Fonte de energia e som do planeta sem homens
Vergonha que tenho de minha espécie
Mergulho num mar de sangue e ouço gritos
Calamidade, desespero, holocausto
Jogo de forças vãs na brevidade da vida
Todos sabem, mas não cansam de matar
Tome logo teu passaporte para o inferno
Mas não, viverás teu inferno aqui
Pagarás tributo ao diabo em tuas picuinhas
Sim Marcelo, você talvez seja o pior
Despido como se puseste ao gélido sepulcro
Léteo, vítreo golpe, enxague de lama onde pisas
Mas não, deslizas divertidamente nesse tobogã
Homem cruel, ciumento, fofoqueiro, invejoso
Asqueroso, pútrido em seus próprios ardis
Você Marcelo, poeta de merda, de flores e amores
Você Terra do Nunca num pasto de vermes
Teu verde-escuro nas paredes onde vegetas
Homem quadrúpede, insano, perdido e sozinho
Manipulas a maldade, inverte a verdade
Terás teu inferno em sofreguidão latente
De palavras espúmeas vestido de carneiro
És tu nublado, dúbio, caliginoso
Limbo e estrato de superficialidade
Dedique essa prosa em ebulição
Aos bichos escrotos, aos mortos-vivos
Dessa estrada de vapores pútridos que é o teu perfume
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