06.06.2012.
Abdicamos de sonhos que poderiam se tornar projetos e mais a frente realizações, porque a vida é assim e isso bastaria.
Meus sonhos não são todos para sempre jovens; envelhecem comigo – aqueles que nunca envelheceram, nasceram com anencefalia e alguns sobreviveram algum tempo.
Costumo argumentar em meus solilóquios que o que tiver de ser será. Causa-me a impressão de um suposto “nadaísmo” – mas penso que muita coisa acontece sem que eu nada faça.
Há casos em que forço a situação, ela acontece, mas pouco significa se por isso, ela será ou não consistente. Mas sei, nos dois casos, de sua efemeridade.
Mas vibro com o mérito; com resultados da constância e insistência. Geralmente corroborados de resistência e impetuosidade. Esses se solidificam.
Parece até a estória dos três porquinhos...
Quando ponho, no velho e em desuso projetor, o filme de minha pouca existência, vejo que fui capaz de muita realização e tive muitas chances em muitas as áreas da vida. Há oportunidades que descartei por inapetência, outras por ingerência, outras por incompetência. Reparo também que algumas levei a cabo, mas logo penso na inconclusão da vida e me espanto quando reparo que o futuro também será de coisas começadas.
Parece até a história da vida de todo mundo...
Mas não: vejo pessoas frustradas, outras no meio do caminho e outras plenamente satisfeitas por terem chegado aonde chegaram. E penso: frustração é uma palavra que ninguém se submete; meio do caminho alguns o admite e plena realização quase todo dia ouço.
Se um dia minha voz ficar rouca, meus cabelos laterais brancos, percebendo assim a morte ainda mais palpável, a cada inverno, a cada mês de julho, serei ainda essa explosão de planos, possíveis ou não, realizáveis ou não, cabíveis ou não. Minha essência é inseparável de mim, mesmo no Tibet...
Então melhor ser feliz nesse momento em que escrevo sobre essas questiúnculas, porque escrevi sobre elas e não vivi sem pensar. Caso meus 76 anos me reserve ainda lucidez, vou querer essa folha de papel para relê-la e morrer, morrer de rir disso tudo.
Parece até uma carta suicida - mas não, são apenas locupletações em reminiscências. Em outras palavras, se não foi perfeito até aqui, foi perfeito até aqui. O que passar disso será mero incauto lamento, pois penso que, estar vivo HOJE é por demais da conta uma só felicidade.
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