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quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

ÓTIMOS e SOFRÍVEIS


08.06.2012.
 



 
Ontem, depois do trabalho, dormi assistindo um documentário que não me lembro mais do que se tratava, sei que dormi cedo e acordei muito cedo, diferente do cedo que me é de costume.
 
Então me pareceu que essa crônica tomaria forma de diário, mas não deixaria, pensei, que ela tomasse forma de “Meu Querido Diário”, primeiro porque...
 
Bem, resolvi ouvir Debussy enquanto limpava ovos de pata para acondicioná-los nas caixas de ovos de galinhas que mal “suportam” ovos de pata, devido ao seu tamanho e reparei que minhas patas mais velhas estão exagerando no tamanho dos mesmos...
 
Enquanto notívago, ouvindo Debussy e acondicionando ovos de pata, pensei na quantidade de textos que li nesses dias, na quantidade de livros a serem lidos acumulando-se em minha estante e nos sacos de ração que preciso comprar hoje. Crescimento: acabou. Postura: acabou. Canina: acabou. Coelho: acabou. Milho: acabou. Resolveram todos os sacos esvaziarem-se ao mesmo tempo. Tudo bem, a casa de ração abre hoje, basta esperar abrir e telefonar fazendo o pedido. Ainda bem que parei com carpas e codornas...
 
Pensei um pouco sobre textos crônicos que se relacionam com o gosto de alguns ótimos escritores que li e os leio com certa frequência. Cheguei a algumas conclusões:
 
  1. Tenho muito que aprender com esses escritores;
  2. Tenho condições de melhorar com o hábito de ler e de escrever;
  3. Tenho textos publicados que durante o ano deverei retirá-los do ar por serem sofríveis demais;
  4. Alguma vergonha dos livros que publiquei;
  5. Muita vontade de ver meus novos cinco livros prontos nesse ano;
  6. Os oito livros que estão prontos, fora esses novos cinco, encontram-se em processo de revisão e estão melhores que esses cinco que desejo publicar esse ano;
 
Entre outras conclusões, concluí também que nada se conclui a contento, então, mudei de Debussy para mais um cigarro e mais um copo de Coca-Cola e pensei: com cigarro e Coca-Cola estarei facilitando ainda mais a inconclusão da própria vida, mas logo mudei de ideia, pois ficar pensando em morte nada vai resolver e com ela eu me entendo depois, talvez...
 

E assim, da janela do banheiro dei uma olhada nos pintos da suposta raça “Gigante” e reparei que eles estão crescendo muito mais rapidamente que os “Brahma”. Então me veio a ideia: Marcelo, dedique-se a criar aves, esqueça essa coisa de escrever, desista de criar aves e vá vender seus artigos de rock enquanto a prefeitura lhe permite... depois continue escrevendo e mude de ramo quando possível for, caso assim queira. Ou não, continue apenas vivendo, respeitando os ótimos e os sofríveis, porque até os sofríveis têm algo para lhe ensinar e, além disso, sua vida Marcelo, ainda nem começou e já tens uma família para ser amável, dedicado e cordial com a mesma.

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