14.03.2012.
A folha em branco
Coisa que não uso mais e
Que ainda insiste em
Ocupar minha memória
Chama-me, incita
A deitar sobre ela
Não meu corpo cansado
Mas minha febre poética
Voraz, indômita, perplexa
Em frenesi me acena, delibera
Anulando-me daquilo
Que despretensiosamente
Chamo de sapiência
Esse desejo auspicioso
Ferve-me as entranhas
Estranhas e desconhecidas loucuras
Num furor desavisado, incompleto e
Completo de minhas ausências
Inspira-me desejos
Sobejos e visões que
Entorpecem minha razão
Quando achei que a possuía
Que a tinha sob meu domínio
Eu como bicho humano
Daqueles que andam com dois pés
Desabrocho sobre ela em versos
Anulando o intervalo entre
O sôfrego aspirar de
Minha boca e coração.
Marcelo Braga e Edna Frigato
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