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segunda-feira, 19 de maio de 2025

SOMBRA, QUANDO QUERO O SOL ME TOSTANDO A CARA

 


SOMBRA, QUANDO QUERO SOL ME TOSTANDO A CARA 06.11.2008. 

Acordo sem saber para onde ir; o que fazer 

A poesia me permite dizer coisas sérias e ser perdoado 

Minha disposição para ser feliz e completamente... 

Tenho medo do mundo que está se formando na “grande rede” 

Descanso mesmo sabendo que estou desperdiçando a vida 

O silêncio dos quartos fechados tem seu preço 

Os livros que leio me são como filmes que me agitam 

Minha pressa é única e exclusivamente contra o tempo 

A televisão mostra monstros em forma de ser humano 

Felizes são os cachorros, os pássaros livres e os peixes 

Quanto mais pobre a comunidade, mais fé 

As horas que passo calado me entorpece de angústia 

Existem situações irreversíveis e o problema está na mente 

Não suporto ver textos piores que os meus 

Não suporto a dublagem de comerciais americanos 

Não suporto caras mais feias que a minha 

Não suporto a decência, o declínio, a decadência 

A cacofonia, o grito, o desritmo, a arrogância 

Aparecem poucas cartas, telefonemas e alguns e-mails 

O céu insiste em nublar sobre meus passos; sombra para mim 

Sombra quando quero Sol me tostando a cara!
 
 
 
Marcelo Braga

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