29.11.2012.
O ano era de 2005. Cheguei à cidade no mês de MAIO, inverno. Nunca havia estado nem por perto do estado de Santa Catarina, muito menos no meio oeste do estado na maior cidade produtora de maçãs no país: Fraiburgo.
Fui a um hotel-pensão-pousada de um pessoal italiano, eram 5:30 da manhã, um frio cortante ventava entre meu esquálido esqueleto tremelicante. Olhei a pilha de edredons no quartinho e pensei: é nessa que vou! Não sem antes ligar meu aparelho portátil de música e queimá-lo imediatamente na tomada 220 volts. Perdi o sono, fulo da vida. Saí do estabelecimento, rumei à padaria mais próxima dos parentes do corredor de Fórmula 1, Maurício Gugelmin e pedi um pão, cuja massa era à “la Europa”, ou seja: dura pra cacete!
Enquanto tentava entender o que o pessoal conversava naquele sotaque estranho numa mistura ítala-gêrmanica-polaca pensei na possibilidade (e urgente necessidade) de arrumar um emprego por ali. Fui a uma gráfica quando deu 08:00. A recepcionista me deu bom dia. Perguntou com quem eu desejava falar. “Quero falar com o patrão”. “O senhor é quem?” “Avise para ele que é o Marcelo Braga do Rio de Janeiro.” Pois daí entrei em seu escritório e lhe pedi emprego. Não havia vagas, mas na outra gráfica da cidade, do alemão Edgar, havia. O Edgar havia telefonado ao mesmo dias antes, precisando de um impressor de off-set. Corri pra lá. Para resumir, o alemão fez, antes de me efetivar, um levantamento completo de meus nada-consta.
Trabalhei muito nessa gráfica. Imprimia em uma Multilith 1850 limpinha (coisa rara no Rio), com peças originais cromadas e nada de gambiarras. Nem barulho a danada fazia. Especializei-me lá em imprimir convites de casamento em policromia. Trabalhei nessa empresa durante todo o inverno. O alemão demorou apenas quatro meses para pegar confiança em mim. Acho que passou a confiar em mim no mês de setembro, fim do inverno, quando resolvi voltar ao Rio. Guardo muita saudade dele, inclusive já o chamei para vir ao Rio passear.
Bem, o que me acontece no mês de junho, dia dos namorados? Chega na rodoviária cheia de bolsas, vindo do bairro de Bangu, Rio de Janeiro, tendo deixado para trás emprego, apartamento, carro, quatro filhos e ex-marido ciumento, minha ex-namorada do Rio: Magnólia! Parte do meu problema com o frio estava sanado. Aluguei uma casinha mobiliada próxima à rodoviária da cidade que fica também próxima à gráfica. Problemas viriam depois, mas aqueles primeiros dias foram bastante divertidos.
Bem, para adiantar a história, no período em que lá residi, passei por sete geadas e uma nevasca, vi pés de maçãs de 18 qualidades, aprendi a falar como eles, frequentei assiduamente a biblioteca local, fiz algumas amizades com as pessoas, aprendi alguns costumes locais, comi pinha, minha casa foi arrombada e roubada, fui entrevistado na rádio local, fiz bico nos finais de semana em uma boate como garçom, admirei com gosto loiras de verdade e achei muito feios os polacos, grandões e desajeitados.
Magnólia teve sérias dificulidades em arrumar emprego, talvez por ser afro-descendente. Passou três meses procurando, até que uma bela noite arrumou, arrumou suas bolsas sem me dizer nada e foi para a rodoviária. Depois fiquei sabendo que o ciumento de seu ex-marido foi até lá tirá-la daquela situação de frio intenso.
Vale lembrar que a "missão" de Magnólia fora cumprida ao cuidar de mim quando peguei pneumonia entre uma lareira e vários freezeres da boate. Pensei que eu iria morrer! Abastecia lenha nas lareiras e abastecia freezer com refrigerantes e cervejas. Não há carioca que aguente esse choque térmico...
Porque me brotaram essas reminiscências hoje? É que li uma crônica da sulista Giustina onde ela diz preferir o calor ao frio.
Adiantando e resumindo: chegou setembro, fui à rodoviária, comprei passagem para Curitiba. Na hora do almoço avisei ao patrão: “Dê baixa em minha carteira hoje, às 17:00 sai meu ônibus. Vou voltar ao Rio.” Ele quis ir à rodoviária cancelar a viagem, mas insisti com ele que queria ir ao Rio conhecer Isabel. Se desse errado eu voltaria.
Passaram-se já um pouquinho mais de sete anos. Desde nossa lua de mel regada à whisky falsificado até a data presente, muitos momentos legais, o fim de minhas intermitentes aventuras e viagens, o fruto de nosso amor chamado Ana Julia, hoje em seu quase 5º ano completo de beleza, inteligência e travessuras.
Fui a um hotel-pensão-pousada de um pessoal italiano, eram 5:30 da manhã, um frio cortante ventava entre meu esquálido esqueleto tremelicante. Olhei a pilha de edredons no quartinho e pensei: é nessa que vou! Não sem antes ligar meu aparelho portátil de música e queimá-lo imediatamente na tomada 220 volts. Perdi o sono, fulo da vida. Saí do estabelecimento, rumei à padaria mais próxima dos parentes do corredor de Fórmula 1, Maurício Gugelmin e pedi um pão, cuja massa era à “la Europa”, ou seja: dura pra cacete!
Enquanto tentava entender o que o pessoal conversava naquele sotaque estranho numa mistura ítala-gêrmanica-polaca pensei na possibilidade (e urgente necessidade) de arrumar um emprego por ali. Fui a uma gráfica quando deu 08:00. A recepcionista me deu bom dia. Perguntou com quem eu desejava falar. “Quero falar com o patrão”. “O senhor é quem?” “Avise para ele que é o Marcelo Braga do Rio de Janeiro.” Pois daí entrei em seu escritório e lhe pedi emprego. Não havia vagas, mas na outra gráfica da cidade, do alemão Edgar, havia. O Edgar havia telefonado ao mesmo dias antes, precisando de um impressor de off-set. Corri pra lá. Para resumir, o alemão fez, antes de me efetivar, um levantamento completo de meus nada-consta.
Trabalhei muito nessa gráfica. Imprimia em uma Multilith 1850 limpinha (coisa rara no Rio), com peças originais cromadas e nada de gambiarras. Nem barulho a danada fazia. Especializei-me lá em imprimir convites de casamento em policromia. Trabalhei nessa empresa durante todo o inverno. O alemão demorou apenas quatro meses para pegar confiança em mim. Acho que passou a confiar em mim no mês de setembro, fim do inverno, quando resolvi voltar ao Rio. Guardo muita saudade dele, inclusive já o chamei para vir ao Rio passear.
Bem, o que me acontece no mês de junho, dia dos namorados? Chega na rodoviária cheia de bolsas, vindo do bairro de Bangu, Rio de Janeiro, tendo deixado para trás emprego, apartamento, carro, quatro filhos e ex-marido ciumento, minha ex-namorada do Rio: Magnólia! Parte do meu problema com o frio estava sanado. Aluguei uma casinha mobiliada próxima à rodoviária da cidade que fica também próxima à gráfica. Problemas viriam depois, mas aqueles primeiros dias foram bastante divertidos.
Bem, para adiantar a história, no período em que lá residi, passei por sete geadas e uma nevasca, vi pés de maçãs de 18 qualidades, aprendi a falar como eles, frequentei assiduamente a biblioteca local, fiz algumas amizades com as pessoas, aprendi alguns costumes locais, comi pinha, minha casa foi arrombada e roubada, fui entrevistado na rádio local, fiz bico nos finais de semana em uma boate como garçom, admirei com gosto loiras de verdade e achei muito feios os polacos, grandões e desajeitados.
Magnólia teve sérias dificulidades em arrumar emprego, talvez por ser afro-descendente. Passou três meses procurando, até que uma bela noite arrumou, arrumou suas bolsas sem me dizer nada e foi para a rodoviária. Depois fiquei sabendo que o ciumento de seu ex-marido foi até lá tirá-la daquela situação de frio intenso.
Vale lembrar que a "missão" de Magnólia fora cumprida ao cuidar de mim quando peguei pneumonia entre uma lareira e vários freezeres da boate. Pensei que eu iria morrer! Abastecia lenha nas lareiras e abastecia freezer com refrigerantes e cervejas. Não há carioca que aguente esse choque térmico...
Porque me brotaram essas reminiscências hoje? É que li uma crônica da sulista Giustina onde ela diz preferir o calor ao frio.
Adiantando e resumindo: chegou setembro, fui à rodoviária, comprei passagem para Curitiba. Na hora do almoço avisei ao patrão: “Dê baixa em minha carteira hoje, às 17:00 sai meu ônibus. Vou voltar ao Rio.” Ele quis ir à rodoviária cancelar a viagem, mas insisti com ele que queria ir ao Rio conhecer Isabel. Se desse errado eu voltaria.
Passaram-se já um pouquinho mais de sete anos. Desde nossa lua de mel regada à whisky falsificado até a data presente, muitos momentos legais, o fim de minhas intermitentes aventuras e viagens, o fruto de nosso amor chamado Ana Julia, hoje em seu quase 5º ano completo de beleza, inteligência e travessuras.
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