alcoolismo. Página 2 de 287 

 O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A.A. não há taxas nem mensalidades; somos autossuficientes, graças às nossas próprias contribuições. 

 A.A. não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento politico, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas.  Nosso propósito primordial é o de mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançar a sobriedade. 

Em dezembro de 1934, William Griffith Wilson - Bill W. (1895-1971) - corretor da Bolsa de Valores de Nova York, teve um despertar espiritual durante sua internação por alcoolismo no Towns Hospital de Manhattan – a quarta em pouco mais de um ano. Ao sair do hospital retornou ao Grupo de Oxford (ver: Grupo de Oxford), de Nova York, onde havia ingressado no mês anterior depois de uma abordagem feita por Ebby T. Thacher, antigo colega de escola e farras. Sóbrio havia cinco meses, foi enviado pela corretora onde trabalhava para negociar o controle acionário de uma pequena fábrica de ferramentas, da qual poderia se tornar seu presidente, na Dr. Bob e Bill W. cidade de Akron, Ohio. O negócio fracassou e de volta ao Hotel Mayflower, onde se hospedava, teve vontade de beber; porém, considerou que, se consegui-se falar com outro alcoólico, poderia manter a sobriedade. Era um sábado 11 de maio de 1935. No saguão do hotel havia um diretório de Igrejas; colocou seu dedo num nome e telefonou para o Rev. Walter Tunks que lhe deu uma lista com dez nomes de pessoas da comunidade com quem poderia fazer contato. Somente na décima ligação teve sucesso: Norman Shephard dá o nº de telefone de Henrietta Buckler Seiberling (1888 – 1979), que assim descreve o telefonema: “Era Bill Wilson, e nunca esquecerei o que ele me disse: ‘sou do Grupo de Oxford, e sou um sabujo (cão de caça), da bebida alcoólica que vive em Nova York’. ‘Venha já para cá’ eu disse. Ele veio e ficou para o jantar. Pedilhe que me acompanha-se até a igreja na manhã Walter Tunks seguinte e lhe disse que contataria Bob. Foi o que fiz”. E se propôs a marcar um encontro com o médico cirurgião Robert Holbrook Smith (Dr. Bob) (1879-1950) – também membro do Grupo de Oxford de Akron havia dois anos e meio - um beberrão cético, já beirando o desprestigio profissional. Henrietta Seiberling Ilustração do Hotel Mayflower Página 3 de 287 O encontro aconteceu no dia seguinte, domingo 12 de maio de 1935 - Dia das Mães - com a condição imposta pelo Dr. Bob de não durar mais de quinze minutos. “Chegamos lá – na casa de Henrietta- às 17h00, e eram 23h15 quando saímos”, contou depois o próprio Dr. Bob, que compareceu acompanhado por sua mulher Anne. Os dois ficaram a sós e Bill fala de sua experiência alcoólica, o sofrimento, as promessas, os fracassos, da visita de Ebby e sua mensagem simples: um alcoólico falando com outro alcoólico; porém, foi citando o Dr. William Duncan Silkworth ao identificar aquela condição dos dois como uma doença caracterizada por uma obsessão mental seguida de uma alergia física, que o Dr. Bob subitamente compreendeu o que lhe afligia; como médico, nunca tinha pensado nessa possibilidade. Passadas mais de cinco horas de compartilhamento e reciprocidade produziu-se a identificação necessária entre dois alcoólicos que falando de si próprios, um para o outro, conseguem manter-se afastados da bebida, e desta constatação deriva toda a proposta de A.A. Bill ficou hospedado na casa dos Smith em Akron. Duas semanas após, o Dr. Bob foi participar da Convenção Médica Americana em Atlantic City, Geórgia; bebeu o tempo todo e ao voltar para casa teve um apagamento que durou mais de 24 horas e levou três dias para ficar sóbrio. No dia 10 de junho de 1935 o Dr. Bob tinha agendada uma operação cirúrgica no City Hospital de Akron onde trabalhava; Bill observou que não teria condições de segurar o bisturi devido à tremedeira e ofereceu-lhe uma garrafa de cerveja. A operação foi bem sucedida e aquela cerveja foi a última bebida alcoólica que o Dr. Bob tomou. Embora tenha havido outras datas importantes na historia de A. A., devido a este fato, é de acordo geral que Alcoólicos Anônimos começou lá, em Akron, no dia 10 de junho de 1935. No dia seguinte, o Dr. Bob propôs a Bill trabalharem juntos ajudando outros alcoólicos. No dia 28 de junho abordaram Bill D. (1892-1954), advogado, internado por alcoolismo no Hospital Municipal de Akron, pela sexta vez nos últimos quatro meses. Bill D. veio a ser o AA nº 3. Nunca mais voltou a beber e continuou a ser um membro ativo de A.A. até sua morte em 1954. O Anônimo Número 4 não demorou a aparecer. Foi no final de julho e seu nome era Ernie G. (1916-1969), de apenas 30 anos e “jovem demais” aos olhos de seus padrinhos. Ernie permaneceu sóbrio durante um ano e então deu uma derrapada que durou sete meses. Embora tivesse problemas com a bebida pelo resto da vida, sua sobriedade inicial desempenhou um papel importante naqueles tempos de pioneirismo. Em 1941 casou-se com Sue, a filha adotiva do Dr. Bob e de Anne que se opuseram ao casamento, não pelo alcoolismo, mas pelas repetidas recaídas. O casamento acabou em divórcio e Sue se casou posteriormente com seu primeiro namorado, Ray Windows. O 5º AA foi Phil S. que ficou sóbrio em fins de agosto, depois de ficar internado durante oito dias no City Hospital; duas semanas depois voltou a embriagar-se, foi preso e condenado a 30 dias de cadeia; foi libertado por intermediação de Bill D. após concordar em ficar sob vigilância do Dr. Bob. Aos poucos se foram juntando outros alcoólicos, e começaram a se reunir todas as quartas-feiras à noite na casa de T. Henry e Clarace Williams em Akron - onde também se reuniam os O casal Williams membros do Grupo de Oxford, formando, assim, o Grupo Número Um de A.A. Quando Bill voltou a Nova York na segunda feira, 26 de agosto de 1935, depois de ajudar o Dr. Bob, em Akron, a fundar o primeiro Grupo da Irmandade que viria a ser Alcoólicos Anônimos, tinha duas preocupações imediatas. Sua necessidade de encontrar um nicho para ele mesmo nos negócios era tão premente quanto a necessidade de fazer alguma coisa a respeito do alcoolismo. Neste campo ele continuou a freqüentar o Grupo de Oxford e a fazer abordagens no Towns Hospital ajudado pelo Dr. Silkworth. O primeiro sucesso veio com a adesão de Hank P. (1895- 1954), internado no hospital. Pouco tempo depois, no outono, foi a vez de Fitz M. (1897-1943), no mesmo hospital. O terceiro, apadrinhado por Fitz foi Jackie Williams. Fitz enviou Jackie a Washington para abordar seu amigo Jim B. (1898-1974), o agnóstico que após árduas negociações com Bill e os pioneiros de A.A., iria contribuir com a definição de “Deus como cada um O conceba”, e a prevalência do livre arbítrio ao definir os Doze Passos como “não-dogmáticos”, mas apenas “sugestões”, abrindo, assim, as portas da Irmandade a inúmeros alcoólicos com objeção a qualquer tipo de crença, divindade ou religião estabelecida; também se deve a ele o enunciado da Terceira Tradição; é ele o personagem relatado no capítulo correspondente a esta Tradição. Para dar início ao movimento, foi fundamental a colaboração de três pessoas não-alcoólicas - a quem Bill também considera fundadores da Irmandade: o Dr. Willian Duncan Silkworth Sam Shoemaker (1873-1951), médico do Towns Hospital de Manhattan, que nos deu os conhecimentos básicos sobre a natureza da nossa doença e os mistérios que nos mantém aprisionados; o Rev. Samuel Moor Shoemaker (1893 - 1963), clérigo e reitor da Missão e da Igreja Episcopal do Calvário, fundador e dirigente do Grupo de Oxford de Nova York, que nos entregou as chaves que nos podem levar à libertação: os preceitos que, embora antigos e universais, foram a base para a construção de alguns dos Doze Passos Sugeridos de Alcoólicos Anônimos, o princípio da recuperação em A.A. e o Prof. William James (1842 – 1910) , psicólogo e filósofo, cujos estudos a respeito da natureza e da mente humana inspiraram a filosofia do Programa de A. A., em particular os Passos Primeiro e Segundo. Também foi de grande importância a experiência acumulada por alguns dos William James movimentos que precederam A.A., como o Grupo de Oxford, o Movimento Washingtoniano, o Movimento Emmanuel e o Jacoby Club. Estes movimentos foram imensamente populares. Particularmente os dois últimos, fundados em Boston, Massachusetts, em 1906 e 1909, tiveram durante mais de trinta anos um sucesso impressionante no tratamento do alcoolismo, baseando-se nos mesmos meios que mais tarde A.A. utilizaria: a espiritualidade, a mudança do comportamento, e o compartilhamento de experiências através de reuniões em grupo. Em novembro de 1937, Bill viajou para Detroit e Cleveland para tentar uma vaga no mercado financeiro. Não conseguiu nada, mas aproveitou a viagem para encontrar-se com o Dr. Bob em Akron e avaliar os resultados do movimento: contabilizaram uns quarenta casos de sobriedade, incluindo eles próprios – Bill três anos e Dr. Bob dois anos e meio. Entenderam que o resultado era animador e prenuncio de uma reação em cadeia e “possivelmente um dia poderia atingir o mundo inteiro”. Deduziram que o programa de recuperação, que tinha sido aperfeiçoado durante esse tempo funcionava, e se perguntaram: “como pode essa experiência ser compartilhada e a mensagem difundida? Consideraram então, que deveriam pôr no papel seus métodos; escrever um livro para servir como texto básico e contar a historia e as experiências dos primeiros tempos da Irmandade e, sem distorções, levasse aquela mensagem aos lugares onde não poderiam ir pessoalmente. Ao saber disso, os membros e amigos aprovaram a idéia de se escrever o livro. Muito entusiasmado, Bill tomou o trem de volta. A partir da idéia do livro começou a imaginar novos empreendimentos, hospitais, missionários, trabalhadores profissionais bem remunerados, etc. Sentiu que iriam precisar de dinheiro; de muito dinheiro. Neste ponto o Dr. Bob e os membros de Akron discordavam: achavam que o dinheiro estragaria tudo. Porém, Bill achou que aquele seria “um dos maiores desenvolvimentos de todos os tempos sob o aspecto médico e espiritual. Certamente os ricos nos ajudarão. Como poderiam deixar de fazê-lo?”. Deixaram. Equipados com uma lista de prováveis ricos que poderiam ajudar teve início a primeira - e última - cruzada de A.A. em busca de dinheiro. Quase todos achavam uma causa nobre, mas preferiam contribuir com instituições de renome como a Cruz Vermelha. Foi uma grande decepção. Porém, através de seu cunhado, o Dr. Leonard V. Strong, Bill foi apresentado ao responsável pela distribuição dos donativos de John Dr. L. V. Strong Davidson Rockefeller Jr. (1874 – 1960), Willard Richardson (“Tio Dick”), que se interessou muito pelo projeto e propôs outro encontro com o comparecimento de outras pessoas ligadas a Rockefeller. Bill foi às nuvens. O encontro, em forma de jantar, aconteceu numa noite de dezembro de 1937 e contou com a participação, além dos representantes de Rockefeller, dos Drs. Silkworth e Bob, Bill e alguns membros de Akron e Nova York. Depois da exposição dos motivos, ouviram do Sr. Albert Scott, Presidente dos Curadores da Igreja Riverside: “será que o dinheiro não destruiria isso? A partir daí seguiram-se os mesmos questionamentos por parte da turma de Rockefeller que os membros de Akron faziam. W. Richardson J. D. Rockefeller Jr. Em fevereiro de 1938, Frank Amos foi enviado a Akron por John D. Rockefeller e fez um minucioso trabalho de investigação sobre o que denominou “Pretenso Grupo Alcoólico de Akron, Ohio”. Ele investigou a vida do Dr. Bob e destacou sua competência profissional, como era querido e respeitado pela comunidade e a grande importância do trabalho que estava realizando para a recuperação de alcoólicos. No relatório diz que a renda do Dr. Bob era tão baixa que não conseguia manter uma secretária no consultório e tinha dificuldades para saldar as despesas básicas de casa. Fala da necessidade de ajudá-lo, ou teria de desistir da maioria dos trabalhos com os alcoólicos. Sugere que Rockefeller, confidencialmente, arranja-se uma remuneração mensal para o Dr. Bob, por um período de pelo menos dois anos, até que a proposta do novo movimento pudesse seguir sozinha e talvez se tornar financeiramente independente em todos os sentidos. Lembrou que sua casa estava hipotecada e descreveu como seria utilizado o dinheiro: “A secretária custaria cerca de mil e duzentos dólares por ano. E também precisaria ter um bom carro – ele agora dirige um Oldsmobile bastante antigo – que seja veloz e seguro. Precisa de melhores instalações em seu consultório, não somente para seus pacientes particulares, mas para melhor tratar esses ex-alcoólatras que vão até ele, diariamente, em busca de inspiração e instrução. Ao todo, acho que uma quantia de cinco mil dólares ao ano, durante dois anos, deve ajudá-lo. Estou convencido de que essa tentativa daria certo”. No total, Frank Amos sugeriu que Rockefeller doasse 50 mil dólares ao movimento (750.000 em valores de 2008). Como resultado de tudo isso, depois de relatórios, considerações, e Frank Amos recomendações levadas pelos seus representantes, Rockefeller expressou sua simpatia pela causa, e mandou dizer que estava depositando cinco mil dólares na tesouraria da Igreja Riverside como ajuda para a desesperada situação de Bill e do Dr. Bob “... isso dará a esses homens uma assistência temporária, mas a Irmandade deveria logo tornar-se auto-suficiente. Se acharem que realmente o movimento precisa de dinheiro, vocês podem ajudá-lo a conseguir, mas, por favor, não me peçam mais”. O conceito mais perfeito para o que viria ser a Sétima Tradição. Esse dinheiro foi usado para pagar hipoteca de três mil dólares do Dr. Bob, e do que sobrou retiravam 30 dólares por mês cada um até o dinheiro acabar. Mais tarde, em fevereiro de 1940, Rockefeller ofereceu um jantar no “Union Club” de Nova York – onde se fez representar por seu filho Nelson, pois estava doente – para que muitos de seus amigos pudessem conhecer a Irmandade. A publicidade resultante foi muito favorável. Apesar deste contratempo, foi mantida a idéia de pedir contribuições para pagar os custos das divulgações e manter um escritório de serviços. Para isso foi planejada uma fundação de caridade isenta de impostos, e para realizar o trabalho legal foi recrutado o advogado John Wood. À instituição foi dado o nome de Fundação do Alcoólico . Para cuidar da administração e recolher doações e contribuições o Dr. Bob e Bill criaram em Nova York, 11 de agosto de 1938, um conselho, ou junta, de cinco Custódios formado três amigos influentes não alcoólicos: Willard Richardson, Frank Amos e John Wood e por dois alcoólicos: o Dr. Bob e Bill R., um membro de Nova York, que saiu depois de voltar a beber. O projeto do livro continuou em pé e começou a ser escrito em maio. Para bancar o empreendimento, em fins de 1938 foi criada uma editora - a Works Publishing, Inc. (em 1959 tornar-se-ia A.A. World Services, Inc. – A.A.W.S.) que tinha como sócios Bill e Hank P. - o primeiro alcoólico a conseguir a abstinência no Grupo de Nova York. A sede era o escritório de uma firma de consultoria dirigida aos postos de gasolina que Hank tinha em Newark, Nova Jersey, onde o único patrimônio era uma enorme escrivaninha e alguns móveis estofados, e lá trabalhava a secretária Ruth Hock Crecelius (1911-1986), não alcoólica, que viria a ser uma das maiores colaboradoras e secretária nacional de A.A. Foram colocados à venda 600 certificados de ações ao preço de face de 25 dólares cada uma. Ruth Hock C. Toda a manhã Bill se deslocava do Brooklyn até Newark para ditar a Ruth os rascunhos dos capítulos do futuro livro. Em abril de 1939, foi publicado o livro Alcoólicos Anônimos (Big Book) – mesmo nome dado à Irmandade que durante quatro anos cresceu lentamente como um movimento sem nome nem estrutura – começou como “o esquadrão alcoólico” do Grupo de Oxford – e pretende explicar a outros alcoólicos exatamente como A.A. efetua a recuperação de seus membros. Foram impressos 4730 exemplares, que ficaram encalhados por algum tempo apesar de algumas críticas favoráveis, inclusive do jornal New York Times. Até que o editor da revista Liberty, Charles Fulton Oursler (1893-1952), jornalista e escritor e futuro amigo de A.A., se interessou pelo assunto e encomendou um artigo a respeito da Irmandade a Morris Markey. O artigo foi publicado pela Liberty em setembro com o título de “Os Alcoólicos e Deus”. Fulton Oursler A reação foi imediata, e mais de 800 pedidos de ajuda chegaram ao escritório através da revista, aos quais Ruth, a fiel e eficiente secretária do escritório, respondia com magníficas cartas personalizadas. Centenas de copias do livro foram vendidas ao preço de 3,5 dólares cada um. Pouco depois de ter saído o artigo da Liberty, o Plain Dealer de Cleveland também publicou uma série de artigos sobre o movimento, e mais livros foram vendidos. Nos próximos 16 anos foram distribuídas 300.000 cópias em 16 reimpressões. No dia 26 de abril de 1939, a calamidade bateu à porta da casa em que Bill e Lois moravam na Rua Clinton, 182, no Brooklin. Um banco estava tomando posse dessa casa que tinha pertencido aos pais de Lois e estava hipotecada. O casal - que pagava um aluguel barato até que o banco conseguisse comprador, precisou sair. Os Casa de Bill e Lois no Brooklin para a Restauração do Lar de Lois W.”. amigos agruparam-se, e criaram um “Fundo Os Custódios começaram a pagar ao casal a quantia de 50 dólares ao mês. Eles foram morar numa casa de campo emprestada em Nova Jersey e utilizavam um velho carro Lincoln também emprestado. A casa da Rua Clinton também servia como local de reunião do Grupo de Nova York além de moradia para alguns membros. Com o despejo do casal Wilson todos tiveram que sair. Alugaram um salão onde se reuniam semanalmente. À medida que o numero de membros crescia, as reuniões semanais se tornaram insuficientes, o local ficou pequeno e não podia hospedar ninguém. Pensou-se em algo familiar, talvez um clube. Idéia aceita encontraram o local adequado na Rua Twenthy-Fourth (vigésima quarta), num prédio que tinha sido primeiro um estábulo, e depois a sede do Clube dos Ilustradores - um grupo de artistas que o pintaram e Página 8 de 287 arrumaram e ao ficar pequeno saíram. O térreo comportava uma reunião de tamanho regular, e o andar superior um salão para recreação e dois dormitórios pequenos. Dois companheiros garantiram o aluguel, que era de 75 dólares por mês, e outro se responsabilizou pelas contas de luz, gás e telefone, outros 25 dólares. A partir do “The Old Club Twenty-Fourth”, (O Velho Clube da Rua 24ª), muitos outros foram iniciados na Filadélfia, Minneapolis e Texas, alguns muito elegantes, com hospedagem, outros apenas como sede. No começo os clubes foram muito bem aceitos e quando começaram a criar problemas foi decidido que deveriam seguir paralelamente e não poderiam ser administrados pelos grupos de A.A. Também, em 1939, formou-se o primeiro Grupo de A.A. dentro de uma instituição psiquiátrica: no Hospital estadual Rockland, em Nova York. Em 1941, o juiz Curtis Bok, um dos proprietários do semanário The Saturday Evening Post, teve sua atenção atraída para a Irmandade através de seus amigos da Filadélfia - os doutores A. Wiese Hammer e C. Dudley Saul, que tinham grande admiração pela entidade, e designou o jornalista e escritor Jack Alexander (1903- 1975), para escrever um artigo a respeito da Irmandade. Quando Jack chegou ao escritório da Rua Versey, foi feito a ele o mais exaustivo relato de A.A. que qualquer escritor jamais recebera. Primeiro encontrou-se com os Custódios e o pessoal de Nova York, e daí foi acompanhado pelo país afora. Finalmente Jack disse que tinha visto o suficiente e estava pronto para escrever. O artigo com o título “Alcoólicos Anônimos” e o subtítulo “Escravos libertos da bebida agora libertam outros”, com cerca de Jack Alexander 7500 palavras e ilustrado com quatro fotografias sem identificação, apareceu na publicação do dia 1º de março de 1941. A vasta investigação de Jack e sua grande capacidade de compreensão e comunicação em relação à Irmandade fizeram com que o artigo criasse um grande impacto. Através do correio e do telégrafo muitos pedidos de ajuda e encomendas do livro “Alcoólicos Anônimos”, chegavam à caixa postal 658. Para responder a toda correspondência foi pedida ajuda a todas as mulheres de A.A. e às esposas dos AAs que soubessem escrever a máquina. A secretária Ruth e as voluntárias levaram vários dias para responder o volume crescente de correspondência que chegava a até 50 cartas por dia. O auge do fluxo passou, mas sentiu-se a necessidade de contar com permanente ajuda paga. Compreendeu-se também que as crescentes “Alcoólicos Anônimos”. Saturday Evening Post necessidades do escritório não poderiam mais ser atendidas com o que rendia a venda do livro. Então, pela primeira vez foi pedido que os grupos contribuíssem para um fundo especial da Página 9 de 287 Fundação, destinado “exclusivamente a cobrir as despesas do escritório de A.A., sendo que as contribuições deveriam ser voluntárias”. No fim de 1941, e em função do artigo do Post, o número de membros tinha saltado de dois mil em 1940, para oito mil naquele ano. Motivada por essa incrível expansão, a publicidade nacional voltou-se para a Irmandade, fazendo com que fosse mais procurada. Precisava ser estabelecida uma cuidadosa norma de relações públicas para lidar com essa nova situação. A principal atenção foi dada à classe médica e religiosa. Em nenhuma circunstância se deveria entrar em competição com uma ou com outra. Assim, deu-se ênfase ao fato de que “A.A. é um modo de vida” que não entra em conflito com nenhuma crença religiosa, ou qualquer especialidade da medicina. Deixou-se que os médicos soubessem o quanto precisávamos de hospitalização, e foram sugeridas aos profissionais da saúde e às clínicas de desintoxicação as vantagens da cooperação. Sempre a prática da medicina seria da competência dos médicos, e os assuntos religiosos dos clérigos. Como alcoólicos leigos, A.A. seria apenas uma ligação. Tiveram de serem definidas formas de cooperar com a imprensa, o radio, a televisão e o cinema; com os empregadores; a educação, pesquisa e reabilitação; o quê dizer em hospitais, clínicas e instituições correcionais; para que fins, e como o nome de A.A. deveria ser usado, e em que situações os membros poderiam expor-se; como seriam custeados os Grupos, escritórios, órgãos de serviço etc. Para responder a essas questões foram codificadas, em 1946, as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos, que a princípio haviam-se chamado os “Doze Pontos para Garantir Nosso Futuro” - conjunto de princípios sugeridos para assegurar a sobrevivência e a expansão dos Grupos que compõem A.A. Baseadas nas experiências dos próprios Grupos durante os primeiros anos cruciais da Irmandade, elas se relacionam à condução dos assuntos internos dos Grupos, à cooperação entre eles e ao seu relacionamento com a comunidade externa. Em 1942, membros do Grupo de São Francisco, Califórnia, pela primeira vez, realizaram reuniões dentro do presídio de San Quentin, a pedido de seu diretor Clinton T. Duffy. Em julho de 1944, alguns AAs de Nova York começaram a publicar uma revista mensal que recebeu o nome de Grapevine (lese greipvaim => videira), que logo alcançou a tiragem de 40.000 exemplares por mês, e tornou-se o reflexo do pensamento e da ação de A.A. em todo mundo. Mais tarde muitos países-membros criariam suas próprias revistas (2). N.T. (2): No Brasil foi lançado, em novembro de 1985, o número “Zero” da Revista Brasileira de A.A., que depois se chamaria Revista Vivência (ver abaixo: Vivência). Em novembro de 1949, a Associação Americana de Psiquiatria solicitou que A.A. apresentasse uma tese a respeito de seu Programa. Foi bem acolhida e publicada no “American Journal of Psychiatry”, dando seu reconhecimento e validando, assim, o programa de A.A. Em julho de 1950 foi convocada a Primeira Convenção Internacional de A.A. em Cleveland e, a partir dela, vem sendo realizadas Convenções a cada cinco anos nas maiores cidades da América do Norte (EUA e Canadá), com um tema específico. O objetivo da de Cleveland era acolher as Tradições - que lá foram homologadas, e permitir que o Dr. Lápide para o Dr. Bob e Anne Smith Bob se despedisse. No seu curto discurso chamou especial atenção para se manter simples o programa de A. A. No dia 16 de novembro de 1950, o Dr. Bob morreu em Akron, Ohio, aos 71 anos de idade, em decorrência de um câncer de cólon. Repousa ao lado de sua mulher Anne – morta em 1º de junho de 1949, no cemitério Mount Peace, em Akron. Em 1951, a Fundação do Alcoólico – cuja Junta de Custódios não tinha vínculo com a Irmandade, apenas com o Dr. Bob e Bill – foi dissolvida, e em seu lugar foi criada a Conferência de Serviços Gerais, onde todos os Grupos seriam representados através de seus Delegados. Ainda em 1951, a Associação Americana de Saúde Pública concedeu a Alcoólicos Anônimos o Prêmio Lasker, em “reconhecimento formal do êxito de A.A. no tratamento do alcoolismo como doença e na eliminação de seu estigma social”. Em junho de 1953, foi publicada a 1ª edição do livro “Os Doze Passos e as Doze Tradições”. Em outubro de 1954 a Junta de Custódios vinculou-se à Irmandade formando junto com a Conferência de Serviços Gerais, a Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos. Prêmio Lasker Edward Dowling Por ocasião do vigésimo aniversário, em julho de 1955, foi convocada a Segunda Convenção Internacional de Saint Louis, Missouri, cidade escolhida por Bill porque lá morava o padre jesuíta Edward Dowling (1898-1960), seu conselheiro espiritual e grande amigo de A.A. e, em sua presença fazer uma declaração de gratidão a todas as pessoas nãoalcoólicas que ajudaram na construção da Irmandade: “A história de A.A. está repleta de nomes de não-alcoólicos, profissionais e leigos, que se interessaram pelo Programa de Recuperação de A.A. Milhões de nós devemos nossas vidas a essas pessoas, e nossa dívida de gratidão não tem limites”. O objetivo principal da Convenção foi a Declaração da Maioridade da Irmandade. Perante mais de cinco mil pessoas, Bill, falando em nome do Dr. Bob – já falecido – e dos membros mais antigos, declarou a Maioridade de A.A., e transferiu à Conferencia de Serviços Gerais e aos Custódios a vigilância e a proteção dos “Três Legados”. Também foi feita a apresentação do emblema e do pavilhão de A.A. como símbolos da Irmandade. No emblema, os Três Legados estão representados por um triângulo equilátero – os três lados e os três ângulos são 2ª Convenção Internacional, St. Louis, 1955. A declaração de Maioridade iguais, onde sua base representa a Recuperação – os Doze Passos – o lado esquerdo a Unidade – as Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos, e o lado direito o Serviço – na descrição de Bill, ‘tudo aquilo que nos leva ao alcoólico que ainda sofre’ e seus princípios espirituais baseiam-se no 12º Passo e a 2ª, 4ª, 7ª, 8ª e 9ª Tradições. O triângulo está inscrito numa circunferência que simboliza A. A. no mundo. O pavilhão é uma bandeira na cor branca contendo no centro o emblema na cor azul. O símbolo foi registrado na Câmara de Propriedade dos EUA em 1957, quando passou a ser usado oficialmente como propriedade da Irmandade. Tinha quatro formatos conforme sua destinação: 1) um triângulo eqüilátero inscrito numa circunferência apenas delineado, destinado ao registro de propriedade da literatura da A.A.; 2) igual ao anterior (1), mais dois “AA” dentro do triangulo com fundo azul, representado no pavilhão; 3) igual ao O emblema de A.A. anterior (2), mais os dizeres Conference General Service faceando internamente a circunferência, era o carimbo da Conferência; 4) igual ao formato 2 mais os dizeres Recuperação Unidade Serviço faceando externamente os lados do triangulo, para uso nos Grupos. Em janeiro de 1993, a propriedade do logotipo 1 foi questionada na Justiça americana, e dentro do espírito do conceito que recomenda evitar ações judiciais sempre que possível, o A.A.W.S. (Serviços Mundiais de A.A), suspendeu a partir de maio daquele ano, o uso do logotipo como símbolo oficial de A.A. O quarto logotipo não teve seu conjunto questionado e os Grupos podem usá-lo livremente. (Ver à frente: Legado => A exclusão do Circulo e do Triângulo como símbolo oficial de A.A.) Mas no fim do comunicado aparece “... É claro, o circulo e o triângulo sempre irá ter um significado especial no coração e na mente dos membros de A.A., no sentido simbólico, como o tem a Oração de Serenidade e os lemas, que nunca tiveram um caráter oficial”. Em 1955 começou a tomar corpo a idéia de Bill W. a respeito de se criar um Arquivo Histórico com a finalidade de “guardar os documentos históricos que nos ajudem a examinar nossa experiência de recuperação do dia a dia e também a experiência compartilhada do passado. Na medida em que separamos os mitos dos fatos, asseguramos que a nossa mensagem original de recuperação, unidade e serviço continue a ser a mesma numa sociedade que se modifica, cresce e se expande e se renova constantemente”. Bill W. delegou os cuidados dessa tarefa a Nell Wing (1917-2007), não-alcoólica, que tinha sido contratada pelo Escritório em 1947, e era sua secretária desde 1950. Nell ocupou esse cargo até sua aposentadoria em 1983. Nell Wing Em 1957, quando a Irmandade contava com mais de 200.000 (duzentos mil) membros em mais de 70 países e territórios foi criada na Grã-Bretanha e Irlanda a primeira Junta de Serviços Gerais de A.A. fora dos EUA e Canadá. Em 1959, a Works Publishing, Inc., tornou-se A.A. World Services, Inc. – A.A.W.S. (Serviços Mundiais de A.A.). Inicialmente concebidos por Bill W. como doze procedimentos que serviriam como “Código para o Escritório Central”, foram aprovados pela Conferência de Serviços Gerais em abril de 1962, como os “Doze Conceitos para Serviços Mundiais” - uma interpretação do autor sobre a estrutura de serviços mundiais de A.A. Sua finalidade é demonstrar o “porquê” desta estrutura para que as lições do passado não sejam esquecidas ou perdidas. Tem o mérito de ser um complemento para o Manual de Serviços de A.A. e para as Doze Tradições de A.A., descrevendo conceitos até então não definidos por escrito, como os direitos de “decisão”, “participação”, “petição”, além do princípio de “autoridade”. Estes Conceitos – exceto o 12º- poderão ser alterados ou emendados, pelas Juntas de Serviços Gerais de cada pais membro – a JUNAAB já usou desta prerrogativa. Em Julho de 1965, por ocasião do 30º aniversário, foi convocada a 4ª Convenção Internacional de Toronto, Canadá, cujo tema foi “O Termo de Responsabilidade”. Em 1966, mudou a relação de Custódios alcoólicos e não-alcoólicos na Junta de Serviços Gerais: eram 15 membros, sendo oito não-alcoólicos e 7 alcoólicos e passaram para 21 membros, 14 alcoólicos e 7 não-alcoólicos dando, assim, aos alcoólicos a atual maioria de dois terços. Em 1967 foi publicado o livro “O Estilo de Vida de A.A.”, que a partir de 1975 se chamaria “Na Opinião de Bill”. Em outubro de 1969, realizou-se em Nova York a Primeira Reunião de Serviços Mundiais, com a participação dos delgados de 14 países. Em Julho de 1970, por ocasião do 35º aniversário, foi convocada a 5ª Convenção Internacional de Miami Beach, Florida, cujo tema foi “Uma Declaração de Unidade”, onde Bill fez sua última aparição em público. Em 21 de janeiro de 1971, realizou-se em Nova York a Segunda Reunião de Serviços Mundiais. Bill W. morreu no dia 24 de janeiro de 1971 – data do 53º aniversário de seu casamento com Lois - horas depois de dar entrada no Instituto do Coração de Miami, Florida, EUA , em decorrência de enfisema pulmonar. Repousa no cemitério de East Dorset, Vermont, EUA. Em 5 de outubro de 1988, morreu no Northern Westchester Hospital em Mount Kisco, Nova York, Lois Wilson, aos 97 anos de idade. Ela foi casada com Bill durante exatos 53 anos. Lápide de Bill W. Página 13 de 287

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