Um revolucionário da música. Quando a música se desliga da igreja e passa a ser feita para o povo. Tenho dele a quinta sinfonia como a predileta, embora a nona seja a mais aclamada.
Nascido em 16 de dezembro de 1770, em Bonn, na Alemanha, e viveu os últimos 35 anos em Viena. Sua mãe havia perdido quatro filhos antes de dar à luz ao compositor. O pai, Johann, alcoólatra, era um tipo violento. Foi o primeiro professor de música de Ludwig. E raros eram os dias em que o garoto não levava chicotadas ou ficava trancado no porão de castigo por não mostrar conhecimento suficiente de piano, violino ou teoria musical. Às vezes, era acordado à noite e obrigado a estudar durante a madrugada.
Uma curiosidade: em seus 35 anos morando em Viena, mudou-se nada menos do que 73 vezes. A partir de 1880, quando já era famoso, nem se dava ao trabalho de fornecer o endereço aos amigos. Dizia: "Escrevam no envelope das cartas somente 'para Ludwig van Beethoveen, Viena'".
A surdez começou a afetá-lo a partir de 1800, quando tinha 30 anos. Como pianista, era o melhor entre 300 virtuoses da cidade. Em função da concorrência, primeiro tentou esconder a doença, sem sucesso. Depois, desesperou-se. Em 1802, em Heiligenstadt, pensou seriamente em suicídio e escreveu uma carta aos irmãos Karl e Johann, hoje conhecida como o TESTAMENTO DE HEILIGENSTADT.
Beethoven foi flexível do ponto de vista musical e originalíssimo no campo de DIREITOS AUTORAIS, que não existiam em seu tempo. Nas cartas, revelava o sonho de não ter de se desgastar negociando a toda hora com editores. Queria, segundo Griesinger, seu contemporâneo, "encontrar um editor que se decidisse de uma vez por todas a me pagar um salário anual, em troca do qual teria o direito de publicar tudo que componho, e então não teria preguiça de compor". Enquanto não desfrutava de tal privilégio, não se furtava em vender a mesma obra a três e até quatro editores ao mesmo tempo.
No final da vida, sofria de colite ulcerativa (inflamação na mucosa do cólon), oftalmia (inflamação nos olhos), degeneração das artérias e cirrose. Muito doente, engajou-se numa romaria em busca do bom e velho vinho do Reno, que o médico lhe receitara e que poderia mitigar seu sofrimento. Em 22 de fevereiro de 1827, requisitou o sagrado líquido ao editor Schott: "Dirijo-me agora aos senhores com um importante pedido. O meu médico mandou-me beber um pouco de vinho do Reno que seja velho e de ótima qualidade. Aqui é impossível obtê-lo, sem que seja adulterado, mesmo que a um custo altíssimo". Oito dias depois, renovou o pedido. Mas as preciosas garrafas de vinho Rüdersheimer Berg, safra 1806, só chegaram no dia 24 de março. "Pena, pena, tarde demais" foram suas últimas palavras, antes de mergulhar na inconsciência e morrer 48 horas depois, aos 57 anos.
Com cerca de 250 obras, a música instrumental domina a produção de Beethoven, que soma cerca de 400 composições. O volume das mais importantes impressiona: 32 sonatas para piano, dez sonatas para violino e piano, sete trios para piano e cordas, 17 quartetos de cordas, nove sinfonias e cinco concertos para piano e orquestra.
Indico para audição a Sinfonia 5 em Dó Menor, opus 67, em preferência a terceira faixa, que dura um pouco mais que 4 minutos, um Allegro (scherzo), fantástico.
Indiscutivelmente um gênio da música, teria muito a dizer ainda, mas me deu vontade de beber um vinho velho do Reno... só vontade...
O "Poeta dos sons", como autoproclamava.
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